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3 de abril de 2012

BLACK MIRROR, 2011 (série britânica)


BLACK MIRROR é uma mini-série inglesa com três capítulos, três histórias independentes, situadas em tempos diferentes, que, no entanto, tratam do mesmo tema: a tecnologia da informação e o seu impacto social, ou, por outras palavras, a nossa sociedade actual, toda ela bigbroderiana, youtubista, consumista e onde o maior e mais vulgar sonho das pessoas é ser famoso. Se dessem a escolher aos dos tempos de hoje ente ser rico (a outra meta mais procurada) e ser famoso, acredito que a maior parte das escolhas recairá sobre o segundo ítem.

trailer

A forma como estes temas foram abordados, a carga dramática e o final de cada uma delas, seca (manifestando desesperança) e realista (que não diz nada de novo e apenas carimba as coisas como elas são), fazem de Black Mirror uma série impactante, de cortar o fôlego e emaranhar os nervos, mostrando-nos o pouco controlo que temos das nossas vidas, e que as coisas que julgamos úteis e necessárias só nos limitam ainda mais esse controlo.


No primeiro episódio, THE NATIONAL ANTHEM, uma história situada num hoje alternativo, a princesa britânica é raptada e a exigência é o primeiro-ministro fazer sexo com um porco em directo pela televisão.
Este episódio traz à tona questões como a censura (vemos como a tentativa de controlar a consternação do povo, escondendo-lhe determinadas informações foi frustrada pelo próprio povo), os meios de informação da modernidade e o nosso voyeurismo mórbido (que foi simplificado numa cena onde as pessoas se submetem a sofrer náuseas extremas só para assistir a um programa de sexo doentio na TV). Entretanto, apesar disso, também mostra o poder do povo e como pode influenciar as decisões, mas, lamentavelmente, apenas se preocupa com “uma bica e futebol”, no caso português.

sneak peak


No segundo episódio, FIFTEEN MILLIONS MERITS, uma sociedade futurística e consumista, onde tudo o que as pessoas podem fazer é pedalar o dia todo para produzir energia para a cidade, ganhando assim dinheiro para viver – ou sobreviver, dependendo da perspectiva (parece com a nossa sociedade?), onde a natureza está totalmente lixada, e até mesmo as frutas são sintetizadas em máquinas, as pessoas estão divididas em pelo menos cinco castas: os donos da televisão (que controlam tudo), as estrelas da televisão, os operadores da televisão, os pedaladores e os limpadores.

Se no episódio anterior se mostrou o poder do povo, neste mostrou-se a sua inutilidade, inutilidade (porque somos completamente manipulados, embora julgamos que estamos no controlo), porque somos alimentados por sonhos fúteis que vemos na caixa-mágica e nem nos damos ao trabalho de pensar se nos serve realmente. Somos compelidos a consumir e a desejar esses sonhos vãos porque nos parece que é a única maneira de nos livrarmos destas celas para podermos sermos mais importantes e menos controlados, mas não percebemos que apenas mudamos para uma cela maior.

A história deste episódio é sobre duas pessoas que se apaixonam: uma é talentosa artisticamente e a outra é talentosa filosófica e revolucionariamente e que, provavelmente, devido a sua situação social de pedalador, concluiu que a sua sociedade é vã e deve mudar. No meio disso incentiva a sua amiga a concorrer aos Ídolos… desculpem, Hot Shot, um programa de televisão clone do nosso Ídolos, achando que podia transformar a vida dela. Depois acaba ela mesma acaba por concorrer ao mesmo programa.

A história destas duas pessoas mostra como a inocência é corrompida em nome da fama e apoiada pelas mesmas pessoas que a criticam, o culto da beleza, e também os milhares revoltados ou anti-capitalistas ou anti-consumistas que são absorvidos pelos sistemas que tanto criticam sem que nada mude (por exemplo, os inúmero gurus, os incontáveis autores best-sellers de livros de auto-ajuda e críticos sociais que falam da necessidade de mudança, mas só mudam a sua conta bancária e só “criticam” para isso).
E como bónus, temos uma interpretação magistral de Daniel Kaluuya (que já citei aqui e aqui), actor que tenho vindo a admirar, e que aqui solidificou os motivos da minha admiração numa cena que me deixou em suspenso durante toda a sua duração.

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O terceiro episódio, THE ENTIRE HISTORY OF YOU, que me deixou com um gosto amargo, conta a história de um casal que vive num mundo onde tudo o que vê é gravado e catalogado. À primeira vista parece ser uma bênção, visto que, como foi logo mostrado, dá para rever perspectivas que inconscientemente deixamos escapar, além de mais permite partilhar as tuas férias com os amigos e livrar-se da inconveniência de carregar uma câmara ou da chatice não ter tido um dedo rápido no obturador ou de ter faltado a bateria ou espaço na máquina num momento crucial. 

No entanto, o facto de o ser humano possuir uma memória selectiva significa que precisa dela para o equilíbrio, as boas memórias costumamos armazenar num local de fácil acesso, as más mandamos para o fundo do armazém, procurando reprimi-las, portanto, não pode de jeito nenhum ser bom termos ao nosso alcance todas as nossas memórias detalhadas ao ínfimo pormenor, pois isso só pode tornar-se num pesadelo. E é o que acontece ao casal da história deste episódio: o marido desconfia que a mulher o trai e analisa todos os pedaços da sua memória para determinar se tinha ou não razão; entretanto, ao mesmo tempo que mantém vívida essa memória de traição, também vívida mantém a memória dos bons momentos que tiveram juntos e todos os pequenos detalhes que lhe fez amá-la. E assim, como dois sentimentos contraditórios, ele tenta gerir a situação.

A análise proposta neste episódio é bastante interessante. De uma maneira sumarizada, acho que posso dizer que o que foi se quis mostra foi: porque não há gravações da Sala Oval, Bill Clinton e Monica Lewinsky hoje são rumores, mas Paris Hilton terá sempre a sua Uma Noite em Paris.

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Em termos conclusivos: para mim Black Mirror não é propriamente uma série, pela sua linguagem cinematográfica e considerando que todas as histórias são independentes e apenas o tema é o mesmo, porém isso pouco importa, a verdade é que vai deixar-te abalado, independentemente do que achares que é. Definitivamente, merece ser visto.

15 de fevereiro de 2012

PSYCH, S06E07 – In for a Penny (review)

Então Shawn disse: Não podia ter conseguido sem ti, Frank! Aquela palmadinha no rabo era o que precisava para descobrir isso.

Bom, desta foi a vez de Juliet (Maggie Lawson) ganhar destaque, e foi-nos contado mais um bocado da sua vida. Já sabíamos que ela é irmã de John Cena, e que este é militar (quando não está nos ringues, provavelmente), demonstrando que a sua família tem uma queda pela “Lei”. Mas agora conhecemos o seu pai, Frank (William Shatner), e passamos a saber que afinal a “Lei” não faz realmente parte da genética da família.

