17 de março de 2012

JÁ CANTEI (soneto)

Já amor cantei, também a dor cantei,
Também a injustiça que o mundo pauta,
Já cantei com tambor, e já com flauta,
E já exéquias de sonhos que plantei.

Já cantei sucessos e palavras que faltei,
Já também a minha confiança incauta;
Já cantei da vida a beleza lauta
Tantas coisas, oh, tantas já cantei.

Tanto cantei que já não sei cantar,
De visão a minha alma ficou céptica
Já não tem tenção de o mundo poetar,

Pois cheia se sente de monotonia.
Espero não ter perdido a alma poética
Porque da poesia perdi a sintonia.

7 de março de 2012

ARTES E IMAGENS: STEPHEN WILTSHIRE - A Câmara Humana


Stephen Wiltshire, quando criança, autista, espantou médicos e artistas com os seus desenhos arquitecturais. Stephen Wiltshire era capaz de executar, com notável rapidez, esboços arquitecturais pormenorizados, a memória apurada permite-lhe fazer um desenho rigoroso depois de ver o modelo uma vez. Em 1987, com 12 anos, ele era, nas palavras de um eminente arquitecto e artista, Sir Hugh Casson, “possivelmente o melhor artista infantil da Inglaterra”. (fonte: Sabia Que? Reader Digest)

Stephen Wiltshire frequentou escolas especiais que lhe permitiram desenvolver mais as suas capacidades sociais, mas de forma nenhuma afectaram o seu talento.

Nascido em 1974, hoje Stephen, que não chegou a ser arquitecto, como desejava, é um artista cujo trabalho vale muito cacau.






Todas as imagens foram retiradas do site oficial de Stephen.

Stephen viaja pelo mundo reproduzindo cidades, reproduções que, ainda hoje, continua a fazer de memória. 

É verdade que esse talento pode lhe ter custado parte da vida da qual nós, "os pseudo-normais", não abriríamos as mãos, no entanto que ele está lá e é deslumbrante, não haja dúvidas.




28 de fevereiro de 2012

ARTES E IMAGENS: JUAN FRANCISCO CASAS (ilustrador)


atentar à escala dos desenhos

No filme Eu, Robot de Alex Proya, tem uma cena onde um robot pega numa caneta e desenha numa folha portando-se como uma impressora. Na vida real, Juan Francisco Casas, artista espanhol, com uma caneta porta-se como uma impressora, não no sentido linear de um processo de impressão computarizada, mas no resultado fotográfico dos seus desenhos, muito virtuosos, realistas e detalhados.

Com caneta BiC™ (ou esferográfica, para os mais puristas), Juan Francisco Canas emula uma maquina fotográfica registando momento em enormes telas.
Até descobrir Juan Francisco Canas, o meu artista favorito era o ultra-realista iraniano Iman Maleki, entretanto porque a técnica daquele me parece mais acessível do que a deste, transferir a preferência foi bastante fácil.

Todas as imagens que se seguem foram retiradas do site oficial do artista, onde há inúmeras outras.






Percebe-se como as texturas das desenhos são diferentes, os traços do "pincel" (permitam-me o termo), mais perceptível em alguns do que nos outros. Uma das maiores dificuldades deste processo, no meu entender, é atribuir as diferentes tonalidades ao desenho usando apenas um único material e de difícil controlo, como uma caneta.


 

 


Não sei as técnicas de representação, não sei se o autor conserva primeiro o momento numa fotografia para depois o reproduzir, ou se imagina os seus temas (o que não me parece verdade), mas a verdade é que o resultado final é para além do impressionante.

Juan Francisco Casas não ilustra apenas com a caneta, como também faz pinturas (também realista), que podem ser vistas no seu site, mas que eu não quero mostrar aqui, considerando que a sua técnica de caneta é que me fez olhar para ele.


21 de fevereiro de 2012

REGRESSO DE JOHNNY ENGLISH, O, 2011 (Johnny English Reborn)


Sinceramente não me lembro da última vez que me ri tanto com um filme como com este O Regresso de Johnny English. Não sei se foi tudo mérito do filme ou se foi uma predisposição criada pela minha companhia. No entanto, pela minha avaliação, a primeira hora do filme pode ser dividida em um riso por cada cinco minutos e uma gargalhada por cada (mais ou menos) oito, considerando que algumas piadas não são plásticas, mas rebuscadas.

Não haja dúvidas que Johnny English se vale de Atkinson e do seu humor físico, e apesar da previsibilidade do filme, não deixam de ser engraçadas as situações. No entanto a última parte do filme foi bastante morna. E uma das coisas que saltam mais à vista aqui é que Johnny está mais Johnny English e menos Mr. Bean. No entanto, ainda não se distância tanto para evitar comparações com o Inspector Jacques Closeau, embora já manifeste mais identidade.

