25 de janeiro de 2010

BIN LADEN NA ÁREA

Um Nigeriano quis desviar um avião... não conseguiu, ufa!, a segurança fez um bom trabalho. Resultado: vai-se implementar scans radiográficos e não sei de que tipo mais nos aeroportos e a moda vai ser exportada, tecnologia nova para vender. Depois de algum tempo vai passar para estações de comboios, portos e companhia, e vai-se fabricar para uso pessoal (suposição minha).

Alguns dias depois, fala o Bin Laden a dizer-se autor e orquestrador do atentado e a exigir paz na faixa de Gaza em troca de menos atentado. Não vos parece ridículo? É verdade, eu sou um grande admirador de teorias de conspiração, mas querem dizer que isto não é irrisório. Quer dizer, o logotipo de Bin Laden agora vai ser um avião a chocar com uma torre?













Obama está sob grande pressão, necessita de fazer cumprir as suas promessas e manter a boa imagem e necessita de salvaguardar os interesses dos impulsionadores da sua campanha. Era para tirar o pessoal do Iraque, mas mandaram mais para Afeganistão, era para acabar com o Guantanamo, mas prometeram mandar para lá os haitinianos que tentarem entrar por vias impróprias na América, era para fazer uma coisa qualquer que não me lembro de momento, mas agora estão com olhos no Iemén. E só espero que não o invadam porque desconfiaram que Bin Laden casou com uma iemenita.

A América precisa de medo para viver, precisa de choques e controvérsias para terem nas ruas activistas e mostrarem o quanto são defensores de direitos humanos e da liberdade de expressão.

Mais rápido eu acreditava que foi Michael Jackson a orquestrar o atentado nigeriano do que Bin Laden. Agora só falta ouvirem uma gravação do Bin Laden a dizer que foi ele quem fez a chacina no quartel texano mascarado de psicólogo.

EM BUSCA DE TEMAS

Há um mês já que estou a tentar escrever um post aqui. O ano entrou e nem sequer actualizei o blog, chatice! Primeiro queria escrever sobre o ano novo e as ilusões que com ele vêm e que vão desaparecer lá para Abril (nos mais optimistas, é claro), e subsequentemente do Natal, mas não teria graça falar de uma coisa tão batida e desgastada quanto isso, que, não obstante, ainda mexe com as pessoas como nunca.


Quis escrever sobre a PANDEMIA do GRIPE A, mas não o fiz, principalmente porque quando estava a procurar matérias especializadas sobre o assunto, acabei por deparar com algo que diz tudo o que eu podia ter dito e vai mais além do que eu diria.


Teoria Ocidental da Relatividade
Pequeno desenho enviado por um sindicato de Médico de Medicina Geral para ilustrar determinados comentários:
90 pessoas apanham o vírus da Gripe H1N1 e todos querem usar uma máscara.
5 milhões de pessoas têm SIDA e ninguém quer usar preservativo.
1000 pessoas morrem com a gripe A num país rico e é declarada uma pandemia.
Milhões de pessoas morrem de PALUDISMO na África, e o problema é delas....


Depois quis escrever sobre Obama e o facto de ser uma desilusão, não para mim, pelo menos, porque sempre acreditei que a América vota presidentes, mas quem os escolhe são as multinacionais, e enquanto forem elas a mandar, Obama pode dizer o que quiser e fazer algumas, porém não vai mudar nada desde que isso mexa com dinheiro e seus interesses e só pintará com outras cores as políticas de Bush.


Ainda quis escrever sobre Copenhaga, o malogrado acordo, mas pensei, pra quê?, é tudo a mesma merda, fogos-de-artifício.


Depois quis escrever sobre o McCann, e vou-o fazer, mas não neste blog. Mas agora vou escrever sobre Bin Laden.

6 de novembro de 2009

UMA QUESTÃO DE... NACIONALISMO

Quando ouço discursos de generais americanos, assusto-me. Nos filmes e séries eu compreendo toda aquela treta pró-americana, patriótica e tal, porque sei que aquilo é uma máquina de fazer dinheiro, um gigantesco aparelho de marketing de tal forma que estamos todos a copiar agora a cultura americana, ou melhor, o estilo de vida americana. Mas assusta-me o patriotismo da máquina de guerra americana, tal como me assusta a religiosidade extremista. Não obstante estes tipos, os americanos, andarem a dizer crer em deus, parece-me que a sua crença é outra: América.

