12 de junho de 2011

SE EU NÃO EXISTISSE... (poema)

E SE EU NÃO EXISTISSE...

E se eu não existisse
mas sempre actuasse
Nos palcos e socalcos 

desta vida incerta,
E marcas imprimisse 

em quem me aceitasse,
Em charcos não parcos 

lhe punha na certa…

E se eu não existisse 

e apenas vivesse,
Urdindo e fruindo 

de sonhos bem tinto
De quem me seguisse 

e me recebesse
Benvindo e luzindo 

de modo distinto…

E se eu não existisse e ninguém me visse
Mas gentes contentes cantassem-me hinos…
E se eu não existisse, mas mentes ferisse.
Eu crentes ardentes tinha e até assassinos…

E se eu não existisse, mas obtivesse posse
Das armas que as almas no dentro transportam,
Das crenças e crendices, de qualquer fé que fosse,
Das karmas e dharmas que em tít’res as tornam…

E se eu não existisse... e o desejo me aguce
P'ras rédeas sem lérias tomar deste mundo,
Mentiras, sem crise, que o vero encarapuce,
Com sérias ideias espalhava facundo.




Parte da letra de DEUSdaRIMA - o rapper metido a poeta ou o poeta metido a rapper.


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Nota de rodapé:

Quando comecei a cantar hip-hop, como todo o mundo, arranjei para mim um pseudónimo, mudei umas tantas vezes, até escolher XS O GURU. E quando, numa conversa, um amigo referiu-se às estruturas rímicas das minhas letras em contraposição às de muitos rappers que se apelidavam "Reis da Rima", dizendo que nesse sentido eu seria "deus da rima", adoptei, com toda a arrogância inerente ao título, o nome deus da rima, que grafo DEUSdaRIMA. 

10 de junho de 2011

KADHAFI, O VIOLADOR DE MULHERES

ANTERIORMENTE, em EUA vs KADHAFI:

A 26 de Março, Iman al-Obeidi acusou a tropa de Kadhafi de terem-na violado, nessa altura noticiou-se que ela tinha sido conduzida pelos seguranças alegadamente para o hospital, porque desconfiava-se que Kadhafi iria mandar silenciá-la, e provavelmente era para o seu silêncio que a levaram. Porém, afinal tinha sido detida durante uns dias e libertada sob a ordem de não abandonar o país (só estou a repetir a média). 

A 2 de Maio, os netos, filhos de Kadhafi e civis libaneses foram bombardeados pela NATO.

A 5 de Maio, Iman al-Obeidi tinha conseguido fugir da Líbia e do regime de Kadhafi (temos de falar dela para mostrar que há coisas piores que a morte dos filhos de Kadhafi e que esses provavelmente mereciam morrer pelos pecados do pai; mas ninguém ouviu, o Bin Laden mandava na média).

Ainda em Maio (segundo a Lusa), Donatella Rovera, representante da Amnistia Internacional em Benghazi, disse ter feito invetigações e reunido provas contra Kadhafi que fariam dele um criminoso de guerra, dizendo pérolas como estas:
  1. As tropas de Kadhafi estão a usar armas de forma indiscriminada, como os mísseis russos Grad (de longo alcance) e projécteis de artilharia e morteiros, que têm uma grande margem de erro. 
  2. Nas últimas duas semanas e de forma cada vez mais intensa, os ataques estão dirigidos especialmente ao porto de Misrata, além de continuarem os bombardeamentos indiscriminados que estão a matar e ferir civis.
Ainda em Maio, dois soldados da força de Kadhafi que foram presos revelaram a Andrew Harding, um jornalista da BBC,  que aquele os mandava, através dos respectivos comandantes a violarem as mulheres, a troco de 10 dinares, qualquer coisa como 6 euros, e um deles ainda afirma que não queria e que foi a primeira vez que teve sexo. Ainda Andrew disse que: alguns rebeldes estão a oferecer-se para casar com as as vítimas para "livrar a família da vergonha".


AGORA, em EUA vs Khadafi:

Junho, eis algumas notícias que podem ser encontradas no site da RTP:
  1. Os investigadores têm provas de que o líder líbio Muammar Kadhafi ordenou violações em massa e distribuiu estimulantes sexuais [como o viagra] aos soldados, revelou hoje o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI). 
  2. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu hoje "intensificar a pressão" contra o líder líbio Muammar Kadhafi até que ele abandone o poder.
  3. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou quarta-feira a Abu Dhabi para participar hoje numa reunião internacional sobre a Líbia, que deverá preparar a situação do país pós-Kadhafi, indicou um responsável norte-americano.


REVIEW DA SÉRIE

Os argumentistas ou estão a brincar com a nossa inteligência ou então consideram-nos de antemão estúpidos. Se já puseram as cartas todas na mesa, mostrando com claridade a sua intenção, por que raio ainda se metem em enrolações quando nós já sabemos mais ou menos como vai ser o desfecho de EUA vs Kadhafi?