O caso deste episódio foi sobre um roubo, mas não acho que o caso realmente interesse, porque só serviu de desculpa para a história de Juliet e para a interacção entre os personagens, o que se percebe na maneira “fácil” como foi resolvido.

O episódio acabou e eu fiquei em dúvida, será que o pai da Juliet sabe que Shawn (James Roday) é um fraude? Porque, como se costuma dizer: um trapaceiro conhece outro, e embora Shawn pareça ter acertado em todas as suas previsões sobre este, no caso da viagem, o seu acertar não foi mais nada do que ler pistas aleatórias que tanto podiam ser verdadeiras como não.

Gus (Dulé Hill) parece estar perto de encontrar o amor da sua vida, parece que não querem fazer dele o tio solteiro e esquisito, porque têm-no mostrado a cair por qualquer cara bonita que lhe aparece à frente, e as suas escolhas não parecem de forma nenhuma saudável. Já se apaixonou por uma criminosa, depois por uma louca, agora falam do seu desespero em estar solteiro… acho que foi bem trabalhado essa faceta, porque se antes tinha o seu Shawn só para si, e não lhe parecia que precisava de um contraponto feminino, agora que anda sempre com o casal Juliet-Shawn, é natural que essa necessidade comece a aparecer ou a agravar.

Não tivemos muito de Lassiter (Timothy Omundson), só serviu para umas piadas, e Henry (Corbin Bernsen) conseguiu estar mais sumido ainda que Karen (Kirsten Nelson), pois embora tivesse tido mais tempo de antena, teve menos fala que esta. Aliás, deviam destacar os dois mais um bocado, principalmente Karen, e não fazê-la apenas aparecer para debitar umas duas frases e depois sumir, porque do jeito como as coisas estão para ela já nem parece que faz parte do elenco fixo.

Não é um grande episódio a “Psych”, em termo cómicos, é claro, mas por contar mais sobre a Juliet, acho que pode-se considerar um episódio perto do memorável. De qualquer maneira, percebemos por que razão Frank era um pai ausente, com tantas missões no Enterprise como Capitão Kirk, é claro que não teria tempo para visitar a filha… e Juliet tem uma família deveras interessante (tanto para os nerds como para os pouco-cérebros, leia-se consumidores da wrestling – provocativo, hein?).

Além de mais, vai mais um vislumbre sobre como Shawn precisa de Gus e que este não é apenas um elemento semi-inútil.

Shawn: Atrás de todo grande homem há uma grande mulher. E neste caso, aquela mulher é uma inteligente, sofisticada, e um cabeçudo garanhão chamado Burton, e ela é preta, e ela sabe dançar. Preciso de ti nisto, amigo, porque grandes mudanças são traiçoeiras para mim, e isto está a ficar sério [a sua relação com Juliet], vamulá… Foghorn precisa de Leghorn.
Gus: Eles são o mesmo galo, Shawn.
Shawn: Exactamente.
Gus: Fixe.

2 de fevereiro de 2012

BORED TO DEATH, S03E08 – Nothing I Can’t Handle by Running Away (review - final)

Parafraseando Bergeron: [Não há] nada com que eu não possa lidar fugindo dele.


É ele quem diz a frase, mas a bem ver, todos os personagens têm agido dessa maneira, preferem enterrar a cabeça na areia a lidar com os problemas, preferem fugir e fingir que não existe e que não está lá, mas tal e qual aconteceu com Bergeron (Stacy Keach) no fim, acabando por, pelo menos uma vez, não fugir, aos outros personagens também aconteceu, ou pelo menos a George (Ted Danson), pois não estou certo acerca de Ray (Zach Galifianakis), nem mesmo de Jonathan (Jason Schwartzman) que não quer estragar o seu paraíso apresentado a maçã à sua Eva, ou melhor, Rose (Isla Fisher).


“Bored to Death” despede-se outra vez, entrou com pompa e saiu com circunstância, que mais se pode esperar? Este episódio começou com um bombardeio de piadas umas atrás das outras, algumas não muito boas, mas que esticam para as orelhas os cantos da boca, e no geral conseguiu ser um episódio decente e merecedor do nome da série.

O plot principal deste episódio foi divertido, Jonathan, por causa do novo pai, acaba envolvido com pessoas perigosas, precisando dos amigos para o salvar, George, Ray e o seu exército de super-Rays (ajudantes, aduladores, George não sabe a diferença), cujo membros são cada um mais estranho que o outro.


Sinceramente eu esperava mais desenvolvimento sobre a história Jonathan-Rose-Bergeron, tipo ver Jonathan a confrontar a Rose com a verdade sobre serem irmãos biológicos, mas porque há muito que espremer disso, não me sinto nada mal por ter de esperar até a quarta temporada para ver como farão isso, pois terão oito episódios para desenvolver um tema tão complicado quanto o incesto em vez de tentar abordá-lo em apenas um. E da forma como isto acabou acho que temos mais lenha para a fogueira na próxima temporada pois ganhamos mais duas personagens, Rose e Bergeron, pois este apesar da sua ideia de fugir sempre, voltou para Jonathan, querendo dizer que talvez queira mesmo conhecer os seus filhos e que se tenha mesmo fartado da vida de embuste e só procurava um motivo para se afastar, o que Jonathan acabou de providenciar.


Quanto a relação Jonathan-Rose, bem, eu não achei lá nada estranho, afinal o que é um irmão?


Francis Fukuyama escreveu sobre o incesto n’A Grande Ruptura, referindo-se a um casal de crianças, irmãos de adopção, que desenvolveram a repugnância do incesto, porque cresceram e viveram como irmãos. Nessa perspectiva, Jonathan não é irmão de Rose, pelo menos no sentido afectuoso do termo e não biológico. A série toda temos visto a pergunta: o que é um pai? aquele que nos semeou, aquele que nos criou ou aquele que temos por modelo? Agora a pergunta talvez seja: o que é irmão? Jonathan é consanguíneo de Rose, mas não, não são verdadeiramente irmãos, pelo menos para mim. No entanto, quero ver o desenvolvimento que vão dar a isto. Eu não achei assim tão anormal, porque tenho as minhas considerações sobre o incesto, bizarro, sim, por não ser usual (parece contraditório?).


Mudando de sujeito… não acredito que Ray tenha consciência das necessidade das outras pessoas. É claro que está ali sempre para os amigos, depois, é claro, de resolver primeiro os seus assuntos, como da outra vez que deixou Jonathan pendurado por uma hora para ter sexo com Leah (Heather Burns), aliás, como bem avisou àquele para se fazer disponível por ele agora está em necessidades emocionais, mostra-se completamente egotista. A sério, que tipo de pessoa tiraria comida a uma criança e nem sequer perceberia por que ele está a chorar? E, mea culpa, não sei porque essa cena foi hilariante quando devia simplesmente chocar. E será que a mãe de Spencer (não me lembro do nome, acho que é Claire) vai ser o próximo alvo de Ray? Não acredito na sua história com a nova “grannie”.

