11 de julho de 2012

TENTANDO ENTENDER... O CAPITALISMO

O Capitalismo está gasto e defunto… bem, talvez, não defunto, talvez zombie, precisando de cérebro alheios para ficar com a sensação de sobrevivente, quando na verdade é só um walking dead que zombiefica todos ao seu contacto. Houve ideais nobres no capitalismo, acredito que houve, e não apenas uma substituição melhor organizada e disfarçada da escravatura e do feudalismo através de termos mais civilizados, onde em vez de condenar as pessoas à forca, vende-se-lhes a corda e ainda lhes é cobrado as expensas mortuárias. O Capitalismo é ultra-canibal e necrófago, porém, o seu maior trunfo é ser um mestre de ilusões.

Como se costuma dizer, o maior truque do Diabo foi convencer ao mundo que não existe, também o maior truque do Capitalismo é similar, no entanto oposto: ele convence-nos que sem ele o mundo colapsará e reduz-nos as expectativas com distopias bem cozinhadas, impedindo-nos de imaginar o mundo sem ele, levando-nos a acreditar em ilusórias vantagens de maneira a acharmos que qualquer outro sistema é inimiga. 

Vamos só ver um exemplo: nos EUA, em plena crise de 1929, enquanto o povo (aqui falo da ralé, a classe baixa, nós) malhava forte no ferro frio para sobreviver, esse mesmo povo atacava outros ideais e defendia os seus exploradores, chegando mesmo a linchar comunistas e bolcheviques, mesmo nessas alturas negras uma das maiores ofensas era ser chamado de comunista, vermelho e afins, e quando confirmavam que alguém defendia esse ideal, ele era ostracizado e culpado pelos males da aldeia (alguma similaridade com a idade média?). E será que hoje é diferente? Nada, se não fosse porque cultivamos mais tolerância hoje (não graças ao capitalismo, que o capitalismo existiu há muito tempo sem ser tolerante) ainda continuar-se-ia a linchar comunistas, zeitergeistas e outros istas. Eis a maestria do Capitalismo, tornou-se não necessário, mas imprescindível.

Uma das artimanhas do Capitalismo para garantir a supremacia foi misturar-se com a democracia, parecendo que são sistemas gémeos e co-dependentes, no entanto, a História prova-nos que isso é ilusão. Os gregos já tinham democracia enquanto ainda eram esclavagistas, e o próprio Capitalismo é uma transformação do feudalismo, usando como diferencial apenas o assalariamento. Antes que se criassem leis que tentassem defender mais aos assalariados o capitalismo era tão cru como está a ser agora com neo-liberalismo, voltando às raízes antigas, usando como desculpa a crise económica para poder sugar-nos melhor o cérebro (mas isso já é outra história). É mais que certo que nenhum dos exemplos conhecidos do socialismo (senão a sombra do socialismo existente na Venezuela que também balança entre a ditadura e a democracia) foi democrático (isto se considerarmos que democracia é fazer eleições periódicas), e assim, por comparação directa, como o Socialismo é antagónico ao Capitalismo e a ditadura é-o à democracia, logo pensa-se que o Capitalismo é que garante a democracia. 

Mas a verdade é que são questões diferentes o Capitalismo e a democracia; e a democracia capitalista é apenas uma capa da ditadura, a ditadura do capital, quem tem mais dinheiro tem mais votos. Somos iludidos que há balanço, quando excepções como pobres (Lula, por exemplo) ou pretos (caso Obama – no mundo branco) ou mulheres (Soong Ching-ling – um raro caso chinês que é mais monárquico, porém histórico) são eleitos presidentes, passando a ideia de que tudo é possível no capitalismo, mas visto à lupa, vemos que por trás destas figuras há empresas e máquinas de propaganda que investiram muito dinheiro à espera de dividendos, favores e facilitismos e que apenas se aproveitam do espírito do tempo para apresentar um produto que melhor resultado lhes traga. Ou seja a democracia capitalista é apenas um negócio como qualquer outro, investe-se e espera-se por lucros, não é nada um sistema como imaginado pelos gregos que pretendia um equilíbrio social. E como busca sempre lucros por isso espalha sementes da guerra, da irascibilidade e da fome por toda a parte do mundo, para continuar no controlo. 

