Mostrar mensagens com a etiqueta Comédia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comédia. Mostrar todas as mensagens

31 de julho de 2012

PURO AÇO, 2011 (Real Steel)


Dois robots a lutar, que piada tem? Foi isso que pensei quando vi a promo de Puro Aço; nem o nome de Hugh Jackman, ou Steven Spielberg na produção, me convenceu; talvez se passar num domingo à tarde na TV e eu não tiver nada para fazer eu veja o filme, concluí. No entanto, estava duplamente enganado, não só acabei por ver o filme, como gostei dele.

Apesar de tudo, Puro Aço é mesmo um filme para um domingo à tarde, para um serão tranquilo e agradável com os sobrinhos. É um filme muito simpático e ritmado, com zero de profundidade, todo a cheirar a Disney, aliás é da Dreamwork, mas que consegue enlear durante a sua duração. 

Previsível? Como o caraças. É uma mistura de Rocky com Over the Top (acho que já tinha usado algures esta mesma comparação), um pai irresponsável com um filho que lhe cai ao colo de repente e que, acima de tudo no mundo, quer ser amado por ele e blá-blá-blá e foram felizes para sempre.

No entanto, o melhor do filme mesmo é ver Dakota Goyo a roubar as cenas a Hugh Jackman.

Eis a sinopse: No futuro qualquer actual e alternativo, um ex-boxista, modalidade que já não se usa nos moldes que conhecemos, tendo os lutadores substituídos por robots, passa a vida a viajar com o seu robot participando em jogos. Um dia, recebe a guarda do seu filho que nunca viu mais gordo na sua vida e este descobre um robot antigo e ultrapassado num ferro-felho e começa a participar nos circuitos de luta com ele e vão subindo e subindo até competir com os gigantes.

trailer

É assim Puro Aço, entretanto pelo meio temos uma história de amor meio desequilibrado, uma história de relação pai-filho, e alguns momentos que rapidamente esquecemos entre as divertidas cenas de luta. A fotografia é boa, os efeitos visuais são bem feitos e suportam bem o filme. E tem umas duas sequências de meter inveja a vários video-clips.

Como me disse aqui uma vez alguém, há filmes que vemos só para entretenimento mesmo e não procuramos tirar dele nenhuma lição, este aqui é um deles, embora venha imbuído de algum moral de digestão fácil. No geral, Puro Aço é um daqueles incentivos de auto-ajuda que promove: não deixes que a tua origem te limite o destino.

Um filme divertido para a família.


21 de junho de 2012

FEITIÇO DO TEMPO, O, 1993 (Groundhog Day)


O Feitiço do Tempo foi o filme que me calhou esta semana (já não sei qual semana, porque há já meses que tinha isto para transcrever); não gosto de rever filme, principalmente quando há muitos em fila a clamar pela minha atenção, no entanto tem aqueles que não conseguimos deixar de acarinhar… e este é um dos meus.

Não vou falar de Bill Murray, nem de Andie MacDowell (como é hábito não fazer, embora por vezes não consiga evitar), resumo os dois nisto: funcionam bem juntos.

O Feitiço do Tempo, por causa da abordagem, não parece um daqueles filmes que grita furiosamente: qual é o sentido da vida?, aliás, nem faz a pergunta, apenas ensina qual é o sentido da vida. Analisado o trama, é análogo aquelas teorias hindus de reencarnação, com a diferença de que aqui, o herói (ou a vítima) tem o conhecimento da sua vida anterior. Também o filme parece um dos inúmeros ensaios de Phillip K. Dick: e se eu tivesse o conhecimento do futuro? Um filme similar ao feitiço do tempo é “12:01”, similar na premissa, mas diferente na abordagem… e na qualidade, é claro.

Eis o enredo: Phill é um jornalista do tempo (isso faz sentido?), muito arrogante, egocêntrico e convencido da sua importância, que ao cobrir um acontecimento inútil e irrelevante numa cidade fica preso no mesmo dia, repetindo-o vezes e vezes sem conta. Torna-se desesperadamente solitário, visto ser o único que percebe que o dia não muda, e o seu único consolo acaba por ser a sua colega, Rita, por quem se apaixona e tenta diariamente fazer-lhe ficar apaixonada por ele.

trailer


Há diversas maneiras de abordar O Feitiço do Tempo, mas eu prefiro este: O que eu faria se eu tivesse o conhecimento do futuro? Aqui, por os dias serem todos iguais, o fardo é acrescido, porque não só se tem o conhecimento do futuro, como a monotonia é tanta que não faz sentido ficar nela preso; e por os dias serem o mesmo deixa de existir o Tempo: o futuro e o passado acabam por ser um eterno presente.

