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18 de dezembro de 2012

SERÃO OS AMERICANOS HUMANOS?

Uns meses atrás, por causa de umas pessoínhas de uns afegãos que de manhã foram notícia e à tarde passaram à nota de rodapé, eu perguntei: serão os afegães humanos? Claro que não eram, só foram notícia por causa do americano envolvido na questão. Mas desta vez, por todos os envolvidos serem americanos, e por causa de quatro dias da mesma notícia, eu então pergunto: serão os americanos humanos?

Todos sabemos a resposta. Tal e qual os afegãos não são humanos, os americanos também não são; mas se os primeiros são pessoínhas, os segundos são deuses, e é por isso que as suas vidas são tão valorizadas, tão valorizadas, que se tornam notícias mundiais porque vinte crianças morreram (lamentos pelos pais e familiares), quando ao mesmo tempo estão a morrer pessoínhas (crianças, adultos, famílias inteiras) sírias, palestinas, iraquianas e eteceterianas, mortas pelas guerras americanas (ou com o dedo americano), e nem sequer levantam comoção.

Não estou contente com a morte desses meninos inocentes, se passei essa ideia perdoem-me, odeio matanças, não vejo justificação nenhuma em matanças, ao contrário do Bento XVI que falava de violência não justificada, pois para mim todas as vidas humanas importam da mesma maneira.


No entanto, por serem deuses, temos de velar e ficar compenetrados pelas vidas recentemente ceifadas nesse pequeno massacre na América (sim, estou a usar termos comparativos de propósito), e não nos lixarmos pelas outras tiradas pelas armas, pelas bombas, pelos soldados e drones americanos, ou pelos soldados do petróleo, e nem devemos ficar compenetrados pelos sírios que se estão a matar, ou irritados pelos abusos israelitas sobre os palestinos. Isto por quê? Porque pessoínhas não se medem com deuses.

A América é uma terra de deuses, por isso é que pode ser toda às avessas, por isso é que acreditam que as suas emendas publicadas séculos atrás continuam hoje tão boas e com infalibilidade bíblica e dogmática que não precisam de revisão; por isso é que permitem a jovens de 18 anos irem morrer na guerra, entrar em filmes pornos, poder portar armas de fogo e matar os outros, mas não não lhes permitem beber uma cerveja; por isso é que vão levar para a discussão outra vez  a questão de porte de arma, embora todos eles já saibam o vai resultar daí: nada; por isso é que os Obamas e tal vão chorar lágrimas de crocodilo e depois ficarão à espera de uma nova matança; por isso é que esta matança não tem nada de novo, visto ser nada mais do que outro eco.

Para fechar, digo, lamento pelos familiares, mas basta de hipocrisia, as vidas americanas não são mais importantes do que nenhuma outra vida, por isso por quê a tanta hipocrisia mediática em torno do assunto?

5 de junho de 2012

SERÃO OS AFEGÃOS HUMANOS?


Escrevi isto há já uns meses, estava à espera de pelo menos uma semana para o publicar (não gosto muito de escrever enquanto o assunto é polémico, porque assim acaba-se por ser mais rapidamente esquecido, diluindo-se com o fervor), depois não soube onde meti as notas.

Agora que ninguém fala disto, considerando que é um tema já morto e ultrapassado, eu falo (desperte ou não interesse), principalmente porque não é uma coisa pontual, mas regular e do qual tomamos conhecimento, mas preferimos não saber. Adiante.

Quando um afegão mata um americano é terrorismo, mas quando um americano mata dezasseis ou dezassete (nem se sabe precisar) afegãos é colapso nervoso.

No Ocidente é bem conhecido a influência da Ética de Aristóteles, que mais tarde se reafirmaria na “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” da Revolução Francesa. O Oriente, infelizmente não fez caso dessa filosofia, ou pelo menos não anda sempre a citar estas três palavras, de maneira que o Ocidente costuma dizer que ele não respeita os direitos humanos.

