22 de fevereiro de 2008
O MUNDO E A TV - DISSEMINANDO A INTOLERÂNCIA
O MITO DA FÉNIX
Boinu fazia conexão entre as duas entidades mais respeitadas pelos egípcios, o Nilo e o Sol, o deus Rá; levantava-se de um e voava em direcção ao outro. Por essa razão, boinu acabou por ser identificado com o Sol.
Porém, foram os gregos que chamaram à ave de Fénix (vermelho) - o passáro do fogo, e lhe atribuíram as características que agora a patenteiam. Fénix, a ave que ao morrer se deixa consumir pelo Sol, para renascer das suas cinzas. O primeiro trabalho da Fénix consistia em levar as cinzas da sua antecedente ao Heliópolis (etimologicamente, cidade de Sol, geograficamente, Cairo).

e o seu conceito é identificável ao da Fénix
14 de fevereiro de 2008
E O AMOR É...
Mas todos sabemos que a fisiologia dos dois actos é o mesmo, e mesmo quando um dos dois pensa que está a fazer amor (com floreados) outro pode pensar que está a fazer sexo (seco e directo). Agora, falando do sexo; com quem é que as meninas sonham perder a virgindade? Com a pessoa que amam, a pessoa que vai ficar ao seu lado a vida inteira (eh, eis outra característica do amor ou da lavagem cerebral social).
Agora, basta disso tudo. Pensando na nossa condição de animal e tendo o sexo como um acto que nos é natural (embora muitos não o considerem uma necessidade homeostática porque, dizem, ninguém morre de não fazer sexo), e vindo no tempo até aparecerem as religiões que proíbem relações sexuais e fazem do sexo um acto impróprio e imundo a não ser quando praticado com o cônjuge (posteriormente – porque não se pôde domar o animal – com a pessoa que se ama).
Todos sabemos como os romanos e os gregos glorificavam o nu, e como o nu agora é visto de través; como os templos indianos eram ornamentados com figuras kamusútricas sem que isso ofendesse a ninguém (aliás, hoje fazem as delícias dos turistas); em suma, depois do cristianismo o sexo tornou-se mau, muito mais mau do que sempre foi.
Quando vemos num filme ou numa leitura duas pessoa a terem sexo, valorizámos mais isso quando a história diz que existe amor entre elas, aliás, até somos mais tolerantes com os homossexuais quando dizem que se amam. Aliás, quando queremos ir para a cama com uma pessoa, não é dizendo-lhe que a amamos o caminho mais rápido?
10 de fevereiro de 2008
SENTIDO DA VIDA
Que posso eu dizer da vida, de concreto, quando ela para mim já foi o paraíso, o purgatório e o inferno? Acho que nem mesmo Caronte, que passa a eternidade entre as margens de Styx saberia dizer o que é a vida.
Entretanto, tendo em conta que não se espera nestas linhas verdades absolutas, não vejo inconveniência em dizer as minhas.
Pegando na teoria dos opostos, o eterno dualismo, para dissecar o assunto, dividiríamos a vida em duas metades… ou mesmo, podíamos mantê-la una, mas ubíqua, representando em dois cenários: um trágico, outro cómico; e resumíamos tudo em dois planos: momentos de riso, momentos de choro, horas de alegria, horas de tristeza; tempo de dançar, tempo de carpir; e podíamos dizer: eis cá a vida tal como é.
Todavia, a vida não se limita apenas á nossa, mas também a dos que nos rodeiam, e ela só é vida comungando com essa, formando assim uma massa homogénea de diferenças. Não somos ilhas, mas subsistemas de um sistema. Logo, para definir a vida há que considerar a de todos os outros, e nesse sentido, acho legítimo dizer o que tantos outros já disseram: a vida não é nem comédia, nem tragédia… ela é uma farsa.
Sendo assim, como deve ser vivida? Rindo-se dela, no entanto. Eu explico:
Sentimo-nos bem quando assistimos a uma comédia (vida de outros) ou a uma tragédia; já louvámos Sófocles, Eurípedes, Shakeaspeare, adorámos Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Judas o Obscuro; dizemos: este sofrimento alheio foi bem descrito, até nos toca a nós. Manifesta-se assim o nosso lado sádico.
