12 de novembro de 2022
COMO SER UM BOM COLONIALISTA
20 de dezembro de 2021
MANIFESTO DEPRIMENTE DO MOVIMENTO DEPRESSIVO
18 de maio de 2021
HOSSANA AO FILHO DE DAVID - O BRANCO REDENTOR VOLTOU
Quando Jesus chegou a Jerusalém, as pessoas... peraaaa!, filme errado.

25 de abril de 2021
DIÁRIO DE UM ETNÓLOGO GUINEENSE NA EUROPA (dia 7)
25 de Abril – a revolução d’escravos
Todos os anos, mas todos os anos, no 25
de Abril, os tugas entram na rua para comemorar a Revolução d’Escravos, mas
coitados, acho-os tão confusos que nem entendem as suas próprias datas.
É assim, os tugas disseram que o 25 de
Abril de 1974, foi o dia da Revolução d’Escravos, que os capitães do Abril
foram tomar o poder lá na Grândola da Vila Morena, porque o povo ordena. Na
verdade, o povo nada ordena, o povo é ordenado, porque os tugas não conseguem
fazer nada por si mesmos, precisam sempre e têm mania de capitães, os quais
adoram e até lhes fazem estátuas. Quando chegaram ao Brasil tinham um capitão,
à Guiné, outro capitão, ao Moçambique, mais um capitão, e na Madeira é o
Cristão Ronaldo o capitão.
Os tugas dizem: 25 de Abril de 1974 é a
revolução que trouxe a democracia para o país, e é aí que eu fico confuso… mas
então e o PREC?, e o Verão Quente?, e o 25 de Novembro de 1975?
Vou explicar tintins por tintins.
O PREC era um ogroooooo… hmmmm,
desculpa, esse era o Shrek.
Quando no 25 de Abril se fez o primeiro
golpe de estado… desculpa, revolução, golpe de estado é coisa de terceiro
mundo… a revolução fez instalar no poder um bando de comunistas que diziam: “o
povo é que mais ordena, portanto vamos tirar dos ricos e distribuir aos
pobres”. Os ricos disseram: “calma aí, que história é esse de PREC pra aqui e
PREC praí, o povo que vá ordenar lá no seu quintal e não entrem nas nossas
propriedades que herdamos honestamente com a ajuda da ex-monarquia e do Santo
António Salazar”. E a Igreja disse: “os únicos Antónios que reconhecemos como
santos é o Santo António Vieira dos meninos índios, o Santo António do menino
Jesus, e o Santo António Salazar… quanto ao António Spínola, já vamos ver, se
ele se converter, santificamo-lo.” Claro que o Spínola se converteu, pois a
coisa não fluía como ele queria, e ele intentou um novo golpe contra o primeiro
que tinha dado... uma revolução em Março de 1975, que não correu bem.
O tio Paulo Bano Bajanca disse-me que os
Capitães de Abril na verdade estavam mais preocupados com a sua própria vida, a
sua posição (estava-se a criar demasiados capitães) e o problema de salário, e
que foi isso que motivou o golpe (mas avisou-me para que não dissesse isso em
voz alta em público, porque hoje os capitães são sagrados e algum jihadista tuga
poderá atacar-me).
O tio Paulo Bano ainda disse que os
capitães de Abril estavam na Guiné, no Moçambique e em Angola (a sua maior
parte na Guiné, onde começou tudo), e os que eles chamam turras estavam a
complicar-lhes a vida seriamente e a anular-lhes a vantagem tática militar, e
eles começaram a questionar a "sustentabilidade" da Guerra. Se
estivessem a ganhar a guerra, continuariam a ser capitães de todos os meses,
mas lá nas áfricas. E enquanto eram apenas os soldados limpa-pias, miúdos
brancos pobres e os pretos pobres alistados, que morriam, não havia problema,
dava para continuar a ser capitão, mas quando milicianos alegadamente começaram
a ser nomeados capitães, a coisa começou a feder, os que viriam a ser os de
Abril disseram: “Então, pá, que história é esta, pá, estão a estragar a classe,
pá!”, e depois quando não lhes quiseram dar salários mais chorudos eles
disseram: “Foda-se, Marmelo Rebel… Marcelo Catana, pá, estás a cortar em tudo, pá,
pensas que és o Caço Coelhos ou quê, pá? Mau, mau, menino. Vamos dar-te um
golpinho, pá, ai, vamos. Não sabes que não se deve meter com os militares e com os
ricos, pá, ou queres levar com uma revoluçãozinha, pá?” O Marcelo Catana,
padrinho do nosso Marmelo Rebelde, como não estava atento, foi ele mesmo
cortado, pumba, toma, 25 de Abril. Meteram-se com os militares, golpe de
estado, queriam o quê?