Ray: O Spencer está em casa?

Claire: É claro, ele só tem 14 meses.

George finalmente resolveu abrir-se a Josephine (Mary Steenburgen) finalmente ficou cansado de correr e quer assentar arraiais. Vamos ver o que vai sair disso.



Da forma como esta temporada fechou, “Bored to Death” amarrou todas a pontas principais, a série até podia ter acabado aqui que todos os personagens parecem ter ganho um propósito e podem, de novo, considerar-se crescidos, no entanto, como tinha referido as novas pessoas que entraram na história e na vida dos personagens principais, abrem portas para novas histórias e novos desenvolvimentos, por outras palavras existe um cliffhanger discreto, mas muito interessante. 




P.S.: O final de Bored To Death aconteceu desde o ano passado, embora só agora o esteja a actualizar aqui, perdendo a sua piada. Porém, pior, para a série e para os fãs, ela foi cancelada.

31 de janeiro de 2012

BORED TO DEATH, S03E07 – Forget the Herring (review)

Parafraseando William Jennings Bryan: O destino não é uma questão de oportunidade. É uma questão de escolha. Não é algo para se ficar esperando, é algo a ser conquistado.

Nhé-nhé-nhé, aposto que Jonathan (Jason Schwartzman) diria desta frase que é uma grande peta, depois deste episódio. Mas, está bem, é claro que sabemos que o destino de Jonathan está a ser conduzido por argumentistas com muito senso de humor e que pretendem divertir uma extensa massa de gente, no entanto, também não esqueçamos daquele que disse que a realidade por vezes consegue ser mais estranha que a ficção. Não digo que este foi o melhor episódio da temporada… oh, estou com medo de quê?… este foi o melhor episódio da temporada, quer dizer, se não for superado pelo próximo, teve tudo, mas tudo que faz de “Bored to Death” o que ele é, a comédia, personagens psicóticas, um caso para resolver, e… bizarria. Vê-se bem que depois daqueles episódio mornos que referi no post passado, “Bored to Death” está mesmo à superfície, não ganhou uma lufada de ar fresco, nada disso, ainda respira o mesmo ar, só que mais descontraído e menos preocupado a tentar criar tensões. Até parece que os argumentistas não tinham andado a ganzar nos episódios anteriores (ou ganzaram demais), e agora que o estão a fazer bem, escrevem episódios à altura.

Jonathan, no episódio anterior, recebera um telefonema sobre informações acerca do banco de esperma que estava à procura, e aqui aparece uma mulher, Rose, com essa informação. O facto de Rose (Isla Fisher) ser uma espécie de detective, gostar da roda gigante e provier (posso assim dizer?) do mesmo banco de esperma, criou logo a suspeita de que ela talvez fosse irmã de Jonathan. E o facto de Bergeron (Stacy Keach), uma personagem divertidamente maluca e paranóica, o antigo dono do banco de esperma ser um vigarista criou também a suspeita de que era ele o fornecedor de todo o esperma do queimado banco. Sendo assim, não acontece nenhuma surpresa quando se levanta a cortina, não acontece nenhum choque, mas sim a comicidade. E, apesar de já sabermos, quando Rose pergunta a Jonathan como é que ele conseguia resolver os seus casos antes de conhecê-la, não conseguimos conter o riso, porque ele é simplesmente ingénuo e muito literal.

Ray (Zach Galifianakis) é fascinante, não deixo de dizer isso. Não sei bem, mas tenho a impressão de que finalmente cresceu, e não só ele, mas a Leah (Heather Burns) também finalmente conseguiu crescer. Estava a sentir anseios de vomitar quando ele correu para a Leah para tentar conquistá-la de novo, pois acreditava que iam insultar-me, fazendo-lhes ficar juntos outra vez, mas ainda bem que não. Sei lá, talvez lá pela quarta temporada eles voltem, porque Leah faz parte do elenco fixo e como a sua personagem existe em função de Ray, se não conquista independência e ganha uma linha própria, será obrigada a orbitar em torno de Ray outra vez.

George (Ted Danson) voltou a arrasar outra vez, o seu Don Quixote, o seu medo, a sua angústia, o seu despertar, a sua serenata serão umas das melhores lembrança de toda esta temporada, ele não se leva a si mesmo a sério, o que o torna mais divertido. Finalmente conquista Emily (Halley Feiffer), finalmente percebe (ou parece ter percebido) que não estava a andar no trilho certo para conseguir a sua Emily e, finalmente, acho eu, vai se livrar de Ray, ou ensiná-lo a ser adulto (o que duvido, visto que ele não se importa de o infantilizar, tal como um avô faz com o neto). Jonathan é brilhante, Ray tem a sua consistência (que, no entanto, se dilui porque vemos a mesma coisa nos seus filmes), mas George bate-lhes a todos.

O próximo episódio é o último, e se conseguir ser tão bom como este então “Bored to Death” sairá em alta.

14 de janeiro de 2012

PSYCH, S06E06 – Shawn Interrupted (review)

E então Shaw disse: Não te preocupes, Jules, eu sei como funciona um manicómio, já assisti a “Girl Interrupted” seis vezes.

Não gostei muito do episódio anterior, senti que a Psych tinha perdido a garra algures e começou a proceder a reciclagens indiscretas, aquela história de Shawn infiltrado e as suas reviravoltas que não reviravam quase nada não fora assim tão cómico (considerado no pacote de “Psych”, porque o episódio, independente, tinha graça), e algumas situações para criar comédia acabaram por se tornar irritantes e forçadas. Foi num estado de espírito crítico, devido ao episódio anterior que comecei a ver este. No entanto, revelou-se mais fluído e natural, à la “Psych”, é claro.

Só a premissa deste episódio, fazer Shawn (James Roday) passar por louco para se infiltrar num manicómio já era louca, embora me provocasse algum receio que fosse ser demasiado pastelão, porque geralmente esse é o papel de Gus. Mas foi bem conduzido e ganhamos assim mais um episódio muito engraçado que só vem solidificar a posição de “Psych” entre as séries mais cómicas desta temporada. No entanto a diferença entre este e o episódio anterior é que as piadas aqui são em maior número, porém mais diluídas, e apesar de tudo conseguiu ser mais engraçado.

Eu também me pergunto, por que razão “Psych” não tem uma maior audiência tendo a consistência que apresenta?