Sendo assim, pergunta-se: por que carga d’água os afegãos ficaram a reclamar que dezassete deles foram mortos? Eles que nem respeitam os direitos humanos? Que raio querem? Se eles nem se tratam uns aos outros como humanos, aceitando os direitos, porque raio agora querem que os americanos os tratem como humanos? Os afegãos não respeitam as mulheres, abusam das crianças, matam-se uns aos outros, matam-se a si mesmos, têm o próprio país num estado tão caótico tão caótico que, como resultado, interferiu com a estabilidade de uma pobre alma americana, habituada à liberdade e à harmonia no seu país, levando-a a um colapso nervoso.

Bin Laden explodiu as torres (se é que foi ele), bora invadir Afeganistão… Não, não estou a comparar a vida de milhares de dólares com uma mão cheia de afegãos, isso nem me passou pela cabeça, não se compara humanos com direitos humanos com umas pessoínhas que nem têm isso no dicionário. Se alguns afegãos se tivessem sentido revoltados com o que o soldado americano fez à sua gente e resolvessem atacar a embaixada americana teriam de ser exterminados, pois não se pode permitir que a selvajaria destrua a civilização. E se já estão a fazer-lhes um favor levando-lhes a democracia e o macdonald’s para os humanizar, tudo o que deviam fazer era agradecer e portarem-se bem para não levar nenhum soldado americano ao colapso.

E o presidente de Afeganistão ainda teve a lata de reclamar contra o pobre americano e pedir justiça, e nem quis ver que acabou de ser destruída uma família inteira; uma família cujo um dos seus membros daria a sua vida em defesa do glorioso “sonho americano”, mas que agora vai ver-se acusado e terá de passar por sessões psiquiátricas porque não resistiu à tentação de acabar com uns dezassete pessoínhas (afegãos, blarghhh). Será que o presidente não percebeu que só está à cabeça daquele país de pessoas menores porque a Grande América tolera e que sua lei só contempla a sua gentinha e não os americanos? Ainda não percebeu que de soberano o seu país não tem nada quando não pode julgar alguém por um crime que cometeu e tem de ir chorar para a embaixada americana para que isso aconteça? Mais facilmente seria atendido se tivesse ido fazer uma queixa na PETA, e mesmo assim seria difícil obter a justiça, considerando que os afegãos não estão na lista de em vias de extinção. De qualquer forma, saíram a ganhar, porque uma vida afegã só vale cinquenta mil dólares (aliás, eles valeriam menos no mercado), que é a medida de compensação oferecida pelo Obama.

O jornal Metro (ano 6, nº 1618, 12/02/2012) escreveu que seis militares americanos foram mortos por colegas afegãos porque queimaram exemplares de Corão, logo em baixo da coluna sobre a atrocidade que o soldado americano cometeu; fiquei realmente chocado com a notícia, mas pelos motivos contrários ao que o jornal pretendia: desculpar o acto criminoso do americano com um apelo à compreensão e atenuar o impacto com "olho por olho", senti-me revoltado por esta atitude cobarde e desprezível que os média ocidentais têm em relação aos povos orientais (desde que não seja Israel, é claro, ou a Correia do Sul, porque é um aliado contra a Correia do Norte) quando o assunto é relacionado com os EUA.   

Colapso nervoso, disse a América, colapso nervoso repetiram por aqui os média. Colapso provavelmente teve o soldado texano que disparou nos seus colegas, ou, esticando a corda, os putos de Columbine, mas este aqui escolheu outro povo para colapsar sobre; por que não colapsou sobre os seus colegas do aquartelamento? Porque escolheu os pobres e indefesos afegãos? A sério, ganhem coragem (e juízo), ó média, se quiserem continuar sérios, tenham vergonha, deixem de ser partidários e chamem a coisa pelo seu nome, o que aconteceu foi um CRIME DE ÓDIO.

10 de janeiro de 2012

UMA QUESTÃO DE... ABUSO


o monumento na foto é dedicado
aos soldados da Primeira Grande Guerra
HOMENAGEM AOS MILITARES NATURAIS DO CONCELHO DE SINTRA MORTOS EM DEFESA DE ULTRAMAR, eis a dedicatória de uma escultura que se encontra em Sintra.