Se o filme tivesse um monte de frases filosóficas e tretas esotéricas à la Matrix (e houvesse o hype internáutico) poderia ter sido um cultuado filme de ficção científica, porém, embora aborde uma questão séria (?) ele não passa de uma comédia moralista para um domingo à tarde, que fala fundamentalmente de “egoísmo, abnegação e altruísmo”, estes últimos tornando-se a chave para resolver a questão, ficando a moral da história a ser:  a vida não tem graça se for vivida hedonisticamente, e a melhor forma de usá-la é em função dos outros.

Outra maneira de abordar o filme é a forma desconcertante como Phil tem manipulado os outros ao seu redor, com o conhecimento do que vai acontecer, e como o conhecimento é poder.  

Mas... como bónus, o filme tem uma óptima banda sonora.

21 de fevereiro de 2012

REGRESSO DE JOHNNY ENGLISH, O, 2011 (Johnny English Reborn)


Sinceramente não me lembro da última vez que me ri tanto com um filme como com este O Regresso de Johnny English. Não sei se foi tudo mérito do filme ou se foi uma predisposição criada pela minha companhia. No entanto, pela minha avaliação, a primeira hora do filme pode ser dividida em um riso por cada cinco minutos e uma gargalhada por cada (mais ou menos) oito, considerando que algumas piadas não são plásticas, mas rebuscadas.

Não haja dúvidas que Johnny English se vale de Atkinson e do seu humor físico, e apesar da previsibilidade do filme, não deixam de ser engraçadas as situações. No entanto a última parte do filme foi bastante morna. E uma das coisas que saltam mais à vista aqui é que Johnny está mais Johnny English e menos Mr. Bean. No entanto, ainda não se distância tanto para evitar comparações com o Inspector Jacques Closeau, embora já manifeste mais identidade.

Ri-me tanto que fiquei com dores na barriga, e quando me falam de filmes de comédia é disso que quero saber. O argumento não é complexo, é ultra-linear que nem chega a existir, pois pensaram primeiro nas cenas cómicas e depois colaram-nas com pastilha elástica para parecer concatenado, de tal maneira que ficou buracos e situações sem sentidos, mas… eu quero lá saber disso, que importa aqui o argumento?, tudo o que quis foi rir-me e ri-me.

trailer

O que destaco no filme é a presença de Daniel Kaluya, que tenho visto em séries inglesas e aprecio o trabalho e espero que tenha bastante mais sorte no grande ecrã, principalmente porque se ele não se eclipsa nas cenas com Atkinson só quer dizer uma coisa: é mesmo bom.

E também destaco uma das perseguições de automóvel mais patética que já vi em cinema, ou devia dizer de cadeira de rodas?

Johnny English é uma comédia e pêras, podes ver sem pensar duas vezes e sem pensar enquanto vês.

1 de fevereiro de 2012

BLACK DYNAMITE, 2009

90% dos filmes americanos dos anos 60 e 70 têm uma caracterização, geralmente algum sufixo a preceder exploitation, eram sexploitation, zombieploitation, blaxploitation entre outros tantos vertentes. No entanto, os anos 60 e 70 provavelmente devem ter sido, de acordo com a minha limitada ciência da história do cinema, a ascensão do cinema negro, que nem sempre era realizado por negros, mas por brancos que forçavam os estereótipos, algo que provavelmente traumatizou alguns futuros realizadores como o Spike Lee que ainda hoje milita no cinema para limpar essa imagem e mesmo que faça filmes sobre bolachas propõe questões como: por que bolachas negras têm sempre chocolate? Mas politiquices à parte, o herói negro dos anos 70, quer dizer, o mais respeitado, era Sidney Portier, praticamente o único, mas depois da proliferação de blaxpoitation houve chuva de pretos no Hollywood, e, de uma maneira ou doutra, não obstante a esteriotipação, isso alavancou muito os negros no cinema.
Na minha terra o preto mais conhecido era o Jim Brown, era tão famoso que nem sabíamos quem era de maneira que qualquer herói preto era chamado de Jim Brown e levava muita gente ao cinema, aliás passei um terço da minha vida a chamar Carl Wethers  e Fred Williamson de Jim Brown, até o primeiro ter ganho estatuto próprio e passar a ser conhecido lá por Apolo (depois do filme Rocky, alguém se lembra? - que no entanto só praí nos finais dos 80 se tornou popular na minha terra).
Bem, basta de conversa desfiada, Black Dynamite hoje talvez não possa ser chamado de blaxploitation porquanto essa onda já parece ter passado (ou ficado apenas nos filmes pornos), por isso o que faz é reciclar filmes dos anos 70 e construir um filme tão mal feito como aqueles de tal maneira que a única coisa que pudesse daí resultar fosse um bom filme.
trailer

