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13 de junho de 2025

DEAR FRIEND KRIOL (OF INNERSELFNESS)

 dear friend kriol,

 i love to stroll 

in your hall, dear;

it stirs me up, dear.

it’s where i steer 

my thoughts and feelings,

feeling no fear, 

seeing all clear,

dealing with the doubts 

that are in my near,

and knowing how to 

navigate my sphere.

 

i feel full 

because you fulfill 

my feelings, 

filling my emptiness.

 

when i dive 

inside your tide,

i feel like 

i am more alive,

it seems like 

i could deem 

what words would fit 

within the world 

i want to build, 

where love is the key 

to make lives 'more free'.

 

dear friend kriol,

you see, if i started

to understand who i was,

it was because 

of what your code does. 

who i was? 

who i am?

i organized my mayhem

and my understanding stemed 

from the system you coded:

the language, 

the philosophy,

that i engaged with 

to feel so free,

that i used with wit 

to read myself.

 

kriol, 

it was you who helped me

to communicate with the world

i was born in, so i sworn that

i would live and love you 

and spread you with craft,

because it was you who taught me

how to navigate my thoughts, 

and you were there always lurking

in my first steps in talking

and in my first talks in walking.

 

it was you who drove me

into breaking ropes 

and expressing love 

for the first time,

to make my first rhyme,

to climb over my first fright

and find words to describe 

my first kiss… 

so sweet!

 

kriol, it was in you that 

i was building all my jokes, 

enchanting all my songs, 

you were living in my jaws 

and screaming with my lungs,

sometimes just to jolt joy,

some short, some long,

some warm, some cold,

sharing a swarm of emotions.

 

dear kriol, 

for me it is such a luck 

to write you this card, 

but i would prefer another tack 

for this task,

because 

writing to you in english... 

fuck!... it sucks.


17 de maio de 2020

COMO ESCREVER EM KRIOL (PARTE 2)


Esta é a segunda parte de um exercício que comecei aqui:

Apesar de se escrever cada vez mais kriol, há uma série de “erros” que continuam a aparecer nessas escritas e vou elencar alguns de uma forma simplificada, mas que possa permitir posteriormente discussões mais profundas.


2. PROBLEMA NA SEPARAÇÃO DAS PALAVRAS

Não são incomuns textos onde aparecem palavras como “BADJA” em vez de “BA DJA”, por exemplo, para significar “Já te tinha dito...”, escrevem “N’ falau BADJA…”, ao invés de “N’ falau BA DJA…”. “Badja” significa “dançar, bailar”. “BA DJA” seria o correto, uma vez que “BA” é um marcador de passado e “DJA” é um advérbio de tempo. Mas vamos tentar deixar aqui a complicação nomenclatural para os gramáticos e os linguistas e tentarmos ficar mais na terra.

Escreve-se muitas vezes sem separar a palavras que quando não separadas significam outra coisas, tal como BADJA / BA DJA, há muiiiiiiiitas outras, mas vou elencar aqui apenas algumas:

AMINA, AMI NA, BOTA, KUTA, KUNO, IKUMA, SIBIME, DIDIME, NEGADE, NONA, NOTA, INA, ITA, NOSBA, KUM MOSTRAU, IKATA, BANHUS, NKUME.

A maior parte destas palavras têm em comum os seguintes marcadores:


2.1. MARCADORES LINGUÍSTICOS

BA – marcador de passado – Aparece sempre depois do nome/pronome ou do verbo. “Djon BA ki fala” ou “Djon ki fala BA” (O João é que tinha dito).

BA – marcador plural associativo – aparece sempre antes do nome próprio “BA Djon na se bairu” significa “As pessoas do bairro do João”. (Prometo dar mais e melhores explicações sobre este marcador nas minhas aulas de KRIOL EM 42 LIÇÕES, quando sentir vontade de voltar a elas).

KA – marcador de negação – “i KA sibi” (ele/a não sabe). Nota: para quem está habituado com o inglês, “KA” funciona como o “DON’T”, não dizes o “KA” para dizer “Não”, mas para fazer frases negativas.

