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10 de junho de 2011

KADHAFI, O VIOLADOR DE MULHERES

ANTERIORMENTE, em EUA vs KADHAFI:

A 26 de Março, Iman al-Obeidi acusou a tropa de Kadhafi de terem-na violado, nessa altura noticiou-se que ela tinha sido conduzida pelos seguranças alegadamente para o hospital, porque desconfiava-se que Kadhafi iria mandar silenciá-la, e provavelmente era para o seu silêncio que a levaram. Porém, afinal tinha sido detida durante uns dias e libertada sob a ordem de não abandonar o país (só estou a repetir a média). 

A 2 de Maio, os netos, filhos de Kadhafi e civis libaneses foram bombardeados pela NATO.

A 5 de Maio, Iman al-Obeidi tinha conseguido fugir da Líbia e do regime de Kadhafi (temos de falar dela para mostrar que há coisas piores que a morte dos filhos de Kadhafi e que esses provavelmente mereciam morrer pelos pecados do pai; mas ninguém ouviu, o Bin Laden mandava na média).

Ainda em Maio (segundo a Lusa), Donatella Rovera, representante da Amnistia Internacional em Benghazi, disse ter feito invetigações e reunido provas contra Kadhafi que fariam dele um criminoso de guerra, dizendo pérolas como estas:
  1. As tropas de Kadhafi estão a usar armas de forma indiscriminada, como os mísseis russos Grad (de longo alcance) e projécteis de artilharia e morteiros, que têm uma grande margem de erro. 
  2. Nas últimas duas semanas e de forma cada vez mais intensa, os ataques estão dirigidos especialmente ao porto de Misrata, além de continuarem os bombardeamentos indiscriminados que estão a matar e ferir civis.
Ainda em Maio, dois soldados da força de Kadhafi que foram presos revelaram a Andrew Harding, um jornalista da BBC,  que aquele os mandava, através dos respectivos comandantes a violarem as mulheres, a troco de 10 dinares, qualquer coisa como 6 euros, e um deles ainda afirma que não queria e que foi a primeira vez que teve sexo. Ainda Andrew disse que: alguns rebeldes estão a oferecer-se para casar com as as vítimas para "livrar a família da vergonha".


AGORA, em EUA vs Khadafi:

Junho, eis algumas notícias que podem ser encontradas no site da RTP:
  1. Os investigadores têm provas de que o líder líbio Muammar Kadhafi ordenou violações em massa e distribuiu estimulantes sexuais [como o viagra] aos soldados, revelou hoje o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI). 
  2. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu hoje "intensificar a pressão" contra o líder líbio Muammar Kadhafi até que ele abandone o poder.
  3. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou quarta-feira a Abu Dhabi para participar hoje numa reunião internacional sobre a Líbia, que deverá preparar a situação do país pós-Kadhafi, indicou um responsável norte-americano.


REVIEW DA SÉRIE

Os argumentistas ou estão a brincar com a nossa inteligência ou então consideram-nos de antemão estúpidos. Se já puseram as cartas todas na mesa, mostrando com claridade a sua intenção, por que raio ainda se metem em enrolações quando nós já sabemos mais ou menos como vai ser o desfecho de EUA vs Kadhafi?

Não pretendo que não tenham ocorrido violações, nem estou a defender a impunidade dos violadores, o que não compreendo é o furor ocidental de defender a honra das mulheres, principalmente os americanos, quando os EUA tem um dos maiores índices de crime sexual. 

Um bocado recentemente foi Julian Assange a quem pescaram com esse isco, e mais recente ainda foi o Bin Laden que usou a esposa com escudo humano, agora é o Kadhafi que manda violar as mulheres. Pelo que sei de Kadhafi ele é, digamos assim, doido, mas duvido que seja desse tipo de doidice (mas eu sei lá), no entanto isso não justifica a invasão. 

No post que escrevi sobre a morte de Bin Laden, referi que haveria de acontecer alguma ligação entre ele e o Kadhafi, de maneira a que os americanos encontrassem uma desculpa para a Invasão à Líbia (parte 2 daquele filme de Chuck Norris), mas enganei-me não foi preciso relacionarem as duas coisas. Se no Iraque entraram por causa das armas de destruição massiva, na Líbia vão entrar pelas armas de violação massiva.

Há um par de anos apareceu notícia sobre soldados da ONU que abusaram sexualmente de crianças na África e América do Sul, mas: ah, que é isso?, são apenas danos colaterais!; ninguém culpou a organização, só houve uma desculpa formal. Soldados americanos violaram iraquianas, ninguém se lembrou de culpar a Bush. E ainda os soldados do Vaticano são constantemente acusados de abuso sexual e os EUA não reagem e o máximo que acontece é, novamente, uma desculpa formal por parte do Vaticano.

Kadhafi vai ser um criminoso de guerra também porque os seus soldados mataram civis líbios numa guerra civil, mas a NATO vai ser glorificado porque os civis líbios que matou foram apenas danos colaterais. 

As pessoas violadas merecem justiça? Sim, merecem. Mas quem deve aplicá-la, os EUA? Pelo amor de Deus. 

Epá, apenas invadam lá a Líbia, antes que dêem à China o petróleo, e não arranjem desculpas ridículas.

23 de maio de 2011

VASSALOS PÕEM-ME A MIM A VASSALAR


A civilização, hoje, relaciona-se mais com a capacidade tecnológica e não com o que lhe deu origem civita, cidade, ou seja aglomerado de pessoas. Aliás, lembro-me de um professor meu, que para ele, a cidade não se refere a aglomerado de pessoas que vivem segundo umas determinadas leis morais, sedentárias, abrigadas e fazendo uso de estruturas e infra-estruturas que facilitem a sedentarização, mas sim a quantidade de pessoas, de maneira que para ele, Lisboa não é uma cidade, porque não tem os milhões de pessoas que Nova Iorque ou Tóquio abrigam; ou seja, pelo número dos habitantes, Lisboa seria uma aldeia, e seguindo a ideia, Guiné-Bissau seria um país sem cidades porque o número da sua população é quase igual, ou pode ser menos ou mais (não sei), do que a população de Lisboa. Hoje a definição da cidade mudou, daí que temos vilas, aldeais, tabancas, entre outras denominações.

Entretanto, apesar das diferentes denominações que o aglomerado pode receber, ainda continua a ser o cumprimento das regras de um civita a fazer um civil, ou um bom civil, um civilizado e com civilidade. É claro que os europeus julgavam que a civilidade era rezar padres- nossos, e quando foram escravizar a África, disseram que lhes estavam era a levar a civilização. Hoje, mais do que antes, a civilidade define-se pelas regras europeias e não pelas regras civis de qualquer aglomeração civita.