Ontem, na TV, um almirante a ser entrevistado por Jon Stewart disse que os seus soldados são patriotas, amam o país e dariam a vida por ele. Deus do céu!!!

Na América há racismo, brancos que odeiam pretos e vice-versa, mas mais facilmente, parece-me, um afro-americano (como ridiculamente são chamados os pretos) bombardearia a África em nome da White America do que arriscar a ser chamado de mau americano, não dando a vida pelo país. (Obs.: convenhamos que nem todos eles são assim tão bestas).

Mas não só os americanos são assim tão loucos ou sofreram bastante lavagem cerebral para serem patrioticamente estúpidos, não, todo o mundo é assim. O tópico chegou-me à cabeça por causa de um deles, porém não estou a reflectir sobre eles em particular, mas sobre a humanidade.

Já ouvi pessoas a dizerem: tenho orgulho em ser português, tenho orgulho em ser preto, tenho orgulho em ser drogado, tenho orgulho em ser puta, entre outros, que fico admirado. Porque moi ici não tenho orgulho em ser nada. Sou guineense, sou preto, mas não tenho orgulho em ser nada disso (entretanto, não se confunda não ter orgulho com ter vergonha). O único orgulho que eu tenho é de ser quem eu sou e como o sou. Podia ter nascido marciano, azul ou transparente, e embora saiba que isso contribuiria para me formar, não seria a minha essência, tal como a minha pele e o sítio onde nasci não a são.

Eu amo o meu país, Guiné-Bissau, porque deu-me o berço e sinto-me melhor nele do que em qualquer outro sítio do mundo, mas amo Portugal, porque nesta altura é a minha casa e tenho o dever de gostar e cuidar da minha casa para viver nela melhor, mas eu não atacaria a ninguém e nem daria a vida por nenhum deles. (Bom… se neste momento a América resolvesse atacar Portugal provavelmente eu estaria nas fileiras dos que iam levantar a arma contra, não por patriotismo mas simplesmente porque intrusos me estão a invadir a casa com intuitos impróprios.) Por que razão devia ter orgulho em ser preto ou em ser guineense, se não escolhi ser nenhum deles? E por que razão teria orgulho em ser americano ou branco se de igual modo não teria escolhido sê-los? Eu tenho orgulho em fazer este blog, eu tenho orgulho em assumir os meus pensamentos e palavras (mesmo sabendo que o que estou agora a dizer um dia poderá vir a custar-me sendo erroneamente interpretado), eu tenho orgulho dos meus (embora não os tenha escolhido também, mas são gentes e não coisas ou ideologias), mas orgulho da raça ou nacionalidade, não, não tenho.

Fala-se globalização, mas tal nunca irá acontecer (pelo menos em termos de humanismo e não de controlo económico), porque nós não pensamos no círculo do universo, mas em círculos mais pequenos, individuo, famílias, parentes, amigos, grupos, classes, bairros, distritos, país, continente, para em último chegar a humanidade… Ok!, eu sei que há grupos que já formaram comissão de boas-vindas para os aliens, porque são criaturas vivas, mas também esses são tão progressivos que nem vêm o que acontece aos seus vizinhos.

O patriotismo ou o nacionalismo é a capa de inocência com que envolvemos a xenofobia e o racismo. Um judeu ataca a palestina por nacionalismo; o americano é ensinado a odiar o árabe por nacio… por petróleo; a Frente Nacional quer correr com os estrangeiros por nacionalismo; um hooligan ataca um francês num jogo de mundial por… estupidez.

Uma coisa que admiro nas Testemunhas de Jeová é que os desgraçados não saúdam a bandeira, nem cantam hinos nacionais porque perceberam que isso é idolatria, uma religiosidade não declarada.

Eu recomendaria aos activistas que se concentrassem mais em curar o nacionalismo, pois revela-se mais perigoso que as questões dos círculos menores, pois é fonte que as alimenta e legitimiza.

3 de novembro de 2009

PENSAMENTOS INEXACTOS - CAP. V


REMAR CONTRA A MARÉ OU SEGUIR A MANADA


O homem é um ser social, ensinaram-me na escola, nasce, cresce, reproduz (ou não) e morre.

