5 de Março de 2009

É O INCESTO CRIME?


Há algum tempo li sobre dois irmãos alemães que tiveram quatro filhos, não me chocou, amavam-se. Entretanto, recentemente encontrei-me oura vez com a mesma notícia e fonte diferente a dizer que o irmão tinha sido condenado à prisão por essa razão, isto sim, chocou-me. Eu sei que vai parecer bem desactualizado falar disso só agora, visto que se passaram dois anos sobre o assunto, entretanto, nunca é tarde para questionar: por quê?

Pessoas do mesmo sangue não podiam ter filhos, o povo é inteligente, o conhecimento empírico nem sempre falha, porque nasciam com malformações e outros problemas; atribuiu-se à causa, não a sangue, mas a deus, castigando os consanguíneos que se uniram.

Agora, séculos depois de os primeiros macacos terem estabelecido esse tabu estranha-se que, apesar dos conhecimentos científicos que hoje temos, ainda continua a imperar e, como se não bastasse, como um crime.

Por que não podem se amar maritalmente dois irmãos? Porque vai contra o senso comum, apenas por isso. Porque as pessoas não estando habituadas a verem tal coisa, levantam-se logo para gritarem contra, como se isso tivesse a ver directamente com eles.

Eu conheço casos de incesto, conviviv já com duas pessoas que se diz serem resultado de um incesto pai-filha, convivi com outra família cujas más línguas diziam que o chefe dela era incestuoso, pondo-se o avô nas netas. Odiei tomar o conhecimento deste segundo caso, porque estava apaixonado por uma das netas e ela só tinha 13 anos (eu tinha já 16), isso constitiu um abuso e sou contra.

Entretanto, se houver consentimento mútuo entre pai e filha, irmão e irmã, mãe e filho, por que não podem ter relações sexuais e viverem como um casal normal? Jocasta viveu com Édipo e foram felizes até o Sófocles decidir que já não deviam mais ser. Enquanto não sabiam da verdade, nada os impedia de ser feliz, a sua relação não chocava a ninguém, tiveram filhos e viveram bem, mas quando se soube da verdade, a opinião de todo o mundo mudou. Mas fica a pergunta, algum deles deixou de ser o que era? Jocasta deixou de ser Jocasta? Édipo deixou de ser Édipo? Não, tinha que acabar em tragédia para agradar ao senso comum, mas na verdade, podiam continuar a viver bem.

Os animais não pensam no incesto, simplesmente praticam-no e nem o chamamos de incesto, por que nós já temos de condenar os que decidem por esse modelo? 

Dois irmão gostam um do outro, tal e qual como toda a gente, têm direito de obter o objecto do seu desejo. Mas não, não podem, porque nós condenamos, qual temos alguma coisa a ver com a decisão deles, qual a sua escolha nos vai afectar.

Ensinados pelo Freud a reprimir instintos incestuosos, Freud pelo povo, percebe-se muito bem que ele existe e que tanto pode ser casual como não.

Lembro-me de ler algures a entrevista de um pai de uma dessas muitas estrelas que vai posar nua para o playboy dizer que está orgulhoso e que sempre comprou a revista e que sabe que a filha é um belo pedaço. Eu perguntei-me será que ele vai bater uma pela filha? Ou tipo, se fizerem a edição e substituírem a cara da filha ele não irá gostar de ver o corpo? Agora, se não lhe incomoda ver a filha nua nem deitar-se com ela, por que devia incomodar-nos a nós?

Vi um filme há já um bom par de anos, onde um homem entrou num encontro às cegas, tinham de lhe vendar os olhos, e foi dormir com a sua irmã, que também estava de olhos vendados, apaixonaram-se, e depois começaram a procurar a pessoas com quem estiveram e acabaram por descobrir a verdade. Pergunto agora, o que é que mudou da atracção que sentiram quando estiveram de olhos vendados, quando eram um para outro simplesmente homem e mulher, senão o facto de descobrirem que afinal eram irmãos que viviam na mesma casa e nesse caso a sociedade os condena? O filme só foi ao fundo do assunto à moda porno, pois era porno, ou seja, não o explorou devidamente.