Pois bem, depois da longa introdução vou ao ponto, ontem estava a passar na TVI o seu novo programa, Perdido na Tribo, ainda achei que talvez valesse a pena ver pela sua componente antropológica, porém rapidamente me apercebi que a maioria dos participantes estavam ali apenas para fazer figura e ganhar dinheiro do que propriamente interessada em aprender uma cultura diferente, e toda aquela cambada julga que a sua cultura é melhor do que a do povo com quem convivem, e nenhum parecia saber que não há melhor ou pior em termos culturais  – quando éticos – sendo que estes são sistematizações de regras, e a partilha de uma cabaça de água para beber pode ser tão ridícula como a missa do Natal e o Coelho da Páscoa, ou tão porca como uma partilha de germes pelo beijo.




É certo que todos os concorrentes ficaram fora da sua zona de conforto e nenhum deles é antropólogo, mas eu julguei que pelo menos teria recebido um preparação mínima para se comportarem como convidados da tribo com quem conviviam e não como os seus senhores. E foi de extrema incivilidade os participantes vomitarem e fazerem esgares de nojo, depois de provarem um pitéu oferecido pelos nativos. Julgaram eles que o sentimento de mágoas que a repulsa provoca é exclusiva dos europeus? Eu, pelo menos, quem entrar na minha casa para torcer o nariz pelas minhas práticas não será bem-vindo e será posto fora, e aposto que eles fariam a mesma coisa.

A expressão máxima da incivilidade desses participantes foi José Castelo Branco, que na verdade, pelo seu estilo (não estou a falar da sua sexualidade, mas da sua extrema finece), não sei o que foi ali fazer, mas ele resumiu bem esse sentimento europeu de serem os mais civilizados e donos do mundo quando ao lhe ser ensinado a apanhar a água correctamente, veio com esta (a partir do minuto 4): vassalas me põem a mim a vassalar. Ai, meu deus!, como os tempos mudaram. Ai, sim, ai, bom, com que então os pretos são vassalos, não importa se estão na sua casa ou não?

É extremista usar o exemplo de Castelo Branco para caracterizar todos os participantes, mas se ele assim falou, a maioria assim agiu (não consegui mais ver o programa depois disso, já estava farto da estupidez e teimosia dos europeus, e essa foi a gota de água). E seria, também extremista, ilustrar com isso o facto de boa parte dos portugueses acharem que os pretos cá em Portugal deviam era apenas servi-los, fazer os trabalhos que eles não querem e ainda por cima irritarem-se por estes estarem a ganhar migalhas por esses trabalhos (mas isso é para um outro fórum).

De antropologia, antropologia, esse programa da TVI só tem fogo-de-artifício, está mais centrado nos europeus do que nas culturas onde estes foram inserir, melhor é voltar para os documentários feitos pelos verdadeiros antropólogos que participam nas actividades das tribos mais estranhas sempre respeitando as suas normas e não mostrando-se superiores. 

2 de maio de 2011

BIN LADEN NA ÁREA - A Morte do Prevaricador

Todos os jornais estão a noticiar a morte do Bin Laden, herói extremista e ídolo inconfesso de muitos ganzados pseudo-revolucionários neo-cheguevaristas anti-americanos.

Pode ser que Bin Laden esteja morto, mas duvido que tenha sido ontem que o mataram, aliás acredito mais na versão do American Dad de que ele está a trabalhar nos Estados Unidos. E, por isso mesmo, nem vou referir ao recém-proclamado dia do orgulho mundial pela "morte" dele, comentado com tanta jactância que mete inveja ao próprio Satã pela popularidade perdida (acho que vamos ter a partir de hoje dois feriados mundiais seguidos).

E é também por isso que nem irei falar dessa ridícula história do corpo deitado ao mar, por nenhum país muçulmano o querer, principalmente, quando ainda no ano passado diziam que ele era protegido pelos iemenitas e até tinha casado uma mulher iemenita. E nem referir ao facto de os americanos, por serem os maiores cavaleiros e protegedores das mulheres do mundo, terem um motivo para odiar que Bin Laden tenha usado a sua como escudo humano, uma razão por que devia ser mesmo morto. 


Quem prestar um bocadinho de atenção vai lembrar-se de que ontem foi noticiado a morte do filho e netos de Kadhafi, bombardeados pela NATO, e como todos sabem, esse ditador é um super-anti-américa-imperialismo, e, por ser lixado da cabeça, todos temem uma retaliação dele pela morte dos filhos contra o Ocidente e a sua coligação. 

Então o que fazem os americanos? (atenção: spoilers!) Mais uma armação: 
  • primeiro, vamos desviar a atenção sobre a morte dos entes de Kadhafi, mandá-la para as páginas secundárias; 
  • segundo, vamos pôr todo o mundo a falar de Bin Laden, que por nos ter magoado a nós, fizemos com que todos eles o odiassem, e embora façamos aos outros pior do que ele (se é que foi ele) nos fez, somos considerado heróis;
  • terceiro, vamos criar um enredo que ligue Kadhafi a Bin Laden, tecer as duas tramas numa apenas, promover alguns ataques suicidas pela Europa fora, de maneira a podermos culpar Kadhafi de coligação com os terroristas (o que sempre temos vindo a fazer), e assim com a benção (ou mesmo sem ela) do mundo, invadirmos e depormos Kadhafi, e conquistarmos a Líbia. Bem, se funcionou com Saddam, se temos depostos pelo mundo inteiro presidentes que não gostamos, por que não vai funcionar agora?
a horrível foto do corpo de Osama Bin Laden
Estou agora à espera de dois filmes e best-sellers: A MORTE DE BIN LADEN ou OBAMA E A LIMPEZA DA CAGADA DE BUSH, e outro dos grandes adeptos de teoria de conspiração, que vão mostrar como um homem pode representar uma ideologia e ser culpado pelos pecados da humanidade.

Bin Laden é para os americanos o equivalente do Hitler para os judeus, podem fazer ao mundo e aos palestinos o mal que quiserem, mas basta dizerem esses dois nomes aos revoltosos para toda a gente baixar a bola por comiseração e empatia.

Uma amiga falou-me da baixa do preço de petróleos relacionada com a morte de Bin Laden e... deus!, sem comentários.

Eu sempre me pergunto: há alguém que ainda se deixe enganar pelos americanos?

14 de abril de 2011

O MITO DA BELEZA - o mito do mito


Sei o que significa o Mito da Beleza, conheço a ideia por detrás, todavia não entendo o porquê do mito nesse termo, razão pelo qual sempre me intrigou o título. Bom, quando dei por mim a pensar muito sobre o assunto, resolvi que devia cavar mais ao fundo e conhecer a filosofia ou seja lá o que for que sustenta a teoria. E foi durante essa escavação que descobri o livro O Mito da Beleza, de Naomi Wolf, que suponho ser o introdutor da referência na linguagem comum.