Não pretendo que não tenham ocorrido violações, nem estou a defender a impunidade dos violadores, o que não compreendo é o furor ocidental de defender a honra das mulheres, principalmente os americanos, quando os EUA tem um dos maiores índices de crime sexual. 

Um bocado recentemente foi Julian Assange a quem pescaram com esse isco, e mais recente ainda foi o Bin Laden que usou a esposa com escudo humano, agora é o Kadhafi que manda violar as mulheres. Pelo que sei de Kadhafi ele é, digamos assim, doido, mas duvido que seja desse tipo de doidice (mas eu sei lá), no entanto isso não justifica a invasão. 

No post que escrevi sobre a morte de Bin Laden, referi que haveria de acontecer alguma ligação entre ele e o Kadhafi, de maneira a que os americanos encontrassem uma desculpa para a Invasão à Líbia (parte 2 daquele filme de Chuck Norris), mas enganei-me não foi preciso relacionarem as duas coisas. Se no Iraque entraram por causa das armas de destruição massiva, na Líbia vão entrar pelas armas de violação massiva.

Há um par de anos apareceu notícia sobre soldados da ONU que abusaram sexualmente de crianças na África e América do Sul, mas: ah, que é isso?, são apenas danos colaterais!; ninguém culpou a organização, só houve uma desculpa formal. Soldados americanos violaram iraquianas, ninguém se lembrou de culpar a Bush. E ainda os soldados do Vaticano são constantemente acusados de abuso sexual e os EUA não reagem e o máximo que acontece é, novamente, uma desculpa formal por parte do Vaticano.

Kadhafi vai ser um criminoso de guerra também porque os seus soldados mataram civis líbios numa guerra civil, mas a NATO vai ser glorificado porque os civis líbios que matou foram apenas danos colaterais. 

As pessoas violadas merecem justiça? Sim, merecem. Mas quem deve aplicá-la, os EUA? Pelo amor de Deus. 

Epá, apenas invadam lá a Líbia, antes que dêem à China o petróleo, e não arranjem desculpas ridículas.

8 de junho de 2011

MEMÓRIAS DE LÚCIFER - ADÃO E EVA - O Mundo Perdido - pt. 4


THEN, on ADÃO E EVA:

Deus sabia que Adão não estava de acordo com a construção da mulher, por isso fê-la uma criatura bela, resplandecente, vistosa e apaixonante.
– Adão já está a passar das marcas. Vou mandar Adão para uma viagem de quinhentos séculos.
Através de bocas alheias, Adão soube que Eva foi passear no Jardim Proibido e foi vista na companhia da serpente. Desconfiou que algo estava errado, e foi avisar a Deus:
- Pai, a serpente anda muito a falar com Eva, eu vou escamá-la. 


NOW

- Adão, não podes escamar a serpente. Não se pode destruir nenhuma criatura viva.
- Pai, eu já Te disse, se eu vir a serpente de novo a falar com Eva, escamo-a. É melhor que a avises, não quero problemas com ninguém. Que está ela a dizer a Eva? Pataratas apenas. Se as vir juntas de novo, mato-a.
- Por que não matas antes a Eva? - provocou Deus.
- Porque... ora, porque... Por que raio fazes essa pergunta, se acabaste de dizer que não se pode destruir criaturas vivas? Por que queres que eu mate a Eva?
- Eu não quero que a mates, não quero que mates nada. Mas não achas que seria injusto matar só a serpente se ambos prevaricaram?
- Mas prevaricou o quê? Quem falou em prevaricação, só quero a serpente longe da minha fêmea, ela tem a sua, que vá conviver ela.
Adão estava com medo que Deus tivesse alguma intenção oculta, e da forma como desconfiava de tudo ultimamente resolveu não arriscar a descobrir essa intenção e por isso desconversou e foi-se embora. 
Entretanto, por causa do seu aviso, Deus falou com a serpente, avisando-a para não se aproximar de Eva.
- Mas como poderei fazer o meu trabalho, pai, se não posso aproximar-me dela?
- Não sei. Se quiseres fazer o teu trabalho, arranja maneira de o fazeres. Nunca deves desistir por falta de meios, antes pelo contrário. Quem encontrou foi porque buscou.
A serpente, aconselhada, buscou e encontrou. Descobriu que Eva gostava de ir ao cybercafé do arcanjo Gueites para entrar no chat e requisitou um computador para poder manter conversação com Eva.
Foi assim que lhe falou da emancipação da mulher e dos direitos cívicos igualitários para todos os géneros humanos. Rematava assim: a espécie é única, nasceste da costela, para mostrar que és igual ao homem, não superior nem inferior. Blá-blá-blá. O emudecimento da verdade foi quebrado, blá-blá-blá, a verdade já saiu do seu alforge, querendo ser hasteada para que todos a vejam.
Eva não compreendia essa última parte, não lhe via sentido, mas parecia bem construída, portanto tinha de ter algum. Talvez estivesse mesmo a precisar de inteligência se até mesmo a serpente sabia mais do que ela. Raios! Imprimiu tudo e levou para Adão, para que este a ajudasse. Adão leu e releu, nada entendeu, mas deu a Eva uma explicação tosca, que não a convenceu, apenas para não mostrar a sua ignorância. Depois, foi buscar um dicionário, mas nem por isso conseguiu traduzir a ideia. Teve que ir procurar Cristo para este lhe ajudar.