Black Dynamite é bom por ser mau. Eu explico: O herói é estereotipado ao extremo, aliás, não há um único personagem que não o seja; os actores são bons em representar mal, ou nem chegaram a precisar de representar, eu sei lá; o argumento é bom em ser mau, a história principal que começa o filme é de repente esquecida, o filme passa para outros ideais, mas de repente isso já não interessa nada, enfim… edição é boa em ser má, cortes estúpidos, transição de cena que desrespeitam totalmente o argumento; a fotografia má, a iluminação parecendo ter sido feita com uma lanterna de mão, cenas de luta ora levadas a sério, ora extrapolando o ridículo, onde o herói só precisa de sacudir as ancas para derrubar o oponente; carros que explodem no ar só porque despistaram; momentos risíveis abundantes (por exemplo, numa cena em que Black Dynamite fala com o irmão, contando-lhe a idade para se situar no tempo; ou que depois de explicar tudo o que a mãe lhe disse ainda assim tem um flash-back inútil a revelar esse momento); as one-liners são boas em não terem sentido; os diálogos são mais básicos que as conversas inteligentes das Tardes da Júlia; enfim, Black Dynamite tinha tudo de mau e tão mal feito que (tal e qual manda a lógica, a dupla negação é uma aceitação), repito, só podia ser um bom filme.
Um filme para ver com os amigos, dar umas boas risadas e passar hora e meia divertida e com o cérebro em off.

8 de janeiro de 2012

FEEBLES, OS TERRÍVEIS, 1989 (Meet The Feebles)

Peter Jackson nem sempre foi grande (quer dizer, em termos de reconhecimento hollywodiano) mas sempre manifestou o ideal de grandeza, o que se verifica nos pormenores com que constrói os seus filmes.

Meet The Feebles é uma sátira ao mundo do cinema, da televisão do teatro, na verdade não sei realmente qual, porque ao ter como o pano de fundo o palco e os bastidores, tanto podia ser de um como de outro, embora a trama principal esteja ligada à televisão. 

Meet... é um filme declaradamente de baixo orçamento, protagonizado por fantoches, marionetes, e pessoas vestidas com fantasias ridículas de animais, efeitos especiais beirando a amador, mas com uma direcção segura e capaz.  

A história do filme tanto podia ser esta: Robert, um bicho de campo chega à cidade com o sonho de ser actor, como provavelmente 90% das pessoas que mudam para Hollywood, e vai parar no set do The Feebles, e talvez por ser novo falta-lhe a arrogância e ainda não está tocado pela corrupção do mundo da representação; como ou podia esta outra: Bleech, um produtor ambicioso, com nariz para negócios, ilícitos ou não, que está metido tanto na droga como na pornografia, que filma nos bastidores; ou podia ser a história de Libby (que de alguma forma, não me perguntem por quê me lembra a Liz Taylor), uma hipopótamo com distúrbio alimentar e inclinação para a gordura, o que entra em contradição com a sua clausula contratual, mas do qual se livra por ser amante do produtor; ou de uma jornalista de revista cor-de-rosa sensacionalista, incarnada por uma mosca, que literalmente se afunda na merda para conseguir uma “boa” matéria; ou de outras tantas personagens, cada uma com os seus problemas e os seus tiques, que dentro do mesmo espaço, tornam o set numa paródia mórbida de um manicómio sem supervisão, transformando-o numa panela de imorais e amorais cujo único objectivo é dar-se bem na vida. Mas é claro que temos algumass personagens “puras” nesse meio, dos quais os restantes abusam da boa vontade.

trailer 

Meet The Feebles é um filme divertido e ácido, que ainda visita e parodia outros géneros, e é tão trash como os primeiros filmes de Peter Jackson. Para ver e dar umas risadas, e ainda desperta algumas interrogações sobre os negócios de bastidores. Apesar de ter bonecos, não é um filme para crianças considerando o seu tema e a forma como o foca.  Recomendável.

