12 de novembro de 2022
COMO SER UM BOM COLONIALISTA
14 de janeiro de 2022
CARO AMIGO BRANCO (DA REVERSÃO)
18 de maio de 2021
HOSSANA AO FILHO DE DAVID - O BRANCO REDENTOR VOLTOU
Quando Jesus chegou a Jerusalém, as pessoas... peraaaa!, filme errado.

19 de fevereiro de 2021
DIÁRIO DE UM ETNÓLOGO GUINEENSE NA EUROPA (dia 6)
19 de fevereiro – o homem que lavou o racismo de Portugal
Os tugas têm uma relação estranha com a
água. Não consigo entender nada. Têm muita água, mas só a usam para sacalata.
Vou explicar: o tio Paulo Banho dissera-me uma vez que os tugas não gostam de
tomar banho, mas passam o tempo lavar o carro.
Não entendia isso, o carro estar limpo é
melhor do que a pessoa estar limpa? Mas depois percebi, que provavelmente o tio
Paulo Bano também não deve ter conhecido muitos tugas. E os tugas de Portugal
dizem aqui que os tugas de França é que não tomam banho, e os tugas de França
dizem que os tugas do Canadá é que não tomam banho. Uai!, é cada um a acusar o
outro que não dá para acompanhar. Mas nota-se a relação estranha dos tugas com
a água.
Aqui as bombas funcionam bem, abres a
torneira e sai água limpa puss, mas os tugas também não a bebem, preferem ir
comprar na taberna. Ah, aqui eles não têm nar, têm chineses e indianos. As
tabernas aqui são muito grandes, eles chamam de supermercado. Mas estava a
dizer, têm água limpa na torneira, mas andam sempre com bidões de água. Aqui,
se não tiveres dinheiro para comprar água, estás nhanido, porque os tugas não
patem, não oferecem mesmo, comem à tua frente no comboio e tu ficas a olhar e a
engolir alma e eles nem convidam. Mas já falo disso logo. Distraí-me de novo.
Os tugas não gostam de lavar, tinha dito
o Tio Paulo Bano, mas eu descobri que os tugas lavam tudo e lavam muito. Por
exemplo, há pouco tempo eles fizeram uma eleição onde apareceu um gajo chamado
André Tontura... Tortura (?)... Sei lá, só sei que o miúdo é tonto, e ele disse
que os tugas brancos são gente de bem, que os tugas pretos não são tugas e o
que os tugas ciganos têm medo de sapos... Ehhhh! Lembrou-me que lá na Guiné
também dizemos que os nar-kabras têm medo de kakris... (Kakris? São aquelas
coisas que parecem com caranguejos). Hmm!, falando nisso, agora penso que lá na
Guiné somos tão tontos como o André Tontura aqui... Adiante...
Esse tal de André Tontura vendeu ódio
contra os tugas ciganos e os tugas pretos e os pretos que não são tugas, e
lucrou com muitos votos, ele mandou uma tuga preta chamada Jassine para a sua
terra, mas os chefes tugas disseram: "pá, isso é normal, é liberdade do
expressionismo alemão". Liberdade do Expressionismo alemão é um estilo
inventado por um tal pintor chamado Hitler. Mas não acabou bem, porque virou
nazismo. Mas “está tudo bem assim e não podia ser doutra forma”, como dizia o
antigo chefe tuga Salazar, os chefes tugas de hoje lavaram essa ação do tonto
do André Tontura.
Os chefes tugas lavam tudo, lavaram o
colonialismo, dizem que foi o melhor colonialismo do mundo, um colonialismo
amoroso, a maior fábrica de mulatos de todos os colonialismos, e que não era um
colonialismo racista, mas lusotropical… mas lusotropical só lá nos trópicos,
aqui na Metrópole, bem branco. Mas isso do "melhor e maior do mundo"
é tão normal nos tugas. Eles até tiveram um gajo chamado Fernando Pessoa, eles
colocam-no em tudo, cartões de banco, paredes de metro, postais para turista,
papel higiénico, etc, porque ele era a maior pessoa do mundo, tão maior que até
era cinco em um, por isso o chamaram de Pessoa… acho eu.
Divagações… divagações…
O Tontura foi votado por muitos tugas
para mandar a Jassine para a sua terra, mas os chefes tugas em vez de pensarem
que algo está errado, disseram: “pá, isso é normal, é a democracia. Nem sequer
é anticonstu… anticonstipacional… anticonstitucional”. Isso,
anticonstitucional. O Tontura disse ao presidente Marmelo que os pretos são
bandidos e que não são fotogénicos e o Marmelo sorriu paternalista… grande
Marmelo, ele abraça a todos, sem distinção, mesmo os que são anti-abraços.