Pá, sejamos mais flexíveis, deixem cada um fazer a sua escolha desde que essa escolha não magoe a ninguém, e nem sequer usemos a palavra devassidão para casos desses.
Comentários
16 Comentários

16 comentários:

Nuno disse...

O teu último apelo pede muito, mais do que o possível, à sociedade. Mesmo eu, por muito de mente aberta que me considere e neste caso, não é fácil encaixar e aceitar tudo o que dizes.

Mas a sociedade caminha para a aceitação de tudo o que sai da norma. E tem-se isso como um indicador da sua actualidade. Hum... não me parece...

Vanessa Carvalho disse...

A homossexualidade ainda não está completamente bem aceite pela sociedade e, no entanto, acho que será aceite primeiro que o incesto. Isso implicaria que a forma de educar os nossos filhos mudasse completamente, mas primeiro era preciso que os pais estivessem em paz com o incesto, o que não acontece.
Só o facto do incesto dar azo a malformações devido à consanguinidade é uma boa razão para não o fazer. Mas isso só acontece se a família tiver doenças genéticas, caso contrário não haveria este problema. Aliás, até os casamentos entre primos, embora não seja considerado incesto, também costuma dizer o povo que dá origem a "filhos malucos", uma referência às tais doenças genéticas. Dado que a biologia, medicina e genética evoluem a passos largos, em breve poderá ser possível fazer tratamentos para evitar os perigos da consanguinidade e este problema já não servirá como argumento.
Nem sempre o incesto foi crime, até que verificaram que isso era a causa para muitas malformações e inventaram que Deus castigava os incestuosos para que lhe tomassem medo e não o fizessem. E depois até virou crime, ao que parece. É uma questão que está muito enraizada na nossa educação, não é simplesmente uma questão de opinião ou religiosa, mas sim da moral, logo não pode ser mudada de um dia para o outro, nem duma geração para a outra.
O incesto até colide com a estrutura familiar. Existe uma hierarquia em que os mais novos devem respeito aos mais velhos pela sua sabedoria feita da experiência e, por outro lado, é função dos mais velhos proteger os mais novos. Se um pai ou um tio tem uma relação incestuosa com um filho ou sobrinho, estão a colocar-se ao mesmo nível e lá se vai a hierarquia. Além disso, ter relações sexuais com a filha não parece a melhor forma do pai a proteger. O caso que falas, do avô e da neta não é apenas incesto, mas também pedofilia, o que o torna ainda mais nojento.
Dois irmãos separados à nascença podem apaixonar-se e serem felizes juntos, mas quando souberem que são irmãos vão desenvolver uma repulsa um pelo outro. Supondo que os filhos deles são perfeitamente saudáveis, não seria melhor viverem ignorantes mas felizes? Possivelmente sim. Mas acredito que mesmo tu, que apelas a que o incesto deixe de ser visto como devassidão, verias com mau-grado a sequer a ideia de ter relações sexuais com a tua irmã.

Pentacúspide disse...