Já tinha visto várias vezes este mesmo monumento, e outros como ele, entretanto talvez a minha mente não estivesse sincronizada com o seu real significado. Não sei se existe, mas duvido que a Alemanha possa edificar um monumento aos seus soldados da Segunda Guerra sem parecer agressiva e racista, ou melhor, anti-semita, porque os judeus passaram da categoria de perseguidos para a de ultra-protegido, aliás, tem feito o oposto: constrói em memória dos judeus. No entanto, pode existir com toda normalidade aqui e em outros países, EUA, por exemplo, monumentos a louvar a braveza da sua agressão?

Morreram em Defesa da Ultramar? Que tanga! Que insulto aos verdadeiros atingidos! Eles tiveram o que bem mereceram. Os familiares dessas pessoas me perdoem, mas não vou pedir desculpas pela frase, por mais ofensiva que seja. É assim mesmo! Saíram de Portugal para um país alheio, para a Guiné, por exemplo, para fazer Guerra, em defesa de quê? Defesa? Defesa de interesses económicos de uma porção de gente, sim, mas não propriamente do povo português, e mesmo que fosse em defesa do interesse económico do povo português isso não legitimaria de forma nenhuma a agressão a outro povo… pois, não há “defesa” nesta questão, apenas “agressão”.

Um exemplo mais recente de invasão é a americana, estão no Iraque, no Afeganistão, e estão a ver como entrar no Irão, na Venezuela, e algum outro país com potencial económico para controlar, e fazem-no em nome do “mundo livre”. Mundo livre, hem? Quer dizer viver em constante lei marcial é liberdade?

Os americanos tal como os colonizadores portugueses fizeram, invadem um país alheio, exterminam inocentes, porque são casualidades, danos colaterais, destroem tudo o que estiver pelo caminho e voltam para a casa com as mãos cheias de sangue e ainda assim recebem nomeações e homenagens. Não vêm que isso é ofensivo, mas reclamam porque a MVRDV desenhou umas torres que, segundo eles, lhes lembram o 11 de Setembro.

Qual é o significa disso, destes monumento, senão dizer que ao fraco não é permitido sentir-se ofendido? 

Por isso volto a repetir: os soldados homenageados neste monumento e em muitos outros do género tiveram o que bem mereceram. 

5 de junho de 2011

DEIXA-ME ENTRAR, 2010 (Let Me In)



Vampiros e humanos, ultimamente, têm convivido muito nos diferentes tipos de arte que conhecemos, talvez apenas a arquitectura ficou de fora; de qualquer modo, o foco aqui é o cinema. Depois do Crepúsculo os vampiros viraram moda de novo, principalmente numa versão distorcida de Romeu e Julieta. Houve filmes, séries e etecéteras sobre o mesmo tema. A melhor série sobre vampiros, para mim, é o Being Human, dos ingleses, é claro, e o melhor filme Romeu-e-Julietiano de vampiros acabei de o ver e intitula-se Deixa-me Entrar.

Deixa-me entrar, conforme a IMDB, é um remake de um filme sueco, Låt den Rätte Komma In, de 2008, do mesmo ano que o Twilight, mas por, infelizmente, ser europeu, não foi muito publicitado.Não vi o original, e se, como é hábito, os remakes são piores do que os originais, então esse filme sueco é nota 11, porque deixa-me entrar só não chega a 10, porque… bem, porque… hum…

Costumo falar apenas do filme em si, mas aqui não há como não referir aos actores, Chloe Moretz, a Hit-Girl  de Kick Ass (alguém se lembra?), e Kodi Smit-McPhee, o filho de Viggo Mortensen n’A Estrada; os dois estiveram bem nos seus papéis e seguraram-nos com maestria de meter inveja a muitos oscarizados, ou seja, se continuarem assim estarão no bom caminho, Moretz pelo menos está, porque projectos não lhe faltam.