São personagens fictícias, eis a desculpa. Pois são, quem disse que não! Mas que de nós já não se riu um amigo que escorregou antes de tentar ajudá-lo (sei que há outros exemplos melhores, mas a minha inspiração lá não chega). Para não tergiversar mais, resumo: ríamo-nos de nós próprios, antes que outros o façam… e mesmo quando o fazem. Assim será mais fácil vivermos com nós mesmo e com eles.
Qual o sentido da vida? O riso; a loucura.
30 de agosto de 2007
ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NUNCA....


25 de maio de 2007
HORAS NEGRAS
Há vezes em que uma pessoa não sabe mesmo o que quer. Diz uma e faz outra, promete e não cumpre, pensa que sabe... mas não sabe nada. Há vezes tão negras na alma da pessoa que ela não consegue desfrutar nem mesmo de um sorriso que parece a mais sincera coisa no mundo. Durante esses momentos tudo parece preenchido de tristeza, miséria e falsidade; mesmo no meio de uma multidão a pessoa sente-se solitária, abandonada numa extrema solidão. As palavras deixam de soar, parecem sem sentido, as luzes apagam, o barulho não se distingue do silêncio, é tudo uma mistura caótica. Esses são os momentos infernais de uma alma.
São nessas horas que percebemos o quão ridículo é o mundo e como é enevoada a nossa consciência.
São nessas horas que, sem confiança, caminhamos numa ponte como se estivéssemos a cair num abismo... sem fé, sem certeza, com o céu carregado de nuvens plúmbeas a ameaçar desabar num temporal.
São nessas horas que não conhecemos o credo, não podemos mais confiar nem em nós mesmos, nem em pessoa alguma. Essas horas melancólicas acontecem quase sempre, a maior parte das vezes temo-las no fundo recalcadas, mas outras vezes saltam à vista, colando-se à pele, orientando os nossos comportamentos.
São horas do engano, em que usámos palavras sem saber verdadeiramente o que significam, que usamo-las tantas vezes e em tantas ocasião e com tantas pessoas que nem sabemos qual devia ser a verdade e qual não. Tantas que nem sabemos que estamos a mentir ou que somos vistos a mentir, pois ficamos viciados nessa mentira. O corpo, muitas vezes, não alinha, os olhos são também um inimigo, a mentira e dita mas não convence, pois os actos gritam o contrário.
São essas horas de logro, horas nuas e cruas, e cruéis ainda por cima que nos martirizam, que nos chamam lágrimas aos olhos. São nessas horas que percebemos que nada é nosso, nem mesmo o sonho que nasce na nossa cabeça, porque depende de outrem.
São nessas horas que percebemos que a única coisa que nos resta são as mágoas que nos incham o peito, sufocando-nos com soluços e tremores. A respiração corta, asfixiados pelos pensamentos, sacudidos pela tristeza e desilusão de ter confiado, chorando por uma inspiração errada, tentando desvanecer os conflitos interiores e agitar para quebrar as cadeias que nos acorrentam… Enfim, chovemos em desfeitas, ais, juras e tormentos. Parece-nos toda uma existência jogada fora, todo o tempo que podia ser precioso enclausurado num frágil ovo e desvalorizado. A nossa visão fica esfumada, não nos apercebemos do que se passa, o nosso ser é adulterado; não mostramos o que somos, ostentamos máscaras e vemos apenas o que queremos ver. No fim do teatro, quando o pano cai e as máscaras são postas de lado, a verdade aflora e a desilusão nasce. O pior é quando pensámos com cérebro de ouro e acabámos por ver pensamentos de lama. Grande desilusão.
A verdade é tão vedada que parece não existir, o sincero mistura-se com o falso, a animalidade com a santidade, o inferno e o paraíso não se separam… enfim, ninguém há que possa fazer um juízo justo e equilibrado. Que dizer quando não se tem voz? A mudez é o melhor remédio… se não cura, pelo menos não complica. É quando se diz: o incomodado que se mude; e é quando não se sabe dizer se o incomodado é o próprio incómodo.
Não há pior momento que o cair acidental das máscaras. Apanha-nos de surpresa, e não só a nós, mas também ao mascarado e principalmente a ele, pois nunca espera revelar a identidade.
