6 de setembro de 2013

TENTANDO ENTENDER... A CRISE SÍRIA

Um dia, por acaso, estava a acompanhar um debate filosófico entre o meu sobrinho, de sete anos, e o seu amigo, de uns nove ou dez, acerca da mentira, quando o amigo saiu com essa conclusão depois de analisadas as premissas e apresentados os argumentos: “os adultos também mentem, e muito mais do que as crianças”. Não manifestei a minha opinião, pois… onde estaria a solidariedade adultícia se eu confirmasse aos miúdos que eles tinham razão?

Numa analogia similar, considerando que os países ricos são os adultos, e os pobres são os miúdos, cuja opinião não é solicitada, nem levada em conta, eu percebo a solidariedade dos G20 com os americanos, solidariedade sim, porque embora saibam que se trata do interesse económico de um punhado de americanos superricos - aqueles que lucram imenso com a sua máquina de guerra (nada a ver com Van Damme) -, não vão agir em contradição e tudo o que pedem é um aval da ONU, outro pau mandado dos States (bem, mas compreende-se, os países ricos têm interesse em não perder o seu domínio, e a melhor maneira de o não fazer é não embater de frente com o mais rico e poderoso deles). Sendo assim, os G20, ou melhor 19, vão, de qualquer forma apoiar o G1, ou quanto muito, não fazer nada quanto este decidir levar a sua avante. Trata-se da solidariedade adultícia.

Pode ter havido ataque com gás sarin na Síria – como pode não ter –, pode ter sido um trabalho tanto do governo i-“legítimo” – como pode ter sido da oposição – (o i- é para dizer ao Passos Coelho que a legitimidade do governo, mesmo que tenha 100% de votos, perde-se quando põe em risco a sua população em benefício de interesses económicos alheios), mas numa coisa todos concordam, milhares de sírios desgraçados estão a morrer massacrados pela ganância de uns quantos. Pois vê-se que tanto do lado sírio como do americanos há muitas coisas a aparecerem que cheiram a completas manipulações.

Diz-se que há mais ou menos 110 mil mortos desde o início da guerra civil síria, mas isso não interessava aos americanos, nem aos G19, são sírios, porra, nem pessoas são. No entanto, quando se fala que uns 100 sírios morreram com gás sarin, levanta-se a América, toda indignada: Isso é uma barbaridade!  Pois, claro que é! Onde já se viu? Matem-se com armas, com canhões, matem-se com garfadas no olho um do outro, aliás, até podem usar a piada mortal dos Monty Python, matem-se à paulada, matem milhões, matem bilhões, porra, mas não usem o gás, pois isso é barbaridade. Gás só é permitido nas prisões americanas, ninguém mais deve usá-lo.

Obama vai atacar a síria, retaliação, disse ele. Mas que raio fizeram os sírios à América para estes terem de retaliar?

Mas todos sabemos que o G1 não se importa com o que os outros pensam, ele apenas faz, no entanto, do lado de cá, vejo notícias sobre a crise síria que me deixam perplexos. Quem entende os média? Num artigo dizem que existem provas que atestam o ataque em Síria com armas químicas pelo governo, para logo no outro dizerem, em letras miúdas, que a ONU ainda não fez exames conclusivas, para logo a seguir, voltarem a carga em letras garrafais que houve provas e ADN sobre o uso do sarin e que o Cameron tem provas conclusivas, como se não soubessem que Powell, Bush e Blair já tinham apresentado provas conclusivas aquando do ataque ao Iraque? Por que carga d’água os média não usam a palavra “alegadamente” quando apresentam essas notícias em vez de servi-las com factuais, sabendo que muitos nem pensam sobre o que ouvem e partem logo do princípio que os jornalistas não mentem (ai, tenho de avisar o meu sobrinho).

A Síria vai ser invadida para fazer um cerco ao Irão? A Síria vai ser invadida para meter medo aos norte-coreanos e aos iranianos? A Síria vai ser invadida porque, pelos visto, a retirada das tropas de Afeganistão poderá criar desemprego para o milhares de mercenários americanos? A Síria via ser invadida por uma posição estratégica contra a Rússia? A Síria será invadida para um teste cabal dos drones e robots de combate? 

Mas quem raio legitimou a América como a polícia do mundo?

Acho que essas (ou algo como isso) deveriam ser algumas das questões que deviam ser levantadas e analisar a legitimidade de um país invadir o outro. Invadam então Portugal, porque o governo está a usar bombas decretatórias para liquidar a população... ai, por favor, não invadam, estava só a brincar.

Que Obama pôde ter mudado alguma da política americana… sim, ele pôde. No entanto, tal como já vaticinara, ele tem de cumprir as promessas feitas as multinacionais que financiaram a sua campanha, e ele é apenas um outro fantoche da grande e verdadeira América (os bancos e as multinacionais).


Tentei aqui entender a crise síria, mas continuo como quando comecei a escrever isto, não entendi nada.




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