trailer

A história do Deixa-me Entrar é mais ou menos isto: Owen, 12 anos, introvertido, voyeur, a sofrer pelo divórcio dos pais e, como se não bastasse, constantemente é bulido na escola por um bando de valentões, isolado no seu invólucro acaba por abrir-se à amizade de Abby, 12 anos (há pelo menos uma coisa de trinta anos ou mais, considerando a idade da foto do seu irmão"?" ou seu primeiro "?" namorado "?" - não se pode dizer que seja irmão ou mesmo primeiro namorado porque a idade da Abby é bastante incerta, visto que as crianças pelo menos do séc. XX sabem o dia do nascimento, podendo daí supor que ela ou é muito muito mais velha, ou é filha de pobres e iletrados)... ok, voltando, Abby é também isolada como Owen, sendo, no entanto, que ela é uma vampira. O filme não tentou esconder isso em momento algum, nem criar falsas expectativas, atirou a verdade logo para o ecrã, fugindo a fingidos suspenses.

Abby é uma vampira de verdade, não daqueles a Blade que se alimentam de sangue sintético ou de Twilight que bebem sangue de animal para parecerem éticos e cool, não, esta aqui precisa de beber, e bebe humanos sem crise de consciência. E o que mais incomoda é que não nem estamos aí para isso, ela podia alimentar-se do elenco todo que estaríamos a torcer por ela, porque ela nos foi apresentada, conhecemo-la e temos por ela simpatia ou empatia, e sabemos os seus motivos. E de igual modo, Owen, isolado, e sofrido, encontra nesse amor incomum todos os motivos para ser feliz e portanto justificar o destruir da vida alheia. Temos uma questão ética muito séria aqui, enrolada com a questão de manipulação de opinião: eu sei que Abby é uma agente de destruição, mas desculpo os seus actos porque quero que sobreviva, além de mais, por ser apresentada como uma criança atrai mais a minha simpatia. 
Apenas uma morte me causou tristeza, porque me foi dado a conhecer a pessoa que morreu, e eu preferia que não se confrontassem, mas gostei mais do resultado mostrado.

Outra situação que temos é o bullying, lembrando-me aquela publicidade  "criança vê... criança faz...", vemos Owen a confrontar o espelho e depois uma árvore de faca em punho, chamando-lhe de menininha, depois percebemos que ele apenas transfere a agressão que recebe do colega bulidor na escola, e mais tarde percebemos que esse colega está é a fazer a mesma coisa. Ou seja, resolver a questão do bullying não é uma tarefa apenas dos professores, mas de toda a sociedade, desde os pais até aos empregadores, que bulem os pais, que bulem os filhos que bulem os outros, estendendo a hierarquia até ao governo.


Tem algumas falhas como eles aprenderem o morse em três tempo (eu em três anos nos escuteiros não o cheguei a aprender), ela ainda vá que é vampira; ou o facto de o irmão(?) ou primeiro(?) namorado (?) da Abby ser um míope com lentes muito grossas, mas que vê bem sem óculos quando põe uma máscara de plástico; e mais umas três ou quatro outras que notei, no entanto, tudo isso é desculpável e não pesa no panorama. 

Deixa-me Entrar, não vou falar da fotografia, não vou falar do ritmo, não vou falar do sentido da justiça do realizador, do qual desconfiamos durante o visionamento, temendo que não tome uma posição acertada no destino das personagens, nada disso vou falar, mas apenas dizer que é um filme que deve ser visto, goste-se ou não do universo mitológico vampírico, porque o filme não se trata de vampiros, mas de nós, humanos. Abby pode ser uma manipuladora cruel, e Owen, de certeza acabará como o míope acima referido, um dia, anos depois, substituído por uma outra criança desejosa de amar e de ser amada, mas nem queremos saber, o que nos preocupa é o que nos é mostrado no momento, no efeito borboleta só pensamos depois de "efeituado".

É um filme cruel, mas um filme de amor, um filme de Romeu e Julieta canibais a cozinhar Darwin, Maquiavel e Aristóteles na mesma panela.

