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10 de novembro de 2011

THE FADES, S01E06 – Episode 6 - final da temporada (review)


Iaí pipoles, 

lembram-se da história daquele homem que foi morto, ressuscitou para acabar com todo o Mal e salvar a toda a gente, mas em vez disso lixou tudo, porque uns começaram a fazer guerras em seu nome, outros contra ele? Pois bem, eis a história deste episódio.

O complexo de Messias é um tema sempre interessante, porque praticamente todas as pessoas, em algum ponto da sua vida o desenvolvem, mesmo quando sofrem de “baixa-estimite” aguda, e principalmente nesses casos, criam essa fantasia para contrabalançar, aliás, foi o que Mac (Daniel Kaluuya) contou a Neil (Johnny Harris), para descobrir que afinal tinham esse ponto em comum, porque este também julgava que era a reencarnação de JC. Porém, duas coisas pode acontecer quando uma pessoa que se julga Messias descobre que não é, mas que outra talvez o seja: ou passa para uma adoração doentia ou então desenvolve um alto teor de inveja ou ódio. Não sei dizer qual é o caso de Neil em relação Paul (Iain De Caestecker), mas sei dizer que Neil sempre se sentiu com um chamado divino e não tem dúvidas que precisa de ir até aos extremos se for necessário para fazer o trabalho que Deus lhe mandou fazer, o que não admira nada, pois Papas, Rabinos, Pastores e Ayatalas têm, ao longo da história, cometido atrocidades por um sentimento similar.

Paul tornou-se tão importante, tão importante que todos esperam alguma coisa dele, o que o frustra ainda mais, porque ninguém leva em consideração que ele não faz ideia do porquê das coisas pelo que está a passar e tem de lidar com tudo isso e processá-lo, mas apenas continuam a jogar sobre ele os seus receios, as suas esperanças e frustrações, esperando que dê numa de Neo e reescreva o Matrix.

Onde as séries ou filmes costumam apostar na acção para criar tensão e movimento, “The Fades” apostou em diálogos ou monólogos (o que, por exemplo, foi praticamente a conversa ente Anna – Lily Loveless - e Mac) e conseguiu o mesmo efeito.

Eu costumo não me preocupar com os heróis, acreditando que sempre conseguirão sobreviver, e nem com as pessoas próximas do herói, mas depois de Jay (Sophie Wu) ter sido morta por Neil, pá, fiquei mesmo receoso que fossem mais longe e resolvessem matar ou Mac ou Anna, principalmente por causa da dica de Neil ao matar Jay – “esta é dispensável” –, pois como abriram o jogo nesse ponto, receei que se mostrassem ainda mais ousados.

Não vi utilidade nenhuma no pai do Mac ou mesmo na mãe do Paul, estiveram ali é claro, mas é como não estivessem. Mac precisava do pai para dizer que se sente sozinho e abandonado, no entanto, nem precisavam pôr ali uma pessoa para passar esse sentimento, bastava que não a mostrassem; a mãe de Paul, idem, ela era preciso para percebermos porque Anna lhe trata mal a ele, ou seja, que esse tratamento derivava de inveja e do sentimento de abandono, visto que ela sempre pareceu mais empenhada no irmão do que nela, tendo o irmão ainda por cima o apoio do amigo Mac, ficando ela sozinha tendo que construir todo o seu forte e nomear-se a rainha, quando na verdade lida com medo de abandono. Aposto que ela também se sentia JC, ou talvez MM.

Já receava que, com o êxtase do sexo, Sarah (Natalie Dormer) perdesse o controlo e tentasse trincar Mark (Tom Ellis), porque não cheguei mesmo a acreditar que a relação desse certo. No entanto, apesar de natural a reacção de Mark em fugir do que não entende, pois ele passou por muito: soube que a esposa morrera, depois falou com a alma dela, ao contrário da sua crença, e depois viu-a outra vez em carne e osso, e depois quase foi comido por ela (logo depois de ter sido comido por ela), achei um tanto cobarde da parte dos argumentistas terem-no feito fugir, porque era muita complexidade para explorar… mas, bem, considerando que Sarah depois ascendeu, provavelmente o caso Mark não poderia não ter mais sumo para dar.

Eu compreendi a posição de John (Joe Dempsie) em não querer ascender. Depois de mais de setenta anos a tentar entrar neste mundo, por que raio ele quereria sair logo depois de ter conseguido o seu intento, ainda mais, quando tem o bónus de ser imortal?… ou quase imortal.

