15 de dezembro de 2010

MOS DEF - RAP como raramente se vê

Muitos pensam que fazer rap é apenas cantar RÁPido em cima de umas batidas RÁPidas, e fazem isso e dizem-se rappers, e não é que não são tendo em conta a produção actual dessa forma artística (não quero falar da história do rap, pois não sou do tipo que defende que para se ser um rapper tem que se conhecer a sua história, acho isso uma treta), porém RAP, acrónomo de RHYTHM AND POETRY, significava isso mesmo, música e poesia, agora só tem música e pouca poesia, apenas prosaísmo (deixem-me dizer que rimas não fazem poesia); talvez seja o HIP HOP, que foneticamente se confunde com o verbo HEAP UP (ou seja, talvez não signifique apenas "mexer as ancas", mas também "rimar"), é que legitima o prosaísmo. Houve uma progressão ou regressão no RAP, não sei dizer bem, em termos rítmicos, certamente progrediu, até perder boa parte da musicalidade, centrando-se em formatos radio friendly, em termos líricos, hum... hum-hum.

the boogie man song (the new danger)


Bem, alguns rapper ainda hoje defendem o RAP na sua essência inicial, e não estou apenas a falar do conteúdo verbal, mas da musicalidade, e desses MOS DEF é um exemplo.
MOS DEF não é um rapper fácil de ouvir, para quem está acostumado ao hits que batem na rádio e na TV e não sabe inglês (pois se souber inglês pode ser cativado pela letra), mas na falta dessa habilidade, tem que se gostar de ritmos alternativos.

umi says (black on both side)

MOS DEF começou a cantar há muito, muito tempo, em 1998 fez o primeiro álbum, com Talib Kweli, Black Star, pelo menos foi o que li na Wikipedia. Entretanto, só há uma semana é que o conheci, musicalmente falando, pois já tinha visto filmes dele e já sabia que era rapper. Há uns cinco anos tentei ouvir MOS DEF, mas apanhei umas música insípidas dele e desisti (na altura não tinha a sensibilidade musical que agora possuo), nunca mais tentei, até há umas semanas, ouvindo-o em parceria com K'naan (de quem irei falar num outro post), na música America, resolvi visitá-lo. Comecei com o primeiro álbum, Black Star, depois Black on Both Side (1999), True Magic (2006), e logo para Static (2009), não sou nenhum perito, mas posso dizer que teve uma boa evolução, embora o seu "flow" não pareça ter evoluído.

MOS DEF parece enterrado no RAP dos anos 90, mas aí é que se destaca, mistura essa musicalidade soul, funk cru, hip hop moderno, entre outros que não sei identificar e não me vou atrever a fazer e faz a boa música que faz.

sun, moon strars (true magic)

Quanto ao conteúdo da música, o meu inglês não é nada bom, e o sotaque dele e o modo de falar arrastado também não ajudam muito, mas fui ler as letras e, deus do céu!, o meu respeito pelo homem aumentou consideravelmente, porque ele consegue fazem mesmo o RAP, e tem boas mensagens. Sem dizer que não se limita à formatação da indústria.


quiet dog bite hard (ecstatic)

MOS DEF é para ouvir, reovuir e voltar a ouvir. Dos quatro álbuns só desgostei de umas 9 músicas (achei umas desinteressantes, algumas insípidas e outras fracas, mas trata-se de um universo de mais ou menos 60 músicas), porém dos álbuns gostei mais do TRUE MAGIC. 

bónus
what's beef (black star) 

E foi bem difícil escolher as músicas para aqui deixar.

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