TA – marcador de aspeto habitual – usa-se para descrever algo que fazes com frequência, “Djon TA djuga tudu dia” (O João costuma jogar/joga todos os dias); para descrever um estado “Djon TA djuga na Futebol Clube de Sonaco” (o João joga no futebol clube de Sonaco); para descrever uma atitude ou ação ou qualidade que caracteriza uma coisa ou uma pessoa: “Djon TA djuga bem” (O João joga bem /O João é bom jogador) ou "Tchuba ta tchubi nam na agustu" (Chove muito em agosto).  

NA – marcador de aspeto contínuo / ou do futuro (depende do contexto) –  Ex. de contínuo: “Pera un bokadu, n’ NA kume.” (espera um bokadu, estou a comer); ex. de futuro: (Amanha n’ NA kume tok.” (vou comer muito amanhã). No inglês é basicamente o “ING”.

Enfim, acho que esta descrição acaba por servir mais para os não falantes de kriol ou os que estão a aprender a língua, porque os falantes de certeza sabem disto claramente. Mas para os escreventes de kriol, serve isto apenas para mostrar que KA, BA, TA e NA, são palavras independentes com a sua própria categoria gramatical, por isso não devem ser escritas juntas às outras palavras.

Sobre algumas palavras acima listadas:

IKA / ETA / UNA / BUTA / BOTA / BONA /. O mais certo seria: I TA, E NA, U NA, BU TA, BO TA, BO NA. Pensem nisto: “I” “U” “BU” “BO” são pronomes, pronome são palavras que podem ser substituídas por nomes. Então, tal como não escreverias juntos “DjonTA fala” “JoanaNA kume”, então faz sentido separar os pronomes dos marcadores, "N' TA", "BO TA", "KU TA" "KU NO", além do mais "BOTA" é um sapato, “KUTA” é nome de mulher, e “KUNO” é nome de pampana (dependendo da pronúncia, é certo). 



2.1.1. BA e BA

Também há quem use o “BA” para referir o passado, ligando-o imediatamente ao verbo. É uma influência do português, que usa o “VA” para o pretérito imperfeito, por exemplo, ESTAVA – ESTA(r) (verbo) + VA(sufixo) – logo, alguns escrevem também “STABA”, “CALABA” “KUMEBA” “FALABA”, entre infinitos verbos. A questão é que o “BA” não é um sufixo, mas um termo independente, um marcador do passado (neste caso específico). E “BA”, como observado, pode vir depois do NOME e do VERBO, como no exemplo acima: “Djon BA ki fala” ou “DJON ki fala BA”, por isso acho que escrever “falaBA” transforma o “BA” num sufixo quando ele não o é. Mas, de qualquer forma, isto é apenas uma observação, escreve “fala ba” ou “falaba”, apenas escreve, a língua kriol agradece.

NOSBA (i papia ku NOS BA – tinha falado connosco, definitivamente escreve-se separado).


Quanto ao segundo BA. 

Alguns escrevem “BANHUS” (para dizer “os senhores) ou “BANHARAS” (as senhoras). Mas como BA é também uma palavra por si, e tal como não escreveríamos “BADjon”, mas “BA Djon”, e tal como “nhara” (senhora) é uma palavra independente, por exemplo, as “nharas” de Cachéu, ou o “nhara-sikidu” (o arbusto, alguém se lembra?), penso que o mais certo aqui seria “BA nhus” “BA nharas”. Mas outra vez vou dizer, isto é apenas uma observação não imposição.


2.2. SEPARAÇÃO ENTRE PRONOMES E VERBOS

IKUMA, NKUME… entre outros. Seguindo os exemplos acima, penso que devemos separar os pronomes “I” “N”, e os restantes, do verbo, porque não escreverias  “DjonKUME”.
NKUME é juntar o “N” ou “ N’ ” depende do código escolhido por quem escreve, com o verbo logo a seguir.  Mas imagina que o verbo fosse “NVENTA”, então escrever-se-ia “NNVENTA”.

AMINA, AMI NA… Aqui falta o pronome forte “ N’ ”. Notemos que em kriol, dizemos “AMI” “ABO”, etc, para fazer referências às pessoas, mas para conjugar verbos temos de dizer “ N’ ”, “BU / U”, entre outros. AMI NA bai, significa que a pessoa com o nome AMI está a ir, não que eu estou a ir. “AMI N’ NA bai” já é outra questão. Mas entre AMINA e AMI NA, por favor, escreve AMI NA.