27 de fevereiro de 2011

DEFENDOR, 2009 (Defendor)

Começando do fim, Defendor não é dos filmes: oh!, ganda filme!, mas dos: ohhhhh!, e não o ohhhhh! de desilusão, mas aquele de comoção, positiva, perceba-se.

Saiu Kick-Ass, saiu Defendor, por ambos terem “super”-heróis sem poder, não se pôde evitar comparações entre os dois, aliás, dizem que este segue a linha do primeiro; mas para mim, não há conclusão mais errónea, na medida em que Defendor e Kick-Ass são totalmente diferentes, além de que Defendor só demorou foi em chegar aos cinemas.

Kick-ass é uma comédia de acção, e Defendor é um drama cómico, e é esse o seu ponto fraco, pois não se decide nem por um nem por outro, o seu aspecto sombrio e meliante pediam que fosse mais drama, entretanto a peculiaridade do protagonista é por si cómico. Todavia, não é certo dizer que Defendor baseou-se no Kick-Ass tomando dele o herói sem poder e sem desenvolvidas capacidades físicas, porque já havia heróis assim muito antes no cinema (alguém se lembra de Blankman – e Other Guy –, embora este tivesse mais geringonças que Dados d’Os Goonies, ou de Zebraman?).

Largando isso e ficando no filme. Defendor é um super-herói caseiro, (não do tipo homem-aranha que costura o próprio uniforme, porém parecendo mais confeccionado por profissionais), que nem um uniforme colorido consegue arranjar, tendo mesmo que desenhar o seu símbolo, no peito, com fita-cola, e uma pintura na cara que lhe dá mais o aspecto do lémur de Madagáscar (no entanto, apresenta um bom look, remetendo ao Flash Jay Garrick em luto), e as suas armas são vespas, berlindes, e uma maça. Esse é o lado cómico, porque, na verdade, o filme é um hino à inocência, ou à ingenuidade (eu sei lá), uma apologia à honestidade e à certeza de fazer o bem, acreditando que uma pessoa pode mudar o mundo, se tiver a verdade e a justiça do seu lado. Eu bem gostava de acreditar nisso.


trailer


Se Defendor fosse representado no tempo dos gregos, seria uma espécie de tragicomédia; é Sansão e Dalila, sendo Sansão aqui careca, mas sem noção disso, e Dalila, apesar de prostituta não é bem traiçoeira. Um filme sobre a amizade, sobre os limites (só existem quando os aceitamos – consideração um tanto ingénua, em todo o caso), e sobre nós mesmo que não lutamos contra (contra o quê? não sei, a cada um o seu problema).

Um dos pontos fortes do filme acontece através de um locutor de rádio que recebe chamadas de ouvintes, através dele ouvimos como as pessoas se escondem dos problemas, ou arranjam bodes expiatórios para os existentes, ou do perigo que o sarcasmo tem para as pessoas quadradas. Vou citar o caso de um ouvinte que liga a reclamar que o locutor fica a falar sempre de armas, e que se ele não falasse tanto disso esse problema não iria existir. Esse é um dos problemas da nossa sociedade, julgam tapar o céu com a mão e não percebem que na verdade só tapam os próprios olhos.

Não sei se uma atitude a Defendor seria o ideal para curar os problemas da nossa sociedade, e não estou a falar de ataques físicos aos problemas, mas do acreditar da inocência e da honestidade, porque como diz uma linha do filme, embora como um ensinamento negativo: da próxima vez que entrar numa briga, leva uma arma!, pois a nossa sociedade não joga limpo e ser Defendor é entrar nu num ninho de vespas. De qualquer maneira, eu acredito em Defendor, embora também acredite que a maneira de lutar da maioria é levar flores ao cemitério para carpir quem tem a iniciativa.