Sabem, o Tontura tem três pretos de estimação: primeiro, a Jassine, segundo, o
Mamade (na verdade, o nome dele não é Mamade, mas como muitas pessoas, tanto
homens como mulheres, têm andado a escrever por aí #eusoumamado, logo eu tentei aqui manter o género
neutro), e, terceiro, o Lombito, tsc, tsc (estou a piscar o olho esquerdo…
dá-lhe no lombo, dá-lhe).
Outros partidos viram o sucesso de
Tontura e bateram palmas, descobriram que a melhor forma de ganhar votos é
criar uma relação de amor-ódio com os pretos, ou então perderiam para o
Tontura. Então, tanto o Ru-Paul Rio, o travesti da direita, do PSD (Pípol Sem
Direção), como o Menino Chiquinho, do CDS-PP (Cristãos Dealers de Submarinos –
Paulo Portas) começaram a procurar os seus pretos de estimação, tipo o Lombito,
porque a Jassine e o Mamade são sacos de pancada públicos, ninguém pode
reclamar propriedade sobre eles.
Eis senão quando morre um preto chamado
Marcelino Mata, e então foi corrida ao ouro: que preto é melhor que um preto
morto? Pensaram os ditos-cujos. Que melhor forma de mostrar que Portugal não é
racista e que o colonialismo tuga foi português suave e que há tugas pretos de
bem (na verdade, apenas um tuga preto, os outros voltem para a sua terra)?
De repente, todos os tugas patriotas
odiantes de pretos começaram a carregar o Marcelino Mata nos ombros, o herói
nacional, só depois de ele ter morrido, é claro, o grande preto Português.
Agora que Marcelino Mata voltou para a sua terra, aquela terra que não rejeita
a ninguém, e que todos temos em comum, ele é o máximo. Agora só falta dizerem
que vão fazer uma estátua dele no Estádio de Alvalade, porque o Estádio da Luz
já tem Eusébio. Afinal, Portugal não é racista e gosta de pretos, desde que
eles conheçam o seu lugar, mantenham a matraca fechada iem!, e só cumpram
ordens, “sim senhor branco!, sim senhor branco!”, mesmo que essas ordens sejam
odiar e matar outros pretos. Como escreveu uma vez um conterrâneo meu, Martinho
que Pina:
“Deus!, havia soldados pretos, na mata, a nata que mata, nascidos na Guiné, lá dentro, bem no centro, que bateram o pé e se tornaram comandos africanos e lixaram os seus próprios manos.”
A coisa é que ninguém quer saber do
Marcelino que Mata, ele era apenas bom para ser usado como um símbolo
anti-racista português, mas infelizmente ele dera muitos tiros e nem foi pela
culatra. Portugal não é racista, e nem é racista os representantes do país
tomar com herói alguém que é considerado um sanguinolento criminoso de guerra
(com todas as verdades e mitos à volta disso) no país onde nasceu e ao qual não
podia voltar.
Repito, nem o Marmelo, nem os generais,
nem o Tontura, nem o Ru-Paul Rio, nem o Chiquinho querem saber do Marcelino,
ele é uma pedra no sapato na tugalidade de hoje e na ideia da grande e justa
nação tuga, mas tem de ser defendido a todo o custo, porque, vamulá só ver:
Marcelino Mata foi um chefe de António
Spínola, que lhe dava as missões e continuava a dar missões apesar de saber da
sua alegada crueldade e sanguinolência. Mas Marcelino era uma boa ferramenta, e
Spínola foi também quem lhe recomendava e lhe dava as missões, as nomeações e as
distinções. Mas Spínola é um herói português, um dos capitães de Abril, um dos
mentores da liberdade tuga. Sendo assim, negar a heroicidade e as distinções do
Marcelino não seria colocar em questão a heroicidade e as distinções do
Spínola, um dos seus titereiros? Spínola seria tão ou mais criminoso que
Marcelino.