O episódio começou com Lassiter (Timothy Omundson) a vangloriar-se, fazendo uma festa, por depois de anos ter conseguido resolver um caso sozinho, sem ajuda de Shawn, e este, carente de atenção e sempre em disputa com aqueles que estão a ter momentos de glória, estava outra vez atento a procurar possíveis falhas ou a tentar ser o centro da atenção, pelo menos no que se refere a Juliet (Maggie Lawson). Quando o culpado de Lassie estava a fugir pelos dedos da justiça alegando insanidade mental, resolveram fazer infiltrar Shawn para, visto que ninguém é julgado duas vezes pelo mesmo crime na América (isto é, depois de ter sido declarado inocente, porque o culpado pode sempre recorrer), queriam pelo menos poder prendê-lo por perjúrio. E como sempre, Shawn não anda sozinho, tem de levar sempre Gus (Dulé Hill) - ou nada feito – e como sempre, quando este vai junto, as coisas não são nada o que ele espera, lá acabou infiltrado também, mas como zelador.

As trocas e baldrocas de Shawn na procura do seu suspeito, que fazem dele o Sherlock Holmes mais inconsistente de toda a panóplia de detectives de ficção (pelo menos os que eu já li ou vi em filmes ou séries), são outra vez usadas aqui com intensidade, aliás, nem devia ter referido a isso, posto que é uma constante do “Psych”. E, alguém me diga que não pensou que Shawn acabaria por receber algum diagnóstico acerca da sua personalidade, o psiquiatra lhe dizendo que tem uma série ou alguns parafusos soltos?

E a revelação final deste episódio sobre quem era o verdadeiro assassino surpreendeu-me, sim, eu sabia que provavelmente seria a pessoa que indicaram, mas visto esta ter tido uma reacção aparentemente genuína, surpresa e preocupada quando Juliet referiu-se a um pormenor que poderia ter ilibado o suposto criminoso, fiquei à espera que apresentassem mais outra personagem, porque não seria obviamente aquela para quem transferimos a suspeita. (Ok! Eu sei que em reviews os spoilers não são uma preocupação, aliás, quem vem aqui ler isso, provavelmente já viu o episódio, mas de qualquer maneira, quero reduzir osspoilers o mais que puder).

“Psych” começou bem, e está indo muito bem, não sei se não é muito cedo para dizer que esta é a melhor temporada que eu me lembro, mas sei que não é cedo para dizer que “Psych” é, se não a melhor, uma das três melhor séries de comédia actual (considerando todo o pacote).


Juliet: Assistir a “Girl Interrupted” seis vezes não faz de ti um perito.
Shawn: Sete faz. Eu e Gus vimos outra vez ontem à noite.

7 de janeiro de 2012

BORED TO DEATH, S03E06 – Two Large Pearls and a Bar of Gold (review)

Parafraseando os velhos da minha terra: Vitelo manso aleita-se em todas as vacas do campo.

Não sei se isto aqui se aplica ao Ray (Zach Galifianakis), porque ele é tudo menos manso. Preguiçoso dos diabos, negligente e mandão ainda por cima, como é que ele consegue aleitar-se nas vacas do campo é algo que ainda não entendo; sugou Leah (Heather Burns), suga (ou sugou) Belinda (Olympia Dukakis), agora George (Ted Danson).

E falando em Belinda, não percebo e nem me vejo a perceber a sua reacção quando Leah a surpreendeu na casa de banho com Ray, o que só vem provar mais o quanto Ray é irresponsável. Belinda parecia-me muita coisa, mas não religiosa… quer dizer, para mim apenas os religiosos assumem uma postura como aquela dela, a não ser que ela pretendia dizer algo como: a culpa não foi minha, fui seduzida, pois se a ideia dela era separar Ray e Leah e ficar com ele, o facto de ter partido logo a seguir simplesmente não rima com isso. Bem, acho que não devia perder tempo com isso, porque não faz mais nada do que aumentar mais um bocado à lista de esquisitice das personagens da série.

“Bored to Death” recuperou a pedalada, depois das mornices dos últimos dois episódio, entrou no eixo… também, pudera!, está a dois episódios do fim da temporada, se não se encarrilar correrá o risco de cancelamento.

Tivemos mais um trabalho de Jonathan (Jason Schwartzman) que requeria (como é o pretérito perfeito deste verbo?) toda a ajuda que conseguisse arranjar, ou seja, nenhuma, na verdade só um motivo para reunir a malta, fantasiarem-se e ficar chapados, como é hábito. A história foi bem simples: Jonathan é contratado para guardar as jóias da família pelo pai da sua primeira namorada, Patty (Casey Wilson) aparentemente uma ninfomaníaca, com quem fizera um pacto de ir para a cama um com outro antes do casamento, mesmo que fossem casar com outras pessoas. E isso rendeu momentos divertidos e um duelo de esgrima nas escadas com uma coreografia a lembrar um velho filme de Errol Flynn.

George não teve muito destaque, a sua história basicamente foi mostrar que não quer dependência sentimentalista com nenhuma mulher, já lhe bastam os amigos para isso, o melhor afecto que pode dar a uma mulher é levá-la para a cama e se ficarem chapados juntos, tanto melhor, como tem sido com Josephine (Mary Steenburgen).

Ray… O que se passa com Ray? Como é que ele consegue atrair simpatias com aquele génio ingrato e execrável? Será que é porque não quer crescer (mais decididamente que os seus amigos), e deseje manter-se um eterno “puto crescido”? Será que conseguiu a simpatia dos cuidados de George porque este sente falta da Emily e está a tentar compensar-se?

Em termo de desenvolvimento psicológico, o episódio não mostrou nada que já não sabíamos, e nem me queixo, no quesito da comédia, esteve bem onde devia, tudo rodou à volta da jóia e da sedução da ex-namorada de Jonathan, e um bocado da conversa “elder love” que, acho eu, já está na altura de ser largado, visto que não está a ser desenvolvido devidamente, mas está a servir apenas de motivo para graça. De qualquer maneira, Ray acha que está a tentar compensar a sua mãe ausente com o seu “elder love”, e talvez tenha razão, pois sabemos que ele cresceu sem modelos, e foi essa a razão de ter-se esforçado um nanico para servir de exemplo a Spencer.

Foi um episódio bem divertido, dizendo que todos os homens são crianças que não sabem o querem e só pensam com o pénis. Mas a melhor linha foi qualquer coisa como: “Todos em Filadélfia estão à espera que um familiar morra”.

4 de dezembro de 2011

PSYCH, S06E05 – Dead Man's Curveball (review)

E então Mel disse: Estou velho demais para esta merda.

Assim fora do contexto a frase não tem piada alguma, mas quando se sabe que Mel foi representado por Danny Glover, e que o nome é uma piada com Mel Gibson, com quem representou Murtaugh e Riggs, respectivamente, na série Arma Mortífera, e a frase foi dita na Arma Mortífera 4 antes de levarem os dois um enxerto de Jet Li, percebe-se a sua graça.