2.3. SEPARAÇÃO ENTRE OUTRAS PALAVRAS E AS PARTÍCULAS DISCURSIVAS

ME, DE, PON/PO, BO, NAN, PRO, GORA (não me lembro de outras agora), são partículas discursivas, quase sempre enfáticas, também termos independentes dentro do seu próprio contexto. Quando digo independentes não significa que podem ser usadas sozinhas, pois estão sempre condicionadas a um contexto, mas pertencem a categorias próprias. Se calhar são advérbios, pois alguns comportam-se com algumas palavras ou termos que em português são advérbios ou locuções adverbias.

NEGADE é claramente um erro, “i nega DE” (ele negou mesmo), parece-me mais certo, pois ainda podemos dizer “i nega GORA DE” ou ainda dar mais ênfase “i nega NAN GORA DE”, e sei lá, talvez até possamos exagerar e dizer: “I NEGA NAM GORA DE BO”.

Penso então o DIDIME deve obedecer à mesma separação das palavras (DIDI ME), principalmente porque usamos o DIDI sozinho, e o ME no "DIDI" so adiciona o ênfase. "DIDI mursegu ka ta bota ovu", "DIDI ME mursegu ka ta bota ovu" (Afinal os morcegos não põem ovos).



Bem, isto acabou por ficar muito mais comprido do que eu contava. 

Vou, portanto, ficar por aqui, por enquanto, depois mostro outros exemplos sobre os problemas em escrever kriol.



10 de maio de 2020

COMO ESCREVER EM KRIOL (PARTE 1)



Comecei este artigo a pensar: será que é coerente fazer um texto sobre a escrita de kriol em português, quando quem quero alcançar são os escreventes de kriol? Não seria mais lógico fazer o texto em kriol? Isso vou discutir depois, para já vamos ao que interessa.

Ver pessoas a escrever kriol cada vez mais pelas redes sociais e “messengers” deixa-me muito contente, porque estamos a abraçá-lo mais, e a discussão sobre a oficialização de kriol que teima em aparecer, então… mais contente ainda me deixa.

Entretanto, apesar de se escrever cada vez mais kriol, há uma série de “erros” que continuam a aparecer nessas escritas e vou elencar alguns de uma forma simplificada, mas que possa permitir posteriormente discussões mais profundas.



     1. FALTA DE COERÊNCIA ORTOGRÁFICA

É certo que não temos um sistema ortográfico normalizado, embora existam propostas, por isso cada um escreve com o sistema que lhe dá mais jeito, alguns utilizam o sistema português para o efeito outros sei lá qual. Todavia, não importa o sistema que se utilize, é preciso que haja coerência nos textos, que se “uniformize” a escrita dentro do sistema escolhido. Por exemplo:

1.A: “C” e “K”

Alguns escrevem, usando as letras “C” e “K” indiscriminadamente, uma vez escrevem “kana” outras, “cama”, umas “baka” outas “faka”. É certo que as duas letras fazem o som de “K” neste contexto, mas é bastante aleatório escrever com qualquer uma delas.

Sugestão: escolhe uma letra e fica por ela, ou escreve tudo com “K” ou “C”, mas não andes a djugutar de uma para outra aleatoriamente.

1.B: “S”, “Ç” e “SS”

Eu confesso que me estranha a utilização do “Ç” em kriol (mas isso sou eu). Na verdade, há poucas línguas no mundo que o usam e em algumas delas tem som diferente do “S”. E mesmo em português eu acho dispensável, o “S” dobrado, faria muito bem o “servisso" (mas isso é só uma opinião). Enfim… Também não me parece muito coerente escrever-se “bedjiÇa” e logo a seguir “garandeSa”, “malandriSa” ou “mufineSSa”, porque se se considerar que os sufixos se escrevem “EÇA e IÇA” eles não variam, portanto, é aconselhável (para os que usam o Ç) escrever tudo com “Ç” e evitar as variações (os sistemas publicamente propostos para kriol utilizam todos "S" simples, e nunca "Ç"). “RaÇa”, “raSSa” e “raSa" no mesmo texto para significar a mesma coisa é horrível.

Outra variação aleatória é entre “S” e “SS”. Umas vezes “kaSa”, aparecer ao lado de “mASSa”, “kuscuS” aparece ao lado de “djambakuSS”.