Lembro-me que tive de fazer uma composição sobre o assunto há três anos, na oitava classe [1995], o tema era: o homem deve ou não viver sozinho e isolado dos outros. É claro que eu disse não, e, entusiasmado, lá me pus a discorrer, explicando as razões por que achava que o homem não devia viver sozinho. Eu sei que ainda me faltam muitos anos para poder usar legitimamente a frase: se eu soubesse na altura o que sei agora. Mas, se eu soubesse o que sei, se calhar não responderia que o homem deve viver com os outros… Não!, provavelmente não o faria, porque se o fizesse levava um zero e chumbava à disciplina. Educação Social, chamava-se ela. Era uma disciplina que veio para substituir uma outra de cunho político-partidário: Formação Militante. Ambas tinham como objectivo criar homens capazes de se integrar na sociedade, mas eu, pessoalmente, não aprendi nada com elas, porque as únicas vezes que falava das coisas que me ensinaram eram nas aulas com o professor ou com os colegas quando a prova se aproximava.

O homem é ser social, nasce dentro de uma sociedade e é ensinado pelas regras da dita, e o ensino é de tal forma, que quando não entramos em choque com ele logo cedo acabámos por aceitá-lo quase como um dogma e nunca rechaçamos. Hoje, eu podia ter respondido que o homem deve viver isolado dos outros e justificado que os outros, os antecedentes, são quem corrompe o homem com os seus ensinos e as suas formas de viver. Voltaire era um homem asocial, na medida em que não aceitava as tretas da sua época, era um homem que viveu sozinho. O homem não faria mal a ninguém se não fosse ensinado a fazer mal, a copiar o que vê, ou tentar não ficar para trás na grande corrida da vida, e como o jogo não é leal, ele também não sente a obrigação se o ser.

Os homens que são diferentes, que não querem ser como os demais, nunca triunfam. Cristo andava a pé, arrastando consigo uma multidão de desgraçados, supostamente com sandálias gastas, todo suado e sujo, embora as gravuras o mostrem sempre com um branco imaculado, mas quem estaria assim sempre limpo andando no deserto os quilómetros que ele andava? Se nem tinham água para lavar as mãos, os seus discípulos chegando a comer com elas sujas, onde sairia com ela para tomar banho? Não admira que o mandassem crucificar! Um maltrapilho fedorento a dizer-nos que somos sujos? Olá, olé! Cristo era diferente, resultado: morte na cruz; Sócrates era diferente, resultado: bebeu cicuta; Galileu era diferente, resultado: então, por que não ser igual?; Rambo era diferente, resultado: em todos os três filmes nunca teve paz. Para quê ser diferente se todo o mundo é igual?

Somos julgados por sermos diferentes; enjaulamos pessoas porque não pensam igual a nós, enjaulamo-las porque não ouvimos as vozes que ouvem, e seguimos outras pela mesma razão (intrigante, não?); negamos oportunidades às pessoas porque não têm um bom apelido ou um bom padrinho; despedimos funcionários porque não concordaram connosco; não encontramos trabalho porque não fomos à entrevista de gravata (pelo menos foi isso que li num livro de Dale Carnegie); resumindo: temos de ser o que querem que sejamos, se não o formos, emularemos Camões: miseráveis vivos e talvez glorificados depois de mortos, e isso se deixarmos alguma coisa de valor. Mas quantos têm a oportunidade ou a capacidade de deixar coisas de valor?

Geralmente os que deixam coisa de valor são aqueles que não se deixam levar pela maré, são os que remam no sentido contrário, às vezes são chamados de revolucionários, outras de visionistas, algumas de artistas e algumas outras de loucos. Mas na sua maioria só vem o reconhecimento quando já não precisam dele. E o que se quer é viver, aqui, enquanto vivos, o que vem depois da morte fica fora do nosso conhecimento. 


Então o que devemos fazer para vivermos em paz, seguir a manada ou fazer um caminho solitário? Se formos pela primeira, corremos o risco de ser do tipo que Gabriel o Pensador acusou num dos seus versos: pessoas como eu, conheço mais de mil; se optarmos pela segunda ou acabamos hippies ou internados num manicómio. Será a melhor saída a hipocrisia, aceitar o que convém quando convém, mesmo que isso vá contra o nosso princípio? 


Por outras palavras, será que devemos todos ser maquiavélicos, adequando-nos e adequando os meios, não tendo princípios e apenas olhando para os fins?