Mel é um treinador de basebol que Shawn conheceu desde criança e o contrata para investigar um suposto assassinato, o que foi a linha principal do episódio.

Entretanto, a primeira metade deste episódio foi uma seca, salvo um ou dois momentos, com Shawn (James Roday) nas suas ridicularices sem sentido que depois de mais de cinquenta episódios perde o encanto, apesar de acharmos nada natural quando ele não se mete ao ridículo. Por exemplo, aquela discussão no início que teve com o seu pai, Henry (Corbin Bernsen), foi um tanto novo, eu sei que eles discutem mas não desta forma, no entanto... bem, de qualquer forma sabemos que Shawn é o filho do seu pai, e a rivalidade entre os dois por causa do basebol de tão irrisório tornou-se engraçado.

Este aqui foi uma espécie de repetição de um dos episódio de uma das temporadas anteriores onde Shawn se infiltrara numa equipa de futebol americano, e talvez por essa razão que até ter começado a ganhar independência, lá para o meio, não teve nenhuma graça, pelo menos para mim.

Se num dos episódios anteriores tivemos Gus (Dulé Hill) drogado, aqui foi a vez de Shawn, não foi tão engraçado quanto Gus, mas não deixou de o ser.

Gus: Por que estás a fitar a minha orelha?

Shawn: Não sei, mas não consigo parar de olhar.

Gus: Por que estás a falar tão rápido?

Shawn: Por que estás a ouvir devagar?

Uma coisa que não entendi foi Henry depois disso ter dito que um amigo seu analisou a água que tinha drogado Shawn, quando a esquadra tem o seu próprio laboratório e em muitos episódios quem analisa essas coisas é o Woody (Kurt Fuller), será que se esqueceram disso ou simplesmente esqueceram-se disso? E Woody está a ganhar cada vez mais a minha simpatia, e aquele paralelo ridículo que fez entre uma melancia e a cabeça humana só porque a primeira contem vitaminas que o cérebro precisa, ou quando pediu por um voluntário para testar a teoria do taco de basebol estiveram mesmo à altura.

Shawn a revelar acidentalmente que praticamente toda a equipa do basebol dormia com a mulher de um deles, ou como a câmara focava nos olhos do mascote enquanto procurava informações ou a dar as boas e as más notícias a Gus, e este a convencer o assassino para não atirar nele, prometendo levá-lo à pessoa certo foram outros dos momentos hilariantes deste episódio. Ah, e esqueci de mencionar Gus vestido de mascote.

Como dissera, este não foi no começo um grande episódio, mas lá para o meio teve uma boa concentração de piadas que acabou por fazer esquecer o início morno. E, ah!, parece que voltamos outra vez às doses de Young Shawn.

27 de novembro de 2011

BORED TO DEATH, S03E05 – I Keep Taking Baths Like Lady Macbeth (review)

Parafraseando não sei quem: É melhor arrepender-me por algo que fiz, do que por algo que poderia ter feito, mas não fiz. 

Esta semana parece que o que se passa com os nossos amigos pode ser simplificado por essa frase, todos têm que tomar uma decisão e num curto espaço de tempo, para evitar (ou criar mais) evoluções futuras.

“Bored do Death” neste episódio esteve bem, trazendo Jonathan (Jason Schwartzman) de volta a mais um caso pseudo-detectívico, e, como ultimamente tem sido uso, conta com a ajuda de Howard (Patton Oswalt) que agora é o seu “Q” (numa aproximação a James Bond). E, ah, acharam que não valia a pena afastar Jonathan de George (Ted Danson) por muito tempo e voltaram a uni-los o mais rápido possível. Fora interessante essa separação no episódio anterior e embora eu não acreditasse na sua duração, esperava que eles tivessem a coragem de a manter, mas ao que tudo indica parece que teriam dificuldades em gerir a série com o trio separado.

Apesar de tudo esse bocado de tempo afastados gerou momentos interessantes, o que levou a um dos pontos mais cómico do episódio: o gabinete de aconselhamento. Eu gostaria de ver a terapeuta (Sarah Silverman) a aparecer mais vezes, pois tem uma presença e tanto (ou a sua cara bonita fica bem na tela) e a sua postura agressiva, à la ”mistress”, com um toque de adepta de jogos “sado-maso”, poderia torná-la interessante para corrigir Jonathan e, visto que provavelmente vai acabar na cama com George, ver se o dominava, posto que ele está habituado a ficar por cima, a ser o controlador. Eu queria mesmo ver a interacção destas três figuras. Aliás, talvez até pudesse ser uma “mãe” mais impositora e menos desleixada para Ray (Zach Galifianakis), ajudando-o a mudar também. Ok, eu sei que é muita coisa, mas ela tem esse potencial, e provavelmente ela é a metáfora de Lady Macbeth que aparece no título (embora Jonathan também pudesse vestir essa pele).

Outro ponto cómico foi a interacção entre Ray e Green (John Hodgman), despertando este uma confusão sexual naquele. Ray parece ter atingido o seu apogeu sexual, tornando-se atraente para quem quer que seja, e parece tão surpreso e intrigado com a sua reacção a Green que nem sequer quer contar aos amigos o que se passa. Não é a primeira vez que um dos trio lida com questões homossexuais, George já quisera experimentar a homossexualidade, esperando desta forma encontrar a sua “mulher interior” e consolidar o seu eu, mas parece que a forma do seu assunto é diferente da de Ray.

E eu disse que “Bored To Death” tinha-se tornado “hardcore” e parece que não me enganei. A cena com Leah (Heather Burns), que, tal e qual aconteceu com Jonathan-George, acharam que não valia a pena deixarem-na afastada de Ray, embora só tenha servido para meter a piada do pentelho branco e não propriamente para ser chocante e ousada, acabou por se exactamente isso pela maneira como foi introduzida. A piada foi engraçada, mas a situação e a sua justificação foi bastante forçada. Mas sei lá, todos os casais têm de quando em quando a sua pancada.

O resumo desta semana é isto: Jonathan e George vão a um conselheiro (ou terapeuta) de amizade e acabam por ficar juntos, mas não por causa disso; Ray anda a cornear Leah com Belinda (Olympia Dukakis), com quem está a criar laços; Green, carente de atenção, apaixona-se por Ray. Não foi um dos melhores episódio, mas esteve bem acima do anterior.

26 de novembro de 2011

PSYCH, S06E04 – The Amazing Psych-Man & Tap Man, Issue No. 2 (review)

E então Shawn disse: Eu resolvi mais crimes do que sei contar… porque eu resolvo muitos crimes e não porque não sei contar.

Às vezes tenho medo de simplesmente sentir-me cativado pelos personagens de “Psych” e sobrevalorizar os episódios, por isso peço, alguém por favor me diga que “Psych” não é tão genial quanto eu penso.