Continuo a achar que o episódio mais tenso de todos foi o quarto, mas aqui, tal e qual a dica que Mac deu na abertura, através do seu tom, quando fez o “review” da semana anterior, este episódio era para ser melancólico (sim, notei essa particularidade, o tom que Mac adopta no início costuma ser o tom do episódio), e foi melancólico. Consolidou ou deu mais corda às histórias da maior parte das personagens, o que foi interessante, significando que até no fim ainda tinha algo para contar, até no fim ainda mostrava um princípio, e resolveu algumas pontas soltas.

“The Fades” fechou bem a temporada. E interessantemente deixou aberta uma frincha: com o que será que Paul mexeu? O que vai trazer ele para a terra? O Inferno (considerando o céu vermelho a fogo)? Eu esperava que alguma coisa acontecesse ao John e ele não conseguisse ascender e se tornasse mais forte – porque acreditava num clifhanger para uma segunda temporada – e fiquei um tanto incomodado quando ascendeu, depois pensei que Neil se tinha transformado em alguma coisa ruim (quer dizer, desconsiderando a parte em que sucumbiu à loucura e matou Jay ou babava de raiva enquanto falava com Alice), mas não foi… como mostrei no início do parágrafo, não faço ideia do que está por vir, mas digo que seja o que for provocou-me bruta curiosidade. E espero estar aqui para escrever sobre a segunda temporada.

6 de novembro de 2011

THE FADES, S01E05 (review)

Iaí pípoles, 


lembram-se daquela história de um grupo de putos encurralados numa escola e que têm de resistir a uma invasão de aliens… ou de zombies… ou de traficantes… ou de zombies… ou de vampiros… ou de zombies? Bem, este episódio é exactamente disso que trata. Não que eu seja contra clichés, principalmente quando são reinventados como as séries inglesas têm por uso, não, no entanto, apesar de divertido este episódio, foi bastante superficial, comparado ao episódio anterior.

Não é fácil manter o ritmo de uma história, é claro que quanto mais se aproxima do fim, mais pontos se põem em descoberto e as coisas se explicam e parece, porque está-se a chegar ao amarrar das pontas, que a intensidade aumenta, mas aqui não tive essa sensação, principalmente porque não houve praticamente nada de novo que me mostraram e não acreditei por momento algum que Paul (Iain De Caestecker) corresse ou correria perigo em momento algum, principalmente depois de ter entrado no modo Super-Homem (não o de Nietzsche, mas o da DC Comics), o que leva à única solução possível para criar sensação de perigo: pôr Lois Lane em risco, quer dizer, pôr os seus entes queridos em risco.

O episódio foi bem ritmado e foi divertido, mas não arrebatador como o anterior e, como já dissera, tirando uma ou duas coisas, praticamente sem nada de novo. Vou apontar os pontos de maior relevância.

A revelação da Sarah (Natalie Dormer) ter bebido sangue para ganhar carne e voltar para Mark (Tom Ellis) se surpreendeu a alguém foi talvez a quem se limita apenas a ver o que é mostrado no ecrã e quando faz associações fá-lo sem conseguir projectar. Todavia, apesar de não ter sido nenhuma surpresa, o momento escolhido para essa revelação e a ternura da cena foi de bastante impacto para dar uma espécie de relevância à questão.

Neil (Johnny Harris - um dos melhores, senão o melhor desempenho da série) é um personagem que, por vezes, foge do meu entendimento. A atitude que mostrou antes incentivando a Sarah a comer, a ajudá-la, na cena da banheira, e a atitude que teve ao raptar Mac foi, não sei dizer se foram a expressão máxima do desespero ou mostras de loucura própria desses cruzados idiotas que não vêm mais nada do que a sua causa.

Paul fechou o ponto de ascensão ao reencarnar, ou seja os que ficaram mortos não têm mais nenhuma solução a não ser tornarem-se “fades” ou então ir para as amazonas. Belo trabalho fez ele, ou seja, em vez de ajudar os outros só conseguiu ajudar-se a si mesmo.