Mas aí é que está a cena, não era
nenhuma Revolução d’ Escravos, mas da burguesia militar ... alguma vez soldados limpa-pias
fizeram golpe? Hmmmmm! O golpe depois foi sequestrado pela burguesia civil. O Zé Povinho
tem lá tempo para revolucionar, ele continua escravo.
Mas é verdade que havia bons capitães,
com ideais mais nobres e mais sociais do que a mera questão do salário e da
classe. Até havia capitães comunistas que queriam abolir mesmo a classe. E
esses juntaram-se lá com os comunistas e começaram a tomar tudo dos ricos e os
grandes donos do dinheiro, amigos do Santo Salazar, bazaram para o Brasil,
outros converteram-se imediatamente ao comunismo, para escapar à inquisição e
começaram a gritar: “Viva a revolução! Viva a revolução!”.
Então os gajos dos PREC disseram-lhes,
“uiiii, ainda bem que concordam, precisamos das vossas terras e dos vossos prédios por
causa dos retornados que estão a chegar em catadupa. E queremos criar
sindicatos para que possam receber melhores salários e não serem assim tão
explorados!”. Os gajos do PREC ainda disseram “ouve lá, tipo a nossa cena é muita
cool e tipo muita alternativo, tipo meio hippie, meio yuppie, meio hipster, tipo, sabem, tipo não queremos um socialismo tipo CCCP (Cuidado Com os Camaradas do Partido), nem
uma cena tipo capitalista, mas, tipo, vamos fazer um socialismo tipo democrático, tipo
o de Bernie Sandes, aliás, tipo, não se esqueçam que tipo até fizemos eleições
já!".
Então os ricos recém-convertidos,
disseram: “Porra, pá, a revolução é bem-vinda, pá, mas que fique longe das
nossas posses, pá. Estão a dar as nossas coisas aos retornados, pá, e eles, pá, nem
são portugueses de verdade, pá! Fechem as fronteiras, pá, eles que voltem para
as suas terras, pá. Precisamos de uma nova revolução, pá".
Então apareceu o Super Mário Só Ares, como salvador dos ricos (ele mesmo, como o Marmelo Rebelde de Sousa, filho de um antigo ministro das colónias), criou uma fundação que foi financiada pelos americanos da TIA que tinham vindo cá passar um Verão Quente em 1975, com barcos e tudo (o que inspirou o Paulo Tortas a comprar submarinos e o Sócrático a ir passar o verão em França, financiado pela MÃE), e pumba, toma, 25 de Novembro. Meteram-se com os ricos, revoluçãozinha, queriam o quê?
(Os tugas e o 25, meu!, desde que Jesus começou essa moda em dezembro, pegou
seriamente)!
Com o 25 de Novembro de 1975, ano e meio
depois do 25 de Abril de 1974, a segunda revolução, correram com os comunistas
do poder, estes ficaram nos sindicatos. Disseram que os comunistas estavam a
comunistar o país e que iriam torná-lo numa Correia do Norte ou numa Venezuela
de Está Ali Né (ou Esta Aline, o tio Paulo Bano não sabe como se pronuncia), e que isso não era democrático, pois os comunistas começariam a
comer criancinhas (isto já foi a Igreja preocupada com a concorrência). O
democrático é deixar os ricos manterem as suas posses e os pobres, o
proletariado e os retornados que se fodam, afinal por que não escolheram nascer
em bons berços, ou por que fizeram um pé-de-meia em vez de bolsos fundos
protegidos pelo Estado? A Igreja, os Espíritos Santos, os Chupalimões, os Souteu
Mayor, entre outros, recuperam os seus poderes e a sua influência e continuaram
na berra, a lixar o povo desde então.
Eis a razão porque não entendo essa
história de que o 25 de Abril foi a revolução que trouxe a democracia, pois
pelo visto, ele iria trazer mas sim o comunismo do Esta Aline. Sendo assim, logo foi o 25
de Novembro que trouxe a democracia. O 25 de Abril ainda falou do povo, mas os
que ficaram com o poder depois do 25 do novembro, só falaram do dinheiro.