Ri-me tanto que fiquei com dores na barriga, e quando me falam de filmes de comédia é disso que quero saber. O argumento não é complexo, é ultra-linear que nem chega a existir, pois pensaram primeiro nas cenas cómicas e depois colaram-nas com pastilha elástica para parecer concatenado, de tal maneira que ficou buracos e situações sem sentidos, mas… eu quero lá saber disso, que importa aqui o argumento?, tudo o que quis foi rir-me e ri-me.

trailer

O que destaco no filme é a presença de Daniel Kaluya, que tenho visto em séries inglesas e aprecio o trabalho e espero que tenha bastante mais sorte no grande ecrã, principalmente porque se ele não se eclipsa nas cenas com Atkinson só quer dizer uma coisa: é mesmo bom.

E também destaco uma das perseguições de automóvel mais patética que já vi em cinema, ou devia dizer de cadeira de rodas?

Johnny English é uma comédia e pêras, podes ver sem pensar duas vezes e sem pensar enquanto vês.

15 de fevereiro de 2012

PSYCH, S06E07 – In for a Penny (review)

Então Shawn disse: Não podia ter conseguido sem ti, Frank! Aquela palmadinha no rabo era o que precisava para descobrir isso.

Bom, desta foi a vez de Juliet (Maggie Lawson) ganhar destaque, e foi-nos contado mais um bocado da sua vida. Já sabíamos que ela é irmã de John Cena, e que este é militar (quando não está nos ringues, provavelmente), demonstrando que a sua família tem uma queda pela “Lei”. Mas agora conhecemos o seu pai, Frank (William Shatner), e passamos a saber que afinal a “Lei” não faz realmente parte da genética da família.

O caso deste episódio foi sobre um roubo, mas não acho que o caso realmente interesse, porque só serviu de desculpa para a história de Juliet e para a interacção entre os personagens, o que se percebe na maneira “fácil” como foi resolvido.

O episódio acabou e eu fiquei em dúvida, será que o pai da Juliet sabe que Shawn (James Roday) é um fraude? Porque, como se costuma dizer: um trapaceiro conhece outro, e embora Shawn pareça ter acertado em todas as suas previsões sobre este, no caso da viagem, o seu acertar não foi mais nada do que ler pistas aleatórias que tanto podiam ser verdadeiras como não.

Gus (Dulé Hill) parece estar perto de encontrar o amor da sua vida, parece que não querem fazer dele o tio solteiro e esquisito, porque têm-no mostrado a cair por qualquer cara bonita que lhe aparece à frente, e as suas escolhas não parecem de forma nenhuma saudável. Já se apaixonou por uma criminosa, depois por uma louca, agora falam do seu desespero em estar solteiro… acho que foi bem trabalhado essa faceta, porque se antes tinha o seu Shawn só para si, e não lhe parecia que precisava de um contraponto feminino, agora que anda sempre com o casal Juliet-Shawn, é natural que essa necessidade comece a aparecer ou a agravar.

Não tivemos muito de Lassiter (Timothy Omundson), só serviu para umas piadas, e Henry (Corbin Bernsen) conseguiu estar mais sumido ainda que Karen (Kirsten Nelson), pois embora tivesse tido mais tempo de antena, teve menos fala que esta. Aliás, deviam destacar os dois mais um bocado, principalmente Karen, e não fazê-la apenas aparecer para debitar umas duas frases e depois sumir, porque do jeito como as coisas estão para ela já nem parece que faz parte do elenco fixo.

Não é um grande episódio a “Psych”, em termo cómicos, é claro, mas por contar mais sobre a Juliet, acho que pode-se considerar um episódio perto do memorável. De qualquer maneira, percebemos por que razão Frank era um pai ausente, com tantas missões no Enterprise como Capitão Kirk, é claro que não teria tempo para visitar a filha… e Juliet tem uma família deveras interessante (tanto para os nerds como para os pouco-cérebros, leia-se consumidores da wrestling – provocativo, hein?).

Além de mais, vai mais um vislumbre sobre como Shawn precisa de Gus e que este não é apenas um elemento semi-inútil.

Shawn: Atrás de todo grande homem há uma grande mulher. E neste caso, aquela mulher é uma inteligente, sofisticada, e um cabeçudo garanhão chamado Burton, e ela é preta, e ela sabe dançar. Preciso de ti nisto, amigo, porque grandes mudanças são traiçoeiras para mim, e isto está a ficar sério [a sua relação com Juliet], vamulá… Foghorn precisa de Leghorn.
Gus: Eles são o mesmo galo, Shawn.
Shawn: Exactamente.
Gus: Fixe.