O sacrifício de Natalie (Jenn Murray) para salvar John, o FC (Joe Dempsie), surpreendeu-me… principalmente porque eu não esperava lealdade entre os mortos. Ok, eu sabia que que John já se tinha arriscado por Natalie, mas de qualquer forma, não estou habituado a ver zombies com sentimentos. O que nos leva ao ponto: por que não merecem eles viver, depois de tudo o que sofreram? Talvez porque matam os outros para sobreviver, o que não é muito ético, embora nós matemos também outros seres para sobrevivermos. Aliás, como disse John a Paul: “ Eu quando mato, as pessoas voltam à vida, mas quando tu matas, vão de vez”; quem então é o pior dos dois?

As investidas de Mac (Daniel Kaluuya) a Anna (Lily Loveless) ou a reacção desta ao descobrir que Jay (Sophie Wu) afinal tinha outros interesses mais calmos do que ser popular garantiram o momento de comédia e foram bons, e eu gostei muito, porque receava que depois do que os dois primeiros passaram para ajudar a trazer Paul à vida, ela perdesse magicamente o seu carácter de megera, mas ela não foi descaracterizada, ganhando assim, na minha classificação, o primeiro lugar da megera mais agradável do ano.

Uma coisa extremamente errada foi a velocidade com que os fades de John voltavam à “carne”, por exemplo o psiquiatra de Paul ou o namorado da Anna, este último que tinha sido morto no dia anterior, enquanto Sarah levou mais tempo a conseguir carne… será da especialidade ou da quantidade de sangue ou será da que John ganhou poder de fabricarfades com mordidas? Outra coisa que não entendo é John ficar sempre com a roupa imaculada, apesar de morder sempre e esguichar sangue por tudo o quanto é lado, e mesmo quando veste depois a indumentária da vítima.

Apesar da queda de intensidade em relação ao episódio passado, “The Fades” continua bem.

1 de novembro de 2011

THE FADES, S01E04 (review)


Iaí, pípoles, 


lembram-se daquela história… oh, esqueçam a história. “The Fades” é um tremendo espectáculo. Na semana anterior eu disse não ter gostado muito do episódio, vendo este último episódio e fazendo a ponte, tudo o que fora obscuro no anterior ficou agora clarificado, é claro que a razão do Neil (Johnny Harris) não ter sido comido vai sempre continuar um mistério, e faz-me ter uma outra perspectiva do episódio anterior. Se o anterior centrou-se no desespero, este aqui voltou-se para o amor, a necessidade dos outros na nossa vida, e a abordagem foi soberbo.

Temos o Fades’ Chief – FC ­– (Joe Dempsie) a explicar-se ao Paul (Iain De Caestecker) e não há como não sentir empatia por ele e não compreendê-lo, pelo menos eu, aliás já no episódio anterior dizia que se fosse a Sarah (Natalie Dormer) talvez tentasse ganhar carne para ficar com quem amo. Os angélicos, talvez tenham razão ao recusarem ajuda aos Fades, mas da forma com o FC contou a história eles não pareceram lá assim tão angelicais. Não fosse a quebra de promessa do FC e de ter morto Maddy (Genevieve Barr), eu teria ficado dividido entre o lado dele e o de Neil.

Neil desmoronou-se todo, estava desesperado por ter sido abandonado por Helen (Daniela Nardini) e a morte do Paul foi a gota de água. E mesmo para o Paul as coisas não estavam muito bem, tinha encontrado no Neil uma espécie de, digamos assim, substituto paterno, estava a consolidar-se mentalmente e de repente, pumba!, o choque da morte, talvez tenha sido essa a razão para ir na cantiga do FC com tremenda facilidade… bem, na verdade eu também cairia.

E o Mac (Daniel Kaluuya), voltou a ganhar destaque e foi soberbo. A cena no hospital, na sala de espera, jogando a palavras cruzadas com as três mulheres, tentando projectar nelas a figura do amigo, e a cena com a mãe de Paul (foram simplesmente de tocar a alma. Aliás, The Fades foi muito enternecedor neste episódio, tanto a conversa de Anna (Lily Loveless) com Jay (Sophie Wu), cada uma mostrando a sua dor à sua maneira – e não há como não gostar momentaneamente da Anna quando ela diz que a mãe preferia a ela na marquesa no lugar de Paul; Mark (Tom Ellis) na cama a conversar com Sarah foi outro momento alto; mesmo a história do FC foi bastante tocante.

As coisas estão para pior para os intervenientes que não estejam com os Fades, e o que não consigo saber é se o propósito de Sarah de comer carne tem mesmo a ver com a sua vontade de destruir os Fades, por outras palavras, autodestruir-se, ou de ganhar carne e voltar para Mark.