Eva, impressionada pelas palavras da serpente, passou a gastar mais tempo no chat, em conversas com ela. Gostava muito de ouvi-la, inda mais porque era com a mulher da serpente que falava agora, e esta era mais expressiva, uma feminista. Quanto menos compreendia, mais Eva admirava o que lhe era dito: confirmava sempre dizendo que era verdade e mais que certo tudo o que a serpente lhe dizia, não obstante não percebesse patavina.
Adão agora andava sem cuidados, não havia motivos para pensar que Eva tocaria na fruta, pois que desde que lhe ensinou a usar Internet, ela andava colada ao computador. Adão não sabia a verdadeira verdade do perigo, não sabia que a serpente instigava Eva a comer a fruta, incutindo-lhe muitas pataratas na mente. Eva tinha muitas outras coisas para fazer, era claro, já nem mesmo ia passear ao Jardim Colorido; se não estava na cybercafé do arcanjo Gueites, então estava na oficina da DIABO a pedir novas coisas que a divertissem muito como aquele espelho. Adão passara muito tempo a procurar um espelho para Eva, porque ela não lhe contara o nome certo, chamara-o espedo. E aquilo era a única coisa de que Eva não se enfastiava, passava eternidades a mirar-se nele.
O que mais dava paz a Adão, convencendo-o que Eva nunca tocaria na fruta, era o facto dde ter pedido a Cristo para vigiá-la, salvando-a de se perder. No entanto, um dia...
- Adão! - disse Eva, correndo ao seu encontro com uma fruta na mão. - Morde isto, é uma delícia.