13 de fevereiro de 2012

BUNRAKU, 2010 (Bunraku)


Foi o nome Woody Harrelson que me fez querer ver Bunraku, porque me parecia uma produção japonesa, e de Japão eu adoro são os desenhos, pois depois de alguns fracassos chamado cinema que vi deles nos últimos meses, agora tento fugir de quase tudo que tenha estas duas palavras juntas: cinema, japonês. Depois vi que Ron Perlman também vinha no pacote e pensei: pode ter aí coisa boa!, embora o último filme que vi com Ron Perlman, Conan, tenha sido uma decepção. E Demi Moore a tentar respirar de novo realmente não me atrai muito, e, chamem-me de machista, mas vejo filmes de pancadaria por aqueles que distibuem a pancada e não pela fêmea frágil a precisar de ser resgatada.

Bunraku é um filme cheio de estilo, muita pausa, muito pop, muito campy, mas sem conteúdo. É um Scott Pilgrim de segunda qualidade, mas com um estilo rivalizável; segunda categoria porque quis levar-se a si mesmo a sério, mostrar que podia ensinar algo no meio de todo aquele fogo-de-artifício, e acabou por ser mais supérfluo que o próprio fogo-de-artifício. Quis apresentar lições de moral, metidas com frases pseudo-filosóficas mal escondidas pelo retalho que chama de argumento e sujou-se todo.

As história é sobre um cowboy e um samurai, a cheirar a anti-hérois, que vão parar a uma cidade onde têm de ser os bons e unir-se para exterminar a maldade e purificar a cidade, qualquer coisa como The Warrior's Way (que por acaso foi estreado quatro dias depois de Bunraku).

trailer

No entanto, como disse antes, Bunraku tem uma trama fraca e linear, mas é muito estiloso, e vale por este último. O genérico, o prólogo do filme foi estupendo, a mistura do cenários maquetizados, desenhados à mão, gerados por CGI, cheirando por vezes a animé, a fotografia, a luz, a transição das cenas, ângulos de câmaras ousados (e mesmo os batidos), são os pontos fortes do filme. A edição das cenas de luta não é lá das boas, como a maior parte de filmes de acção hollywodianos, onde a câmara move mais do que as pessoas, ficamos por vezes sem saber o que estamos a ver, no entanto consegue ser bastante sólida em algumas sequências, e a edição de som também em cenas de luta é bastante confusa, por exemplo, há vezes em que vemos um pessoa a levar com pau e o som que ouvimos é de dois paus ocos a baterem um no outro, ou por vezes soa a choque metálico, acaba-se por não se saber se foi intencional ou simplesmente erro (embora duvide desta segunda hipótese); entretanto, para compensar temos sequências que parecem jogos de computador (que lembram o Super Mário a apanhar moedas, pelo menos na parte sonora) e são umas das melhores do filme. Não é nada de novo, aliás “Simpsons did it”, mas tem a sua independência e originalidade.

Tem uma cena onde dois gajos dançam valsa enquanto lutam que é simplesmente soberba. A experimentação narrativa, ou o modo de conduzir a história, como diz a voz em off, faz a graça de Bunraku. Mas no final pergunta-se: o que é Bunraku? Que me diverti a vê-lo, sem sombras de dúvida; que me lembro dele, não muito bem, só sei que é cheio de pinta e vale por isso… e guardei uma frase: há sempre alguém que pode vencer-te! Atenta-te Scott Pilgrim.

12 de fevereiro de 2012

SE NÃO ÉS LINDA... QUEM É? (sextos)

Ao perguntares-me se és linda,
Logo respondo: «Mas que pergunta!»
Será que alguma vez terá finda
A beleza que a tua face unta?»

Uma questão igual à tua
Quando queria ver se brilhava
Fazia o luzente Sol à Lua,
Panca, que o seu fulgir admirava.
Não ’stás certa da tua lindeza
Ou queres a minha voz, princesa?

Se és bela?, perguntaste, Melaço;
Se tu não fores quem é então?
Tu és aquele excelso chavão
Onde a beleza copia o traço.

O teu sorriso, ó minha rica,
É a estrela que eu adoro ver,
Que tão maravilhoso te fica
Nessa linda face de prazer,
Que o meu olhar venturoso debica
Sempre esfaimado de te envolver.

Doce, nem sabes como é doce,
Embebedar-me na tua cara.
Apreciar-te é como se fosse
Beber a vida que nunca pára.

Mesmo a chorar, meu amor, és bela,
E rindo és a mais fulgente estrela;
Mesmo que o teu sorriso desabe
A tua face sempre linda é.
Que és linda crê que até sabe
O pobre cego que nada vê.