2 de junho de 2010

VENDETTA

Sempre faço tenção de repetir que não sou insensível. E posso até dizer que sou um tipo xyx, embora “x” não signifique necessariamente sensibilidade, pois conheço mulheres que fariam Hitler dar à retaguarda. E para provar que não sou insensível, apresento aqui este vídeo.





Não acham que isso é de indignar? Não acham que o touro devia dar mais chifradas no desgraçado para se vingar?

Eu não amo os animais ao ponto de os não comer, aliás nem sequer sei se os amo, quando criança era bom em operar bichos: sapos e lagartixas, e sem anestesia, deixem-me salientar, e nem sei dizer se naquela altura estava a formar-me para um futuro psicopata ou se queria ser médico. Mas isso era ontem, hoje não entendo que uma multidão vá encher um estádio, sem contar com a cobertura televisiva, para aplaudir um sádico a espetar um bicho. E por isso mesmo penso que se liberarem de novo o circo romano na televisão seria o programa mais visto de sempre.

Não são apenas os toureiros os cruéis, é principalmente a massa que consome este tipo de espectáculo, o toureiro, se calhar está divido entre ganhar dinheiro ou matar uns animais, tal como um carniceiro, mas como a ética não é tão apurada ao ponto de incluir os animais não pensantes logo praticamente deixa de haver dilema.

Para dizer a verdade causa muita impressão o vídeo, aliás vi a notícia primeiro num jornal e tive de voltar a cara ao ver a foto pela primeira vez (isto é para provar que não sou insensível), senti pena do desgraçado, mas quando li a causa do acidente fiquei dividido entre pena e rejubilo. Só lamentei que o touro não tivesse subido a bancada para marrar naquela multidão.

E já, para fechar este post, faço um apelo aos kamikazes de qualquer facção, política ou religiosa, desde a ETA aos Talibãs: por favor, meus estúpidos e odientos senhores suicidas, quando quiserem arrebentar, evitem os templos de consumos, evitem os templos de sabedoria (ou formatação), evitem parques infantis, na verdade, evitem explodir… mas se não puderem evitar… vão explodir para as touradas.

3 de fevereiro de 2010

ANTI-ISLAMISMO NA EUROPA


parece um filme de terror... não?
Que os muçulmanos árabes obriguem as suas mulheres a usar burka, condeno, mas compreendo, porque é um povo orientado para dentro, com barreiras criadas por séculos de religiosidade aguda. Agora, que a supostamente ilustrada e mentalmente aberta Europa esteja a copiar os passos aos árabes já é algo que não consigo digerir. 

Primeiro começou a Suiça a proibir os minaretes porque são elementos que publicitam a religião islâmica e eles, como são laicos, não podem permitir isso. Hipócrita, muito hipócrita, um país cujo hino nacional foi escrito por um padre e que parece mais um hino religioso do que nacionalista e que diz que Deus vive ali (ou será por isso que não querem lá os minaretes, para Deus não se zangar com coisas feitas para o Alá?), a proibir publicidade islâmica.


Catedral de S. Gallen, Suiça
Não vamos falar da campanha americana anti-islâmica em prol do petróleo, disfarçada de luta contra terrorismo, simplesmente porque América não conheceu Sócrates, Platão, Cícero ou Adriano, nem teve um Robespierre ou um Rosseau. Por essa razão, vamos à França de Liberté, Egalité et Fraternité para vermos Sarkozy (ou lá como se escreve isso) a proibir o uso de burka na França e compreende-se como a época do obscurantismo está a voltar para instalar. A inquisição moderna já não precisa de Deus quando tem o parlamento. Este é um ataque directo aos islamitas e fundamentalmente à liberdade.

Há mulheres muçulmanas, religiosas, que usam burka porque a fé que professa exige o seu uso e ela acredita nisso, embora não negue que boa parte delas, senão a maioria, a usa porque é obrigada pelo respectivo marido. Se era contra isso que a França queria lutar, a medida não passa pela implementação da lei de proibição. 