É preciso então, senão lavar a imagem do
colonialismo português suave, pelo menos não a deixar sujar-se, porque para quê
fazer uma mea culpa, se a culpa foi desses pretos turras que não queriam
deixar-se montar por pessoas claramente superiores a elas. Até o Marcelino Mata
percebeu isso, por isso ajudou. Mas também não entendo muito bem a polémica, as
forças armadas de qualquer país servem para matar, para matar e destruir, em
nome da nação, e quem mais mata leva mais medalhas, foi e é sempre assim, se
queremos mesmo indignarmo-nos com os medalhamentos de soldados matadores, não
será que devíamos condenar primeiro a existência de braços armados dos donos do
poder?
Acho que foi para não colocar em questão
a ideia da nação, a ideia do simbolismo spinólico e outras tretas
nacionalistas, que o Marmelo e toda aquela gente foram ao funeral do Marcelino
prestar honras ao homem que lavou o racismo de Portugal. Mas quem sabe!
Todavia o que não entendo mesmo são os
outros odiantes de pretos que querem expulsar um tuga preto de Portugal, para
manter o bom nome de um tuga preto que nem sequer conhecem e a quem
provavelmente diriam, se tivessem que disputar com ele um lugar na fila da loja
de cidadão: “volta para a tua terra”.
17 de outubro de 2020
DIÁRIO DE UM ETNÓLOGO GUINEENSE NA EUROPA (dia 4)
17 de outubro – etnólogo dos enólogos
Os problemas da Covid não me têm ajudado
muito em focar-me nos últimos meses. Queria escrever sobre tanta coisa, mas
falta tempo, quer dizer, tenho muito tempo de sobra, só não sei o que fazer com
ele. É que os tugas, tanto os de Portugal, como os tugas da Europa têm andado a
obrigar as pessoas a ficarem fechadas dentro das suas casas, dizendo que é para
não apanharem Covid. Não entendo nada, primeiro diziam que os seus velhotes
andavam sem-vida, agora por causa da Covid, mandam-nos ficar em casa, sem
visitas e sem-vida, e ainda chamam à doença de Covid. Qual com vida!
O tio Paulo Bano Bajanca tinha-me
ensinado para ficar desconfiado quando os tugas me mandam ficar em casa, ele
disse assim: “Sobrinho!, fica desconfiado quando os tugas te mandam ficar em
casa e te dizem para não sair, porque, de repente, quando te mandam sair, já
nem a tua casa te pertence. Foi o que fizeram na Guiné.”
Eu, às vezes, pensava que o tio Paulo
Bano exagerava, mas descobri que não. Toda a história dos tugas da Europa é
desse tipo, tios que matam sobrinhos para tomar o poder, irmão que mata a irmã,
irmã que guerreia irmã, primo que mata o sobrinho, tio que casa a sobrinha,
uiiiiii.
Aqui em Portugal, por exemplo, os tugas
têm aquele gajo que eles chamam de Avenida Don Afonso Henriques, aprendi que o
rapaz da mãe dele entregou-lhe um castelo, e ele, de repente, disse que o
castelo lhe pertencia e mandou bater na mãe e ficou com o castelo e foi lá que
ele que inventou Portugal, ou descobriu Portugal, nem estou certo. Os tugas
tiveram assim um mau arranque, estás a ver?, mas o pior é que ficaram a copiar o
seu inventor, foram à Mouraria, fingiram que foram ver azulejos e tomaram
aquilo, foram ao Algarve, fingiram que só tinham ido à praia e ficaram com
aquilo (agora os tugas ingleses estão a fazer-lhes a mesma coisa) , chegaram ao
Brasil, fingiram que eram amigos e tomaram aquilo, foram à Guiné, fingiram que
eram amigos e tomaram aquilo, Angola, Moçambique, Timor, os impostos dos outros
tugas coitados. Por isso é que o tipo Paulo Bano diz que os tugas são como
macacos, se lhes estenderes a mão, eles sobem-te pelos ombros. Mas também,
disse ele: “Toma muito cuidado, conhece primeiro alguém antes de julgar esse
alguém. Não é a cor ou a raça de alguém que faz com esse alguém seja bom
alguém… por exemplo, olha só para os que mandam na nossa terra.”
Hoje, como os tugas tomadores já não
podem tomar de qualquer maneira as coisas dos outros de outras terras, então os
chefes dos tugas tomadores começaram a tomar as coisas dos outros tugas mais
coitados. Por exemplo, arranjam um amigo tuga, metem-no num banco, esse rouba
muito dinheiro às pessoas tugas coitadas e as pessoas tugas coitadas ficam sem
dinheiro e choram; então os chefes dos tugas tiram o amigo tuga do banco, metem
outro amigo tuga e tiram novamente o dinheiro às pessoas tugas coitadas para
pagar o estrago que o primeiro amigo tuga fez, e enquanto isso o novo amigo
tuga fica a tirar o dinheiro às pessoas tugas coitadas outra vez e, de repente,
às pessoas tugas coitadas ficam sem casas, sem empregos, porque o amigo tuga
dos chefes dos tugas tomou-lhes o dinheiro todo. Muitos desses tugas coitados
acabam por desesperar e matar a cabeça. Mas achas que os chefes tugas se
importam? Nem pliu.