Não li o livro todo, apenas o primeiro capítulo, visto ser o que me interessa para esta reflexão, no entanto gostei da forma de expor da autora e pretendo fazer uma resenha descritiva, ou um resumo do livro, logo que conclua a leitura.

Intriga-me a palavra mito no termo O Mito da Beleza porque… bem, para pôr a limpo o que sabia do mito e da beleza fui a um dicionário enciclopédico para determinar os seus significados (sim, dicionário enciclopédico, embora pareça menos rotundo que uma enciclopédia, parece-o mais que um dicionário; razão da sua escolha). Eis o que encontrei:

MITO: (Blá-blá-blá.) O mito oferece sob a forma de um relato alegórico, uma explicação ou interpretação da realidade cósmica e humana. Mito na sociologia: crenças ou valores de uma determinada sociedade transmitida de geração em geração, conferindo-lhe estabilidade. Neste sentido, é possível falar do mito da liberdade, da lei, do estado, etc.


BELEZA: Abstenho-me de transcrever o que li sobre a beleza, porque envolve filosofia, psicologia, sociologia e outras tantas lógias que, prefiro ficar no termo comum. Beleza é o belo, o agradável que causa uma impressão positiva e faz com que gostemos do objecto contemplado. Há livros imensos sobre o belo, volumes sobre a estética em diversos períodos da História da arte (subentende-se História humana), de maneira que não poderei transpor para aqui o conceito do belo. Entretanto, a beleza que quero aqui referir é a aparência humana.

Eu precisava de fazer isso porque se me perguntassem o que era mito eu simplesmente diria é uma mentira qualquer tomada por real e que pretende significar alguma coisa. E essa minha ideia do mito, significaria que a beleza é uma mentira com que as pessoas se iludem. E de uma certa maneira acho que é mesmo isso que o termo Mito da Beleza pretende transmitir. Posso estar errado, porque já tinha uma ideia formada quando fui ler o livro, e talvez precise de um ponto de vista alheio para contrabalançar. Entretanto, seguindo em frente.

Se a História determina a existência do conceito da beleza e a psicologia também o faz, por que então a beleza é considerado mito? A beleza, é certo, não é universal e nem atemporal (pelo menos a humana; todavia, tenho sérias dúvidas sobre esta minha declaração), mas fruto da cultura e do modismo, de tal maneira que elementos considerados belos em determinadas sociedades não os são noutras? Será por essa sua relatividade, como refere a definição sociológica do mito, que a beleza se considerou mito?

No entanto, vemos que com o desenvolvimento da comunicação e a globalização, esses elementos do belo (ressalvo que estou a referir-me à aparência humana) têm vindo, devida ou indevidamente, a padronizar-se. A arte erótica está cheia de mulheres com o corpo do tipo afro-latino: glúteos cheios, peitos soberbos e costas curvas, até mesmo os mangas e hentais japoneses, povo com mulheres de aspecto delicado, publicitam essa imagem de mulher, Druunas voluptuosas para encher os olhos.

Culpa-se a comunicação social, geralmente o Hollywood de mercantilizar esses estereótipos e padrões de beleza, porém prefere-se não ver que que Hollywood é uma indústria e que como tal trabalha com consumidores e dá-se aos consumidores o que eles desejam para não ter de declarar falência. Hollywood dá-nos o que pedimos, pessoas com padrões de beleza que correspondam ao nosso ideal, ou pelo menos, o ideal ocidental. 

Se o classicismo está prenhe de mulher com seios pequenos, pneus e celulite localizados, a contemporaneidade está cheia de mulheres siliconadas, maquilhadas e photoshopadas. Se antes os adolescentes excitavam-se quando viam as Venuses de Ticiano, hoje fazem-no com Pamella Anderson (eu preferia Charlize Theron). A beleza é tão sobrevalorizada na nossa cultura que preferimos mudar de canal de televisão quando a apresentadora não entra nos padrões, e depois somos nós mesmo que nos queixamos da superficialidade. Não pretendo fazer uma apologia de Hollywood, apenas mostrar que não estamos isentos de vivificar o mito (vamos por enquanto chamá-lo assim). E por que o fazemos?

A natureza é bastante competitiva, os seres têm que ser fortes porque a lei da sobrevivência assim o exige, e essa força revela-se tanto entre diferentes espécies – a gazela mais rápida que o leão, para ter hipótese de sobreviver – como entre a mesma espécie – machos-alfas, pavões com penas mais estonteantes, colibris com o trinar mais alegre são os preferidos para o acasalamento. A questão é que a sexualidade nos animais talvez esteja mais marcante na época do acasalamento, enquanto para nós, humanos, acompanha-nos a vida toda (a acreditar no Freud). Tal como os restantes animais temos os nossos parâmetros sexuais, e diferente dos restantes animais o jogo da sedução no nosso caso é duplo, e como não nos guiamos apenas por instinto e feromonas, definimos as preferências através de determinadas directivas. 


  
se a beleza não existe por que essas pessoas parecem bizarras à boa parte de gente? a beleza é relativa, porque elas são belas num dado contexto sócio-cultural

Se parece que um homem prefere casar-se com uma mulher bonita e pobre em vez de uma rica e feia, assim parece que uma mulher prefere casar-se com um feio e rico em vez de um bonito pobre (embora nos dois casos queiram ter o rejeitado como amante – pelo menos a literatura está cheia de exemplos desses). No entanto, a posição da mulher compreende-se melhor, visto que praticamente, apenas nos últimos 30 anos, nos casos mais felizes, a mulher começou a poder fazer a própria escolha e a trilhar percursos antes exclusivos ao homens, ou seja, a sociedade masculinizada e machista não lhe deixava outra opção senão fisgar homem com posse, e séculos de condicionamento não se desfazem de uma hora para outra.




Daqui segue-se para a questão: e por que os homens preferem as mulheres bonitas? Porque a beleza não é um mito, a beleza existe e é apreciada. Pode variar conforme os tempos e as culturas, porém sempre existiu e tal como os pavões, nós também, humanos, somos atraídos por ela. Não há sociedade que não seja escrava da beleza, porque não há ser humano livre de conceitos estéticos. Entretanto, é costume dizer (o que não creio ser verdade), que as mulheres ligam menos à aparência física do que os homens.