Imaginem que em 2021, hoje, chegasse uma massa
de portugueses como a quantidade dos retornados que veio depois do 25 de Abril, sem os comunistas e os esquerdalhas para os acolher, morreriam todos afogados
no mediterrâneo.
Se a revolução do 25 de Abril foi
contrarevolucionada pelo 25 de Novembro, porque se fala ainda do 25 de Abril?
Se o 25 de Abril foi a Revolução d’
Escravos (o que duvido muito), e é representado pelos cravos, o 25 de Novembro
é então a Revolução dos Donos d’ Escravos, representado pelo algodão(?).
Ahhhhh, agora entendi, o primeiro soa melhor e é mais publicitável. Por isso
foi sequestrado pelos contrarevolucionários capitalistas.
Agora andam por aí a dizer que o 25 de
Abril foi para libertar as colónias, ui, que nobreza, e para acabar com os
escravos e outras cenas de opressão, mas como escreve aí um amigo de um
conterrâneo meu, chamado Apolo do Caralho:
"Se por revolução se intende
'rotura radical', em que medida um acontecimento pode assim ser chamado se
mantém tantas coisas do passado como por exemplo um hino e uma bandeira
erguendo inclusive, esses símbolos, à qualidade de 'dogmas' constitucionais que
ninguém pode contestar sob pena de punição? (...) Se por revolução entendemos
momento de acertar as contas e construir novos pactos, porque razão os
criminosos de guerra não foram julgados? Se entendemos que uma verdadeira
revolução só o povo pode fazer, só ele é autor, porque razão tantos títulos de
'heróis' são atribuídos a militares tão só?"
Se Spínola tentou um golpe contra o
golpe que lhe deu fama, e se houve outro golpe que golpeou o golpe de Spínola,
por que ele é visto com um revolucionário e herói português?
Ai que confusão! Vou colocar a cabeça em
gelo e escrever um pedido de desculpa formal aos jihadistas nacionalistas
portugueses.
12 de março de 2021
LEI DE KON: A RAIZ DA VIOLÊNCIA (cronices crónicas)
NÃO, NÃO e NÃO! NÃO FOI ASSIM. VIOLÊNCIA NÃO É EDUCAÇÃO!
Já me cruzei com esta imagem (e outras similares) em vários lugares na internet, com pessoas a enaltecerem isto como boa educação. Mas olhemos atento
para a imagem e leiamos a violência que emana.
Violência não é educação, nunca foi e nunca será. Se violência fosse
educação, por causa daquilo que passamos na mão dos tugas teríamos sido dos
povos mais educados do mundo. Essa fala de que “apenas o sute endireita o
guineense” é mais uma daquelas estupidezes que repetimos sem sequer pensar.
O sute nunca endireitou ninguém, o sute nunca educou ninguém. O que o sute
faz é criar submissão e medo, não respeito, medo. O sute faz as pessoas
dobrarem-se ante o medo e não aceitarem erguidas a razão. E o sute é um dos
maiores problemas da nossa sociedade guineense, senão o maior.
Somos educados com mantampa. Mantampeados e tcherninhados por dá cá aquela
palha, desde crianças é-nos ensinada a “LEI DE KON”: o kon maior bate no kon
menor, e assim progressivamente. Mesmo entre os kons duvido que essa lei
funcione, mas nós não somos nenhuns macacos, somos humanos, com maior
capacidade de reflexão e de pensamento… bem, olhando para o estado do mundo,
tenho dúvidas sobre esta minha afirmação… ohhhhhhkay… temos alegadamente maior
capacidade de reflexão, portanto, já era mais que tempo para começarmos a
reformular determinados conceitos que claramente não funcionam.
A violência na qual somos educados, que na sua maior parte é gratuita e
desproporcional, não é nada mais do que a incapacidade dos nossos educadores
lidarem com a sua frustração. Pessoas mantampeiam crianças que estão a chorar,
ao mesmo tempo que dizem “para de chorar, para!, cala a boca!”, mas como elas
vão parar de chorar se estão a bater nelas? Já vi educadores a baterem em
crianças bem pequenas, porque não querem comer ou por outra razão qualquer e
julgam que estão a educar. Mas, vamulá, se mesmo a conversar com essas crianças
será difícil fazer-lhes entender o porquê de não fazer certas coisas, muito
menos elas irão entender o problema do que fizeram batendo apenas nelas.
Algumas pessoas já me disseram, quando discutimos este assunto, “eu
concordo com mantampas, a mim foi o sute que me endireitou” e eu pergunto-lhes
sempre: “mas o que estava errado antes?”