28 de outubro de 2009

CAIM E ABEL

Um clássico da literatura religiosa, sem sombra de dúvida. Não fosse a mistificação ou a sacralização dos mitos antigos tínhamos aqui simplesmente uma alegoria ao conflito entre irmãos motivado, na maior parte das vezes, pelos próprios pais, dando mais afecto a um do que ao outro – um caso que Freud certamente analisaria (se calhar até analisou, eu cá não sei) se não estivesse muito ocupado a resolver os seus pendentes com os pais; ou então simplesmente uma imagem do choque das primeiras sociedades organizadas humanas: os nómadas (pastores) e os sedentários (agricultores); mas não, não podia ser assim tão simples, tinha que se meter um deus no meio de tudo para apimentar e apropriar-se da lenda.


Caim e Abel é tão simples (embora plurissignificativo) que passaria um bom par de tempo antes que eu voltasse a escrever sobre o tema, porém eis que me surgiu um motivo: Saramago. Não li este novo livro de Saramago ­– Caim –, nem lhe consigo imaginar o enredo, porque já me surpreendi com a sua escrita pelo menos três vezes. E nem sequer isso me poria a falar de Caim e Abel, se na equação não tivesse entrado outro elemento: a Igreja. 

E tenho aqui um Caim e um Abel: Saramago (para a Igreja certamente ele é Caim – considerando este como o obscuro) e a Igreja (o puríssimo – na versão da mesma). 

Eu sou declaradamente ateu, portanto sou a favor quando se ridiculariza as crenças e crendices da Igreja, e, como homem supostamente livre, defendo que cada um deve expor as suas ideias desde que isso não signifique fazer mal a outrem. Embora pareça que esteja com isso a dar razão à Igreja por se manifestar desagradado com Caim – o livro (e volto a salientar, não sei o que diz o livro; e só o vou ler daqui a quatro anos quando a poeira assentar, pois não gosto que as polémicas me afectem a leitura) – sentindo-se atacada por Saramago, reclamando para si o direito sobre Caim, quando na verdade essa história foi emprestada de outras lendas tal como grande parte das histórias bíblicas; a Igreja sente-se desrespeitada por Saramago porque este põe em questão uma crença milenar, criada e solidificada pela própria Igreja que durante todo esse período obrigou os outros a terem-na como certa. A bem ver, no entanto, a Igreja não tem esse direito, porque foi ela que atacou primeiro e subjugou os outros, o que Saramago fez foi apenas sacudir-se desse jugo e tentar dar a outras pessoas motivos para fazer o mesmo.

Caim cultivava um campo onde Abel levava o seu rebanho pastar, razão por que o matou. A Igreja tem um negócio que Saramago está a atacar, e está a tentar este último, e ainda continua a falar mal de Caim? Que hipocrisia.

A Igreja já devia ter percebido que não é ela a senhora, que o século de obscurantismo devia já ter acabado e que embora continue a manipular milhões de mentes ainda tem mentes que dispensam as suas opiniões; aliás, o que é a Igreja senão um grupo de pessoas que, tal como os políticos, gerem um negócio de controlar pessoas por benefício próprio? E se somos livres para escolhermos os nossos políticos (na definição de Eça de Queirós), por que não podemos escolher as nossas leituras?

Aliás, a Igreja, se não fosse precipitada, se tivesse percebido que já passou a época do Index Librorum Prohibitorum, saberia que as suas polémicas acerca da arte só freiam alguns sujeitos descerebrados que sem orientação não andam e que os restantes vão à procura, nessa arte proibida, do motivo da sua proibição, o que a veicula ainda mais. 

Que vende mais hoje do que uma polémica? Nesse sentido, deus salve a Igreja!

20 de outubro de 2009

DEUS E LÓGICA NÃO COMBINAM

Vezes e vezes recebi um mail, em todas as formas possíveis de mensagens correntes, em powerpoint, jpgs, simples textos, recomendando mandar seguir para não ter azar posteriormente. Hoje, apanhei de novo esse texto e resolvi responder.A primeira parte disto trata-se do referido texto. A segunda a minha resposta.