A dita "norma" foi estipulada pela própria sociedade, aliás, por um punhado de pessoas que controlam o poder - no caso da sociedade hodierna, a Igreja Católica.
O que eu defendo não é para as pessoas se porem a comer os irmãos, mas sim para deixarem em paz aqueles que escolherem essa modalidade, pois é antes de tudo natural.
Os homens das cavernas não tinham essa distinção, de certeza (na linha do evolucionismo), os filhos de Adão também não (pelo criacionismo), portanto é mais que natural os irmão se amarem e se amaziarem. Isso foi corrompido depois pela religião, ou pelos legistas que inventaram deus para pôr em ordem a sua sociedade, ou para evitar problemas que advém da consaguinidade; porém, as coisas devem funcionar conforme os meios que temos. Se a genética permite eliminar a maior parte dos problemas, se mesmo os estéreis que pela religião eram considerados malditos, são capazes de gerar filhos agora, pode-se sem problemas levantar o veto ao incesto (na perspectiva de reprodução).
A moral, Vanessa, acredita, foi ditada pela religião; que a lei ditou chama-se ética. Convencionou-se chamar a moral de senso comum, mas se por acaso leres O Código de Hamurabi vais ver que muito que chamamos agora códigos morais, ou senso comum, eram leis.
Praticar sexo não significa destruir a "hierarquia familiar", como o chamaste, ou não significa ausência de respeito, porque senão a família não existia, visto que a mulher tem sexo com o marido; nem o namoro, porque os namorados têm sexo. Por outra mão, eu não olho para a família no sentido vertical, mas todos iguais, o respeito deve ser mútuo. Se o irmão namorar a irmã, o pai a filha, respeitar-se-ão e se não se respeitam isso não advém de se amaziarem. Aliás, lembrem-se do alemão que enjaulou a filha, quem sabe se a sociedade lhe permitisse uma relação com ela sem ser condenado as coisas não tinham acontecido de forma diferente, os seus filhos-netos não tinham nascido num hospital em vez de uma cave.
O incesto sempre existiu, a história romana está prenhe dele, os deuses de toda a sorte religiosa nasceram de sucessivos incestos.
Para fechar, digo: é claro que não me vejo a comer as minhas irmãs, porque fui educado num molde que proíbe o incesto e defini-me por isso. Aliás, elas nem sequer me provocam desejos sexuais, até os 16 anos costuma ver as mamas delas, inclusive as da minha mãe, e isso não me estimulava minimamemte. Já as minhas primas não tiveram essa sorte, pois as minhas primeiras foram elas.
Se duas pessoas consanguíneas se sentirem atraídas e não lhes repulsa a ideia de incesto, por que não? E... quase que me ia esquecer... filmes pornos de incesto são os que mais vendem, sabiam?

johnnybgood disse...

o incesto é mesmo tabu por causa das malformações. Regra geral, todas as culturas o condenaram por isso
Acho que as justificações religiosas só nasceram desse facto: as relações incestuosas davam filhos malformados

Lá por ser condenado pela moral devido as essas causas bem reais, não quer dizer que não exista vontade de o praticar.
Entre pessoas com mais ou menos a mesma idade, enfim, a vida é feita de experimentação e algum amor entre primos pode ter o seu romantismo, e como hoje em dia há os contraceptivos...
Como dizia o Hannibal no "silêncio dos inocentes": "o desejo nasce naquilo que nos está proximo".

Já quando é um adulto e uma criança, regra geral há uma posição de abuso. é que o adulto tem a obrigação de ser responsável e está sempre numa posição de domínio sobre o menor. e a criança que ainda está em desenvolvimento ficará marcada para toda a vida.

Acho que não é por ser tabu que não deve ser feito, é porque tem mesmo consequências muito negativas.

Pentacúspide disse...