Bem, suponho que a diferença entre o homem e a mulher na maneira com se relacionam com a aparência - se é que é assim tão acentuada hoje - se deva ao facto de que o homem possuía o poder (partindo lá dos antigos), e portanto possuir objectos belos fazia parte de mostrar a sua imponência; e como mostraria o seu poder, apresentando palácio sumptuoso, estátuas bonitas, pinturas geniais, sem possuir uma mulher bonita? Atentem-se à palavra posse - e lembrem-se também da sua acepção sexual -, todos sabem que o casamento é um contrato; se hoje se diz mútuo, nem sempre foi assim, o homem sempre comprou a mulher com dotes, e nas culturas onde a mulher era ainda mais subvalorizada era ela que tinha de pagar para alguém a casar – subentenda-se escravizar. Ou seja, tal como as mulheres, os homens também sofreram condicionamento, podiam preferir uma concubina ou amante feia, mas tinham de se apresentar com mulheres bonitas (aliás, todo o mundo não criticou o Príncipe Charles de Inglaterra por preferir Camila à Diana).


Por enquanto, vou parar aqui o post, mas a análise do conceito e do livro continua.

4 de abril de 2011

POR QUE LER OS LIVROS?


Curiosa pergunta, considerando que para ser (a)percebida tem que se saber ler. Mas ver por esse prisma seria generalista e sofisticamente falacioso (se é que se pode dizer isso). Os mais atentos sabem que quando se falar de ler, da leitura, não se fala das legendas dos filmes, nem mesmo dos blogs, ou dos e-book (o que é muito injusto para estes dois últimos).

Lamenta-se muito que os jovens já não leiam, que a internet e a televisão consumam todo o tempo que poderia ser melhor aplicado numa leitura. Não vou dizer que não concorde, sendo eu um bibliófilo, ou melhor, um bibliómano inveterado, porém, não entendo por razão há best-sellers e best-sellers e cultos de autores se se diz que as pessoas lêem menos; quem compra esses livros? Ou será que está implícito nessas afirmações de que a leitura hodierna faz-se sobre lixo?

Eu sei que até os jornais sucumbem ao lixo (cito o Metro e o Destak), concorrendo cada vez mais fortemente com a imprensa cor-de-rosa para aumentar o seu consumo (ou as suas vendas). 

Se a iluminação que as leituras nos poderiam proporcionar não está a mostrar efeitos apesar da quantidade de livros que se vendem por ano, pergunta-se: está-se a vender livros errados? Aqui está a razão da pergunta em epígrafe.

Calvino escreveu Por quê ler os Clássicos?, Schopenhauer, O Perigo da Leitura Excessiva, no seu Da Leitura e dos Livros (que ainda não li todo), bons textos que ajudam a reflectir sobre os livros.

Tenho uma amiga viciada em livros, uma semana sem ler é um suplício para ela, entretanto, o tipo que lê são os romances cor-de-rosa que eu chamo de terceira categoria (não à frente dela), Julias, Harlequins e cia. Eu pergunto, qual é a diferença entre ler isso e ver uma novela? Leitora, ninguém pode dizer que ela não é, mas qual o benefício dessa leitura? Ainda conheço outra pessoa que até se desinteressar dos livros era leitor imparável de Disney, acho que o último livro que leu foi há doze anos atrás.

Por quê ler se a leitura são sobre coisas supérfluas? Não sei bem, mas se calhar porque ajudam a criar coerência no raciocínio, saber transpor para o papel o pensamento e fazer interpretações "certeiras" de um texto.

Eu aprendi pelos livros, tive o carácter formado pelos livros (entre aspas), por isso sei o valor que os livros têm e recomendo-os sempre, entretanto não um livro qualquer, e quando digo qualquer, não estou a falar apenas de leituras dispensáveis (ou que assim considero), tal e qual esses Harlequins ou livros imensos de fofocas sobre outras pessoas, porém também de livros muito bem construídos, mas que não são mais do que publicidades errôneas de alguma ideia ou movimento; embora possa parecer contraditório quando digo que já recomendei Mein Kampf (não como uma leitura positiva, mas com uma positiva estruturação da negatividade - entenda quem entender) a um bom par de gente.


E se alguém pensava que eu tinha resposta aqui para a pergunta acima, descanse, não tenho. Mas reconstruo a questão:  por quê ler se só vamos ler lixo? E quem sou eu para dizer que uma leitura é lixo sem saber como pode ajudar a outrem?

31 de março de 2011

ZEITGUEIST O FUTURO É AGORA, 2011 (Zeitgeitst, Moving Forward)

Zeitgeist!, termo vindo dos filósofos alemães significando o Espírito do Tempo, é também o título da trilogia de documentários realizados por Peter Joseph, com a intenção ou pretensão de mostrar o espírito do nosso tempo. 

O primeiro, Zeitgeist The Movie, começa por identificar a religião cristã (subentendendo as demais) com uma máquina política, baseada em mentira, servindo para lavar o cérebro das pessoas deixando-as em banho-maria de maneira a facilitar a manipulação. Depois, passa para o ponto de viragem de todas as politiquices do Séc. XXI, a queda das torres gémeas (por que raio isso me faz pensar em Tolkien?), e culpa a Presidência dos Estados Unidos desse ataque. E a seguir lança luz sobre como os poderosos titereiros querem controlar o mundo, usando a economia para isso e os bancos para o fazer.  Escrevi sobre isso aqui.

O segundo, Zeitgeist Addendum, continua o tema e entra pelo sistema bancário, que não sei dizer se é o trono do capitalismo ou o seu pilar fundamental, e desmascara práticas que nos acorrentam enquanto passam a ideia de nos estar a libertar. Referi-me ligeiramente a ele aqui.

Neste terceiro, Zeitgeist Moving Forward, traduzido para português por O Futuro e Agora, o realizador, militante e movimentista, Peter Joseph, continua a ideia que tinha pegado nos filmes anteriores, mostrar a degeneração do sistema capitalista e dos seus filhos e afilhados: o hedonismo, o egoísmo, a hipocrisia, a busca desenfreada pelo poder (leia-se também dinheiro), e do qual se destaca o consumismo.  No entanto,  considerando a temática dos dois primeiros filmes e a acidez do ataque este aqui parece mais calmo, e para os mais desantentos e para os aficionados de teoria de conspiração, que buscam nele algum enredo a Hollywood, é morno e desencorajador. No entanto, este terceiro, não tão chocante (dependendo da definição de choque) como os dois primeiros, é porém melhor e com um tema mais necessário, na medida em que se foca na Ética.



O documentário está dividido em três partes e meia (ou quatro, conforme eles).

A primeira parte trata da educação e das suas consequências. Costumamos ouvir que o mundo é mau e que somos propensos a violência, mas, na verdade, a nossa educação, ou a falta dela, é que nos induz à violência. Não há determinismo genético para isso, nem nada que pareça, pais violentos geram filhos calmos, pais calmos geram filhos violentos, aliás o próprio Deus não gerou o Diabo? Refere a muitas comunidades que devido à forma como educam, a violência e o crime são mínimos no seu seio.