A cena no local de ascensão surpreendeu, e como! Aquela no hospital, da ressurreição, com as borboletas a voar, foi cinematograficamente soberba, com uma boa fotografia e bom jogo de luz e a música escolhida ajudava ainda mais a manter a tensão.

Este é por enquanto o melhor episódio do Fades, que está em óptimo crescendo, descontando o episódio anterior que, com este a servir de muleta consegue valorizar-se mais. Mas, sempre gostaria de saber: o que farias tu no lugar do FC?

Iaí, pípoles, lembram-se daquela história… oh, esqueçam a história. “The Fades” é um tremendo espectáculo. Na semana anterior eu disse não ter gostado muito do episódio, vendo este último episódio e fazendo a ponte, tudo o que fora obscuro no anterior ficou agora clarificado, é claro que a razão do Neil (Johnny Harris) não ter sido comido vai sempre continuar um mistério, e faz-me ter uma outra perspectiva do episódio anterior. Se o anterior centrou-se no desespero, este aqui voltou-se para o amor, a necessidade dos outros na nossa vida, e a abordagem foi soberbo.

Temos o Fades’ Chief – FC ­– (Joe Dempsie) a explicar-se ao Paul (Iain De Caestecker) e não há como não sentir empatia por ele e não compreendê-lo, pelo menos eu, aliás já no episódio anterior dizia que se fosse a Sarah (Natalie Dormer) talvez tentasse ganhar carne para ficar com quem amo. Os angélicos, talvez tenham razão ao recusarem ajuda aos Fades, mas da forma com o FC contou a história eles não pareceram lá assim tão angelicais. Não fosse a quebra de promessa do FC e de ter morto Maddy (Genevieve Barr), eu teria ficado dividido entre o lado dele e o de Neil.

Neil desmoronou-se todo, estava desesperado por ter sido abandonado por Helen (Daniela Nardini) e a morte do Paul foi a gota de água. E mesmo para o Paul as coisas não estavam muito bem, tinha encontrado no Neil uma espécie de, digamos assim, substituto paterno, estava a consolidar-se mentalmente e de repente, pumba!, o choque da morte, talvez tenha sido essa a razão para ir na cantiga do FC com tremenda facilidade… bem, na verdade eu também cairia.

E o Mac (Daniel Kaluuya), voltou a ganhar destaque e foi soberbo. A cena no hospital, na sala de espera, jogando a palavras cruzadas com as três mulheres, tentando projectar nelas a figura do amigo, e a cena com a mãe de Paul (foram simplesmente de tocar a alma. Aliás, The Fades foi muito enternecedor neste episódio, tanto a conversa de Anna (Lily Loveless) com Jay (Sophie Wu), cada uma mostrando a sua dor à sua maneira – e não há como não gostar momentaneamente da Anna quando ela diz que a mãe preferia a ela na marquesa no lugar de Paul, o que se confirmou nas palavras desta depois, algo como: Anna nunca esteve onde era precisa; Mark (Tom Ellis) na cama a conversar com Sarah foi outro momento alto; mesmo a história do FC foi bastante tocante.

As coisas estão para pior para os intervenientes que não estejam com os Fades, e o que não consigo saber é se o propósito de Sarah de comer carne tem mesmo a ver com a sua vontade de destruir os Fades, por outras palavras, autodestruir-se, ou de ganhar carne e voltar para Mark.

A cena no cemitério surpreendeu, e como! Aquela no hospital, da ressurreição, com as borboletas a voar, foi cinematograficamente soberba, com uma boa fotografia e bom jogo de luz e a música escolhida ajudava ainda mais a manter a tensão.

Não me sinto inteligente hoje e vou parar por aqui, porém, este é, por enquanto, o melhor episódio do “The Fades”, que está em óptimo crescendo, descontando o episódio anterior que, com este a servir de muleta consegue valorizar-se mais, e tenho dúvidas sérias se conseguirão superá-lo.

E outra coisa, sempre gostaria de saber: o que farias tu no lugar do FC?

