22 de fevereiro de 2008

O MUNDO E A TV - DISSEMINANDO A INTOLERÂNCIA



Este vai ser a primeira parte de uma série de reflexões de treta.

Fazendo o zapping encalhei na SIC Mulher (oh!, não, não me entendam mal, não sou gay, e como isto aqui é um sítio público e para não quebrar a convenção e passar por intolerante, vou carimbar que não tenho nada contra eles, apesar de não ter gostado do único que conheci, pois fazia-se a mim).

Como estava antes a dizer, encalhei-me ali, porque um homem (bem parecido, por sinal) estava a contar como a sua mãe o apoiara quando descobriu que era gay; fiquei interessado, é sempre bom ver alguém com coragem para assumir a sua posição; e quando vemos como são tratados por serem apenas diferentes sobe-nos um nó para a garganta e um aperto no estômago tão forte que nos deixa a cara a arder. Aliás, eu pensava que era isso que acontecia, até ver a apresentadora (acho que é Tyra) a despedir o homem e depois a chamar uma mulher que não estava de acordo comigo.

Ela chamava-se Ashley qualquer coisa, era advogada e mãe de onze filhos, praticava a religião baptista e tinha um imenso ódio contra os gays, porque, segundo ela, todos eles irão para o Inferno, porque Deus os odeia (isto dá muito pano pra manga).

Primeiro admirei também a coragem da mulher: entrar numa audiência onde se tinha acabado de bater palmas fortes em solidariedade aos gays, e sustentar à viva voz que odiava gays, era algo que chamasse colhões ao assunto. Era provocação máxima, mas era uma mostra de coragem e afirmação. Ela estava acompanhada de duas meninas, suas filhas, e todas elas partilhavam do mesmo credo: ódio aos homossexuais. A justificação: Deus odeia isso.

Esqueci-me de dizer que a Tyra anunciou essas mulheres como semeadoras de ódio, violência e intolerância e durante a entrevista, não deixou de chamar-lhes isso nas suas caras; pensam que elas se zangaram? Não, continuaram ali, impávidas, forçando um sorriso amarelo e melado cada vez que a câmara lhes focava, e não alteravam a postura por minuto algum. Houve um momento em que a Tyra começou a gritar com a mãe: não discutas comigo no meu programa. Eu estava a sentir pena, admiração e nojo dessas mulheres, mas pela forma com a Tyra as atacava, e quando falou isso, e quando depois pôs os figurantes a atacar essas três diabas, enjoei. 

As mulheres queriam aparecer na TV, a Tyra queria subir a audiência, o sacana do gay tinha um programa de auto-ajuda e era músico, estava apenas a publicitar-se. Aquilo tudo começou a feder de hipocrisia; e quando se chamou um ex-skinhead para descascar as três mulheres, passei dos carretos… mas não pensem que mudei de canal. Ainda vi uma menina de 14 anos a dizer que é uma puta porque fodeu já 14 rapazes…

Não posso transcrever aqui os diálogos, mas posso dizer que naquele estúdio não havia uma única pessoa que não fosse intolerante; e eu também me senti intolerante, por momento quis que um kamikaze entrasse de rompante no estúdio. 

Estou com preguiça de pensar e sei que o texto está superficial, mas vou resumir, a raça humana é a pior que existe neste planeta, perdoem-me o cliché. 

O MITO DA FÉNIX

Os egípcios conheciam boinu, ave que em certas auroras levantava-se imponente em direcção ao disco áureo do Sol. Era boinu anunciante de boas notícias. Quando ela aparecia, sabiam logo que haveria colheitas férteis e que as crianças que fossem geradas nessa altura receberiam uma bênção especial, tornar-se-iam excepcionais.

Boinu fazia conexão entre as duas entidades mais respeitadas pelos egípcios, o Nilo e o Sol, o deus Rá; levantava-se de um e voava em direcção ao outro. Por essa razão, boinu acabou por ser identificado com o Sol.
Porém, foram os gregos que chamaram à ave de Fénix (vermelho) - o passáro do fogo, e lhe atribuíram as características que agora a patenteiam. Fénix, a ave que ao morrer se deixa consumir pelo Sol, para renascer das suas cinzas. O primeiro trabalho da Fénix consistia em levar as cinzas da sua antecedente ao Heliópolis (etimologicamente, cidade de Sol, geograficamente, Cairo).




O que me faz evocar o mito é ter encontrado nele certas similaridades com o ciclo da vida do homem. Qualquer um que tenha alguma vez entrado em contacto com a mitologia grega, sabe que nela pode encontrar infinitas metáforas sobre qualquer assunto da vida, só tem que explorá-la; e é o que vou tentar fazer aqui.