Eu, por exemplo, quando ia brincar com os colegas e voltava depois da hora
do almoço, levava tareia lá em casa. Sim, evitava chegar depois do almoço para
não levar tareia. Mas se calhar, proibirem-me de comer podia ter sido mais
eficiente, eu sei lá (comia na casa dos amigos). A cena é que, como sabia que
já tinha sute à espera, quando a hora do almoço, que variava muito, me apanhava
na rua com os amigos, eu já só voltava à hora do jantar, porque sabia que a tareia
era inevitável… ao menos não interrompia as minhas brincadeiras e brincava
muito antes. (Depois fazia todo aquele ritual de pedrinhas para escapar do
sute: uma debaixo da língua para colocar no pote de água, outra para atirar
pelas costas quando estava perto da casa sem olhar para trás e coisa assim… que
muitas vezes resultava).
A questão da violência não é específica apenas aos educadores, mas a toda a
nossa sociedade que vive sob a “LEI DE KON”. Os mais velhos (mais fortes) batem
nos mais novos (mais fracos) sem precisarem de outra razão fora de porque
podem, na discarna mesmo. Um miúdo parado no meio do caminho pode levar a
coquida de um adulto só porque está parado e ele quer passar, mesmo que o
adulto pudesse desviar-se facilmente. O que faz o miúdo que foi coquido? Vai à
procura de um outro miúdo mais fraco para, por sua vez, coquir também. E de
repente vemos um miúdo de dois anos a riquitir um bebé de dois meses, e dizemos
que não entendemos a razão do beliscão? É agressão transferida.
Os pais são agredidos pelos patrões, que são agredidos pelo Estado, e
frustrados, sem poder dar respostas, vão bater (na mulher, no marido”?”) e nos
filhos, e os filhos nos irmãozinhos, e então a “LEI DE KON” é padronizada dessa
forma.
Professores batem nos alunos, com palmatórias de madeira, mantampa de
serra, cinto, chicote, porque estes confundiram o P com R ou com o B. Eu fui
obrigado várias vezes, quando aluno de primária, a ficar de joelhos sobre
cascas-de-karus ou pedrinhas, não porque não sabia as lições, mas porque
chupava os meus dedos, e diziam que eu já tinha idade mais que suficiente para
deixar de chupar os dedos (chupei-os até aos nove, e só parei porque a certa
atura deixou de saber bem, nenhum sute me impediu de os chupar)… os meus dedos…
os meus próprios dedos… vá, se andasse a chupar os dedos de outras pessoa até
poderia entender, e tenho a certeza de que me matariam se ao invés dos dedos eu
andasse a chupar o pé… eeeeeeeepá.
Somos educados no sute, na “LEI DE KON”, e não conhecemos outra coisa e
aceitamos isso como parte nuclear da educação, e aceitamos a hierarquia
violenta inerente dessas práticas. Por isso, sempre que nos tornamos poderosos,
oprimimos os outros e achamo-nos no direito de o fazer: filhos que oprimem os
próprios pais quando envelhecem; polícias e militares que não sabem o seu papel
e pensam que é bater nas pessoas; o “n’ na mostrau bu lugar”; governantes que
acham que podem mandar prender e bater nos outros porque têm esse poder (que
não consta em nenhumas das nossas leis escritas); e o povo que aceita
tranquilamente o exercício desse tipo de poder (não só violência física),
porque “eeeeeeeeee, pa pa pa pa pa, abo bu na kirtika nan sefi!”.
Não, violência não é educação. A “LEI DE KON” é estúpida e vazia. Se o sute
fosse educação teríamos o melhor povo de mundo e o Prémio Nobel da Educação
iria para.
29 de maio de 2020
WAKA-QUÊ? - BLACK PANTHER (uma treta de representatividade)
Black Panther foi vendido como um filme negro, um filme para negros, um filme afro-futurista(?), e o marketing foi tão bem feito com ajuda dos próprios movimentos negros e o filme ganhou o hype que ganhou (e o dinheiro que ganhou). Mas na verdade Black Panther é um filme tão negro-representativo como Wonder Woman é um filme feminista, aliás, eu já vi filmes pornos mais feministas que Wonder Woman.