A segunda parte volta-se, como no segundo filme, para o sistema monetário, mas não fica apenas pelos bancos, analisa todo o subsistema da máquina de gerar dinheiro, que promove o desequilíbrio social e o deficit da educação resultando no mundo complicado e caótico que temos. Fala do consumismo e da maneira como o incentivam em detrimento da estabilidade ecológica, por exemplo a obsolência programada, que consiste em fazer produtos com uma data de vida limitada (e cada vez mais curta), de maneira a que o consumidor possa comprar sempre novos e descarte esses. Ou do sistema de saúde que se enriquece com a quantidade das pessoas doentes, ou ainda do sistema prisional que usa o número de presos com produtos para jogar na bolsa de valores.

A terceira parte, tal como no segundo filme, é uma propaganda ao Projecto Vénus, que os autores acham ser o plano ideal para a substituição do novo sistema. Ecologicamente é o melhor sistema que já vi, baseado em modelos como a Cidade-Jardim de Howard, Unidades de Vizinhança, de Perry, e recomendações da Carta do Novo Urbanismo, é um modelo potencialmente funcional; mas isso em termos urbanos de contexto físico. Em termos políticos... bem, eu sou um idealista, e acredito numa utopia, não sei se é este projecto, não sei se um próximo, mas em alternativa a este sistema que temos não tenho receio em experimentar o Vénus. Entretanto, já fui ensinado pelos porcos de Orwell, acaba sempre por haver alguns animais mais iguais que os demais; razão porque o único "ismo" em que acredito é o humanismo. Mas de qualquer forma, apostaria num sistema Vénus, se fosse mesmo íntegro como o vendem.

A quarta parte volta outra vez ao sistema económico, misturando já os assuntos falados na três primeiras partes mostrando a possível cura ou uma alternativa medicinal para os problemas sociais.



Zeitgeist é uma trilogia que merece e deve ser vista. Tem muitas coisas com que não concordo e que me causam dúvidas (e evito formular opinião), entretanto deixando os detalhes e concentrando-me no quadro geral, Zeitgeist, a trilogia, é obrigatória.

Agora, Zeitgeist como movimento não sei; por que não entendo o sentido de entrar para as suas fileiras ou proclamar-se seguidor do movimento enquanto cá fora, na vida real, continua-se a agir de acordo com egocentrismo capitalista da busca desenfreada pela vanidade. Não vale a hipocrisia. Eu sei que qualquer sistema derruba-se mais facilmente por dentro, mas estou farto de saber de infiltrados que acabam corrompidos.

No entanto, na falta de uma alternativa, "rezo" para que o Projecto Vénus tenha sucesso, embora saiba que quando começar a ser implementado vai ser loteado de ricos e excêntricos que tiverem dinheiro para comprar uma parcela de solo, e as crianças africanas a morrer de fome, tão usadas por eles como propaganda negativa para o sistema actual, vão continuar a morrer.

23 de março de 2011

UMA QUESTÃO DE... MERDA


Os seres humanos amam o perfume dos seus próprios excrementos, mas não o odor de dos outros. No fundo fazem parte do nosso corpo. (…) Levantei-me e olhei para as minhas fezes. Uma bonita arquitectura em caracol, porém fumegante. Borromini. (…) O cocó é o mais pessoal e reservado que temos. O resto os outros podem conhecer (…) Inclusive os teus pensamentos. Mas o cocó não. Excepto por um breve período da tua vida, quando a tua mãe te muda as fraldas (…) Os caminhos do senhor são infinitos, disse a mim mesmo, também passam pelo olho do cu.


Realmente todos nós merdeamos (limitando a referência ao sentido biológico do termo e sem intenção de ser escatológico), todavia a merda tem um significado bastante íntimo, muito mais íntimo que o sexo, de maneira que acaba por ser ainda mais escandalosa que ele. Todo o mundo partilha o sexo, mas a merda é mais solitária que a masturbação, razão por que o fazemos à porta fechada (limitemo-nos à merda ocidental). É claro que há excepções para tudo, encabeçando o exemplo, o par de coprófagos mais famoso do Séc. XXI, as senhoras da 2 girls 1 cup, mas os nossos sapientíssimos psicólogos chamam-nas, às excepções, de desviantes, e os precavidos higienistas com razão avisam que é uma actividade pouco, ou nada saudável.

A merda, ou melhor, merdear é o maior tabu da nossa sociedade, apesar de qualquer pessoa saudável o fazer pelo menos uma vez por dia (ou devia fazê-lo com essa frequência; bem não sei precisar o melhor número diário, mas julgo que em grande número o melhor é consultar um médico). E a nova geração está tão empenhado em desafiar os tabus, principalmente à porta fechada, que práticas como o beijo grego ou o ATM (não confundir com as caixas de multibanco) são cada vez mais comuns. Será isto uma demonstração de coprofilia em estado latente?

Trabalho num supermercado e vejo todos os dias pessoas a comprarem papel higiénico, e quando, há dias vi o filme Mary e Max e as referências escatológicas ali deixadas (e que me remeteu ao texto de Umberto Eco, do livro A Misteriosa Chama da Rainha Loana, com que abri o post) comecei a ficar com desejo de entrar na cabeça dessas para saber se pensam alguma coisa sobre o que pensam os outros pelo facto de comprarem papel higiénico ou se simplesmente estão-se a cagar, pois comprá-lo atesta claramente que a pessoa merdeia.

À merda relacionamos o peido (é melhor dizer flatulência, para não parecer ordinário, e começar a dizer excreção ou dejecção, para parecer científico e não vulgar), de tal maneira que constitui um embaraço quando este se ouve quando o queríamos calar, mesmo que o único sentido que desperte seja a audição; aliás, preferimos empestar o espaço com um fedorento que ninguém pode identificar a origem passando toda a gente a ser suspeito (tirando quando há moscas por perto, pois começam logo a voar na direcção da fonte da emissão, estragando o disfarce), do que a fazer um sonoro que não incomoda a mais ninguém.

Fico à pensar se não condenamos a defecção por sua ligação com o sexo, pelo menos no início. Ok! Eu explico: o acto de defecar expõe inevitavelmente o sexo (o órgão), e acho que o pudor tinha mais a ver com isso do que com questões higiénicas. Li um romance, onde uma senhora da corte francesa durante um passeio, manda parar a carruagem, e avia-se ali mesmo à beira da estrada, à frente dos demais. E parece que até o Séc. XVII era normal defecar em qualquer sítio que desse jeito, dentro da casa ou na rua, ou dizer um: água vai!, antes de amandar a porcaria para o meio da rua. E quando as medidas começaram a ser tomadas para acabar com essa porcariada toda, o acto de defecar era partilhado com os outros, porque não haviam separadores e nem sanitas cómodas como hoje, quando muito pias turcas.  