Eu concordo contigo, Johnnybgood e com a Vanessa no que se refere à pedofilia. Mas isso não é uma mal proveniente do incesto, porquanto mesmo condenado o incesto actos pedófilos acontecem.
Também sei que a maior parte das sociedades e culturas (senão todas) condenam o incesto, mas a forma como isso acontece em cada cultura varia. Por isso, há aquelas que não permitem nem mesmo actos entre primos, há outras hipócritas que deixam tios e sobrinhas se casarem e são abençoados ainda pela Igreja e pelo Papa mas depois condenam essa mesma prática (estou a referir-me a um capítulo da História de Portugal - e sabemos bem que entre os do sangue azul, "durante a História mais recente", houve muitas relações consideradas que pela norma são incestuosas, mas não foram assim consideradas. Essas pessoas viveram mal? Tiveram filhos amorfos? Se calhar sim, mas não sei de nada que o confirme.
Voltando à vaca fria... há culturas matriarcais, ou seja a linhagem provém da mãe, onde o incesto entre sobrinho e tia materna é considerado incesto e sobrinho e tia paterna não, há ainda outras onde primos de lado paterno é considerado e do lado materno não. E já ouvi dizer, não pude confirmar, que há culturas onde pessoas com o mesmo apelido não se podem relacionar sob pena de serem considerados incestuosas.
Olha, sobre o incesto há muitas coisas e variáveis, o que quer dizer que não é uma lei natural. Natural é o nascimento-crescimento-morte, para qualquer tribo é igual e não acontece de forma diferente, o restante homens como nós é que assim decidiram e impuseram, e temos de pensar até que ponto isso nos é útil, sem nos escondermos na capa de puritanismo que também é outra coisa que nos foi imputada.
Mas a questão final que eu deixaria aqui, para ti, Johnnybgood, tirando o problemas de reprodução que agora, sabemos, podem ser contornados, quais é são as consequências "muito negativas"?... ou pelo menos, uma delas.

johnnybgood disse...

as consequências negativas era mesmo a reprodução, ou no caso de adultos com crianças as marcas psicológicas (devastadoras) que ficam nas crianças.
Como disse: o amor entre primos ou entre irmãos é mais comum do que parece e pode ter o seu romantismo,se os meninos já souberem ter cuidados anticonceptivos a brincadeira não terá consequências, mas se cruzarem genes há o risco muito acrescido de surgirem doenças genéticas ligadas a genes recessivos

F disse...

Desculpem o Anonimato, mas me chamo "F" e tenho 38 anos, casei cedo, tive uma linda filha, hj ela esta com 20 anos e apos uma separação de 14 anos a mesma veio morar comigo e minha nova familia, do qual tenho uma filha de 11, após a chegada dela, nos demos tao bem e com tanto carinho, que isso esta mexendo com o meu interior, principalmente o emocional, sinto a falta de ser e estar mais perto dela, e por mais carinho que temos, entre eles se abraçamos, nos beijamos(rosto, mãos, testa), deitamos juntos para conversarmos, braços dados, ainda sinto q falta algo, tenho vontade de lhe beijar, e de fazer amor com ela, compartilhar com ela algo q sinto q nunca daria a ninguem, e nunca dei, nunca senti algo táo forte assim, por alguem, como sinto por essa filha, nao acho que seja desrespeito, pois, se assim eu pensa-se teria os mesmos sentimentos pela menor do 2º casamento, ela retribui a todas caricias, - mas como dizer algo assim? será q ela nao vai se ofender e me tratar como um "monstro", ou pensar nisto como algo "repugnante"? -

Pentacúspide disse...

F, não sei o que te diga. O afecto e carinho, por serem de graça são para esbanjar, e, tal e qual se sabe, a reacção das pessoas depende dos valores com que foram moldadas. pelo que eu entendi a tua menina cresceu com a mãe, por isso, provavelmente a forma de ver as coisas pode não ser igual a tua à tua, portanto veja lá se vale a pena seres visto como um monstro por ela e estragar a relação de pai-e-filha, ou se mais compensa arranjares um bom óleo e ires à casa de banho com as fotos dela. (meu deus, estou agora a tranformar-me em conselheiro de revistas baratas). Usa o bom sendo F, se ela sente o mesmo que tu, vai mostrar, só está atento aos sinais e cuidado para não os interpretar erroneamente.

Anónimo disse...