O que me chamou atenção no mito da Fénix, é ela ter de levar as cinzas do antecedente, ou progenitor, para Heliópolis. Foi a partir desse ponto que comecei a fazer a minha leitura, e minha interpretação varia conforme os ângulos pelos quais observei. Vou apresentar uma das leituras, e vou chamá-la:


As Sandálias do Pai

A Fénix renascida leva as cinzas do pai para Heliópolis (acho que é escusado apresentar analogias entre o Hélio-Sol e o sucesso-Sol – ainda mais que agora quando somos realizados, somos astros). Pois bem, nós fazemos igual à Fénix.

Pode ser que a primeira coisa que passe pela cabeça da nova Fénix seja: um mundo lindo para explorar, e tenho de levar as cinzas deste sacana para o outro lado do planeta. Ou seja, a primeira coisa que lhe aparece logo á sua chegada ao mundo é um dilema: fazer a vontade do pai em vez de a sua própria. Talvez até pergunte: por que razão o gajo não foi morrer logo no Heliópolis e me poupou ao trabalho? Mas não importa a rebelião que lhe afecte o espírito nesse momento, pois quando chegar a sua hora, ele não se vai lembrar que deve poupar ao trabalho a Fénix que lhe vai suceder, não se vai dar ao incómodo de voar até ao Heliópolis para dar o seu último suspiro. Não! Procurará o sítio mais agradável da sua vida, para aí morrer, mesmo que isso signifique voar até ao Plutão.

Os pais enquanto filhos, revoltam-se muitas vezes, não querem seguir os pais deles; mas quando chega a sua vez, querem que os filhos calcem as sandálias deles. Já li livros em que as pessoas dizem: eu sou a sexta geração de militares na minha geração. Isso diz que ele tem calçado as sandálias do pai. Ou seja, são as fénix renascidas, continuaram a tradição.

Ouroboros, representa o retorno perpétuo
e o seu conceito é identificável ao da Fénix



Os pais banqueiros querem que o filho faça o curso de gestão; os pais com clínicas querem que os filhos sejam médicos; pais advogados querem filhos advogados; pais artistas querem filhos iguais; mas atenção que falo aqui de pais que triunfaram. Pois, os que não triunfaram querem que os filhos sigam outros caminhos, enquanto que esses desejam que nos aventuremos pela mesma trilha, porque, pelo menos, julgam eles, estão certos que triunfaremos também nela. Nós falamos de controlo; falamos de pais que não querem que os filhos façam os caminhos deles, mas que lhe sigam os passos. Mas não é mais cómodo assim: levar as cinzas dos nossos pais? Quem faz o seu próprio caminho sabe como é isso é difícil, é igual a chegar numa floresta cerrada para abrir uma estrada, tendo como ferramenta de trabalho apenas uma corta-unhas.

Porque sei que quando o texto é muito as pessoas não lêem, vou publicar ainda apenas esta parte. Posteriormente, desenvolvo as minhas reflexões sobre As Sandálias do Pai, antes de passar para outras paragens, mas sempre seguindo o Mito da Fénix.

14 de fevereiro de 2008

E O AMOR É...

O Amor tem várias definições conforme os seus definidores.

Entretanto, seja como for, todas essas definições têm algo em comum: o amor é sempre alguma coisa. Ninguém se lembra que o amor podia ser apenas amor, e não o transverti-lo em definições duvidosas que dependem de uma determinada época para serem aceites. E eu como não sou diferente dos demais, também defino o amor à minha maneira.

Após um longo tempo de análise e passeando por diversas perspectivas do amor, cheguei á conclusão de que o amor é meramente uma desculpa para as pessoas terem sexo de consciência tranquila. Devo explicar? Não tem problema, cá vai ela.

Quando se pergunta por estas bandas o que é amor, duvido que a pergunta se refira ao tipo de amor que os irmãos têm entre si, que os pais têm para os filhos (ágape dos gregos), que os amigos têm (aliás, isso até é chamado de amizade, os gregos: filia), porém do amor erótico (eros, dos gregos – parece que eles são mais inteligentes e sabem diferenciar melhor estes sentimentos), ou melhor, para desanuviar o termo desse tom pesado: o amor entre homem e mulher.

Agora, se estivermos de acordos quanto ao que disse lá em cima, vamos pensar: qual é a manifestação suprema de amor erótico? Quando os namorados pedem prova de amor, o que é que pedem? Nos filmes, quando duas pessoas estão apaixonadas ou se amam como é que o mostram? Acho a resposta óbvia: fazem sexo, e para não se sentirem sujas ou imorais, preferem o termo: fazem amor. 