Se era isso prática comum na altura, começo a pensar quando é que a merda, ups!, defecção, começou a ser sacralizada? Eu sei que os muçulmanos nunca se relacionaram bem com ela, e julgo que e pela mesma razão acima sugerida, o sexo, porque também não se relacionam com a urina, motivo das suas abluções antes de começarem as orações. Mas, também, n’As Mil e Uma Noites soube que eles partilhavam banhos e latrinas, embora já evidenciassem o pudor de merdear em público; eram mais civilizados nesse sentido que os ocidentais.



Parece que os gregos costumavam defecar em público (confirmem se faz favor), sem vergonha desse acto, os próprios romanos tinham o que chamavam de Cloaca Maxima, a sua rede de esgotos, pois os actos higiénicos faziam-se na rua, mas, hey, os romanos eram muito desavergonhados para o nosso padrão actual, eram tipos que faziam hinos ao sexo e aos órgãos sexuais e louvavam o nudismo.

Tudo o que o corpo manda fora pelo seu sistema excretor é lixo, e duvido seriamente que se consiga reciclar. Eu cresci numa quinta enorme, quando criança eu costumava defecar no fundo do meu quintal e tinha sempre algum porco (animal) que ganhava assim refeição (era proibido de fazer isso, porque a minha mãe dizia que comíamos pela carne do animal o que eles comiam; mas eu cagava-me na proibição, afinal eles estavam ali para fazer desaparecer a prova), no entanto, nunca vi um porco a comer o seu próprio dejecto. Ou seja até aqueles idiotas de cérebro reduzido sabiam não ser saudável digerir a própria merda.

É claro que depois de as pessoas começarem a esconder os dejectos e a ter vergonha deles, todo o mundo começou a ganhar, as cidades começaram a ser mais saudáveis e as doenças desapareceram, por isso ninguém pense que estou a fazer um apelo a coprofilia. O que estou a tentar entender é por que raio começamos a ter vergonha de algo tão natural como merdear? E somos tão fascinados pela merda que Piero Manzoni - o grande trapaceiro que soube bem vestir o rei de nu (primeira foto) - teve o trabalho de cagar em 90 latas e nós o consideramos uma obra-prima.



PS: Eu não sabia que algo como a merda podia render um post tão comprido, pois acho que ainda vou voltar ao assunto.

PPS: A segunda foto é de uma instalação sanitária pública com vidros espelhados. Imaginem a sensação de merdear vendo todo o mundo (se conseguisse é claro, eu cá duvido muito), é como ser um deus: cago pra vocês, mas nem sabem.

24 de dezembro de 2010

NATAL - LAVAGEM CEREBRAL

Nenhuma sociedade sobrevive sem regras, ou melhor, se a própria natureza é toda ela regrada, ou, se o próprio caos (acreditando no livro de James Gleick) tem as suas regras, não pode a humanidade, mais ínfima do que os dois últimos citado, viver sem as suas regras. 

A ausência de regras, que seria chamado de anarquismo (algo em que não acredito, pelo menos como conceito), não é possível para nós, e pertence ainda (para mim) àquela área por explicar onde entra "por que nascem as estrelas? (tanto as astronómica, como as astrhollywódicas)... estou a tergiversar.

Eu não sou contra as regras, pelo menos aquelas normativas sem as quais a sociedade colapsaria, no entanto as outras, disfarçadas de tradição, que não têm nenhum objectivo prático para as pessoas, senão transformá-las em marionetes causam-me sempre problemas. E uma destas regras chama-se Natal.

Há quem vai dizer que Natal não é uma regra, mas uma celebração religiosa e blá-bla-blá e acompanhar tudo com frases de cartões e tiradas sentimentais, envolvendo famílias, crenças e isso. Eu já fui desse tipo, cresci numa família católica e era muito religioso quando criança (o meu sonho era ser padre). Até os meu 13 gostei de Natal, depois deixou de fazer sentido religioso, quando comecei a entrar em contacto com outras crenças cristãs, como as Testemunhas de Jeová e os Adventistas e analisar o que me diziam, em vez de apenas ouvi-los educadamente. Natal não tem sentido religioso, porque cristammente é uma farsa. E Natal não tem sentido algum, porque historicamente é outra farsa. Sendo então Natal uma farsa, só resta uma alternativa para continuar a ser celebrada: é uma regra. Uma regra sustentada por motivos comerciais. Se no passado quem ganhava era a Igreja, sendo que os crentes acreditavam que a Virgem Maria estaria mais aberta nessa época (não o levem pelo lado ordinário) e seria mais facilmente subornada por presentes para interpor junto a Deus um favor especial ao presenteador, hoje quem ganha são as empresas.

Eu podia gostar de Natal, porque de uma certa maneira deixa as pessoas mais abertas a sugestões sentimentais, o espírito natalício, fazendo-os por momentos acreditar que são capazes de mudar o mundo ou que devem ajudar os mais necessitados, mas não gosto, o espírito natalício é instantâneo e deprimente para aqueles que precisam de ser ajudados. O Natal provavelmente deve ser a altura em que os pobres mais odeiam os ricos, ou mais gostariam de ser ricos, e por essa razão mais embarcam no sentimento de que é normal lixar os outros se o objectivo é atingir a meta moderna: ser rico e poderoso. O Natal é a época onde os meus sobrinhos, de 3 e 5 anos, começaram a sofrer lavagens cerebrais lá na creche que frequentam aprendendo a idolatrar o Natal e a seguir a manada. 

Eu podia gostar de Natal se não fosse uma regra, uma regra que me dissesse que hoje tenho de dar presentes alguém e que sou má pessoa se não o fizer. E eu não gosto de dar presentes por obrigação, mas porque o quero fazer.

O Natal é a época em que, como disse uma amiga, casais que dormem em quarto separados se juntam hipocritamente para fingir que está tudo em ordem. Natal é a época é que durante 23 horas e meia, a pessoa entra em stress constante para no fim do dia, já sem forças, partilhar presentes ao lado de uma árvore (e olhem que isso é um privilégio da classe média) e no dia seguinte levantar-se com mau humor a pensar que vem aí o Ano Novo e que vai ter que pagar aos bancos. Não quero generalizar, pois há quem acredite no Natal e passa o Natal sem essas crises.

O Natal é a minha família estar a chamar-me para ir comprar alguns artigos porque vamos juntar-nos esta noite e fizeram monte de comida que vão deitar fora amanhã porque vai sobrar, razão porque tenho de acabar aqui o post, sem poder afiná-lo.

3 de dezembro de 2010

REVOLUÇÃO ANTI-BANCO

A ideia é simples: levanta todo o teu dinheiro e o teu banco afunda. Se os bancos afundarem vão-nos mandar a todos para o desemprego? Quero ver isso.

A crise económica que hoje vivemos, dizem, acontece por causa dos bancos. E o que fazem os governos poderosos?, injectam mais dinheiro nos bancos para os fazerem levantar de novo, porque são eles que verdadeiramente sustêm a economia, ou o sistema económico.