Bom gostei de suas palavras e quero te dizer que serei uma das pessoas a mudar esse tabú no brasil, bom fiquei com meu irmão a três anos atrás no começo me culpei por ter acontecido isso pois foi uma forte atração da qual não podemos controlar e de imediato nos apaixonamos detalhe não fomos criados juntos, nos amamos e vamos viver esse amor, aconteceu algo não esperado eu engravidei e te digo que tenho certeza que deus não me julga por riso tenho uma consciência limpa e sei que posso viver com isso e tb te digo que se filhos de incesto por ai nascem com deficiência o meu não nascerá eu sei e daqui a nove meses volto a falar com vc e a te dizer que meu filho vai ser uma benção porque eu tenho um deus que cuida de mim e quanto aos que me julgam se tenham com ele, porque se tenho de dar justificativa a alguém e a cristo e a ninguém mas. meu amor é só meu é pleno é lindo e tenho certeza que único e se tiver fazendo algo errado deus me julgará no dia final, no fim dos tempos quando ele vim arrebatar o povo escolhido, meu amor não é um amor com falta de respeito e sim com muito carinho respeito e cumplicidade.

Anónimo disse...

cada um faz o que acha certo sendo assim se um pai e uma filha se desejam por amor porque não? quem somos nós para criticar-mos em pleno 2010...devemos nos preocupar com pontos como por ex; a criminalidade atual, ou seja se duas pessoas se amam elas tem mais é que ser feliz concorda...o mundo muda a todo instante e para mim hoje o incesto é uma coisa comum...

F disse...

O que aconteceu é que hoje, eu e a minha filha vivemos um amor, eu ja desconfiava tambem das emoçoes dela, nossos semtimentos se confundem, em relação ao que sentimos, por uma questao de caráter, não posso simplesmente mandar embora uma pessoa que passou 11 anos comigo "na Saude e na doença", somos ambos católicos, casados, isso também vai muito mais longe do que se enxerga a primeiro momento, existe bens, existe as familias, existe a sociedade, num lapso de loucura e paixão do momento, você quer enfrentar o mundo, temos força e coragem para tal, que se explodam a moral e os bons costumes, ao inferno com os tabus, eu quero é "ser feliz"; mas "ser feliz" a que preço? depois vai se analizando os prós e contras de uma relação desse tipo. Ja chegamos a questionar que a falta de carinho dos anos, sempre fizeram faltar algo, que foi completado com essa relação, nos damos muito bem na cama, nos amamos muito, passamos o dia juntos, e isso já esta abalando o outro lado, eu me sinto como tive-se pulando de uma frigideira, e caindo no fogo, nao me arrependo de nada que aconteceu, mas se adivinha-se todo esse transtorno. nao teria iniciado isto. Acho que em certo ponto acabo magoando ela também, eu sofro, a outra parte sofre... venho empurrando a situação com cautela, tentando moldar um retorno a situação de pai-e-filha, mas sei que isso nunca mais será igual. ou será uma relação bem aberta onde poderemos trocar ideias, num futuro... ou tenho medo que disso ela nao seja mais a filha e sim uma ex, vingativa, rancorosa e com odio.
Obrigado a todos pelos comentarios.

Pentacúspide disse...

A parte mais complicada de viver numa sociedade com regras e moralismos falhos não são essas mesmas regras e leis, mas as pessoas. As pessoas acham-se todas no direito de julgar, os vegetarianos contra os macdonalds, os restantes acham os vegetarianos alienígenas, já conversei com uma lésbica que sentia raiva das mulheres bissexuais achando que elas eram indecisas, em resumo, tudo o que façamos temos sempre os outros prontos para nos julgar. Não admira que um homem inteligente tenha uma vez dito que O INFERNO SÃO OS OUTROS.
F, eu confesso que, embora defenda a ideia do incesto, não sei como seria ter que lidar com isso, não sei se na prática não me viriam à cabeça repressões doentias socialmente nela inculcadas desde a infância, ao conviver com uma pessoa incestuosa, mas quero acreditar que não.
A pior parte de tudo o que optamos que seja diferente da escolha da maioria é a culpa que nos fazem sentir, por exemplo tu estás disposto a mostrar ao mundo o que sentes pela tua filha, mas róis-te por dentro porque sabes como vais ser reprimido e não consegues ser feliz, e o objecto da tua felicidade está agora a aparecer-te a fonte dos teus problemas, tenha cuidado com isso. A relação pai-filha genericamente não comporta relações sexuais, mas vê lá bem se a regressão que queres causar entre tu e tua filha não significa na verdade um afastamento, acabando cada um de vocês a consumirem-se em culpa. Tens a tua esposa no meio, é uma outra peça importante, tens de saber olhar também pela perspectiva dela. Em boa verdade, F, estás mas é Fodido, eu não gostaria de estar na tua pele.