- Merda!.. - gritou Adão, sobressaltado, depois de ter reparado na fruta. - Eva, por que foste tocar nessa fruta?
Eva estacou, admirada com a cara furiosa de Adão, e com um trejeito que invocava arrependimento.
- Eu queria experimentar, Adão - justificou.
- Eva, não sabes o que fizeste.
- Sei muito bem, Adão - disse Eva, recuperando a confiança, a sorrir. - A serpente explicou-me tudo, Adão, acabei de ganhar poder igual ao pai. Agora sou até superior, pois poderei negar a sua existência, mas ele não pode negar a minha.
- Acabaste de ganhar poder, o caraças. Acabaste mas é de perder o Éden.
Eva perdeu a confiança.
- Por quê? - perguntou.
- Desobediência, Eva. Desobediência. Não mexer significa não mexer. Não vês aquelas placas onde se escreve não mexer e se desenha uma criança com um pé cortado pela mina? Aquilo é o resultado de mexer onde se diz não mexer. Por que merda fizeste orelhas moucas ao meu aviso?
- Adão, estás a assustar-me - disse Eva, visivelmente aterrorizada.
- A assustar-te? Vês-me zangado, Eva? Eu estou apenas triste. Triste por ti e pelo teu acto. Eras a minha fêmea, eu tinha o dever de proteger-te, mas deitaste tudo a perder.
- Mas, Adão - comecou Eva a chorar -, por que estás a falar no pretérito?
- Será que não entendes, Eva? Vais ser expulsa daqui.
Eva rompeu em pranto. Gritos e mais gritos. Histeria.
- Que posso fazer, Adão? Que posso fazer? - perguntava ela, desesperada.
Adão abraçou-a, movido por um sentimento recém-descoberto. A compaixão era grande dentro dele e uma antecipada saudade de Eva o tinha dominado, pois sabia que os seus destinos iriam se descruzar desde essa altura.
- Se eu soubesse, Eva - respondeu-lhe. - Se eu soubesse.
Eva encostou a cabeça no seu ombro e molhava-lhe o corpo com lágrimas. Adão não gostava, mas era o seu último dia com ela, tinha de aceitar. Pensou um pouco mais que o normal e resolveu:
- Onde está a fruta?
- Está aqui - mostrou Eva.
Adão tomou-a da sua mão. Eva, intrigada, levantou a cabeça para ele.
- Que queres fazer, Adão? - perguntou, sobressaltada.
Adão ficou fascinado pela nova cara que via nela. Cara preocupada, olhos rasados de lágrimas, um pouco inchados, músculos da face distendidos. Era uma beleza. Um outro sentimento que nunca experimentara antes apossou-se dele. Instintivamente, segurou Eva pelo queixo e colou a sua boca à dela. Foi o primeiro beijo do mundo. Beijos e beijos, como animais, começaram a descobrir, um no outro, novos talentos. Quer dizer, Adão descobria, porque Eva parecia mais à vontade, talvez fosse do instinto que tinha comprado a Adão.
Depois da confirmação da sua descoberta, Adão ficou ainda mais resoluto a nunca se afastar de Eva. Afinal era ela o verdadeiro Paraíso.
- Mas não sangraste? – disse ele a Eva.
- Mas tu também não – retorquiu ela. – E por que devia ter sangrado?
- Eu sei lá quem pôs essas palavras na minha boca. Na Bíblia eu não as disse.
Eva não entendeu, acho que nem Adão entendeu o que disse, mas não se preocuparam, porque ultimamente havia muitas coisas que não entendiam. Adão fez uma espécie de saia com folhas de árvore – ainda não tinha vendido o engenho - para cobrir as partes, a partir de então, íntimas dele e de Eva. Estava nisso quando ouviu Deus a assobiar, vindo na sua direcção. Envergonhado com as partes íntimas, empurrou Eva para uma moita, tratando ali de tapá-la e de tapar-se a si mesmo.
- Adão, Adão! - chamou Deus. - Onde estás?
- Estou aqui na moita - respondeu Adão. - Ouvi os teus passos e como estava nu, escondi-me.
- Como soubeste que estavas nu? - perguntou Deus. - Por acaso comeste a fruta proibida?
- Não, não comi - respondeu Adão.
- Como soubeste então que estavas nu?
- Como soube? Merda! Não sou cego. - Deus engoliu em seco, não esperava por isso. - Espera um pouco - pediu Adão -, já venho. É só dar um ajuste nisto. Pronto. Já está.
Adão saiu da moita acompanhado de Eva, com uma saia de folhas que provocou gargalhadas em Deus.
- Pelo menos nós estamos vestidos - disse Adão a Deus, irritado com a gozação.
Deus pôs-se sério então. Sabia que a sua ordem não fora cumprida.
- Um de vós comeu a fruta - acusou.
- Foi Eva... - aprontou-se Adão a responder.
- Foi a serpente que me enganou - justificou Eva, rapidamente, olhando para Adão com uns olhos a dizer: linguarudo.
- Eva comeu a fruta? - exclamou Deus, fingindo-se admirado.
- Estás surdo? - perguntou-lhe Adão. - Não foi o que acabaste de ouvir?
- Sabes o que significa isso, Adão? - perguntou Deus.
- Sei sim.
- Ela vai ser expulsa...
- Já disse que sei - gritou Adão, cortando-lhe a palavra.
Deus olhou para ele dentro dos olhos. Adão perguntou:
- Será que ela não tem perdão?
- Não, Adão. Ela infringiu a primeira regra, obediência, e esta era a fundamental. Quebra-se ela, de nada valem as outras...
- Compreendo, pai. Mas só que...
- Só que... - ecoou Deus.
- Só que, ou ficamos os dois ou saímos daqui juntos.
- Como? - Deus não sabia Adão capaz desse sacrifício, ele que sempre fora bruto com todos, não se importando com ninguém. - Não estou a perceber.
Adão mordeu o resto da fruta, que tinha na mão, para lhe mostrar do que estava a falar.
- Não é esta merda o motivo para cartão vermelho? Expulsa-nos! - Olhou para Deus com desafio e alguma pena de si mesmo, e acrescentou: - Se um dia quiseres saber por que fiz o que vou fazer, lembra-te destas palavras: foi a mulher que me deste.
Deus estava surpreso pela atitude de Adão. Ficou irritado, porque começou a ver que os seus projectos estavam a ir por água abaixo, ou melhor, foram. Adão estava a culpá-Lo, atribuindo o erro ao facto dele lhe ter construído a mulher, visto que não a queria no começo; a mulher culpava a serpente e ele, Deus, culpava-me a mim de tê-lo feito pôr aquelas frutas na Árvore Morta. Queria tirá-las dali, mas como não mudava a sua palavra, isso tornou-se impossível. Contudo, esperava que pudesse reconstruir tudo, incluindo remodelar Adão e Eva, para que a ordem reinasse. Conseguira conter a greve; embora alguns dos anjos tivessem ido comigo para o Inferno, muitos outros ficaram, então decidiu que esses não seriam molestados por Adão. Já não precisava expulsar Adão do Paraíso, nem Eva, e se eles não tivessem tocado na fruta, seriam eternos ali.
No entanto, fez-se uma luz no cérebro dele, e Deus lembrou-se dos códices, afinal não precisava expulsá-los, sempre havia uma chance.