16 de outubro de 2011

THE FADES, S01E03 (review)


Iaí pípoles, 

lembram-se daquela história do homem que emparedou a sua mulher para servir de sacrifício ao sucesso da construção de uma igreja? Pois bem, não é esta a história, porém de qualquer forma tem a ver com a lição principal deste episódio de “The Fades”: Homens desesperados fazem coisas desesperadas. Primeiro começou com Mark (Tom Ellis) a perder a cabeça tentando ser ouvido pelo pai de Mac (Daniel Kaluuya), o inspector Armstrong (Robbie Gee), e este lhe disse a frase em tom condescendente, entretanto a segunda vez que a frase é dita, o inspector estava a falar para si mesmo. Ainda tivemos Paul (Iain De Caestecker) a coser a boca da irmã, Anna (Lily Loveless), sei lá se por desespero, se por irritação, e Neil (Johnny Harris), que nos episódios anteriores se mostrava de uma maneira paternalista com a fade Natalie (Jenn Murray), aqui a dizer que já não vai haver piedade na retaliação e preparando-se para torturá-la.Outro ponto alto do episódio foi a reconsideração de Neil em falar com Mark, a pedido de Sarah (Natalie Dormer), dando numa de “Ghost Whisperer”, após ter-se sentido às portas da morte. Mostrou aquela vontade extrema de uma segunda chance que sentimos quando o caldo entorna, e quão solidários nos tornamos quando estamos atracados ao desespero, principalmente porque queremos que sejam connosco solidários também. Gostei desta vertente de “o desesperado toma atitudes desesperadas” que foi explorado em diversas situações durante o episódio, com profunda ou superficial intensidade, mas de um modo geral o episódio foi bem morno, e em certas partes parecendo feita de retalhos e pouco coeso. E também gostei da conversa entre Helen (Daniela Nardini) e Neil e do conceito defendido por ela sobre não ser o conhecimento que destruiu o Éden, mas a dúvida.
Outra coisa que estranha foi a rápida aceitação de Paul pela Jay (Sophie Wu) ou mesmo pela Anna, depois daquela manifestação de poder. Acredito que num contexto mais normal um pouco de repulsão seria bastante natural, mas eu sei lá. E acho que estamos cada vez mais perto de saber por que Anna trata mal o irmão, considerando a preocupação que mostrou no hospital e as palavras que tinha trocado com a mãe em como esta não se preocupa com ela. Provavelmente acabaremos por ver que quem lida mal com o afastamento do pai é ela e não o Paul. O que funcionou ainda menos no episódio foi aquele melodrama de Mac, embora o pedido de desculpas de Paul fosse muito querido, happy birth-yester-day. A cena da metamorfose do Fade’s Chief (Joe Dempsie – Chris de Skins) também não foi nada impressionante, porque de novidade não tinha nada. E também não percebo por que carga d’água Melanie anda desde o primeiro episódio a perseguir Paul (será que sabia sobre o especial que ele é para ficar assim tão obcecada por ele, ou será que vão dizer que está apaixonada por ele ao ponto de querer matá-lo para ficarem juntos?)?
No episódio anterior, da forma como tinha acabado, julguei que Helen tinha outros propósitos, e vi-me redondamente enganado, e… gostei disso; tal como gostei que durante a cena de sexo entre Jay e Paul me fizessem querer ver como seria a reacção dela se as asas de Paul de repente aparecessem, e não mostram essa parte, ficando apenas pela sugestão.
Este episódio foi bastante fraco, sem muita piada, com demasiadas sugestões (umas funcionam outras não), e, embora rápido, com um ritmo narrativo um tanto incoerente. Acredito que o próximo vai ser melhor. E também não me admirava nada se visse Sarah a mudar de lado, ficando com os Fades para ganhar carne e poder estar com Mark. Eu, no lugar dela, talvez o fizesse.

5 de outubro de 2011

THE FADES, S01E02 (review)

Iaí, pípoles, lembram-se daquela história da irmã popular que não se dá bem com o irmão impopular e da gaja lambe-botas da irmã popular que está apaixonada pelo irmão impopular e pela popularidade ao mesmo tempo e não sabe como gerir isso? Ok! É um dos plots que veio a arrastar desde o primeiro capítulo de “The Fades”. Comecei por este plotporque, acredito, foi desenhado justamente para criar o efeito teen, tipo aquele adolescente nerd que vira super-poderoso, o sonho de qualquer um com baixa auto-estima ou vítima de bullying.

No entanto, para melhor escrever sobre a série, acho que devo descrever os plots principais:

Paul (Iain De Caestecker) é um adolescente desajustado, que sofre de enurese, que tem uma onda de “I see dead pípoles”, frequenta um psicólogo que como todos os psicólogos tenta fazer-lhe acreditar que a sua situação reporta de problemas paternos. O seu melhor amigo é Mac (Daniel Kaluuya – cujo trabalho tenho admirado), que, por não ver “dead pípoles”, não tem a desculpa de Paul para ser deslocado, e era o único que não acreditava que este fosse maluco, mas especial.