É… foi sempre assim e assim continuará a ser até os homens começarem a mudar de casca. Estaremos sempre de máscaras prontas e a fazer política do ego. Quem é enganado não é estúpido, deixa-se enganar, é idiota.
São nessas horas em que não enganamos e somos enganados, em que acreditamos no que não devemos é que chamamos o nosso pesadelo e pintamos de negro a existência.
16 de maio de 2007
MADDIE vs MARIAS
Arrisco a passar-me por insensível, mas não sou, e tenho amigos que o possam confirmar, entretanto vou falar aqui de um tema muito forte, e tenho impressão de que vou ferir sensibilidades, mas espero que não seja por isso que não deva falar disto.Bom, cá vou eu. Nos últimos dias em Portugal, não há quem veja TV, ouça rádio ou lê jornais... ou ainda, use net... que não saiba que foi raptada uma menina com nome Madalena (escreve-se em inglês, pois ela é inglesa, mas eu não sei escrever o nome dela bem e não queria arriscar-me a errar). Eu sou contra rapto de qualquer espécie, o que quer dizer que o facto de terem raptado Madaleine (acho que é assim que se escreve) choca-me. Porém, todos os dias, recebo mais de quatro mails com fotos dela, mails de carácter de urgência e outras até com poemas dedicadas. Nos jornais... Enfim, a média está infesta de Maddie (é o diminuitivo dela)... Bom, talvez seja melhor usar outro vocábulo, e dizer as coisas noutro tom, só não sei a forma mais politicamente correcta para dizer isto. Mas vamos lá.
Portugal parece estar em reboliço porque desapareceu Maddie, e isso, acho eu, só porque ela se chama Madeleine, pois se fosse Madalena, ou Maria, não se preocupavam assim tanto. A imprensa estrangeira também está em Portugal, não se sabe se realmente preocupada com a pobre Maddie, ou se para curtir umas férias no Algarve disfarçadas de ordem de trabalho, pois na Inglaterra, na França, na Alemanha, no resto da Europa, parece que desaparecem por ano mais pessoas do que aqui, mas porque é que não fazem todo esse alarido lá? Tem alguma coisa a ver com política o facto de estarem a chover jornalistas cá por causa da Maddie? Será que se quer passar a ideia de um Portugal mais vulnerável para mobilizar fundos e ajudas da UE? Esse não é meu ramo, vou deixar de conjecturas.
Na África estão a morrer de fome, de guerra e males de toda a sorte, crianças que o mundo nega; nos países do terceiro mundo, em geral, crianças são raptadas, violadas, exploradas sexualmente, mas não há tanta imprensa à volta disso, e os internautas portugueses estão em paz de Deus.
Mas, isso é compreensível, pois esses países estão muito longe, e o caso Maddie aconteceu debaixo das nossas barbas (no nosso queixo?).
Mas a questão que se põe é: desaparecem em Portugal muitas Marias que não são faladas porque são Marias, outras que nem se sabe que desapareceram porque são filhas de imigrantes ou filhas de pobres.
Não pensem que sou contra Maddie, Deus me livre disso, mas sou contra essa hipocrisia barata e fodida com que se impregna as coisas para provocar outros efeitos. Parece-me que quem na verdade se está a lixar para Maddie, são os seus pais, familiares e amigos. Para a PJ é só um caso, para a Imprensa, uma notícia, para o povo, motivo de conversa, para o internautas, lixo electrónico.Na verdade, quem é que olha para a cara de outras pessoas nos sítios públicos para saber o que está essa pessoa a sentir, se está a ter ou não um belo dia, com intuito de ajudá-la (mas vou fazer disto a razão de um próximo post, e vou voltar a Maddie). Sendo as pessoas como são, posso crer que encontraríamos com Maddie dez vezes na rua, apesar de termos recebido mil vezes a sua foto na net, e ainda assim não a reconhecíamos, pelo simples facto de que estamos a lixar-nos para as pessoas com quem nos cruzámos.
O texto já está a alongar demais, quando começo a falar, não consigo parar. Só quero acrescentar mais uma coisa, quando vão mandar fotos da Maddie no vosso próximo mail, não se esqueçam de adicionar as fotos das Marias.