6 de junho de 2011

ESTRELAS O MEU DESTINO, Alfred Bester (1956) - por que somos limitados


Há oito anos, indo visitar uma pessoa, ao passar junto a um monte de lixo vi um livro, tinha a capa intacta, mas não conservada, e estava seco, apanhei-o, faltavam-lhe umas tantas páginas no fim, e não sei por que não o deitei fora, pois aquilo era um bom portador de bactérias, o título era Estrelas O Meu Destino, escrito por Alfred Bester. Não encontrei a pessoa que tinha ido visitar, não tínhamos telemóvel na altura, por isso só me restava esperar por ela, e aí fiz o maior erro daquele período, comecei a ler o livro, jactando-me de tê-lo achado.  Depois estive muito doente, quase às portas da morte, mas não foi por causa do livro, foi porque apanhei sarampo.

Estrelas O Meu Destino, conta a história de Gulliver Foyle, um homem amoral e mentalmente, hum!, reduzido, que deixado no espaço para morrer resolve vingar-se destruindo a nave que não lhe deu socorro. Gulliver é mentiroso, devasso, abutre, cancro ambulante, mas, pudera!, a sua época , como começa o livro, era uma idade de ouro, uma época de grandes aventuras, de desafios constantes e de morte violenta... mas ninguém pensava assim. Era um futuro de fortunas e de roubos, de pilhagens e de saques, de cultura e de vício... mas ninguém o admitia. Era um século de extremos, com todo os fascínio da extravagância e da excentricidade... mas ninguém o amava. 

E nesse seu intento ele entra em contacto com o dono da companhia que, obviamente, não quer a sua nave destruída e que além disso tem outros interesses em Gulliver, Gully Foyle, pois ainda que o próprio não saiba, é o melhor jauntador de sempre. Jauntar foi assim nomeado porque a primeira pessoa que o fez e o documentou chamava-se Jaunte, mas para nós, hodierno, ainda é conhecido por teleporte. Gully consegue teletransportar-se a distâncias inimagináveis tanto no tempo como no espaço e isso faz dele a pessoa mais especial da sua época; e isso acaba por mandá-lo para uma "prisão", onde o "reduzido" Gulliver trata de aprender para poder efectuar a sua vingança (cheira a Dumas, não cheira?).

Estrelas o meu destino é um livro arrebatador, ritmo rápido, quase cinema, entre arriscado e seguro, e uma crítica às corporações e o seu sistema, que não hesitam e tirar vidas em nome de lucro, corporações essas que podem vestir-se de diferentes maneiras, tanto como multinacionais como governos. Se tivesse 500 páginas e fosse relançado hoje seria um best-seller.

Estrelas O Meu Destino, também conhecido por Tigre! Tigre! é um dos meus livros de ficção de sempre, principalmente porque não o acabei de ler, devido às páginas que faltavam, o que causou o meu arrependimento, visto que tenho desde essa altura procurado por ele, para ver se o conseguia acabar, tanto em bibliotecas como na net. Hoje encontrei um pdf em espanhol, e oito anos depois… uffffa, vou acabá-lo.

O livro é muito bom, e por ser simples, sem aparentes mensagens profundas, lê-se com bastante facilidade, principalmente pelo humor e leveza da pena do autor. E por referir-se ao espírito humano e às barreira que impomos a nós mesmos, ou que a descrença dos outros nos impõem, às nossas vanidades e veleidades que temos como a razão da existência, merece, contudo, um outro olhar. Recomendo-o a quem o consiga achar. Eu vou relê-lo, mesmo que em espanhol, para, talvez, depois voltar a falar nele.

5 de junho de 2011

DEIXA-ME ENTRAR, 2010 (Let Me In)



Vampiros e humanos, ultimamente, têm convivido muito nos diferentes tipos de arte que conhecemos, talvez apenas a arquitectura ficou de fora; de qualquer modo, o foco aqui é o cinema. Depois do Crepúsculo os vampiros viraram moda de novo, principalmente numa versão distorcida de Romeu e Julieta. Houve filmes, séries e etecéteras sobre o mesmo tema. A melhor série sobre vampiros, para mim, é o Being Human, dos ingleses, é claro, e o melhor filme Romeu-e-Julietiano de vampiros acabei de o ver e intitula-se Deixa-me Entrar.

