2 de junho de 2018

ABRIL, ABRIL...


Quando olho para as pessoas a cantar aleluias ao 25 de Abril, com a emoção a mil, à minha cabeça vem uma ideia que termina nesta questão: Afinal onde estão aqueles que de coração apoiavam o regime do Salazar?

Então, presto atenção e percebo sem emoção que eles ainda estão à cabeça da nação, a tratar da condução. Estão ali no parlamento, sedentos do poder, a foder com a política de forma crítica. Estão ali marcados no mercado, embarcados na banca, salgados e sagrados. Trocaram de casacas e continuaram sentados na crista do Abril, a surfar de forma febril nas costas do povo.

Hein!, onde estão aqueles tipos que apoiavam o salazarismo? Eles estão ali no poder, eles estão ali no poder. 

Sequestraram o Abril, amarram-lhes os braços e venderam-no aos pedaços, mas mantiveram a carcaça para expor ali na praça, nos 25 todos os anos. E nós… nós apoiamos.

Olho para os políticos que mandam no país, esses políticos que falam sempre do Abril e que me dizem com todo o brio que eu devia ser feliz, porque a revolução mudou este país. 

Pois sim, acredito que sim, o país mudou, mas eles não mudaram, pois só vejo afilhados e filhos, netos e sobrinhos, cunhados e primos dos tipos que andavam no bico do salazarismo. Que raio, num ato edipiano, destronaram os seus pais para dormir com a pátria-mãe. E para o nosso azar até há um que ali reside, que teve ficha da PIDE. Teria sido um agente? Não sei, mas foi ministro e presidente.

Desculpem-me se não consigo embarcar no entusiasmo do Abril, porque nos anos 80 eu nasci, e nem sequer foi aqui, portanto não vivi nem conheci a dificuldade pré-Abril. Desculpa-me aí o meu pouco entusiasmo, porque o que vejo no país é uma traição ao Abril, ouço gente a dizer: “o povo é que mais ordena!”, e fico a perguntar que mas merda o povo ordena? Um ordenou a um certo fulano para que fosse trabalhar e todos vimos o resultado: mandam-no multar; é claro, se fosse famoso e aparecesse na TV podia chamá-lo de palhaço e nada ia acontecer.

O povo nada ordena, o povo serve para ordenha; o povo mata-se a trabalhar para uns poURcos triunfar. O povo é posto na engorda e tratado como porco, porque esses gajos no poder adoram o nosso lombo.

O Abril nos trouxe liberdade, liberdade de expressão, pois é, temos liberdade, só não temos é pão. Sim, Temos a liberdade de não ficar calados enquanto estamos manietados e a ser violados…. e quando reclamamos somos logo avisados: precisamos do teu rabo, portanto aquenta aí, bacano, pois este é o resultado da tua escolha de deputados; aguenta aí os danos que te fazemos ao ânus que daqui a quatro anos poderás escolher... uma nova marca de vaselina.

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