Sugestão: escolhe escrever todos os sons de “S” entre vogais com “SS”, ou então com “S” apenas. E se escolheres o “S” simples para representar o som de “S” entre vogais, também não o use para representar o som de “Z”, como em “atraso” ou “ranhoso”.

1.C: “R” E “RR”

Escrever “nha teRa sta na gueRRa”, ou “gaRan di mancaRRa” não faz muito sentido, principalmente porque nós não dizemos o “R” dobrado em kriol. “karu karu - caRRo caRo” “sera - seRRa” (di karfinteru) ou “sera - ceRa” (di bagera), é a mesma “sera” dizemos os dois da mesma forma, por que não escrever da mesma forma?

Sugestãoesquece o “RR”, escreve tudo com o “R”, assim vais errar menos quando até palavras que em português se escreve com “R” simples escreves com “RR”.

1.D: “U” e “O”

Eis outras letras que são usadas indiscriminadamente, principalmente no fim da palavra. “FanadO”, “bonitU”, “faladU”, “sintadO”, “mortU”, “rostU”, “komboiU”, e por aí fora.

Sugestão: escolhe acabar tudo com “O” ou com “U”, mas não fiques a saltar injustificadamente entre um e outro. E se escolheres acabar tudo com "O" então põe acento em "Ó" nas palavras que acabam com O aberto, como em "koko" ou "da bolo", para não ser lido como em português "coco" ou "dar bolo"

1.E: “CH” e “X”

Também escrever “chatu” e logo depois “xapa” parece uma escolha não consciente.

Sugestão: opta pelo “x” ou pelo “ch”, e se optares pelo “X”, proponho que não o uses como “Z” em palavras como “ixami”, porque se depois escreveres “bruta di mexa”, fica difícil perceber se é “bruta di mecha” ou “bruta di mesa”… eu sei, estou a brincar, há sempre o contexto para ajudar, mas vamos tentar mais coerência.

1.F: “N” e “ N’ ”

As propostas ortográficas que foram publicadas até agora usam o “ N’ “ para dizer “EU”, por isso, em palavras com “ntindi”, “nventa” “ntrumpi”, etc, penso que não é preciso escrever o “ N’ “ com apóstrofo, pois sendo o “ N’ “  EU, então, “n’tindi” seria “eu tendi” não “eu entendi”, e mais fica quando se escreve “bu n’tindi”, pois assim fica “tu eu tendi”. Sim, o contexto, sim… mas é preciso acertar a ortografia e facilitar o trabalho a quem lê. “N’ ntindi” tem o sujeito “N’” e o verbo “ntindi”.

Sugestão: para as palavras “ntindi”, “ntrumpi” “ntera”, etc, penso que fica melhor não usar o apóstrofo depois do N (N’). Há quem não separe o “ N’ ”, sujeito, do verbo, escrevendo, por exemplo, “n’kunsi”, eu também não o fazia até há algum tempo e não me parece que isso seja um problema desde que haja coerência, mas para palavras como “N’NTINDI” não separar o sujeito do verbo torna a coisa um bocado mais complicada, mas se o separarmos ali, então sugiro que o separemos nos restantes.

1.G.: “N’A” e “NGHA”

Para as palavras como “N’ala”, “n’oroto”, alguns escrevem “nghala”, “nghoroto”, ou podia dizer aqui o contrário, para palavras como “nghala”, “nghoroto”, alguns escrevem “n’ala”, “n’oroto”, eu escrevo desta última forma. 

Sugestão: Não importa a forma que escolheres para escrevê-la, o que é preciso é que haja a famosa coerência. Para os que escrevem “N’ala”, vê-se aqui a necessidade de separar o sujeito do verbo, para que não se pense que a palavra é uma frase. 

Para os que escrevem “Nghala”, quando chegar a altura de escrever “N’ alinha”, também devem separar o sujeito do verbo, porque senão o sistema usado para representa o som “ N’ ” fica a parecer aleatório, pois “N’ghalinha” seria mais coerente dentro desse sistema (embora seja possível construir uma regra à parte para conjugações neste caso).