Antes que comece a dizer asneiras, suponho que devo parar de falar agora, ainda mais que me sinto preguiçoso hoje e com raciocínio lento.

Bem, eis aqui um vídeo de um ex-futebolista, Eric Cantona, onde ele faz um sugestão bastante simples para accionar uma revolução. Pode ser que ele apenas tenha feito uma declaração inócua, pórem foi levado a sério e grupos organizaram-se à volta disso, e marcaram um dia para accionar a revolução: dia 7 de Dezembro.



É claro que há sempre falhas em qualquer argumento e senãos em qualquer iniciativa ou actividade, mas eu proponho que entremos na "revolução" e vamos todos sacar o nosso dinheiro ao banco. É claro que tal não vai ser possível, porque:

1. Os bancos (em Portugal) só permitem, pelo menos via multibanco, que se levante 700 € por dia.

2. Quando se pretende levantar uma quantia exagerada (entenda-se, correspondente a mais ou menos uns três salários médios), ou seja aquela a que menos da metade da população tem acesso, tem que avisar com antecedência, para eles mobilizarem o dinheiro.

3. Os bancos na verdade não têm dinheiro, têm mais títulos electrónicos. A maior parte das compras acontece por cartões de multibanco, cartões de crédito, às vezes até por cheques, os salários são pagos por títulos electrónicos e não por dinheiro vivo, de maneira que os bancos não conseguirão pagar-te se fores sacar o dinheiro. (alguém viu Zeitgeist 2?)

Apesar disso, proponho que vamos ao banco no dia 7 de Dezembro, limpar a nossa conta, deixem lá ficar 1 € ou coisa parecida, para o caso do banco sobreviver. Isto seria pior (ou melhor) que  uma greve geral, pois os bancos com medo, teria de baixar as taxas, os spreads e não sei que mais, porque verão que a população pode controlá-los a eles ao invés do que tem acontecido.

E mesmo que não consigas levantar sempre poderás preencher o livro de reclamação.

Entrem no jogo.

12 de novembro de 2010

E O ÓSCAR VAI PARA...


Não me ocorreu nenhum título melhor para este artigo, aliás, confesso o título até parece uma injustiça para o pessoal lá do Hollywood, na medida em que eles claramente negoceiam o fingimento. Por isso, finjam que estamos a falar de fingidores profissionais e vamos em frente.

Carlos Pinota, para quem não tenha lido jornais ou visto TV ultimamente, é o jornalista proxeneta que está na ribalta por motivos errados, errados na visão da nossa sociedade hipócrita. O senhor foi indiciado porque gere sites (ou site, não sei bem) de prostituição, numa palavra mais bonita, por lenocínio.

Na sua lista foi encontrada nome de políticos, juízes e figuras importantes, pelo menos é o que diz o jornal Correio da Manhã, que cita várias vezes o nome de Carlos Pinota, mas nenhuma o dessas figuras.

Pois bem, o caso é este. Porém a mim faz-me mossa que o senhor Carlos seja indiciado por lenocínio e os jornais portugueses, o próprio Correio da Manhã (CM), não sejam; qual é a diferença entre a publicidade das duas entidades? Em termos de acessibilidade o CM é mais acessível do que o site de Carlos, que segundo o primeiro, cobra por volta de 170 Euros para publicitar uma prostituta. Não sei se Carlos ganha alguma percentagem da venda dos seus publicitandos (ou lá como se diz), mas tirado essa parte, faz a mesma coisa que o Correio da Manhã, mas como ele não tem a protecção do governo é feito réu, e o CM não, e ainda por cima o CM pode ir cobrir o acontecimento e falar sobre ele nas suas páginas, quando nas páginas seguintes tem exemplos caricatos da mesma actividade do réu (nem sei se fui literariamente coerente aqui).

A pergunta que continuo a fazer é: Por que raio o governo abençoa uma actividade para uns e a impede aos outros? Isto lembra-me uma frase de Pitigrilli: o ladrão quando quer roubar infrige uma lei, o governo quando quer roubar promulga uma lei (ou algo como isso). Será que ao CM é permitido lenocínio só porque paga impostos e é um dos jornais mais vendidos do país? Ainda estou a pensar no assunto.

Uma outra questão é sobre os figurões cujos nomes constam dessa lista. Eu não tenho nada contra a prostituição e todo esse alarde que se faz à volta do assunto para mim é simplesmente fruto de moralismo exacerbado misturado com preconceitos religiosos, portanto, é normal para mim que constem nomes nessa lista, e de figurões, considerando o dito valor que os trabalhadores de prazer pagam para serem publicitados por Carlos. Só acho também hipócrita que são essas mesmas figuras de destaque que atacam a prostituição em primeiro lugar a e à porta aberta, conhecendo bem o alcance das suas palavras, para depois usarem o serviço às escondidas. Deviam ir todos para a cadeia para aprenderem. 

Ainda outra questão é o jornal Correio da Manhã (não sei de outros) referir-se às prostitutas brasileiras. Carlos não publicita prostitutas, não, que ideia!, publicita prostitutas brasileiras. Não se trata apenas do CM, todos os jornais e os media portugueses (temendo exagerar se disser sociedade portuguesa) tem essa tendência de associar prostituição às brasileiras. Não tive acesso às publicitandas de Carlos, não sei se são mesmo apenas brasileiras, mas a prostituição em Portugal não é praticada apenas por elas. 

Essa publicidade negativa das brasileiras é perigosa. Este vídeo de Francisco Menezes (comediante que eu prezava muito, mas que caiu na minha consideração depois disso) em resposta a umas declarações em vídeo da Maité Proença, demonstra essa ideia que se tem das brasileiras. 


Aliás, pessoalmente já fui testemunha de um ataque directo, em tom de brincadeira, de um português a um brasileiro, dizendo aquele: Não conheces nenhuma brasileira?, ganha-se muito com o Pinto da Costa. Ao que este responde: Pelo menos ganham algo, pois as portuguesas eu como de graça. Na altura eu nem percebi o que queriam dizer um ao outro, só depois de ele me ter explicado é que apanhei a peça.

Voltando então à questão principal, o melhor era parar com esse fingimento de anti-prostituição, ou então indiciar também o Correio da Manhã e outros tantos órgãos da média, por "pecado" duplo: o de lenocínio  e o da propagação de preconceito. Aliás nem sei se publicitar é lenocínio.


6 de agosto de 2010

CASAL GAY PODE ADOPTAR?

Lá poder, pode. Mas será que o vão deixar fazê-lo?