Neil (Johnny Harris) é um dos Angélicos, um dos especiais que vêem “dead pípoles” e funcionam como guardas-fronteira entre o mundo destes e o nosso, e sua equipa era formada por Sarah (Natalie Dormer) e Helen (Daniela Nardini), cada um deles com um poder especial, sendo o daquela de ver o futuro, e o desta de curar (dando uma de John Coffey do “The Green Mille”), e ambas mortas, mas errantes. Neil topa com Paul e resolve fazer-se do “professor”, transformando-o numa espécie do “Aprendiz do Feiticeiro”, fazendo-lhe acreditar que ele é uma peça eminente na batalha apocalíptica iminente, e que precisa de abandonar a vida como a conheceu.

Ok! Até aqui nada de muito estranho, mas eis senão quando resolveram entrar naquele mundo de coincidências típico das banda-desenhadas que por vezes não passam de situações metidas à força. Por exemplo Mark (Tom Ellis), professor de Paul e Mac, é casado com Sarah, que foi morta pelos Fades (os zombies espirituais) e cuja morte está a ser investigado pelo agente… (hum, não me lembro o nome)… que é o pai de Mac. Ou dois putos fazem troça da dupla Paul-Mac (PM) e logo a seguir são mortos e comidos pelosFades, tipo uma situação de justiça poética (ou lá como seria chamado). Para mim, isto é forçar a barra.

Mas, tudo bem. Vamos ver, os adolescentes resolvem organizar um festa (acto típico dos filmes de terror), e, coincidência, junto ao acampamento (?) dos Fades, tornando-se todos eles carne para canhão, para permitir ao Paul revelar-se como o Messias rejeitado (só receava que fizessem como os americanos onde só sobrevive quem é virgem ou que não faz sexo sem preservativo ou que o faz só com uma pessoa). Ou pelo menos era isso que se estava à espera, mas acaba por não acontecer nada (acreditando no preview do próximo episódio) e fica-se com a impressão: ou estes gajos estão a gozar com os clichés ou não sabem o que estão a fazer. Eu digo que senti algum anti-clima por nada ter acontecido naquela festa porque estou super-habituado a que aconteça em cenas do género (Ok! Dou-lhes um ponto, por me tirarem da minha zona de conforto e por gozarem comigo).

Não aconteceu assim muita coisa neste episódio, ok, passamos a saber mais sobre os personagens, todos eles, tirando os típicos e estereotipados, que por mais que lhe passem demãos de tinta, não mudam, como a Anna (Lily Loveless – Naomi de Skins, alguém?), irmã azeda de Paul, que, aposto, lá pelo último episódio vai dizer que só invejava este e por isso se comportava de maneira odiosa com ele, não parecendo em momento algum que moram na mesma casa ou foram criados juntos.

O que se destaca no episódio são os diálogos e o Mac, que domina com a sua personalidade a série, tornando-se o personagem mais divertido e interessante, e as situações hilárias como quando, na festa da Anna, um gajo pergunta a Neil: “Por que estás aqui?” E ele: “Estou a tentar manter o rapaz com quem me preocupo salvo das forças das trevas.” E aquele: “É assim que chamam agora à Anna?” Este pequeno diálogo, além de cómico, faz um retrato psicológico de Neil e da sua sinceridade e ingenuidade, e ao mesmo tempo, mostra que Anna não só espezinha o irmão, como todos os outros é temida por estes. Aliás, boa parte dos diálogos dão pistas tanto para o trama como para conhecermos os personagens. E gosto disso. Outra parte que achei divertido foi o diálogo entre Mac e Paul sobre o sonho deste, ao ver nele a irmã nua e morta na sua cama, melhor ainda a desculpa de Paul: foi uma nudez parcial. Ou quando Mac diz algo como isto: somos demais, porque não há ninguém mais desprezados que nós em toda a escola.

Continuo a achar que são muitas personagens e o drama que querem atribuir a cada um deles vai acabar por ficar sem lugar; continuo a achar algumas situações demasiadas forçadas, por exemplo, os Fades atacaram os rapazes que buliram PM e comeram-nos, no entanto, atacaram Neil e deixaram-no intacto, será que é porque precisam de informações? Será que Helen juntou-se aos Fades, ou está a criar um grupo à parte? Continuo a achar as coincidências a roçarem ao ridículo, mas continuo a gostar do “The Fades”, principalmente agora que as peças estão a tomar lugar no tabuleiro.