Tudo o que é “nerd” e “pop” é visitado por “Psych”, já tivemos temas (vampiros, lobisomens, etc.), séries (alguém se lembra de “Twins Peaks?”), filmes (até de Bollyhood) e desta vez, um formato diferente, a nona arte, com os super-heróis. Ainda uma visita ao filmes do Super-homem, quando aparecia uma notícia no Daily Planet, rodando até ocupar o ecrã, só que a brincadeira aqui foi feita com um iPad ou “tablet” qualquer (não sei, e não interessa), e também houve alguns momentos de fazer inveja ao “The Cape”.

Tirando os momentos de piada, vendo a outra vertente, gostaria de salientar a conversa entre Shawn (James Roday) e Juliet (Maggie Lawson) sobre a sua relação, onde ele diz que não precisa estar sempre de acordo com ela para que tenham uma boa relação e exemplifica com o seu relacionamento com Gus (Dulé Hill). Shawn é inteligente, porém, por vezes, é um autêntico contraste, toma atitudes infantis na maior parte do tempo, mas mostra quase sempre uma maturidade tremenda. Acho que o romance destes dois está a ser bem doseado, mostram que a relação está a aprofundar-se, mas não perdem tempo com ela, quanto muito umas duas doses de conversas bem servida para mostrar a sua evolução.

Falei da maturidade de Shawn lá em cima, mas aqui vou falar da sua insegurança. Como já tinha dito, ele é um tremendo antítese, pois só uma pessoa ultra-confiante tomaria as atitudes que ele toma, na maneira como aborda as pessoas, mas todas as suas atitudes por vezes parecem máscaras para esconder a sua insegurança. Aqui entrou outra vez em competição com “The Mantis” porque este estava a ser elogiado, principalmente por Juliet.

Agora tenho de ir para a série. A história desta vez é sobre um vigilante que aparece na cidade e começa a limpar a bandidagem, o que causa duas reacções antagónicas da força policial: a admiração e o contentamento de ele estar a ajudar a lei e a necessidade de pará-lo, porque apesar disso está a margem da lei. E tal como não podia faltar, houve uma referência ao vigilante #1 do cinema: Charles Bronson. Entretanto houve aqui uma lacuna. Shawn percebeu que “The Mantis” tinha plantado uma evidência, mas nos momentos seguintes essa história não voltou a ser tocada e ele deixou-a passar em branco, ajudando mesmo a ilibar o “The Mantis”.

Não sei mesmo o que falar sobre o episódio, já devem ter notado pela maneira como estou a saltar de assuntos entre os parágrafos, porém não é porque não tenha onde pegar no sentido negativo, mas porque é um episódio bem sólido (desconsiderando a parte da evidência que apontei) e muito engraçado. Esperava no entanto que Gus usasse o seu super-faro neste caso, mas preferiu ser o “Tap Man”, falhando os seus alvos com uma técnica cujo único efeito que poderá ter nos “atacados” é um posterior ataque de riso quando se lembrarem da situação. Não me lembro em que temporada Gus levou Lassiter para aprender a fazer sapateado, através do qual este aprendeu a alcançar a paz interior e a aclarar a mente, ou seja, já sabia que ele fazia sapateado, mas só achei um tanto forçado que ele use sapateado com técnica de combate… eu disse, forçado, não disse não-cómico.

Tem momentos em que Shawn e Gus são extremamente irritantes, como na cena onde se embaraçaram e caíram, acho que exageram no “c’mon, son”, sei que querem introduzir o termo para a série, mas podiam fazê-lo de uma forma mais gradual e discreta, tipo o “bazinga” de Sheldon, que ele agora não diz (bem, já estou a misturar as coisas). E a cena final, estúpida e engraçada, mas irritante na mesma, pois parece-me irreal.

Gostava que tivessem tempo para Woody, mas se nem o têm para os personagens do elenco fixo, como Karen e Spencer, compreendo que não o tenham para ele.

Não posso referir-me a todos os momentos engraçados de “Psych”, porque o “timing” entre as piadas é demais, mesmo que todas não funcionem, por isso, é melhor deixar que cada um eleja o seu melhor momento.

Em resumo, este episódio é mais uma pérola de “Psych”.


Shawn: … E tens uma tatuagem de um bullmaster.
Reynolds: É a minha avó.
Shawn: Ela está a fingir ser um bullmaster?… (embaraçado) Aposto que ela está a parar o trânsito no céu?
Reynolds: Ela não está morta.

13 de novembro de 2011

BORED TO DEATH, S03E04 – We Could Sing a Duet (review)


Parafraseando Jeanne Moreau: A idade não nos protege do amor. Mas o amor, até certo ponto, nos protege da idade.



O tema principal deste episódio foi o choque de gerações, a diferença das idades, o que pode dali nascer e como é visto preconceituosamente pela nossa sociedade. O episódio queria levantar o véu do preconceito, mas a determinada altura acabou por usar ele mesmo o véu, mostrando-se tão preconceituoso com o tema tanto quanto aqueles que aponta o dedo.

Eu sei que “Bored To Death” não é uma série para crianças, de maneira que não há censuras às palavras “cock”, “fuck” e os seus parentes, entretanto apesar disso e apesar dos pénis do Ray, este episódio foi, sei lá, um transpor da fronteira, deixando a série “hardcore”. Não sou contra sexo, nem nada que pareça, mas este episódio, metade ele sexualizado, e não no sentido académico do termo, não foi nada limpo. De um lado tivemos dois trios, um na cama, o outro, voyeur, num telhado a mirar, e do outro lado o Ray (Zach Galifianakis) a ser cantado por uma “grannie” (Olympia Dukakis - muito boa a velhota). Volto a dizer, não tenho nada contra qualquer tipo de sexo consensual, entretanto a forma como essas histórias foram apresentadas não foi justa, pois dava aos intervenientes um ar de tarado, beirando a ridículo e troçando das situações, embora nenhum dos personagens tenha mostrado uma manifestação “fóbica”. Talvez seja um coisa só minha, no entanto não achei nenhuma piada a essas explorações.

E Ray, pelo amor de Deus, Ray é um personagem totalmente detestável, fascinante de um certo modo, mas detestável. No começo da temporada, parecia que ele tinha crescido alguma coisa, mas depois tratou de mostrar logo que é o mesmo sacana egoísta e desprezível se sempre, o que nos leva a Leah… Ainda estou para perceber qual é o fascínio em homens preguiçosos que não lhes respeitam ainda por cima. Será que é para se sentirem “machos” , tipo: sou a chefe da casa, tenho um homem em casa e trabalho para o sustentar? Bem, ao menos fosse por essa sensação de, trogloditamente, vestir as calças, mas quando se tem que voltar para a casa e trabalhar outra vez em casa para fazê-la parecer casa e aturar uma pessoa que só te quer pela tua cama (contigo nela ou semtigo), fico realmente bastante confundido. Eu tinha ficado com pena de Ray da primeira vez que foi posto na rua por Leah, mas, desta vez, nem um bocadinho.