Defendor é um bom filme, no seu primeiro minuto já nos fisga e estamos prontos para seguir a viagem, e o seu ponto mais é Woody Harrelson, a fazer o melhor papel que sabe fazer: o de desequilibrado (não que esteja a diminuir o homem, mas na verdade, em 90% dos filmes dele que vi é desequilibrado ou então incomum, e eu gosto dele). As situações, muitas vezes, apesar de caricatas, parecem genuínas. No entanto digo de novo, o mal do filme é não se decidir pela comédia ou pelo drama, levando-se a sério em determinadas alturas para se perder em burlesco noutros, mas mantendo-se sempre verosímil, apesar de certos lugares-comuns. 

25 de dezembro de 2010

SÓCIO PERFEITO, O, 1996 (The Associate)

Whoopi Goldberg, aquela mulher, já oscarizada, que já foi um ícone de comédia, provavelmente a preta e a judia mais conhecida nesse ramo de Hollyood durante os anos 90. Hoje não ouço muito falar dela e só tem eentrado em filmes menores (quer dizer, com pouca relevância publicitária), ou em animações, actuando apenas com a voz. Ela era boa no que fazia e era cativante, mesmo quando fazia o mesmo papel em diferentes filmes.

Mas não quero falar de Whoopi, mas sim de O Sócio Perfeito, um filme onde ela participou com Diane Wiest (uma outra actriz que admiro). O Sócio é uma daquelas comédias que não te mata à gargalhada, mas que diverte e que vale o tempo de visualização. Não, não é nenhuma obra prima, e tem tantos lugares comuns como os filmes do género, porém o tema é bastante interessante.


Fazendo uma sinopse: Uma gestora económica é lixada pelo seu subordinante directo que lhe tira todos os louros e acaba despedida. Apesar de muito inteligente e de conhecer os meandros daquele mundo não consegue destacar por um motivo: por ser mulher. O que estou a dizer? Por dois motivos: por ser mulher e, ainda por cima, ser negra. Então ela cria um plano que é inventar um HOMEM BRANCO e fazer-se sócio dele. O resto já sabem, se não viram este filme, devem tê-lo visto em algum outro filme.

Pois bem, o filme é uma forte sátira à sociedade masculinizada e conservadora do mundo de negócios, e uma bela crítica. (Cuidado com spoilers). O filme é todo ele de mulheres, embora os homens apareçam em grande número, mas percebe-se bem que tirando um (o antagonista, que encarna a mundo masculinizado), os restante são só engrenagens para a história avançar.

Temos a protagonista, que já apresentamos. Depois ela tem uma secretária (Diane Weist), tímida e com um ar de parva, mas muito eficiente e inteligente, em quem vemos que a imagem engana e que a falta de oportunidades pode vergar os espíritos (eu disse vergar, porque ninguém liga aos tímidos, preferimos antes os atrevidos e aparentemente desembaraçados, como a protagonista, pois os primeiros parecem passivos).

Temos ainda uma outra mulher, muito inteligente, o que se percebe nos seus diálogos, que não cede, como a secretária, à falta de oportunidades naquele meio, e usa a única arma que acha que tem, a sua beleza para seduzir os homens que triunfam, tornando-se assim numa groupie de luxo.

Ainda temos uma outra mulher, uma repórter (com pouco destaque é claro), que trata do mundo de negócio e detém um grande poder, o poder da média,  mas que se foca mais nos homens, porque mulheres não pertencem às páginas da sua revista.

Ainda temos um travesti a servir de meio termo entre os dois mundo, pois é através dele que tudo se resolve.

A cena final, num clube cujo o salão nunca foi pisado por uma mulher (imagino que não usam "empregadas" de limpeza), vemos todo o preconceito que o filme quer mostrar, as mesas estão todas a ser servidas por empregados negros, o que a câmara trata de destacar, as mulheres, repórteres ou groupies, estão todas fora do salão (isto é redundante).


Ah, quase que me esquecia, ainda temos uma cena onde durante a criação do HOMEM BRANCO pela protagonista, ela lhe quis arranjar acessórios e pensou numa esposa para ele, porque era um acessório necessário, o que resolveu depois não fazer, porque ele estava à procura do AMOR VERDADEIRO que em 67 anos nunca chegou a encontrar, isto, por outras palavras queria dizer, sendo aquele meio como é, é mais provável que os casamentos se realizem por interesse do que por amor.