Há uns tempos estive a discutir com uns colegas acerca do casamento gay. Eu era a favor, e um deles: claro que és, quando algo não é normal, nem usual, és sempre a favor. Essa mesma pessoa pediu-me para imaginar um casal de gay-homo a criar um filho e perguntou-me: não achas que esse seria gay? Bem, não soube responder, a única resposta que consegui dar foi outra pergunta, para desviar a questão: Não sei. Se os casais heterossexuais criam filhos gays, por que razão não pode acontecer o contrário? 

Eu acreditava que o casal gay mais certo era criar filhos gays, por essa razão não pude defender a minha posição sobre o casamento gay (sou a favor), porque, achei, tinha de repensar o assunto, porque se o casamento é para formar família e a família tradicional é constituída por pais e filhos, negar a adopção aos gays é o mesmo que dizer não vale a pena que casem, pois os que quiserem ter filhos não poderão fazê-lo. E eu era contra deixar as pessoas criarem gays deliberadamente, o que queria dizer que não era tão despreconceituoso quanto defendia.

(Nota: não disse pai, mãe e filhos, pois, tirando a família divina: Deus Cristo e Jesus Cristo - supondo que os filhos tomam o apelido dos pais, provavelmente Deus é Cristo - que são ambos pais da humanidade, o primeiro casal gay, se fizessem sexo - e incestuosos ainda por cima -, a família tradicional é começada por pessoas de sexo oposto).

Pois bem, na dúvida, retractei sobre o meu voto ao casamento gay e preferi pensar.

E pensando, posteriormente, cheguei à pergunta: quem ou o que foi que legitimou o mundo humano como heterossexual?

Não acredito na Bíblia, por isso dispenso respostas como: crescei e multiplicai. A natureza, sim, concordo (excluindo a humana), parece heterossexual, mas, a natureza cumpre ciclos, tem tempo de fecundar, tempo de procriar, etc., um calendário não subversível por ela própria, e a natureza é desprovida de sexualidade (considerando o plano psicológico do termo), e não sabe fazer fertilização in vitro nem clonagens, não constrói máquinas e nem evolui tecnicamente… mas nós o fazemos; evoluímos, e connosco os conceitos. Boa parte é contra os gays porque, advogam estupidamente, vão pôr em risco a continuidade da raça humana... outra parte, porque são diferentes.

Voltando à questão: por que não pode uma pessoa ser criada como homossexual (e nem sei como é que se cria uma pessoa segundo a sua sexualidade; não confundir sexo anatómico com sexualidade)?


Criar um rapaz com saias, provavelmente pode trazer-lhe problemas psicológicos, porque todos vivemos inseridos num contexto cultural, mas o uso de saia ou de calças não é apenas uma questão de moda? Os romanos, enquanto faziam a Via Ápia, o Fórum, o Panteão, o Coliseu, e conquistavam meio mundo não andavam a usar saia? Eu sei que existe o conceito de cultura e do tempo, só quero mostrar que a saia não faz o homem. Contaram-me sobre uma mulher, feminista, que foi a uma conferência das Nações Unidas, com um bigode (provavelmente implantado): questionando assim o uso de bigodes pela população masculina apenas. E falando nisso, seremos agora menos homens (masculinos) porque rapamos os bigodes, outros depilam as pernas? Não, nem isso nos torna menos homem, creio eu, mas julgo que um rapaz que seja educado desde pequeno para depilar as pernas, os sovacos e tal, vai ser considerado como quem recebe uma educação gay. E não estou a dizer que é assim que os gays vão educar os seus filhos.

A questão que ninguém levanta é a seguinte: o que faz um pai ser um bom pai?

A proibição de adoptar aos gays responde: a sua orientação sexual.

As pessoas associam à homossexualidade as taras sexuais. Mas que eu saiba, Carlos Cruz era bem casado (e falando nisso, por ele ser um pedófilo que ia aos rapazinhos quer dizer que ele é homossexual? Tenho dúvidas sobre o assunto, visto a pederastia, como a chamavam os gregos, não é a homossexualidade como a conhecemos).

Sejamos realistas, o amor altruísta, o ágape, é que faz a boa educação, e não o amor erótico, o eros. Pais de qualquer orientação sexual podem ser tanto bons pais como maus pais; qualquer pessoa pode ser tarada sexual, independentemente do lado para que dá.

Se um casal gay criar filhos gays, por que não? Se o filho não for gay… pelo menos aprenderá respeitar os que são. E o que vão fazer aos casais gays-femo? Vão laquear a trompa às mulheres para não serem fecundadas? Vão-lhes retirar os filhos se elas lá arranjarem maneira de dar à luz?

Se não vão fazer nada aos casais femininos e elas poderão conceber, porque não deixam os gays-homo adoptar?

Na verdade, como alguém já referiu, essa lei que aprova o casamento e proíbe a adopção só serve para mascarar o preconceito e é um golpe político, não pretende isenção.

2 de junho de 2010

VENDETTA

Sempre faço tenção de repetir que não sou insensível. E posso até dizer que sou um tipo xyx, embora “x” não signifique necessariamente sensibilidade, pois conheço mulheres que fariam Hitler dar à retaguarda. E para provar que não sou insensível, apresento aqui este vídeo.





Não acham que isso é de indignar? Não acham que o touro devia dar mais chifradas no desgraçado para se vingar?

Eu não amo os animais ao ponto de os não comer, aliás nem sequer sei se os amo, quando criança era bom em operar bichos: sapos e lagartixas, e sem anestesia, deixem-me salientar, e nem sei dizer se naquela altura estava a formar-me para um futuro psicopata ou se queria ser médico. Mas isso era ontem, hoje não entendo que uma multidão vá encher um estádio, sem contar com a cobertura televisiva, para aplaudir um sádico a espetar um bicho. E por isso mesmo penso que se liberarem de novo o circo romano na televisão seria o programa mais visto de sempre.

Não são apenas os toureiros os cruéis, é principalmente a massa que consome este tipo de espectáculo, o toureiro, se calhar está divido entre ganhar dinheiro ou matar uns animais, tal como um carniceiro, mas como a ética não é tão apurada ao ponto de incluir os animais não pensantes logo praticamente deixa de haver dilema.

Para dizer a verdade causa muita impressão o vídeo, aliás vi a notícia primeiro num jornal e tive de voltar a cara ao ver a foto pela primeira vez (isto é para provar que não sou insensível), senti pena do desgraçado, mas quando li a causa do acidente fiquei dividido entre pena e rejubilo. Só lamentei que o touro não tivesse subido a bancada para marrar naquela multidão.

E já, para fechar este post, faço um apelo aos kamikazes de qualquer facção, política ou religiosa, desde a ETA aos Talibãs: por favor, meus estúpidos e odientos senhores suicidas, quando quiserem arrebentar, evitem os templos de consumos, evitem os templos de sabedoria (ou formatação), evitem parques infantis, na verdade, evitem explodir… mas se não puderem evitar… vão explodir para as touradas.