O Capitalismo é definido pela frase mais cliché dos filmes sobre Wall Street: queres estar aqui tens de ser um tubarão… e o tubarão come peixes miúdos. Sim, eis o Capitalismo na sua essência mais pura e ele não tem nada a ver com a democracia. Aliás, vejamos apenas como boa parte dos países árabes são capitalistas mas não democráticas, ou melhor, até a China, que se diz comunista, aplica uma política externa também capitalista para engolir o resto do mundo. Ponto, acho que já consegui explicar que o Capitalismo é diferente da democracia. Mas que o Capitalismo seja um proxeneta da democracia, não há dúvida.

Quais as vantagens do capitalismo? Todo o mundo pode fazer dinheiro… se conseguir; todo o mundo pode aspirar a ir para a cama com a democracia… se tiver um investidor; todo o mundo pode arranjar um investidor… se tiver ideias (e não menos importante, sorte de encontrar alguém isento que não lhe roube a ideia); todo o mundo pode processar quem lhe roube a ideia… se tiver advogado; todo o mundo pode ter advogado… se tiver dinheiro (se não tiver o governo atribui-lhe um que vai ter que dividir com muitos outros); em suma, todo o mundo pode ter dinheiro… se tiver dinheiro.

O Capitalismo está cheio de exemplos de self-made-men, homens que foram tubarões e que se empenharam bastante para conseguir um lugar no aquário com os graúdos, mas para 98% de cada um desses há centenas a chorar de exasperação.

O Capitalismo é uma outra espécie de monarquia que, grande parte das vezes, não se atém ao mérito, mas ao sobrenome; só isso explica a eleição do Bush Júnior, ou por exemplo, a recente aquisição da filha de Clinton pela CNN [escrevi isto praí em Novembro do ano passado] – longe de mim desmerecer a mulher por causa do nome que carrega, mas está claro que a aquisição da CNN virou notícia exactamente por causa do nome dela. Ok! Eu sei que isto não é um defeito exclusivo do capitalismo, mas não deixa de ser uma marca do sistema.

Em alternativa ao capitalismo o que é que proponho? O socialismo? O zeitgeist?

Não, nenhum dos dois. Não proponho o socialismo, pelo menos não nos modelos que já vimos ou lemos: o russo, o cubano ou o chinês (embora este último está a parecer-me ultimamente muito viável), que se tornaram opressivo ao invés de equilibrados como no início os seus mentores idealizaram, acabando a adoptar a máxima dos porcos de Orwell: somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros! E será que alguns não devem ser mais iguais que os outros? Será que aquele que estudar por mais de vinte anos para ser médico e bom, deve ganhar o mesmo que aquele que andou esse tempo todo a estudar rótulos de garrafas de álcool para depois se tornar empregado de limpeza? E aquele que passa a vida debaixo da terra a escavar carvão para aquecer ao médico, pondo em risco a sua vida, por que não deve ganhar mais? Não sei a resposta disto, por enquanto está-me a parecer que devemos ser premiados pelo mérito, mas o que realmente define o mérito? (e isto é matéria para outro fórum). No entanto, a realidade hoje é que não importa a quantidade do tempo que andaste a estudar, podes ter estudado vinte anos, mas perdes sempre por alguém que estudou um ano e tenha no diploma Oxford ou Cambridge ou Harvard (entre alguns) mostrando como o dinheiro ou a falta dele influencia o mérito no sistema capitalista.

E por que não proponho o zeitgeist? Simpatizo com o sistema, como já dissera aqui, no entanto, parece-me muito filho do capitalismo e mais uma substituição desequilibrada, da maneira como se apresenta pelo menos, do que propriamente uma solução fiável.

Mas o que proponho em substituição ao Capitalismo? Definitivamente o comunismo marxista.
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