Deixa-me entrar, conforme a IMDB, é um remake de um filme sueco, Låt den Rätte Komma In, de 2008, do mesmo ano que o Twilight, mas por, infelizmente, ser europeu, não foi muito publicitado.Não vi o original, e se, como é hábito, os remakes são piores do que os originais, então esse filme sueco é nota 11, porque deixa-me entrar só não chega a 10, porque… bem, porque… hum…

Costumo falar apenas do filme em si, mas aqui não há como não referir aos actores, Chloe Moretz, a Hit-Girl  de Kick Ass (alguém se lembra?), e Kodi Smit-McPhee, o filho de Viggo Mortensen n’A Estrada; os dois estiveram bem nos seus papéis e seguraram-nos com maestria de meter inveja a muitos oscarizados, ou seja, se continuarem assim estarão no bom caminho, Moretz pelo menos está, porque projectos não lhe faltam.

trailer

A história do Deixa-me Entrar é mais ou menos isto: Owen, 12 anos, introvertido, voyeur, a sofrer pelo divórcio dos pais e, como se não bastasse, constantemente é bulido na escola por um bando de valentões, isolado no seu invólucro acaba por abrir-se à amizade de Abby, 12 anos (há pelo menos uma coisa de trinta anos ou mais, considerando a idade da foto do seu irmão"?" ou seu primeiro "?" namorado "?" - não se pode dizer que seja irmão ou mesmo primeiro namorado porque a idade da Abby é bastante incerta, visto que as crianças pelo menos do séc. XX sabem o dia do nascimento, podendo daí supor que ela ou é muito muito mais velha, ou é filha de pobres e iletrados)... ok, voltando, Abby é também isolada como Owen, sendo, no entanto, que ela é uma vampira. O filme não tentou esconder isso em momento algum, nem criar falsas expectativas, atirou a verdade logo para o ecrã, fugindo a fingidos suspenses.

Abby é uma vampira de verdade, não daqueles a Blade que se alimentam de sangue sintético ou de Twilight que bebem sangue de animal para parecerem éticos e cool, não, esta aqui precisa de beber, e bebe humanos sem crise de consciência. E o que mais incomoda é que não nem estamos aí para isso, ela podia alimentar-se do elenco todo que estaríamos a torcer por ela, porque ela nos foi apresentada, conhecemo-la e temos por ela simpatia ou empatia, e sabemos os seus motivos. E de igual modo, Owen, isolado, e sofrido, encontra nesse amor incomum todos os motivos para ser feliz e portanto justificar o destruir da vida alheia. Temos uma questão ética muito séria aqui, enrolada com a questão de manipulação de opinião: eu sei que Abby é uma agente de destruição, mas desculpo os seus actos porque quero que sobreviva, além de mais, por ser apresentada como uma criança atrai mais a minha simpatia. 
Apenas uma morte me causou tristeza, porque me foi dado a conhecer a pessoa que morreu, e eu preferia que não se confrontassem, mas gostei mais do resultado mostrado.

Outra situação que temos é o bullying, lembrando-me aquela publicidade  "criança vê... criança faz...", vemos Owen a confrontar o espelho e depois uma árvore de faca em punho, chamando-lhe de menininha, depois percebemos que ele apenas transfere a agressão que recebe do colega bulidor na escola, e mais tarde percebemos que esse colega está é a fazer a mesma coisa. Ou seja, resolver a questão do bullying não é uma tarefa apenas dos professores, mas de toda a sociedade, desde os pais até aos empregadores, que bulem os pais, que bulem os filhos que bulem os outros, estendendo a hierarquia até ao governo.


Tem algumas falhas como eles aprenderem o morse em três tempo (eu em três anos nos escuteiros não o cheguei a aprender), ela ainda vá que é vampira; ou o facto de o irmão(?) ou primeiro(?) namorado (?) da Abby ser um míope com lentes muito grossas, mas que vê bem sem óculos quando põe uma máscara de plástico; e mais umas três ou quatro outras que notei, no entanto, tudo isso é desculpável e não pesa no panorama. 

Deixa-me Entrar, não vou falar da fotografia, não vou falar do ritmo, não vou falar do sentido da justiça do realizador, do qual desconfiamos durante o visionamento, temendo que não tome uma posição acertada no destino das personagens, nada disso vou falar, mas apenas dizer que é um filme que deve ser visto, goste-se ou não do universo mitológico vampírico, porque o filme não se trata de vampiros, mas de nós, humanos. Abby pode ser uma manipuladora cruel, e Owen, de certeza acabará como o míope acima referido, um dia, anos depois, substituído por uma outra criança desejosa de amar e de ser amada, mas nem queremos saber, o que nos preocupa é o que nos é mostrado no momento, no efeito borboleta só pensamos depois de "efeituado".

É um filme cruel, mas um filme de amor, um filme de Romeu e Julieta canibais a cozinhar Darwin, Maquiavel e Aristóteles na mesma panela.

3 de junho de 2011

HOMEM DA TERRA, O, 2007 (The Man From Earth)


Definir The Man From Earth (o título em português não é oficial) é muito fácil: estonteante. É um dos melhores filmes que vi este ano.

O seu realizador, Richard Schenkman, ou por ser muito simpático ou por saber que este não é um filme que triunfa no cinema (o filme é independente), deu autorização para ser pirateado e baixado na net por quem quiser, por isso, sem crise de consciência, deixo aqui o link para um site onde o encontrei: download aqui.