Vou ficar por aqui, por enquanto, depois mostro outros exemplos sobre os problemas em escrever kriol. Enquanto isso, podes dar uma vista de olhos nisto: SISTEMAS DE ESCRITA DE KRIOL.
http://montedepalavras.blogspot.com/2016/03/as-licoes-do-guineense-kriol-introducao.html


3 de novembro de 2019

KILA I KE















(escrevi isto no tempo de Kumba Yala, mas ainda serve)

Pape, kila i ke?
Mame, kila i ke?
Fidjus, netus,
Ermons kila i ke?

Djintis tchiu na kasa,
manga di kusa na pasa,
Utrus pega garasa
pabia utrus na masa brasa.
Esis so bom rasa,
kilas so karkasa,
Kil utrus na mara tarpasa
pa toma di kasa pa leba pa prasa.

Fidjus pega kabesa
pabia pape sta ku dudesa,
I panha fidju i serka di mesa,
na badjudesa di faimadesa.
Fidju tene duensa,
ma pape nim bu ka na pensa...
Mbe pape, larga turpesa,
djubi fidju tem pasensa.

Kredi o, pape,
fidjus i ka karnel,
Bu panha fidjus
bu mara na padja,
Bu na kema bu ninhu,
grandi kanadja,
Bu na foga na kuspinhu
son na djitu di nega tarbadja.

Bu na kulka fidjus
na Bande dja,
Ma tira mininus
na bandeja.
Bu pui binhu na dinginhu,
kabesa dismantcha,
Bu fidjus na bindidu,
abo bu dismadja.



Mame, o, ali foronta,
djubi fidju ka bu pera,
Kokoko, tempu na konta,
ma bu ntola na kansera.
Bu nega prasa, bu nega ponta,
bu fika so na nbera,
Tempu na pasa, ma bu tonta,
bu na papia inda di gera.

Ko o ko, mame,
djubi son kau di pui pe,
Djubi son de, bu na nguli son de,
bu sapa mon de… anta i ke?
Fidju misti mel,
ma bu na dal son fel.
Mame tchoma pape,
sinta ku el, papia ku el.

Nim bu ka na sinti
kuma kampu sta nam kinti,
Bu pega inda na brinka ku djintis,
bu na da elis dur di dinti.
Netus boka disminti
na kasabi di tenta ntindi
Kuma se kasa ki bu na bindi,
se futuru ki bu na pirdinti.

Fidjus kotchotchidus,
nhongolidus, ual-ualidus,
Na n’uli midju di vizinhus,
ku sintidu fungulidu.
Ermons misti son bua,
pabia e kansa dja pupa,
Utrus firma na rua
e na punta: “nunde tugas?”

22 de setembro de 2019

ALI SOL MANSI MAS

Ali sol mansi mas,
ma n'ka na sinti bem,
nha sunhu di bida rabida i fika
na dinheru di mafe.

Ali sol mansi mas,
ma n'ka osa firma de,
pabia fadiga inda na castiga,
i nheme tudu nha fe.


N'ta odja nha djintis na kuri-kuri son, 
diskansu ka tem na se korson;
Sol ta korda toki sol ta durmi mas, 
e na buska kil um son di kume son.

Ku bariga intchidu di kudadi garandi, 
pabia bianda ka tem pa nha stangu,
Kuntangu i uru dianti di nha udju, 
Barudju di fomi tomam atenson.



Nha vida na pasam dianti di rustu,
i na skua ma n'ka pudi dja mas nota,
kudadis mas tchiu di ki tchuba di agustu,
di diskansu n'ta pidi li so um gota.

N' na pidi dja tambi pa otcha kambansa
pabia speransa ka ta mata fomi,
n'ka misti pa nha fidjus bim panha es ardansa
ki sibi so kansa vida di um omi.


Ali sol mansi mas,
ma n'ka na sinti bem,
nha sunhu di bida rabida i fika
na dinheru di mafe.

Ali sol mansi mas,
ma n'ka osa firma de,
pabia fadiga inda na castiga,
i nheme tudu nha fe.


Ku kudadi na bariga, ku bianda na kabesa,
kontam de kuma ki n'pudi pensa?,
si kontra es vida i suma mufunesa,
i ka fomi, i ka tchur, tambi i ka duensa.