PRIMEIRA PARTE

Um professor ateu desafiou seus alunos com esta pergunta: – Deus fez tudo que existe? Um estudante respondeu corajosamente: – Sim, fez!– Deus fez tudo, mesmo? – Sim, professor – respondeu o jovem. O professor replicou: – Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e considerando-se que nossas acções são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mal. O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haver provado uma vez mais que a Fé era um mito. Outro estudante levantou sua mão e disse: – Posso lhe fazer uma pergunta, professor? – Sem dúvida, – respondeu-lhe o professor. O jovem ficou de pé e perguntou: – Professor, o frio existe? – Mas que pergunta é essa? Claro que existe, você por acaso nunca sentiu frio? O rapaz respondeu: – Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objecto pode ser estudado quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor. E a escuridão, existe? – continuou, o estudante. O professor respondeu: – Mas é claro que sim. O estudante respondeu: – Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. A escuridão é na verdade a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newton decompõe a luz branca nas várias cores de que se compõe, com seus diferentes comprimentos de onda. A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está um determinado local do espaço? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local, não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente. Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor: – Diga, professor, o mal existe? Ele respondeu: – Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e violência diariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o mal. Então o estudante respondeu: – O mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O mal é simplesmente a ausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que acontece quando não há luz. Texto que circula na Internet. Autor desconhecido.




SEGUNDA PARTE

Os colegas ficaram todos embasbacados com a resposta do estudante e começavam já a pensar se não deviam converter-se para a religião do brilhante colega que conseguiu reduzir a zero as pretensões de superioridade ateia do professor. Mas antes que tivessem oportunidade de o fazer, levanta-se um outro aluno e pede licença para falar.– Primeiro, reconheceria como bom o argumento do meu colega, se não fosse falacioso. Ele falou da inexistência do frio e do escuro, dizendo que a física não os estuda, mas apenas aos seus opostos, o calor e a luz, respectivamente. Depois falou da inexistência do mal no mesmo termo, classificando o mal como um conceito físico e não moral. Não devia estabelecer uma comparação directa entre os dois conceitos, pelo menos se não for de forma alegórica. Porém aceitando a sua justificação de que o mal é a ausência de Deus prova-se a inexistência deste pelas mesmas razões pelo colega apresentadas: Nós podemos medir e classificar o mal, através de estatísticas, dizendo quantos foram mortos, quantos foram assaltados, quantos foram violentados, classificando o tipo de morte, de assalto e de violação, podemos contabilizar de diversas maneiras as consequências do que chamamos de “mal”, e durante essa contabilização, podemos incluir autocarros explodidos, cidades invadidas, inocentes mortos em nome do sempre presente Deus, podemos incluir crianças violadas, pessoas intrujadas, casamentos e famílias desfeitas em nome de Deus, podemos incluir paranóias agudas, roubos de identidade e de liberdade de pensamento em nome de Deus, de tal maneira que Deus e Mal seriam sinónimos e não opostos como o colega quis mostrar. E se, o mal é ausência de Deus, e sendo que a toda a hora constatamos a presença do mal, significa que Deus nunca está presente, pois o escuro desaparece com a luz, e se Deus equivale a luz, não poderia de forma alguma existir o mal. Além de mais, a existência do mal é uma negação à omnipresença de Deus, sendo que Deus seria um mentiroso por se ter afirmado omnipresente.



Texto de Marinho de Pina




TERCEIRA PARTE


E o colega respondeu: – [alguém?]...

14 de agosto de 2009

ERÓTICO OU PORNOGRÁFICO - no plano literário



Há uns bons pares de anos, na Inglaterra, um senhor chamado John Cleland resolveu escrever um livro pornográfico e imoral, contrário aos costumes de bons cristãos e civilizados - na altura -, o que lhe valeu a cadeia, - hoje -, um clássico da literatura erótica, e não só.

Cleland descrevia no seu livro aspectos sexuais, considerados libertinos, mas que eram mais praticados pelas próprias pessoas que publicamente os condenavam, estou a falar da classe média alta. Ainda hoje, as pessoas que mais se entretém com práticas sexuais de toda a sorte, que realizam grandes orgias e poderiam ser os mais sexualmente pervertidos se escrevessem duas linhas das práticas em que se envolvem, são os da classe alta, pessoas endinheiradas, pois têm-no... o dinheiro... são eles os políticos, os moralistas, os religiosos, os pais defensores da moral, etc. Enquanto estão a dar cara na televisão, nos jornais, atacam o sexo com todas as armas que têm, cantam a moral e glorificam a abstenção, mas longe dos olhos da média, a história já é outra.