Mas todos sabemos que a fisiologia dos dois actos é o mesmo, e mesmo quando um dos dois pensa que está a fazer amor (com floreados) outro pode pensar que está a fazer sexo (seco e directo). Agora, falando do sexo; com quem é que as meninas sonham perder a virgindade? Com a pessoa que amem, a pessoa que vai ficar ao seu lado a vida inteira (eh, eis outra característica do amor ou da lavagem cerebral social).


Agora, basta disso tudo. Pensando na nossa condição de animal e tendo o sexo como um acto que nos é natural (embora muitos não o considerem uma necessidade homeostática porque, dizem, ninguém morre de não fazer sexo), e vindo no tempo até aparecerem as religiões que proíbem relações sexuais e fazem do sexo um acto impróprio e imundo a não ser quando praticado com o cônjuge (posteriormente – porque não se pôde domar o animal – com a pessoa que se ama). 
Todos sabemos como os romanos e os gregos glorificavam o nu, e como o nu agora é visto de través; como os templos indianos eram ornamentados com figuras kamusútricas sem que isso ofendesse a ninguém (aliás, hoje fazem as delícias dos turistas); em suma, depois do cristianismo o sexo tornou-se mau, muito mais mau do que sempre foi. 


Fomos educados a vê-lo assim e não podemos fazer nada contra isso. Mas também nos foi ensinado que sexo é puro e divino quando é praticado com amor… e é disso que estou a tentar falar há muito tempo. 


Quando vemos num filme ou numa leitura duas pessoa a terem sexo, valorizámos mais isso quando a história diz que existe amor entre elas, aliás, até somos mais tolerantes com os homossexuais quando dizem que se amam. Aliás, quando queremos ir para a cama com uma pessoa, não é dizendo-lhe que a amamos o caminho mais rápido?

10 de fevereiro de 2008

SENTIDO DA VIDA

Ao vender um livro uma vez, a pessoa disse que só o comprava se eu explicasse o sentido da vida. Que pergunta, hem! Era um professor universitário e fez a pergunta em tom sério, o que me impediu de resumir a resposta nisto: a vida é uma merda!

O engraçado é que participo num grupo de mandriões do Hi5 e nesse grupo alguém se lembrou de fazer esta mesma pergunta. Escolhi uma resposta curta, sem justificações, sem nada. Mas vou transcrever aqui o que disse ao professor sobre o sentido da vida para que ele me comprasse o livro:



Que posso eu dizer da vida, de concreto, quando ela para mim já foi o paraíso, o purgatório e o inferno? Acho que nem mesmo Caronte, que passa a eternidade entre as margens de Styx saberia dizer o que é a vida.
Entretanto, tendo em conta que não se espera nestas linhas verdades absolutas, não vejo inconveniência em dizer as minhas.



Pegando na teoria dos opostos, o eterno dualismo, para dissecar o assunto, dividiríamos a vida em duas metades… ou mesmo, podíamos mantê-la una, mas ubíqua, representando em dois cenários: um trágico, outro cómico; e resumíamos tudo em dois planos: momentos de riso, momentos de choro, horas de alegria, horas de tristeza; tempo de dançar, tempo de carpir; e podíamos dizer: eis cá a vida tal como é.

Todavia, a vida não se limita apenas á nossa, mas também a dos que nos rodeiam, e ela só é vida comungando com essa, formando assim uma massa homogénea de diferenças. Não somos ilhas, mas subsistemas de um sistema. Logo, para definir a vida há que considerar a de todos os outros, e nesse sentido, acho legítimo dizer o que tantos outros já disseram: a vida não é nem comédia, nem tragédia… ela é uma farsa.

Sendo assim, como deve ser vivida? Rindo-se dela, no entanto. Eu explico:

Sentimo-nos bem quando assistimos a uma comédia (vida de outros) ou a uma tragédia; já louvámos Sófocles, Eurípedes, Shakeaspeare, adorámos Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Judas o Obscuro; dizemos: este sofrimento alheio foi bem descrito, até nos toca a nós. Manifesta-se assim o nosso lado sádico.

São personagens fictícias
, eis a desculpa. Pois são, quem disse que não! Mas que de nós já não se riu um amigo que escorregou antes de tentar ajudá-lo (sei que há outros exemplos melhores, mas a minha inspiração lá não chega). Para não tergiversar mais, resumo: ríamo-nos de nós próprios, antes que outros o façam… e mesmo quando o fazem. Assim será mais fácil vivermos com nós mesmo e com eles.

Qual o sentido da vida? O riso; a loucura.