13 de julho de 2011

MEMÓRIAS DE LÚCIFER - CAIM E ABEL - A Guerra do Fogo - pt. 1


THEN, ADÃO E EVA - O Mundo Perdido:



NOW:

CAIM E ABEL - A GUERRA DO FOGO

O nascimento de Abel não foi muito complicado, quer dizer, em termos psicológicos. Adão já estava melhor preparado e não fora apanhado totalmente de surpresa, mas de qualquer maneira ainda não estava muito bem preparado, nem ele nem Eva, mas ela desenvincilhava-se melhor, porque tinha comprado o instinto de Adão quando ainda estavam no Paraíso e, por isso, percebia mais rapidamente as coisas.
Depois do susto que tiveram aquando do nascimento de Caim, ela insistiu que começassem a observar os animais à socapa, para perceber como eles faziam depois de darem à luz. Dar à luz? Termo engraçado, achava Adão, só porque ele estava na tua barriga, achas que ele estava na escuridão? Adão não via o sentido disso, a sua razão, a única coisa que Eva não quis comprar, era muito fria para compreender metáforas nascidas da emoção, mas compreendia bem a emoção do amor que Eva causava nele, por isso aceitava quase todas as sugestões dela. Também fazer o quê? Ou era aceitar logo ou ouvi-la o dia todo a martelar-lhe o cérebro com solilóquios, aliás, mesmo quando aceitava logo ainda tinha de ouvir duas horas de justificação do porquê. Quando Caim chegou… não era bem de Caim que o queria chamar, mas de Caí, porque ele veio de repente, só que Eva não gostou e queria chamá-lo de Caiu de Mim, mas ele achava ridículo, por quê de mim, se supostamente, ainda não tinha a certeza, ele também tinha parte na chegada do menino. Foi assim que decidiram suprimir algumas letras e ficou apenas Caim. [Ah!, minha amiga, esqueça os hebreus, não se falava hebraico no Paraíso, mas português]. Como estava a dizer, a chegada do Caim apanhara-os aos dois de surpresa. Vou fazer um flashback.

carlos ruas - um sábado qualquer


Uaaaaashhhh! Flashback:
– Porra, Eva, por que estás a mijar na cama?
– Não estou, querido ­– disse Eva, levantado o cobertor. – Ah! Porra, estou mesmo. Adão estou a mijar mas não estou a mijar. Isto é água. Adão, estou a deitar água. Por que estou a deitar água, Adão? Não é possível, nem sequer estou excitada. E esta quantidade é absurda. Estou doente, Adão? Por que não respondes, Adão?
– Porque…
– Adão, será que estou a morrer. Já me dói a barriga. Ai! Será que essa coisa na minha barriga vai arrebentar-me? Ela vai sair arrebentando a minha barriga, ai, meu deus.
Adão sempre esteve curioso sobre como aquele filho iria nascer. Sabia que a mãe não morria, por que já tinha observado algumas fêmeas de animais grávidas e depois visto as mesmas com uma cria, sem estarem mortas, porém nunca sentira curiosidade em observar o momento em que as crias vinham para fora. A única ligação que ele via para barriga de Eva era a boca, e não conseguia imaginar como é que uma coisa tão grande poderia sair pela boca. Por isso quando Eva falou em morrer, Adão entrou em Defcon -1. Não sabia o que fazer, ficou histérico, e tudo o que conseguia era amplificar os gritos e gemidos de Eva. Quando ela gritava de dor, Adão berrava a plenos pulmões. Foi a primeira vez que chamou por Deus desde que saiu do Paraíso.

Lá no Céu. [Esta parte fui eu mesmo que o contei a Lúcifer; apesar das diferenças ainda continuávamos (e continuamos) amigos, afinal estudámos na mesma escola desde crianças].
- Gabriel, o que é que se passa?
- Adão o chamou, Pai. – Depois da partida de Adão, Deus, talvez por saudades, decidiu que todos deveriam chamá-lo de Pai.
- Quem está a monitorá-lo agora?
- Miguel.
- E ele disse o que se passa?
- Parece que Eva vai ter um filho e Adão não sabe o que fazer.
Deus levantou-se de um salto, preocupado. Ele sempre fora um teórico, além do mais nunca tinha visto um nascimento; todas as criaturas que tinha posto na Criação surgiram no laboratório, em tubos de ensaio, e tirando a da Eva, não esteve presente na criação de mais nenhum. Mas precisava de tomar uma atitude, e dizer que não entendia de parto era mostrar-se impotente, por isso como qualquer bom chefe quando não sabe o que e como fazer, delegou:
– Olha, Gabriel, liga o satélite que está a vigiar Adão neste momento ao monitor, e diz ao Miguel que estou a dormir e não quero ser acordado. Manda chamar o Esculápio, pois ele já monitorou muitos nascimentos de animais para o Disco-a-Ver Channel e pode saber de alguma coisa, e manda-o ter com Adão.

Cá no Inferno. Estávamos eu e Samael a trabalhar no projecto LILITH (Legitimidade, Individualidade, Liberdade e Independência Total aos Humanos) – humanos, sim, chamamos humanos a Adão e Eva, para os diferenciar dos restantes animais, porque eles têm a fala, e estes não … como comecei a dizer, estávamos nisso quando Azrael entrou e disse que Eva estava em apuros. 
O parto natural era uma coisa muito perigosa, mesmo a minha espécie, antes da evolução, com toda a ciência que tinha desenvolvido, sofria muito no parto; quando começamos a conceber fora do corpo, e a mesclar os géneros, não precisamos mais de correr esse risco. Porém há muitos séculos que nenhum parto natural havia sido reportado e mesmo os nossos cientistas não estavam preparados para isso; não foi negligência não, numa linguagem compreensível para vocês: quem, com isqueiros disponíveis a qualquer altura, iria ensinar os seus a fazer fogo batendo sílex? No entanto, tínhamos arquivos, e em cinco minutos, um de nós três devia aprender a fazer um parto para ajudar a Eva. Mas aí é que começou o problema. Azrael achava que devíamos deixar morrer Eva para Lilith ser a nova parceira de Adão. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...