Quando contei isso ao tio Paulo Bano,
ele disse: “Olha só para veres!, se eles fazem isso com os seus irmãos tugas,
achas que é a ti que vão perdoar?”.
Ontem um dos chefes dos tugas, o Marmelo
ou Martelo, não me lembro direito do seu nome, só me lembro que ele gosta de
abraçar os tugas coitados. Ele e o Papa Francisco, um tuga que vive na Itália e
pensa que fala com Deus (mas ninguém o mete no centro mental), eles parecem
estar numa competição de quem abraça mais coitados. E ficam tanto a falar dos
coitados e da coitadeza, enquanto comem do bom e do melhor. Ah, quase que me
esquecia, sou muito distraído… O tuga Marmelo disse que muitos outros países
democráticos obrigam as pessoas a usar máscaras, logo está bem Portugal obrigar
as pessoas a usar máscaras. O Marmelo esqueceu-se que muitos países
democráticos invadem outros países e fazem merdas em outros países (como a
frança e o seu Franco CFA na África Ocidental), sem deixarem de se chamar
democráticos, mas não quer dizer que isso é bom ou justo… naaaaaá, acho que ele
sabe, porque pelo visto, lê muito quando não está ocupado a abraçar os pobres.
O tio Paulo Bano disse que quando Amílcar
Cabral estava a lutar para libertar a Guiné dos tugas maus, ele publicou lá na
Inglaterra, com o nome Abel Djassi, um trabalho que mostrava o mal que os tugas
faziam na Guiné. Mas... que esses mesmos ingleses que apoiaram a publicação,
estavam na África do Sul a castigar os pretos. “Não te fies, sobrinho, os
poderosos sempre ficam do lado um do outro e apoiam-se uns aos outros e dão
aqueles prémios chamados Prémios Ignóbeis de Paz um ao outro, enquanto o resto
do mundo continua em guerras”.
Depois de ter ouvido estas palavras do
tio Paulo Bano fiquei muito preocupado com a Guiné-Bissau, a terra que deixei
para trás por causa desta minha vontade de etnólogo de estudar a raça tuga. Os
chefes dos tugas estão agora a olhar muito para a Guiné-Bissau, a prepararem
visitas e tal, e eu fiquei com a pulga atrás da orelha, será que querem é ir
atrás da madeira?, pois parece que da última vez perderam para os tugas da
China. E agora que os nossos tugas-de-terra começaram a sangria de novo, os
tugas de Portugal não querem ficar de fora. Ou será que é por causa do Petróleo
que vai ser cavado na Guiné numa zona protegida como Reserva da Biosfera? Ou
têm é outra ideia na forja?
Epá, esses chefes tugas são mesmo como o
Avenida Don Afonso Henriques, querem tomar tudo para si e para os seus
compadres e compadriagens. Agora querem é entrar no nosso telemóvel… entrar é
fácil, o problema vai ser tirá-los de lá depois, pois uma vez dentro, vão
começar a arranjar outras razões para lá ficarem. Não se deve dar aos ivan
dráculas a permissão de entrarem na tua casa, é um mau precedente. Perguntem à
mãe do Avenida, ela que vos diga.
Mas os chefes dos tugas sabem que
conseguem fazer o que querem dos tugas, porque os restantes tugas, tanto os
coitados como os assim-assim, aqueles chamados de Zé Povinho, são todos uns
porreiros: reclamam, escrevem artigos na Internet, dão entrevistas, escrevem
livros, mas depois "bebem vinho verde e vão às putas" , disse um tuga
europeu qualquer, e ficam todos calmos e vão pagar impostos de novo para salvar
algum banco ou alguma TAP. Os tugas são enólogos, sabem tudo sobre vinhos,
desde que haja vinho, está tudo bem, bebem até na autoestrada. E se os tugas Zé
Povinho deixam os chefes tugas meterem a mão nos seus bolsos, achas que é um
aplicativo no telemóvel que os vai preocupar?