Renato _SP disse...

Ola pessoal tudo bom, estava lendo as histórias aqui escritas, pelos internautas e achei muito legal, tive um caso parecido com que contou o "F", a situação do amigo é realmente dificil, eu tenho um casal de filhos do terceiro casamento e uma filha do primeiro, ela teve problemas com a mãe e veio morar comigo, aconteceu praticamente a mesma coisa, mas depois ela entendeu que ela nao poderia chegar e simplesmente ir acabando com tudo que foi construido nos anos em que ela estava fora, ficamos ainda alguns anos se relacionando em segredo, já que pelo que parece isso é a melhor opção, fazem 2 anos que ela casou, esta feliz e nós temos a relação normal de Pai-e-filha, que você comenta no seu depoimento, o tempo ajusta tudo, somos muito ligados e amigos acima de tudo, mas nada do que aconteceu anteriormente afetou nossa relação, entenda que essa relação pai-e-filha é para sempre. Na época eu tinha 37 anos e minha filha 18, os tabus da sociedade barram muita coisa, discordando de "pentacuspide" (com todo respeito claro), mas cada caso é um caso, "F" você nao estas Fodi**, vocês que vivem esse amor saibam entender que viver esse amor, não é a necessidade de mandar tudo para o alto, afinal depois de separações, existem processos, pensões, divisão de bens, por que dividir se podemos somar, ele sabe(sua filha) que nao vai perder os direitos de nada, nem ganhar nada a mais(ja é filha tem a herança determinada)filha + esposa, não da direito a ela a ter mais continua na mesma, então conversa com ela, sempre com calma e você vai ver que tudo se ajeita com o tempo, nao abandone sua esposa, afinal você tem outro filho, eu sempre olhei da seguinte forma:
- Com minha filha era amor, com minha esposa era sexo!
Uma boa semana a todos, espero que eu tenha ajudado.

Fernando Borges disse...

Texto bastante interessante.
Engraçado que o meu próximo texto a ser publicado no Blog será sobre esse assunto também.
Começarei usando os pensamentos de Lévi-Strauss e depois tentarei desenvolver algo a partir daí.

"A dita "norma" foi estipulada pela própria sociedade, aliás, por um punhado de pessoas que controlam o poder - no caso da sociedade hodierna, a Igreja Católica."

Acredito que seja mais complexo que isso e mais antigo que isso.
O Tabu do incesto (se quiser, te mando para o e-mail uma parte do artigo de Lévi-Strauss que fala exatamente sobre isso) existiu e existe em todas as sociedades que conhecemos, claro que variando a forma do tabu de uma cultura para outra. Trata-se de algo muito mais antigo que a própria Igreja.

Pentacúspide disse...

Fixe, Fernando, gostaria de ler esse texto de Strauss e o teu artigo sobre o assunto. De qualquer maneira, essa proibição continua a parecer-me apenas interferência cultural e sem razão de ser.

Fernando Borges disse...

Já enviei o trecho do texto do Lévi-Strauss para o seu e-mail.
Os dois primeiros capítulos (21 páginas no total) do livro "As Estruturas Elementares do Parentesco".
Cap. 1: Natureza e Cultura
Cap.2: O Tabu do Incesto

Você encontra o livro completo na internet. No livro esse trecho que enviei está entre as páginas 41 e 63.

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