Bu falam pa n'muda sintidu,
pa n'vota diritu, pa n'sai pa n’obidu,
Ma kuma si tempu intidu
N'tem ki otcha djitu pa n'ka sta kotchotchidu?

Sintidu ta kurtu si saku ka firma,
Pabia bu gurdu ka bu tchia nha magresa.
Si n'pega ba na furtu pa vida ka ntiba,
Na mundu nim um purtu ka na laba es kombersa.

N'misti tambi muda sintidu
pa n'vota diritu, pa nkunsa n’obidu,
ma mostram kaminhu, larga boka sinhu,
Si bu na tchulim duensa, mostram tam mesinhu.

Ali sol mansi mas,
sol mansi mas, 
Ali sol mansi.

1 de novembro de 2018

SINTIDUS - REVISTA DE ESTUDOS CIENTÍFICOS E INTERDISCIPLINARES (1º número)


Durante muito tempo só existia uma revista científica na Guiné-Bissau, ou melhor, produzida na Guiné-Bissau: Soronda, uma revista do INEP, que desde 1986, durante 10 anos foi semestral, fez uma pausa de um ano, voltou em 1997 e durante 8 anos tornou-se anual; fez outra pausa de 13 anos e voltou a publicar em 2017, e só espero que não mantenha a frequência.

Para não deixar a Soronda sozinha, eis que aparece, em 2018, SINTIDUS (Revista de Estudos Científicos e Interdisciplinares da Universidade Lusófona da Guiné), que publicou o primeiro número, em formato eletrónico e, agora, físico.

É hábito estudantes (guineenses) dizerem que não há muito material científico sobre a Guiné-Bissau, eu não concordo, quer dizer, em certas áreas há mais que em outras, e podia-se produzir mais. Sem falar da Soronda que contraria essa ideia, a SINTIDUS está a mostrar também agora que ela não é verdadeira.

A Revista nº 1 tem artigos de qualidade e de relevância sobre a Guiné-Bissau. Sem dizer que tem a pinta de fazer os resumos todos em kriol. Estudantes, investigadores e curiosos hão de gostar das matérias. 

O primeiro número consiste da observação sobre a observação da Guiné do ponto de vista de um “observador ou investigador” português, e passa pela relação entre os fulas e o mandingas no Kaabu, que apesar de analisar o passado é bastante pertinente para a situação atual e para a compreensão a parte da nossa sociedade, passando pela literatura e análise social pela escrita, ainda pela questão do kriol e da necessidade de normalizar a sua escrita, e também pela questão da justiça na Guiné-Bissau e relação entre o poder do estado e o poder tradicional nessa esfera, até ao assunto das alterações climáticas e seus indicadores, o que é bastante importante, considerando o que vimos neste último ano em Bissau. Por fim, a revista fecha com um ensaio fotográfico sobre a cidade, que apenas critico porque quer mostrar a África através da Guiné-Bissau, quando nem pode mostrar a Guiné-Bissau através de Bissau, por causa da miríade cultural guineense, o que me faz bradar: “DEUS DO CÉU!, ÁFRICA NÃO É UM QUINTAL NUM BAIRRO! ÁFRICA É IMENSA, PAREM COM SIMPLIFICAÇÕES”.

SINTIDUS encontra-se agora em formato físico e pronto para ficar na tua biblioteca e auxiliar-te nas tuas investigações e se não o quiseres aí, podes sempre adquiri-lo para oferecer a um amigo, e para isso precisas apenas de escrever sintidus.revista@gmail.com ou (se estiveres em Bissau) contactar +245 955977108 ou ir à Universidade Lusófona perguntar, ou mandar menino.

Aproveita e vai comprar que o número é limitado. Kim ki tchiga prumeru siti ku liti bas di kama di si mame.

Eu já tenho o meu. Na verdade, tenho mais dois outros outros e vou oferecer um à primeira pessoa que me responder a esta pergunta: Si kinkinhin kankanhan i “prenhada bambu n’ utru”, nton ke ki kankanhan kinkinhin? Pa konvensim, bu tem nam k' kontam kal ki signifikadu di es dus palabra.

O segundo livro, para ser justo para os meus amigos não falantes de kriol, vai para quem responder a esta pergunta: “uma meia meia feita, outra meia por fazer, quantas meias são?