Voltando ao Black Panther, o que faltou na análise é que a história do filme não representa sequer a África ou os negros. Black Panther é a história de privilegiados que querem manter os seus privilégios. Wakanda é todo futurista, assim como Nova Iorque é cheia de prédios, mas como vivem as pessoas, como vivem os pobres? Por que é preciso um sistema monárquico e todo à la Rei Leão (inclusive com o herói a ter visão do pai)? Por que é preciso um sistema de força onde machos-alfas lutam pela coroa? Por que o herói que perdeu a luta, dentro das leis locais, volta para cometer um golpe de estado? Por que o vilão que é mais coerente e que só quer liberdade para o seu povo teve a sua filosofia distorcida, tornando-o um genocida? Há mais coisas.
1. Dentro de Wakanda, uma sociedade ultra-desenvolvida, a questão da liderança é resolvida à força através de lutas tribais.
Black Panther é um filme com atores negros, trabalhadores negros, mas, não é um filme sobre negros ou sobre a luta dos negros, aliás a única pessoa que representa a luta dos negros é o vilão (entendem a relação?). E no final do dia, com todos os negros a comprarem bilhetes, brinquedos, camisolas e merchandises de Black Phanter (ou mulheres, no caso de Wonder Woman), quem fica ainda muito mais rico no final do dia são os donos dos estúdios americanos, homens brancos e ricos como os Harvey Weinstein.
Africanistas a dizer Wakanda Forever… pelamordideus, basta de masturbação. Voltem para a realidade. Resumo: se não desenharmos nós mesmos as nossas lutas, fora dos sistemas controladores, vamos continuar a wakandar forever enquanto a situação continua a mesma.
Ah, a propósito, a cena de cruzar o braços em X é muito mais antiga do que Black Panther.
4 de agosto de 2019
CARA EUROPA (da restituição)
Diz-me, caramba, por que estás tão interessa em devolver-me as estátuas, pedaços de pedra e de madeira… mas do ouro, da prata, do marfim, dos diamantes, do silício e da riqueza que custa o suplício do meu povo que vive em sacrifício para que possas manter vivo o teu vício de consumo em nome de bom serviço, sobre isso é só silêncio…20 de maio de 2019
PENSAMENTOS INEXACTOS - CAP. XII
3 de novembro de 2018
TEM BONS DENTES?... NÃO? ENTÃO FORA…
Theresa May disse que depois de efetivar o Brexit vai passar a ser o Reino Unido a escolher e a decidir quem entra no território e só vão ser “pessoas qualificadas”.Nem o tema, nem o processo são estranhos. Durante o comércio de escravos também só eram levadas as “pessoas qualificadas” para a Europa (ou América), pois elas trabalham e geram riquezas (a condição do trabalho não importa aqui, desde que elas trabalhem). E a questão não se encontra circunscrita ao Reino Unido, mas é toda uma postura da Europa. Recentemente, durante a crise de refugiados, fartamo-nos de ouvir e ver argumentos iguais por tudo o que é lado.
O coordenador do Observatório da Emigração disse que Portugal precisa urgentemente de imigrantes para resolver o problema da falta de mão de obra. A política de imigração de Merkel foi de facilitar a entrada de pessoas “educadas” na Alemanha. Macron há pouco tempo deu documentos a um herói escalador de paredes… enfim…
Cá em Portugal, os do “contra-imigrantes” dizem: “esses PRETOS (como se os imigrantes fossem só pretos, os do norte europeu são bem-vindos, ó, expatriados) só vêm cá para viver da segurança social e dos nossos impostos e não querem trabalhar um corno”. E os “pró-emigrantes”, da esquerda, dizem: “os né... os AFRICANOS são gente produtiva que trabalha bastante para sustentar a família, por isso devemos abrir-lhes as portas, pois eles são comprometidos com o trabalho e nem todos são maus”.
Pois, claro que não, nem todos são maus, alguns têm bons dentes, servem para bumbar nas obras, para jogar na seleção, para correr no atletismo, e para pintar algumas fotos “à la Benetton” para podermos falar da diversidade e da solidariedade. Enquanto isso, só vamos abrir portas à gente “qualificada”.
Abomino as reportagens a mostrar como os imigrantes se enquadraram bem na sociedade europeia, se aculturaram e se tornaram produtivos… é uma lógica esclavagista.
A única forma em que isto difere dos tempos do comércio triangular é que os imigrantes (guineenses neste caso - pelo menos são os que conheço) vêm para cá “voluntariamente” para serem escravizados, principalmente quando a qualificação não é académica ou atlética, mas força nos braços para limpar casas de banho e centros comercias.
Será possível falar da imigração fora de uma perspetiva capitalista e nacionalista, mas humanista?