Não quero dizer que o mundo de negócios, aquele representado no filme, não presta, embora eu não acredite que valha a pena ter mais dinheiro aquele que poderei gastar, mas isso é o que acredito, pois ainda continuo à procura de conhecimentos que nunca poderei usar, ou seja, não sou diferente deles, apenas os objectos de procura são diferentes. Enfim...

O filme é divertido e real, embora pouco realista devido a certas cenas e situações, mas quem quer saber disso? Eu o aconselho senão como uma boa hora de divertimento, pelo menos como motivo para pensar como é injusta a nossa sociedade.


O filme tem já 14 anos, mas será que as coisas mudaram? Duvido, ainda ontem vi n'Os Simpsons (E03S18), de 2006, um episódio com Marge a fazer óptimos trabalhos e o Hommer a levar os louros, porque ninguém queria contratá-la por ser mulher.  

6 de dezembro de 2010

BOLEIA PELA GALÁXIA, À, 2005 (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy)


A resposta para o sentido da vida é 42.

Foi um supercomputador que o disse após sete milhões de anos de computação intensa. A questão que tantos filósofos, cientistas, religiosos, espiritualistas e não-tem-mais-que-fazeristas têm posto ao longo dos séculos finalmente foi revelado. Se não acreditar, vê isto:


Acabei de ver À BOLEIA PELA GALÁXIA e, há já algum tempo que não me divertia tanto a ver um filme. Depois de muitas desilusões cinematográficas tenho preferido os filmes de animação (digital ou tradicional), e principalmente os orientados para crianças (japonesa de preferência). Tenho visto ultimamente mais comédias que não me fizeram rir e a última comédia (refiro-me aos filmes recentes) que me fez rir e pensar ao mesmo tempo foi A Invenção da Mentira, pois há uns seis meses atrás, através dos torrents revisitei os filme dos Monty Python e vi os que ainda não tinha visto, e esses fazem rir e pensar.


À BOLEIA PELA GALÁXIA, segundo a wikipedia, foi escrito por Douglas Adams e foi adaptado de uma séria de livros (escritos pelo mesmo) que foram adaptados de um programa de rádio (feito pelo mesmo), eu só soube disso depois do filme ter acabado, pois durante o visionamento eu só dizia: "Uau! felizmente uma escola dos Monty Python a funcionar em perfeição", pois o filme só me lembrava O Sentido da Vida destes,  e porque das aproximações do estilo pitoniano em filmes que já vi só gostei do The Onion Movie. Porém, afinal o autor era contemporâneo destes e inclusive chegou a trabalhar com eles, ou seja, desenvolveram juntos a escola.

trailer



Eis um filme que recomendo a quem ainda não viu. A abertura e o fecho são... são um espectáculo: os saltos dos golfinhos e o desabrochar da natureza, respectivamente, são simplesmente orgásmicos, mesmo que estivessem descontextualizados do tema.

O que aprendemos no filme?

1. Que afinal somos experimentos dos ratos e que a terra pertence a eles, e que somos partes de um supercomputador que solucionará para eles o sentido da vida (inversão directa para a forma como usamos os ratos - e outros animais - em laboratórios).

2. Que a felicidade não importa, mas sim a fama.

3. Que as mulheres nascem equipadas para saber ver o ponto de vista alheio.

Mas essas são as mensagens mais inócuas do filme, aliás, nem sei se são mensagnes, pois só servem para pôr ao ridículo os nossos dogmas e certezas .... Eu não consigo em poucas palavras interpretar (a minha) todas as sugestões do filme, pois algumas imagens me escapam. Entretanto, o ponto de partida do filme põe em xeque a nossa legitimidade em destruir o planeta em nome do desenvolvimento: Consideramos os animais e outras espécies menos desenvolvidos por isso não hesitamos em destruir os seus habitat em nome do nosso interesse; no filme, extraterrestres que nos consideram ridículos não hesitam em destruir o nosso planeta para abrir uma via rápida. Devemos nos queixar, quando a nossa prática é similar?

Enfim, apesar de escrito em 1978, o tema do livro continua tão fresco, e para dizer a verdade, se formos actualizar, a realidade hoje é ainda mais cartunesca.