N.º 1, 2018
AUTOR
ARTIGO
Raul Mendes Fernandes
Manuel Bívar & Sadjo Papis Mariama Turé
Jorge Otinta
Luigi Scantamburlo
Sara Guerreiro
Orlando Mendes
Gustavo Lopes Pereira & Ana Filipa Lacerda



21 de outubro de 2018

CARTA PARA A MINHA NAMORADA BA
















Obi son...

Si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
kumpo ta dispi padja i ta unta lama tambe.

voltas voltiadu toki nha folgus folga,
djambadon na nha pitu ka disam djitu di rispira,
n' ka misti fika, ma n' ka pudi ritira...
para pirmim pruthc, pabia n' na potcholi paratch,
ali panga-bariga patchari pabia bu pegam suma punduntu.
Pabia ki bu ka ntindi inda kuma...

Si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
Kumpo ta dispi padja pa trokal ku plake.

Si i bardadi kuma korson i ka bunda,
anta lantanda bu bunda na nha pitu,
pabia n' sta nam na djitu
di kutkuti pa sakudi
di es malfitu di bu pezu,
el ki pui n' na pega tesu,
pa n' ka paga es bu pres, o.
Alin bas di bo,
bu rafinka riba di mi, suma santchu na po,
alin li bas di bo, n' na longanta mon,
n' na sanau ku forsa, pa pidiu atenson...
bu fala abo i nha ermon, enton, para dja, pon,
tiran di tchon, pabia n' piza dja suma limon...
saklata...

Ma ke bu ka sibi kuma...

si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
kumpu ta fasi planus di kunsa randja lambe.

djubi kuma ki djus djagassinu djorson,
n'djarga na es djiu, n' na djundjun'a
pabia nim djapuf n' ka pudji dja otcha pa djanta,
bu na djanki mbludjus ki no djunta,
bu na djunda elis son pa bu djudju...
ma djimpini dja, djubi tambi kuma ami i djinti.
bu djuti na djitu di sedu djagra,
djankadim... dje...

rapara son kuma...

si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
kumpo ta dispi badja pa ba kulkal na bande?

anta assim ki toma tera sta?,
bu tchoma gera, bu toma sera
pa kortam es po nde ki n' pindra.
bu toma tera, bu toma stera bu sinta,
nim tchur ka tisidu inda?
tchur ka tchiga, ma bu tcholona dja bu prentchentches,
es tchaflakas ku tchampletas tchantchan'ido
ki bu ta tchuli pa e bim tchutchi djintis,
pa tchapa elis pa tchupa se os...
n'sta na tchintchim, i ka pabia tcheben tchiu,
i pabia n'na tchora nan tchur di galinhas ki para tchentchi.
bu pensa bu tchoka?...
ma kal nam pro ki di bo? falam de...

ke ninguim ka kontau kuma...

si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
kumpo ta dispi padja i ta unta lama tambe.

bu ta bim na kexa kuma ami ki ka na fasi dritu,
mas bu misti kume aruz, pa ami n' kume midju,
bu misti buli boka pa ami n' nguli kuspinhu...
saim na pitu... futseru... saim na pitu...

si badjuda di kumpo pega tras di n'aie,
kumpo ta miti boka, i ta miti mon, i ta miti pe.

1 de novembro de 2017

NECESSIDADE DE OFICIALIZAR O GUINEENSE

fonte: http://memoria-africa.ua.pt
Quando andava na primeira classe, no final do ano fiz o exame da segunda classe também, e passei (os meus colegas de Sonaco podem confirmar)... motivo: tinha uma boa memória, já tinha memorizado todo o livro da primeira classe e a tabuada, e como não tinha mais nada para memorizar, memorizei também o da segunda classe, o que me ajudou nos exames. Mas se era bom a memorizar, não posso dizer que entendia o que memorizava, porque estava escrito em português.

E eu tinha o grande privilégio de os meus pais saberem português e de me traduzirem algumas coisas, mas e os meus colegas desprivilegiados cujos pais nem sequer sabiam ler? Aos 7 anos li uma anedota no livro da terceira classe, mas só quando tive uns 25 é que me lembrei desse texto e finalmente me fez rir. Foram precisos 18 anos para a anedota me fazer rir. O principal motivo, a anedota estava escrito em português, e eu não a entendia.

