1 de julho de 2011

MEMÓRIAS DE LÚCIFER - Recontextualizado


Todos os contos da Memórias de Lúcifer tiveram fontes de inspiração diferentes, e escritos em estado de espírito diferente, resultando daí o tratamento ser diferente em todos eles. A única coisa em comum que têm é a presença da influência de Pitigrilli, que foi o autor que mais impressionou, pois escrevia histórias sobre tudo, tudo mesmo, cada momento do quotidiano podia ser um motivo para uma história para ele; e eram histórias anedóticas, no entanto, ou eram anedotas transformadas em histórias, e a cada dois parágrafos enxertava aforismos, frases de espírito e observações sobre a psicologia do homem. Tentava sempre escrever como ele, sem sucesso, na maior parte das vezes, reconheço, mas procurava sempre fazer uma observação curiosa sobre o espírito humano. Ups, empolguei-me.

Aconteceu, no entanto, ao escrever Caim e Abel, ter lido Robert Charroux, (li três livros dele), e resolvi fazer de Deus e companhia extraterrestres (se bem que de uma forma ou outra eles são mesmo), larguei a linha totalmente idiota do Adão e Eva e tentei ser em algum ponto tão pitigríllico como no Noé – O primeiro Messias, que escrevi antes deste, mas fui muito descritivo e tentei amarrar pontas de Adão e Eva para dar uma maior consistência ao conjunto.

Não ficou uma coisa com piada como Adão e Eva, porquanto tentei fazer ficção treta-pseudo-científica, nem teve as matizes pitigríllicos de Noé (mas isso não poderão saber porque não leram ainda essa história), porém usando todas as lendas que encontrei acerca do Caim, lendas da Criação que resolvi readaptar, e mantendo as anacronias, derrubando por vezes a quarta parede, para me alienar a mim mesmo, porque a certa altura já estava a acreditar numa visão profética do que escrevia, confundido e impressionado com tantas leituras de esoterismo e tal, porque na altura não só lia Robert Charroux, como outros tantos escritores do género, e ainda os três volumes de Na Luz da Verdade de Abdruschin. Naquela altura desencontrei-me durante algum bocado, e usar os recursos que referi acima no Caim e Abel, e o próprio escrever da história ajudou-me imenso a manter os pés na terra, porque me permitiu ver que até mesmo eu era ser capaz de inventar uma lenda, e, portanto, não devia levar a sério tudo o que lia. 
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