Neste episódio passou com Neil a assediar Paul a largar a vida como a conhecia, e este finalmente acaba por resolver não abandonar os seus, mas a virar uma espécie de Peter Parker ou Clark Kent (se calhar deviam dizer Constantine ou Blade, tendo, em vez de vampiros, fantasmas), e a mostrar que tem todos os poderes dos Angélicos juntos. Acreditando no preview do próximo episódio, acredito que “The Fades” será mais divertido, visto que os argumentistas estão a atirar com todas as armas que possuem e parece que não se estão a conter para o final.

E destaque para a apresentação do review da semana anterior feito por Mac. “Supernatural” consegue ser original com “Then” e “Now”, mas o estilo deste review, sei lá se é original, arrasa. Venha o próximo episódio.



publicado em TVDependente

3 de outubro de 2011

THE FADES, S01E01 (review)

Iaí, pipoles!, 

Lembram-se daquela história do fim do mundo e de um messias que serve para fazer balanço, pesando fortemente para o lado do bem? Pois, The Fades é uma dessas histórias… boooorriiing!... Ai, não tanto. É verdade que a premissa é pouco promissora, aliás, quem, por exemplo, acompanha “Sobrenatural”, provavelmente não quererá acompanhar uma outra história sobre um fim do mundo que nunca chegará a acontecer. No entanto, como variável temos que a série é britânica, ou seja, tem um tratamento diferente.

The Fades tem como protagonistas dois amigos que não se encaixam muito bem entre os pares, um deles, Paul (Iain De Caestecker) talvez por ser especial, e o outro, Mac (Daniel Kaluuya – o Tealeaf de Psychovile, alguém se lembra?) por ser especialmente um nerd. Falando nisso, ainda estou para entender porque raio o cinema e a televisão julgam que um bom nerd tem sempre de conhecer os “Star Wars”; aliás, não se lembram da disputa nérdica entre os fãs de “Star Wars”, os trekkies e os ringers nos filmes de Kevin Smith, para saber que um nerd já não precisa da cultura pop dos anos 80 para o ser? Ok, adiante.

The Fades, trata de um grupo de amaldiçoados ou abençoados com poderes naturais que vigiam a fronteira entre os reino dos mortos e dos vivos (onde já vi isso?), e de um chosen one que nem sabia da existência desse grupo (onde já vi…), e que vê e fala com morto (onde já…) e de mortos que quebraram barreiras para entrar para o mundo dos vivos (onde…) e, cereja no topo, esses mortos são zombies espirituais.

Bem, The Fades é um remix de conceitos, e nem por instante hesita em mostrar o que é, não se esconde atrás de uma ideia de originalidade usando temas batidos, mas mostra alguma frescura ao expor abertamente as suas influências, parodiando-se a si mesmo, eu diria que é uma espécie de Psychoville (comparação um tanto deslocado) em versão teen, menos maduro e ainda menos sério, mas apostando bem no humor.

O que me parece ser um problema é o número de personagens um tanto elevado para uma produção de seis episódios, ou seja, não acredito que vão conseguir dar uma dimensão a todos eles, acabando a maioria por servir de desculpas para o girar do pião. E além da trama principal, ainda se criou alguns plots, que vão acabar a desaguar naquela, exagerando na coincidência, para tentar a amarrar tudo de uma maneira contunda (espero eu).

Bem, posto isto, vou fazer o contrário do que provavelmente poderia ser esperado, vou recomendar o The Fades como uma boa hora de diversão por episódio, mais ainda para quem curte referências culturais (aqui pop sobretudo). E digo mais, preparem-se para, porque os protagonistas são adolescentes, aquela baboseira de problemas que se apanha em todos os filmes e séries de adolescentes e que, estranhamente, ainda continuam na vida adulta, apenas mudando da cor e da capa.

Não falei propriamente do que ocorreu no episódio, ou seja, nem tenho de escrever o aviso sobre o spoiler, porém este é o meu balanço sobre o piloto que me fez querer acompanhar a série. Ah, os efeitos especiais são baratos, mas funcionam bem, e o genérico, muito bom. E um destaque para a fotografia.



publicado em TVDependente