Agora, pense-se, tratava-se apenas de uma anedota, lida por uma pessoa que sabia kriol, cujos sabiam português e que quando saía da escola e ia para casa ainda ouvia português a ser falado (porque tínhamos televisão, víamos Rua Sésamo, Vila Faia e outros programas portugueses) e ainda passava o tempo a tentar memorizar a Bíblia (em português). E os meus colegas que só ouviam português na escola nos poucos minutos em que o professor o falava?

Como é possível ensinar numa língua que os alunos não entendem e querer no final ter bons alunos? Como poderei pensar por mim e formular conceitos se as referências que tenho são inteligíveis?

fonte: http://memoria-africa.ua.pt
Centrei o meu exemplo na escola primária, mas esta deficiência persegue-nos até mais tarde. Se mesmo muitos que nascem português, sempre tenham falado português e vivem em Portugal, leem textos em português e, a não ser que seja bem mastigadinho, não o entendem, porque não sabem interpretar, pode-se perceber a partir disto a hercúlea tarefa de aprender na Guiné-Bissau numa língua que não nos é "usual".

No filme "Minha Escola" (a partir do minuto 7) o protagonista (aluno de sexta classe) explica muito bem a dificuldade de falar português, porque como cada um fala a sua própria língua étnica, quando se encontram na escola, para melhor se comunicarem falam em crioulo (guineense)? Vê-se daí a necessidade de oficializar o guineense a par do português, para facilitar o ensino e criar pensadores e não repetidores como eu costumava ser.


Nos comentários a um artigo de Didinho, muitos defenderam essa necessidade de oficializar o guineense, que é a língua franca e realmente a língua primeira da Guiné-Bissau, mas que não tem esse estatuto, e torná-la a língua de ensino.

No artigo de Flaviano, Uma Bandeira Falada, lê-se o oposto, que apesar de ser língua franca não se deve oficializar o guineense por ser ainda demasiado cedo para tal, na falta de suportes como uma escrita e gramática acordadas.

Esta é uma daquelas discussões onde aparentemente todos têm razão. No entanto, se por algum milagre o nosso governo decidir oficializar o guineense, a verdade é que já temos vários suportes: em 1987, a Direção Geral da Cultura criou uma norma ortográfica para o crioulo, e em 1999, Luigi Scantamburlo propôs outra, que eu, pessoalmente acho melhor, sem falar ainda de inúmeros trabalhos da Teresa Montenegro sobre o kriol.  

Quantos acordos ortográficos pensam que existe sobre a língua portuguesa? A língua é uma coisa viva, que modifica constantemente, vai ser sempre preciso estudos para acompanhar a sua evolução e talvez simplicar a grafia.

Flaviano também disse que Cabo Verde (que oficializou o seu crioulo) só tinha uma língua, o crioulo, e não uma miríade de línguas com a Guiné-Bissau, e, portanto, o contexto é diferente. Sim, deveras é, mas África de Sul tem onze línguas oficiais, creio eu, e o que se pede para a Guiné-Bissau não é oficializar as nossas mais ou menos três dezenas de línguas, mas apenas o guineense.

E mais... ensinar Fula e Mandinga nas escolas poderia criar também vantagens, considerando que são línguas faladas por cerca de 15.200.000 e 11.000.000 de pessoas, respetivamente, nos países vizinhos. Porém isso é outra história.

A necessidade de oficializar kriol é mesmo urgente, para acabarmos com a pouca-vergonha de termos deputados no parlamento a ratificarem leis em português quando nem a sua própria língua e o kriol eles mesmos entendem. Deixo, contudo, claro que não confundo a capacidade de raciocínio e de ponderação de uma pessoa com o seu grau de escolaridade... mas para pensar sobre alguma coisa temos primeiro de entender por que o estamos a fazer, para depois tentar entender a própria coisa, e quando não entendemos a coisa devíamos honestamente manifestar isso.


Já agora a tal anedota era esta:


fonte: http://memoria-africa.ua.pt



Livros de leitura da Guiné-Bissau dos anos oitenta (para fins académicos ou puro saudosismo):

1ª Classe:

3ª Classe:

4ª Classe:
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/Geral/L-00000044&p=1


3ª Classe (anos setenta):
http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/Geral/L-00000035&p=1