O que virá a seguir? A proibição do uso de turbantes, do uso de túnicas, vão também derrubar minaretes, vão mandar secar o Ganges... ups! isso é já com os hindus e com a Índia... quando cegos estão no escuro é normal, mas quando ilustrados apagam a luz para ficarem no escuro (como refere Pascal), a coisa fede.

4 de agosto de 2009

A HOMOSSEXUALIDADE É DOENÇA

Estive a ler Yvan Lerger, Desvios Sexuais, no capítulo onde ele fala de homossexualidade, refere-se a essa questão como se fosse uma doença. Eu não sou psicólogo, mas confiro-me autoridade, ou pelo menos bom senso, suficiente para contrariar esse senhor, autoridade esta apoiada nos seguintes artigos (só de exemplo): este e mais este.


É ridículo considerar homossexualidade uma doença só porque a tendência geral é a heterossexualidade. Aliás, se formos ver bem, então doentes neste planeta seriam os honestos, altruístas e ateus, porque somos ensinados que o mundo é cruel e portanto temos de sê-los também para poder sobreviver. Mas isso não é assunto para este capítulo.

Entretanto, vou dar um desconto ao Dr. Yves considerando a época em que escreveu esse livro e mentalidade que imperava nessa altura, vou fechar os olhos e não ver que por causa de autoridades, moralistas ou científicas, tendenciosas é que o nosso mundo continua estagnado em preconceito vários. Bem como Pierre Boulle n’O Planeta dos Macacos com maestria ridicularizava: uma sociedade de orangotangos que mandam na ciência com dogmas e tretas não permitindo que se chegue ao passo seguinte porque têm medo de ver a sua autoridade derribada.

A homossexualidade (isto para alguns idiotas preconceituosos que se julgam sábios e andam por aí, facundos, a pregar preconceitos contra os homossexuais) não é doença, não significa instabilidade mental, significa simplesmente escolha, ainda que inconsciente. As pessoas não nascem homossexuais, não nascem heterossexuais, não nascem coisa alguma, simplesmente são educadas ou fazem a sua escolha por motivos diversos algures no caminho da sua vida enquanto se formam e se consolidam. Homossexualidade é doença? Ridículo.

Não bastam os religiosos, com as suas cruzadas fictícias, a chatearem os homossexuais… não bastam os hipócritas que curtem bué um show de lésbicas, mas atacam os homossexuais masculinos, porque são contra a homossexualidade… não basta o medo de ostracismo pela sociedade… ainda vêm psicólogos ou sexólogos a escreverem livros com finalidade de instruir uma massa a dizer que a homossexualidade é doença!!!

Porra! Se formos ver bem, doentes seriam os heterossexuais. Pelo menos até hoje ainda não tive conhecimento de uma violação “homossexual”, possivelmente temendo o estigma, tal como muitas mulheres não participam quando são violadas, os homens muito menos o fazem. Alguém pode objectar dizendo que nas prisões ocorrem violações homossexuais, mas eu diria não, pois os que violam os outros na prisão são heterossexuais. E sabemos bem dos tipos de psicoses que espaços fechados como prisões podem criar nos indivíduos.

pelo menos tem a sua piada
Eu fui criado heterossexual, e confesso ter também alguns preconceitos em relação a homossexuais, preconceitos estes cada vez mais minimalizados... mas todos dizem que cada um manda no seu rabo, cada um tem o direito de fazer o que quer com ele (alusão a homo-homens), então por que tanta algaraviada pelo rabo alheio? 

E se se estranha a alguém como é que um homem pode gostar de sexo anal (estou a tentar usar uma linguagem menos chunga) ou de beijar outro homem, pode simplesmente pensar como é que as mulher gostam de sexo anal e de beijar-nos. Se elas adoram quando nos beijam, porque não poderia um outro homem adorar quando beija um igual? Se elas gostam do sexo anal, porque não gostaria um homem? Nós somos moldados pela nossa educação e ficamos presos a isso, mas lá porque outras pessoas comem diferente de nós não significa que sejam doentes e nem que devem ser maltratadas (em todas as acepções da palavra e em todas as outras que ela pode obter)… revisem a questão na vossa cabeça.