A história é formada sobre esta pergunta básica (e insana mesmo para Matusalém, convenhamos): E se alguém pudesse viver 14000 anos?

Sempre gostei de ficção científica, e quase todos os filmes de ficção que eu via ou eram ambientados no futuro ou tinham computadores super-inteligentes, ou aliens, ou armas que cuspiam luz, e a maior parte deles não tinha nenhum outro assunto realmente científico e podiam ser localizados em qualquer outro sítio que não fariam diferença nenhuma. Entretanto, The Man From The Earth (como alguns poucos) consegue ser exactamente o oposto: uma ficção científica que podia acontecer na nossa sala, ou na casa do vizinho, que não recorre a nenhuns efeitos especiais para dar a ideia de sofisticação, aliás, muito pelo contrário a fotografia ora granulada parece muitas vezes amadora e filmada a luz natural e com uma câmara descartável.

São oito pessoas no filme (os sete dias mais Deus, remetendo a Chesterton?), quatro cientistas, uma estudante, uma religiosa, uma amante, e o nosso homem. Entretanto, em hora e meia, todas essas pessoas são definidas e ganham dimensão, conseguimos saber como são e conseguimos isolá-los do grupo e decidir se queremos criar empatia com eles, não há (talvez tiremos a estudante) uma única personagem sem personalidade e clichet, se não contarmos com as características inerentes ao tipo de trabalho de cada um.

trailer

Eis o resumo: um professor universitário, depois de dez anos decide mudar de cidade, e recebe uma visita de despedida dos seus melhores amigos e ali conta-lhes que tem 14000 anos e que veio do paleolítico. A partir daqui segue o drama, a comédia, a filosofia, a psicologia, a História e o homem (a ciência e a fé, ora fundidas, ora divididas).

O cenário é bem resumido, mas o campo abarcado pelo filme é bastante, bastante extenso, e o filme cativa desde os primeiros minutos, principalmente porque começa com o essencial, o resumo acima acontece nos primeiros cinco minutos, o resto é do melhor. Raras vezes me diverti, me emocionei e aprendi ao mesmo tempo como com este filme. As suas falhas (como o facto de ele ter conhecido todas as pessoas notórias da antiguidade), e algumas soluções fáceis, são bem desculpáveis considerando o quadro geral. Além de ser uma prova de que não é uma carrada de dinheiro que faz um bom filme.

Conclusão: altamente recomendável.





1 de junho de 2011

X-FACTOR E A QUESTÃO DA DIFERENÇA

A banda desenhada é, injustamente ou não, considerada literatura menor (não sei dizer a minha opinião sobre isso, porque, em verdade, ainda não gastei dias a pensar no assunto). Talvez o facto de misturar palavras com imagens, e apresentar uma dinâmica diferente da literatura habitual é que o desclassifica no patamar literário, aliás, ela pertence a um grupo artístico diferente, a nona arte. E talvez por isso, muitos autores, destaco Alan Moore, escrevam novelas gráficas, para elevar o respeito ao seu trabalho no plano literário.

Porém, por vezes, essa consideração inferiorizada da banda desenhada como literatura, é, frequentemente, muito injusta, porque dependendo do autor, a banda desenhada consegue ser mais rica e literária que muitas pseudo-literaturas que andam por aí impressas entre duas capas e por vezes mais pobres que uma bula farmacêutica.

Todavia, este post, não pretende falar da banda desenhada em si, mas de um título da banda desenhada: a X-Factor da Marvel. É um assunto que chama mais atenção aos geeks e nerds, do que à gente comum, portanto… vamos em frente.

A Marvel tem sido chamada de pró-direitos humanos, porque nas suas páginas tem escrito sobre a liberdade, a diferença, a aceitação e outros tantos problemas sociais, inclusive o seu grupo mais icónico os X-Men, são um bando de mutantes que tentam sobreviver aos ataques por todos os lados, porque são diferentes. Porém, isso não quer dizer que a Marvel não seja preconceituosa e americanamente panfletária como os outros tantos títulos recentes americanos, por exemplo a recente mini-série Xenogénese, da X-men, é tão preconceituosamente racista que tira todo o gozo da leitura.

No entanto, hoje, talvez por ser mais adulto, ter lido e visto muita coisa, ou talvez porque os argumentistas e escritores tenham maior dificuldade em surpreender um leitor mais ou menos lido, as histórias do universo da BD desenhada têm vindo a sofrer. Ultimamente tenho lido mais a Marvel, e acho que única linha que permanece consistente é a do X-Factor.

