21 de junho de 2012

FEITIÇO DO TEMPO, O, 1993 (Groundhog Day)


O Feitiço do Tempo foi o filme que me calhou esta semana (já não sei qual semana, porque há já meses que tinha isto para transcrever); não gosto de rever filme, principalmente quando há muitos em fila a clamar pela minha atenção, no entanto tem aqueles que não conseguimos deixar de acarinhar… e este é um dos meus.

Não vou falar de Bill Murray, nem de Andie MacDowell (como é hábito não fazer, embora por vezes não consiga evitar), resumo os dois nisto: funcionam bem juntos.

O Feitiço do Tempo, por causa da abordagem, não parece um daqueles filmes que grita furiosamente: qual é o sentido da vida?, aliás, nem faz a pergunta, apenas ensina qual é o sentido da vida. Analisado o trama, é análogo aquelas teorias hindus de reencarnação, com a diferença de que aqui, o herói (ou a vítima) tem o conhecimento da sua vida anterior. Também o filme parece um dos inúmeros ensaios de Phillip K. Dick: e se eu tivesse o conhecimento do futuro? Um filme similar ao feitiço do tempo é “12:01”, similar na premissa, mas diferente na abordagem… e na qualidade, é claro.

Eis o enredo: Phill é um jornalista do tempo (isso faz sentido?), muito arrogante, egocêntrico e convencido da sua importância, que ao cobrir um acontecimento inútil e irrelevante numa cidade fica preso no mesmo dia, repetindo-o vezes e vezes sem conta. Torna-se desesperadamente solitário, visto ser o único que percebe que o dia não muda, e o seu único consolo acaba por ser a sua colega, Rita, por quem se apaixona e tenta diariamente fazer-lhe ficar apaixonada por ele.

trailer


Há diversas maneiras de abordar O Feitiço do Tempo, mas eu prefiro este: O que eu faria se eu tivesse o conhecimento do futuro? Aqui, por os dias serem todos iguais, o fardo é acrescido, porque não só se tem o conhecimento do futuro, como a monotonia é tanta que não faz sentido ficar nela preso; e por os dias serem o mesmo deixa de existir o Tempo: o futuro e o passado acabam por ser um eterno presente.

Se o filme tivesse um monte de frases filosóficas e tretas esotéricas à la Matrix (e houvesse o hype internáutico) poderia ter sido um cultuado filme de ficção científica, porém, embora aborde uma questão séria (?) ele não passa de uma comédia moralista para um domingo à tarde, que fala fundamentalmente de “egoísmo, abnegação e altruísmo”, estes últimos tornando-se a chave para resolver a questão, ficando a moral da história a ser:  a vida não tem graça se for vivida hedonisticamente, e a melhor forma de usá-la é em função dos outros.

Ah, e como bónus tem uma óptima banda sonora.
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