Jonathan (Jason Schwartzman) ainda quer continuar a procurar pelo pai biológico, mas as pistas esfriaram, e fala que está a procurar pelo pai biológico só para nos lembrar que está a procurar pelo pai biológico, mas eu já em lembrava que ele estava a procurar pelo pai biológico, e ele não precisava repetir que estava a procurar pelo pai biológico, principalmente quando o review do episódio já dizia que ele estava a procurar pelo pai biológico. Por outras palavras, não vi razão nenhuma para referirem a essa história (foram umas três vezes, se não estou em erro) se não a iam desenvolver. E até que essa parte não foi um grande problema, o problema mesmo foi tudo o que envolveu Jonathan neste episódio, desde o encontro forçado com a Emily (Halley Feiffer), passando pelo Jonathan Ames pop-up (Brett Gelman), o ladrão de identidade, que surgiu de repente e com o mesmo de repente deu à sola, que não serviu praticamente para nada senão para trazer convidados especiais para enfeitar o elenco.

O mais interessante do episódio foi George (Ted Danson) e a sua história, em todas as suas interacções, tanto com Bernard (David Rasche), como com Antrem (Oliver Platt) e ainda com Emily, que não chegamos a ver, mas sentimos através do próprio. E mais, a sua decisão, no final, em cortar os laços com Jonathan, amarga, no entanto, realista: a amizade perdoa, mas há limites. E a realidade é que George é o pai de Emily e não de Jonathan.

O ponto que mais gostei do episódio mesmo foi o confronto sexual de gerações, que tratado de uma maneira cândida no caso de Bernard-Emily, foi usado de maneira “perversa” no caso Ray-Grannie, e com Jonathan e Ted no meio a fazer o apelo à juventude.

Não entendo nada a relação entre Green (John Hodgman) e Antrem, se o primeiro vê no outro uma figura paterna, este vê naquele, sei lá, um objecto para descarregar frustrações. Green e Jonathan não são muito diferentes, ambos são dependentes de atenção e querem ser aceites por aquela figura que elegeram como exemplo, no entanto não sei dizer se a relação que mantém com essa figura é que os faz ser como são, dependentes, ou se eles seriam como são mesmo sem essa influência.

Eu vi este episódio todo expectante, atento a momentos para dar gargalhadas, no entanto, não me lembro de ter rido em algum momento. Mas isso foi um erro meu, porque não costumo esperar por muitos momentos cómicos da série. E agora que escrevo este reviewnão me admiro muito que tivesse havido praticamente nenhum, visto que o trama parece ter tido mais remendos do que a manta de um mendigo.

11 de novembro de 2011

PSYCH, S06E03 – This Episode Sucks (review)

E então Lassie disse: A única coisa que se compara com a alegria que eu tive foi quando o Chuck Norris discursou na Convenção de Armas em Aberdeen.

Já foi há muito tempo que eu vi as anteriores temporadas de “Psych” e já não sei dizer qual foi a melhor, porém acredito que esta, se mantiver este ritmo com que começou, será de certeza a melhor, o que seria bastante bom, visto que boa parte das séries do género, a esta altura manifestam-se sem ideia e gastas, procedendo a pura reciclagem. É claro que “Psych” recicla (e como!) as revelações finais não surpreendem a ninguém, o que diverte, no entanto, a razão porque eu vejo “Psych” é a forma como lá chegam. Este novo fôlego no “Psych” é um regalo para os acompanhantes da série.

Não é a primeira vez “Psych” trata de eventos “sobrenaturais”, já tivemos um episódio com um psíquico (Shawn.2), com zombie, com múmia, com fantasma, com lobisomem, agora, chegou a vez dos vampiros. O tema que abriu o episódio apontava directamente ao assunto que ia ser tratado, e o título, uma referência crepusculeana ou pelo menos à paródia do filme, “Vampires Sucks”, pois como vimos, “This Episode Sucks”, fazia já por si uma introdução.

A história começou com Lassiter (Timothy Omundson) a ser engatado num bar, o que devido ao tema do episódio cria logo desconfianças, é claro que sabemos que não existe vampiros (ou por vezes receamos que eles caiam no ridículo de dizer que existem) e que tudo não passará, como das outras vezes, de uma situação caricata com uma explicação lógica que se pareceu o que pareceu foi pelas crenças dos envolvidos, mas mesmo assim. Desconfiamos da pessoa que aborda Lassiter, mas lá pelo meio vemo-nos a rezar para que tudo dê certo com ele e que o óbvio não fosse óbvio, principalmente depois de nos ter sido mostrado o estado esfrangalhado em que ele se encontra emocionalmente. Não queria que a minha mãe virasse lésbica aos 53… mas depois que a Altea lhe faz feliz de uma maneira que o meu pai nunca pôde.

E pela segunda vez vemos Lassie a agir para lá da sua lógica, colocando-se fora da sua caixa de areia. Da primeira vez, numa das temporadas passadas, foi porque estava farto de ver Shawn (James Roday) a resolver casos com suposições irrisórias, desta vez embarcou na teoria absurda de Shawn; mas de ambas as vezes, podemos concluir, fê-lo por insegurança. Houve um tempo em que eu me divertia em ver Lassiter a meter os pés pelas mãos, mas acho que esse sentimento está absolutamente mudado, principalmente depois das suas intervenções nos três últimos episódios, e ainda mais pela forma como jurou a Shawm proteger Juliet (Maggie Lawson).

A relação Juliet-Shawn foi deixada em stand by e, ainda bem, pois realmente não fez falta nenhuma, o episódio teve assunto suficiente para preencher os quarenta minutos sem precisar desse enchimento.


O episódio foi uma festa para vampiros, mas sobressaiu mais a história de Lassiter, por isso, fiquei apenas nele. Entretanto, vou falar de Woody (Kurt Fuller), que só apareceu um bocadinho, num registo não muito cómico, e de Henry (Corbin Bernsen) que, não me parece ter muita função ultimamente, senão a de dar a cara. Woody, no entanto, parece ter conquistado o seu lugar ao sol e, pelos vistos, vamos tê-lo a temporada toda a aparecer, mesmo que por um instante, e aposto que se lhe derem mais corda, ainda é capaz de para o elenco fixo.

Hum… este review estava a ficar bastante estranho, porque não é possível falar de “Psych” sem Shawn e Gus (Dulé Hill), e eu quase que o ia fazer. Bem, eu sei que Shawn e Gus são personagens fictícias, mas por vezes dou por mim a perguntar: estes gajos existem mesmo?A infantilidade dos dois é algo necessário para a série e, sei lá, de invejar, pelo menos por mim que gostaria de ter menos siso no meio de outras pessoas, entretanto por vezes descamba para o ridículo. Gus, oh, Gus… a cena com o clorofórmio serviu-lhe mesmo bem.