No livro de Cleland, são visto nobres senhoras e os seus nobres senhores reduzidos a nada diante da fome sexual, ou da satisfação dessa fome, contrariando o adágio de que apenas a morte iguala os homens. A classe média alta pode fazer o que lhe dá na gana, mas até estas satisfações mais básicas querem e tentam retirar aos mais desfavorecidos na hierarquia das castas.
Ontem, Fanny Hill, As Memórias de uma Mulher de Prazer, era considerado um livro imoral e pornográfico, não obstante tivesse sido um best-seller na mesma época em que foi condenada, atestando desta maneira a hipocriasia que norteia os julgadores.
Eu não cheguei a ler Fanny Hill, só vi filmes, três versões, o que li foi A Filha de Fanny Hill, de autor anónimo, mas que se crê ter sido escrito pelo próprio Cleland, visto quando foi libertado por causa do Fanny Hill lhe ter sido imposto não voltar a escrever coisa do género, e, segundo o prefaciador, o estilo dos dois é similar.
Se o estilo é similar, sendo delicioso A Filha de Fanny Hill, e sendo uma sequela, presumo que Fanny Hill também seja delicioso. Ainda hoje deve haver certamente quem chame a este livro de pornográfico e imoral, (eu pessoalmente não sei distinguir a literatura, em prosa, pornográfica da erótica), mas se pornográfico consiste em utilização dos vocábulos "xungas", tal como caralho, cona, etc, então o livro não é, e muitos outros livros que não tratam de sexo, são pornográficos, aliás, o livro nem usa termos anatómicos, como pénis, vagina, e companhia, mas fala de lanças, botãos, heranças, e outros. O livro foi um dos mais éróticos que já li, senão o mais, mas vem numa linguagem que não chocaria nem a madre Teresa.

Na altura em que li A filha de Fanny Hill, li muitos outros, alguns títulos colhidos do Sete Minutos de Irving Wallace, um dos meus escritores preferidos... estava em constrante procura de materiais para as minhas sessões de onanismo... e, sim, concordo quando dizem que alguns livros são pornográficos e imorais (embora continue sem saber o que isso quer dizer), li o Trópico de Câncer ou do Capricórnio, já não lembro qual deles (vi o título num filme com Robert de Niro, Cabo de Medo e depois no Sete Minutos), a ideia era ler a trilogia de Henry Miller, mas fiquei-me nesse porque era simplesme sem sentido, palavras atiradas à toa no meu entender. O livro não era erótico, por não estimulava nada, não era literatura porque eram só palavras ordinárias e referências ordinárias, embora isso não significa nada, pois li um tal Bobowski, ou não-sei-quê (não me lembro do nome), Mulheres, esse era ordinariéssimo e vulgar, mas era boa leitura e conseguia ser erótico.

Agora vou voltar ao Fanny Hill. Lembrei-me de escrever este post, porque há dois dias, vi, coisa estranha, no comboio quatro senhoras a ler o mesmo título, Fanny Hill, os livros eram os mesmos, ou seja, da mesma editora, o que me fez pensar: Fanny Hill está em voga outra vez e a vender como o diabo, e por quê?, porque as pessoas torcem o nariz quando se fala de sexo, mas aguçam os ouvidos. Eu não leio livros eróticos simplesmente pela literatura e prazer de ler, como já referi, mas pelas minhas práticas solitárias propriamente, e fiquei admirado que, tal como ninguém gosta de ver pornografia em público, as senhoras estivessem a ler no público o Fanny Hill. Se elas estivessem a ler Milos Manara seria mais agressivo do que estarem a ler Cleland? É esta a diferença entre a pornografia e o erótico? Manara é porno, porque tem imagens? Nos filmes eu sei que quando não há penetração explícita (não falemos de sexo explícito que isso é para enganar), diz-se erótico, mas na literatura, como classificar? Em banda desenhada, como distinguir o porno do erótico? Engraçado, já em banda desenhada eu leio mais o erorismo pela arte do que propriamente pela recolha mental de material.

E Agora, outra questão, qual é o ponto deste post, juro que não sei. Mas a ditas senhoras no comboio, eram mais corajosas do que eu, a não ser que estivessem a pensar que ninguém saberia pelo título do conteúdo do livro, tendo em conta que a maioria só vê televisão e só conhece as bibliotecas pela fachada, e embora eu pensasse que estou quase livre dos preconceitos sexuais, não estou, pois fiquei chocado naquela altura que senhoras estivessem a ler Fanny Hill em público.