Adoro os tugas, pá, são tão calmos e tão
passivos com os seus chefes tugas, que até se entalam e morrem num portão lá em
Martim Moniz só para deixar os chefes tugas contentes. A única maneira de
espevitar os tugas é dizer-lhes que Portugal é racista. Aí, juro, cai o Cravo e
a Maternidade.
P.S.: Disseram-me que Covid afinal não
significa com-vida, e que não foi o tuga português que o descobriu. Ai, que
descobrimento.
4 de agosto de 2019
CARA EUROPA (da restituição)
Diz-me, caramba, por que estás tão interessa em devolver-me as estátuas, pedaços de pedra e de madeira… mas do ouro, da prata, do marfim, dos diamantes, do silício e da riqueza que custa o suplício do meu povo que vive em sacrifício para que possas manter vivo o teu vício de consumo em nome de bom serviço, sobre isso é só silêncio…3 de novembro de 2018
TEM BONS DENTES?... NÃO? ENTÃO FORA…
Theresa May disse que depois de efetivar o Brexit vai passar a ser o Reino Unido a escolher e a decidir quem entra no território e só vão ser “pessoas qualificadas”.Nem o tema, nem o processo são estranhos. Durante o comércio de escravos também só eram levadas as “pessoas qualificadas” para a Europa (ou América), pois elas trabalham e geram riquezas (a condição do trabalho não importa aqui, desde que elas trabalhem). E a questão não se encontra circunscrita ao Reino Unido, mas é toda uma postura da Europa. Recentemente, durante a crise de refugiados, fartamo-nos de ouvir e ver argumentos iguais por tudo o que é lado.
O coordenador do Observatório da Emigração disse que Portugal precisa urgentemente de imigrantes para resolver o problema da falta de mão de obra. A política de imigração de Merkel foi de facilitar a entrada de pessoas “educadas” na Alemanha. Macron há pouco tempo deu documentos a um herói escalador de paredes… enfim…
Cá em Portugal, os do “contra-imigrantes” dizem: “esses PRETOS (como se os imigrantes fossem só pretos, os do norte europeu são bem-vindos, ó, expatriados) só vêm cá para viver da segurança social e dos nossos impostos e não querem trabalhar um corno”. E os “pró-emigrantes”, da esquerda, dizem: “os né... os AFRICANOS são gente produtiva que trabalha bastante para sustentar a família, por isso devemos abrir-lhes as portas, pois eles são comprometidos com o trabalho e nem todos são maus”.
Pois, claro que não, nem todos são maus, alguns têm bons dentes, servem para bumbar nas obras, para jogar na seleção, para correr no atletismo, e para pintar algumas fotos “à la Benetton” para podermos falar da diversidade e da solidariedade. Enquanto isso, só vamos abrir portas à gente “qualificada”.
Abomino as reportagens a mostrar como os imigrantes se enquadraram bem na sociedade europeia, se aculturaram e se tornaram produtivos… é uma lógica esclavagista.
A única forma em que isto difere dos tempos do comércio triangular é que os imigrantes (guineenses neste caso - pelo menos são os que conheço) vêm para cá “voluntariamente” para serem escravizados, principalmente quando a qualificação não é académica ou atlética, mas força nos braços para limpar casas de banho e centros comercias.
Será possível falar da imigração fora de uma perspetiva capitalista e nacionalista, mas humanista?
2 de setembro de 2018
LÍDERES: O PROBLEMA DA GUINÉ-BISSAU - cronices crónicas
E os nossos
governantes, que agregam mais poderes que os régulos? Se antes se vendia pessoas, hoje vendem os recursos naturais, vendem
a terra, vendem as ilhas, vendem droga, vendem tudo. E se antes os europeus iam à Guiné comprar, hoje os nossos
governantes é que vêm cá apregoar e garantir privilégios em troca do “investimento
estrangeiro”. Colocar o problema da Guiné na "descolonização" é um tanto estúpido e desrespeitoso para os que morreram para alcançar a independência (que é diferente da descolonização). Sobre culpar a Portugal por não nos tratar como "filhos", nem vou comentar... E a colonização?, claro que a colonização foi má… mas se sabemos isso, por que ainda os nossos mandantes continuam a praticá-la e a forçá-la sobre os nossos? A colonização do passado já não é uma desculpa válida. Os nossos mandantes são cúmplices na colonização que hoje se pratica. Lutamos pela independência para nos responsabilizarmos pelas nossas própria ações e devíamos fazê-lo.