Paralelo aos vampiros referenciados e aos filmes de vampiro, e até a séries*. Ainda tivemos uma homenagem a Clint Eastwood, com referências que ajudaram Lassiter a encontrar a sua alma gémea. A cena final na prisão, digno de um filme de Bollywood, ou dos dramas dos anos 50, foi divertida. Ah, quase que me esquecia, não só Shawn, Gus e Tarantino sabem quem é Blácula, eu também sabia, mas acredito que só eu e mais uns quantos gatos pingados que não limitam a sua cinefilia a filmes pós-”Matrix” é que sabemos.


Shawn: Ele tem uma doença chamada Don Skarsgard*, precisa de muito sangue O-negativo e tem de roubá-lo porque não tem plano de saúde.

10 de novembro de 2011

THE FADES, S01E06 – Episode 6 - final da temporada (review)


Iaí pipoles, 

lembram-se da história daquele homem que foi morto, ressuscitou para acabar com todo o Mal e salvar a toda a gente, mas em vez disso lixou tudo, porque uns começaram a fazer guerras em seu nome, outros contra ele? Pois bem, eis a história deste episódio.

O complexo de Messias é um tema sempre interessante, porque praticamente todas as pessoas, em algum ponto da sua vida o desenvolvem, mesmo quando sofrem de “baixa-estimite” aguda, e principalmente nesses casos, criam essa fantasia para contrabalançar, aliás, foi o que Mac (Daniel Kaluuya) contou a Neil (Johnny Harris), para descobrir que afinal tinham esse ponto em comum, porque este também julgava que era a reencarnação de JC. Porém, duas coisas pode acontecer quando uma pessoa que se julga Messias descobre que não é, mas que outra talvez o seja: ou passa para uma adoração doentia ou então desenvolve um alto teor de inveja ou ódio. Não sei dizer qual é o caso de Neil em relação Paul (Iain De Caestecker), mas sei dizer que Neil sempre se sentiu com um chamado divino e não tem dúvidas que precisa de ir até aos extremos se for necessário para fazer o trabalho que Deus lhe mandou fazer, o que não admira nada, pois Papas, Rabinos, Pastores e Ayatalas têm, ao longo da história, cometido atrocidades por um sentimento similar.

Paul tornou-se tão importante, tão importante que todos esperam alguma coisa dele, o que o frustra ainda mais, porque ninguém leva em consideração que ele não faz ideia do porquê das coisas pelo que está a passar e tem de lidar com tudo isso e processá-lo, mas apenas continuam a jogar sobre ele os seus receios, as suas esperanças e frustrações, esperando que dê numa de Neo e reescreva o Matrix.

Onde as séries ou filmes costumam apostar na acção para criar tensão e movimento, “The Fades” apostou em diálogos ou monólogos (o que, por exemplo, foi praticamente a conversa ente Anna – Lily Loveless - e Mac) e conseguiu o mesmo efeito.

Eu costumo não me preocupar com os heróis, acreditando que sempre conseguirão sobreviver, e nem com as pessoas próximas do herói, mas depois de Jay (Sophie Wu) ter sido morta por Neil, pá, fiquei mesmo receoso que fossem mais longe e resolvessem matar ou Mac ou Anna, principalmente por causa da dica de Neil ao matar Jay – “esta é dispensável” –, pois como abriram o jogo nesse ponto, receei que se mostrassem ainda mais ousados.

Não vi utilidade nenhuma no pai do Mac ou mesmo na mãe do Paul, estiveram ali é claro, mas é como não estivessem. Mac precisava do pai para dizer que se sente sozinho e abandonado, no entanto, nem precisavam pôr ali uma pessoa para passar esse sentimento, bastava que não a mostrassem; a mãe de Paul, idem, ela era preciso para percebermos porque Anna lhe trata mal a ele, ou seja, que esse tratamento derivava de inveja e do sentimento de abandono, visto que ela sempre pareceu mais empenhada no irmão do que nela, tendo o irmão ainda por cima o apoio do amigo Mac, ficando ela sozinha tendo que construir todo o seu forte e nomear-se a rainha, quando na verdade lida com medo de abandono. Aposto que ela também se sentia JC, ou talvez MM.

Já receava que, com o êxtase do sexo, Sarah (Natalie Dormer) perdesse o controlo e tentasse trincar Mark (Tom Ellis), porque não cheguei mesmo a acreditar que a relação desse certo. No entanto, apesar de natural a reacção de Mark em fugir do que não entende, pois ele passou por muito: soube que a esposa morrera, depois falou com a alma dela, ao contrário da sua crença, e depois viu-a outra vez em carne e osso, e depois quase foi comido por ela (logo depois de ter sido comido por ela), achei um tanto cobarde da parte dos argumentistas terem-no feito fugir, porque era muita complexidade para explorar… mas, bem, considerando que Sarah depois ascendeu, provavelmente o caso Mark não poderia não ter mais sumo para dar.

Eu compreendi a posição de John (Joe Dempsie) em não querer ascender. Depois de mais de setenta anos a tentar entrar neste mundo, por que raio ele quereria sair logo depois de ter conseguido o seu intento, ainda mais, quando tem o bónus de ser imortal?… ou quase imortal.

Continuo a achar que o episódio mais tenso de todos foi o quarto, mas aqui, tal e qual a dica que Mac deu na abertura, através do seu tom, quando fez o “review” da semana anterior, este episódio era para ser melancólico (sim, notei essa particularidade, o tom que Mac adopta no início costuma ser o tom do episódio), e foi melancólico. Consolidou ou deu mais corda às histórias da maior parte das personagens, o que foi interessante, significando que até no fim ainda tinha algo para contar, até no fim ainda mostrava um princípio, e resolveu algumas pontas soltas.

“The Fades” fechou bem a temporada. E interessantemente deixou aberta uma frincha: com o que será que Paul mexeu? O que vai trazer ele para a terra? O Inferno (considerando o céu vermelho a fogo)? Eu esperava que alguma coisa acontecesse ao John e ele não conseguisse ascender e se tornasse mais forte – porque acreditava num clifhanger para uma segunda temporada – e fiquei um tanto incomodado quando ascendeu, depois pensei que Neil se tinha transformado em alguma coisa ruim (quer dizer, desconsiderando a parte em que sucumbiu à loucura e matou Jay ou babava de raiva enquanto falava com Alice), mas não foi… como mostrei no início do parágrafo, não faço ideia do que está por vir, mas digo que seja o que for provocou-me bruta curiosidade. E espero estar aqui para escrever sobre a segunda temporada.