13 de dezembro de 2008

O TRABALHO DIGNIFICA?

Ainda era eu de leite quando começaram a ensinar-me que o trabalho dignifica o homem. Cresci a ouvir sempre isso que passei a acreditar. Também que saída tinha?, todo o mundo acreditava!!! Todavia, não sei por quê, mas não me preocupava muito com o trabalho, eu ainda era puto e não um homem.


Entretanto, hoje digo que essa frase foi criada simplesmente para meter a todos na forca, adornando-lhes a garganta com uma corda, mas sem que ninguém reclame. Vamos ver o que é trabalho!

O trabalho não é o esforço físico, não, que simples era se fosse assim.

O trabalho siginifica estares a matar-te para enriquecer outra pessoa em troca de um salário - proletariado. O trabalho é aceitares a tua condição de escravo e ainda ficares grato. O trabalho é o grande inimigo da família. E a família, meus amigos, é hipocritamente considerado o núcleo fulcral da sociedade, o órgão que sustenta as sociedades e estabiliza-as. Por isso, não compreendo como é que governos que, nos seus planos e orçamentos, sobrevalorizam muito a família são a favor do trabalho. Contraditório.

O trabalho define-se por um hipotético mínimo de oito horas diárias longe da família (sem contar com o tempo de ida e de vinda), o que gera pais e filhos que se cruzam só aos fins de semanas, maridos e mulheres que vão para a cama juntos só nas férias e nos feriados, porque os horários são incompatíveis, porque têm que ir dormir as duas para acordar as seis; o que se traduz em:
  • filhos com pais presentes constantemente ausentes que manifestam a sua revolta atacando os professores, onde vêem a débil substituição paterna (agressão deslocada);
  • jovens cada vez mais mal educados (não culpabilizo aqui as escolas e intituições de ensino, que como todos sabem não educam, apenas instruem) e cada vez mais drogados e sem norte;
  • estabilidade social cada vez mais fictícia;
  • divórcios em alta escala (esposos que não se vêm acabam por criar maiores laços com colegas de trabalho, sendo aliciante a traição e a ruptura do lar);
  • criminalidade em alta por causa da disparidade de classes sociais.
Eu sei que os pontos que fiz podiam ser acreditados ao sistema económico e não ao trabalho, mas o sistema económico é que dita o modo de trabalho e de recompensa. Eis a dialéctica marxista: abolir a classe, pois essa constante substituição não ajuda: saiu-se da parelha senhor/escravo para feudal/servo da glebe para empresário/empregado, e o que é que mudou? NADA!!!!

Precisamos é de um novo primeiro de Maio, qual o que aconteceu em Chicago não me lembro em que ano, que nos reduziu a pena a estas fingidas 8h/dia, para termos mais horas com a nossa família.

Já perguntaram por que razão o horário escolar é praticamente 8 horas, como os nossos trabalhos? Porque o governo sabe que tem que ocupar os nossos filhos com alguma coisa para que possamos nos dedicar de cabeça fria enquanto tornamos os nossos empregadores mais ricos e potentes? Preocupam-se connosco os governos?, com os nossos filhos?, niente, nothing, rien, nada. Estamos num sistema capitalista, amigos, o que importa é a conta bancária, não as pessoas.

Ninguém nos vai tirar da escravatura a não sermos nós. Enquanto não tomarmos consciência e passarmos a ensinar os nossos filhos que o trabalho não dignifica, mas ecraviza e a agirmos nesse sentido e não nos deixarmos ser escravizados (pelo menos com a pesada pena que nos impõem agora), tenho pena dos nossos bisnetos, pois continuarão no mesmo inferno que nós.

Há pessoas que trabalham voluntariamente e fazem coisas mais importantes que a maior parte do resto do mundo, mas como não ganham dinheiro ou não produzem lucros, são considerados preguiçosos e "indignos", aliás, a maior vergonha que temos hoje em dia é de nos anunciarmos como desempregados, porque passa a ideia de que somos uns mandriões. E quem são os "dignos" que todo o mundo respeita? São os que ganham rios de dinheiro, mesmo que no processo atropelem toda a ética e condutas morais possíveis

O que é necessário é valorizar os nossos esforços e reconhecer a nossa dignidade, e pararmos de aceitar que nos vendam patranhas.
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