Na X-Factor #217, fiquei fascinado com o tratamento que deram à história, houve um diálogo sobre as diferenças e a minoria entabulado entre um grupo de manifestante e J.J. Jameson (sim, conhecem-no do Homem-aranha, talvez não saibam que agora ele não é editor, mas o Presidente da Câmara de Nova Iorque), que, apesar dos lugares-comuns, arrebata. Por quê? Porque Jameson é um hipócrita que persegue o Homem-aranha por esse ser diferente e superior a ele; e porque Jameson incarna o governo americano, que apesar de falar em nome da liberdade é quem vota projectos, como a lei patriótica e toma as decisões que vincam mais as diferenças; a quem na minha terra atribuiríamos o título de sanguessuga, beija enquanto morde.

Porém, para não prolongar-me mais, deixo aqui algumas páginas (a tradução não é das melhores, por causa do meu limitado inglês):


Povo: América para os americanos!… Estrangeiros fora!... Precisamos proteger as nossas fronteiras!... Não precisamos de mais terroristas muçulmanos aqui!... Sim eles são tão maus como os mutantes.
Monet: A sério?… Eu sou muçulmana e sou mutante.



Povo: Já te ocorreu que a tua gente só leva tragédia e morte para onde quer que vá?
Monet: Qual gente? Mutantes ou muçulmanos?
Povo: Escolhe tu!… Sim, as pessoas morrem onde quer que a tua gente apareça.
Guido: A nossa gente? Deixem-me falar-vos da nossa gente. É claro que temos algumas ovelhas negras, pessoas que apenas querem matar os outros. Mas a maioria de nós são pessoas normais que querem uma vida normal. E gostamos dos que as pessoas más fazem tanto quanto vocês. Então como pensam que sentimos quando nos põem nesse grupo?
Monet: Ele tem razão, já é suficiente mau ser condenado por aquilo que és, imaginem ser odiado pelo que não é.
Povo: Não nos enganas! “Eu ouvi” [aspas minhas, as pessoas só ouvem e acreditam sem pensar] que todas os mutantes querem dominar o mundo, ainda que queiram ou não admiti-lo!... Os muçulmanos também! É o que manda os vossos textos sagrados! Vocês estão em guerra com o cristianismo!... E as vossas mesquitas são, na verdade, campos secretos de treinar terroristas…! O quê?
J. J. Jameson: E se elegerem um presidente católico ele vai ser uma marioneta do Vaticano.


J. J. Jameson: Pelo menos foi o que disseram em 1960 para que o povo não votasse em JFK. É claro que isso é uma visão extremista. Engraçado, pensem: extremistas de todos os tipos ganham mais atenção.
Povo: Olha a panela a dizer à chaleira que está tisnado.
J. J. Jameson: Eu não sou panela, puto, eu mexo na panela.
Povo: Olha, eu estou apenas farto das pessoas lutarem pelos direitos dos estrangeiros e não darem uma mínima para os verdadeiros cidadãos.
J. J. Jameson: Da maneira que a multidão te dá atenção, eu digo que estão farto das pessoas como tu dirigindo o debate.
Povo: As melhores ideias dirigem o debate, não as pessoas. Nota de rodapé: só queremos o nosso país de volta.
J. J. Jameson: Engraçado: continuo a ouvir isso de todos de ambos os lados [suponho que seja uma referência aos democratas e aos republicanos]: “queremos o nosso país de volta. Onde é que foi [o país], se nenhum de vocês o tem? Adivinhem uma coisa: eu tenho-o.



J. J. Jameson: Eu e os meus grandes ancestrais brancos. Viemos aqui e tomamo-lo dos que estiveram cá antes. E logo depois de o tomarmos, raptámos pessoas da África para nos ajudarem a construi-lo. E agora estamos todos preocupados que o karma nos venha a morder o traseiro. Então temos de lutar contra porque de outra maneira daqui a cem anos, pode acontecer sermos aqueles a viver nas reservas e a morrer de varíola. Podemos fazer isso. Manter afastados todos aqueles de quem temos medo. Mandar os intrusos de volta a onde vieram… ou talvez, pô-los num campo de concentração com na segunda guerra mundial [América também tinha campos de concentração, só que ninguém fala disso – pelo menos foi o que li num livro de Pearl S. Buck, e no Focus de Arthur Miller], porque temos medo que sejam terroristas. Ou talvez… é uma ideia absurda, eu sei… mas talvez possamos parar de tratar a toda a gente como uns malditos inimigos.
Povo: Diz o gajo que odeia os super-heróis.
J. J. Jameson: Diz o gajo que acredita que as acções têm consequências, que há leis que deveriam proteger a todos… mesmo às pessoas de quem não gostamos… gentes de quem discordamos não são traidoras, e se elas são novas aqui talvez elas mereçam o tipo de desconto que não damos a outros. Agora, queres discutir os factos, situações e impactos na economia? Bora dançar.




Enfim, eis o discurso por si. E queria falar das suas linhas ou da reacção manifestada pelo povo, ou da própria sátira de J. J. J., porém receio que o post já seja longo o suficiente e acho os discursos bem explícitos para que cada um faça a sua leitura tanto os "supernacionalistas" como os "abolicionistas".